30 setembro 2008

Com que então o plano 'paulson' foi chumbado...

O plano de recuperação económica foi chumbado pela câmara dos representantes. Este plano financeiro possuía tremendas discriminações. A injecção -melhor, a compra de activos 'tóxicos' de financiamento imobiliário por um valor superior ao de mercado para aumentar a liquidez do mercado- de 700 mil milhões de dólares iria empiricamente beneficiar os banqueiros negligentes que usaram e abusaram de um mercado sem regulação para a obtenção de lucros. Quanto a ajuda estatal (de mesma envergadura) a quem não consegue pagar o empréstimo (a essência da crise actual), nem vê-la. Não aparece no falhado 'plano paulson'. É uma acção absurdamente repetitiva: paga o pobre e regulado contribuinte pela negligência do livre e desresponsabilizado rico.

Este plano visa 'salvar' instituições financeiras que ao longo dos anos tiveram uma lucrativa actuação económica de risco (não querendo que o Estado interviesse no seu bolo de lucros) e agora, perante a crise (a bolha especulativa rebentou), clamam pelo apoio estatal. Contudo, este plano, tem grandes falhas e perigos: poderá ser perigoso por abrir um precedente (se aprovado seria ao longo dos tempos usado como argumento de subsídiarização dos erros económicos); por descriminar quem realmente sofre e tem de pagar a crise (os pobres que não conseguem pagar os empréstimos e têm de contribuir, involuntariamente, para a salvação); e pelo não reconhecimento das verdadeiras causas da crise e o apontar de medidas futuras que prevenisse situações como a actual. É preciso repensar o sistema económico e não apenas subsidiá-lo a ser como era.

29 setembro 2008

Será que o caso da Bolívia foi um precendente ou um caso pontual ?

«O projecto da nova Constituição equatoriana proposto pelo Presidente socialista Rafael Correa foi aprovado com 64 por cento dos votos no referendo realizado ontem, de acordo com os resultados oficiais de 80 por cento dos sufrágios, publicados hoje pelo Supremo Tribunal Eleitoral.» in [Público].

Adenda: O título refere-se às consequências nefastas (que aconteceu na Bolívia recentemente) de uma mudança constitucional para tornar a legislação "mais socialista" e não ao facto do referendo da Bolívia ser único ou um precedente.

25 setembro 2008

'Farmainteresse' (II)

A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) ultima-se para recorrer através da via legal a regularização das dívidas de 744 milhões de euros por parte dos hospitais. É legítimo que alguém exija que lhe paguem a tempo e horas. Contudo, também é legítimo e necessário que o Estado, tão agastado com os poderosos cobradores, devesse recorrer à via legal quando o cumprimento da legislação que estabelece o regime jurídico para a distribuição de medicamentos por grosso está em causa e as entidades competentes não actuam. A 'indignada' indústria farmacêutica, em nome do lucro e desrespeitando a legislação, exporta medicamentos sem assegurar o stock nacional. Isto, implica um risco sério para a saúde de todos os que necessitam de se medicar.

Algo que o Infarmed, instituição reguladora para a área do medicamento, deveria ter averiguado. De reparar que esta instituição reguladora, como outras em outras áreas, carece de legitimidade para o papel que desenrola no nosso país. Através de declarações do ex-ministro da saúde, Correia de Campos, tornou-se do conhecimento público que as comissões que decidem as comparticipações de medicamentos são compostas por consultores de empresas farmacêuticas! Um óbvio conflito de interesses.

Dir-me-ão os entendidos[da estripe do presidente do infarmed] que «O problema não é haver conflito de interesses, o problema é não conhecer esses conflitos». Sinceramente, o problema está no evidente conflito de interesses, que por consequência induz -como já nos mostrou inúmeras vezes os relatórios do Tribunal de Contas- num mau uso do dinheiro dos contribuintes.

Para finalizar os escritos deixo-vos uma citação de um outro entendido[João Almeida Lopes, presidente da Apifarma] que nos apresenta de que lado está a regulação do mercado de medicamentos em Portugal: «O Infarmed é financiado pelas taxas pagas pelas empresas farmacêuticas, não depende directamente do Orçamento Geral do Estado, antes é financiado pelas taxas que as empresas pagam».

24 setembro 2008

God or something else save this soul because he doesn't know what is talking about

«O plano retira a dor de Wall Street e a espalha pelos contribuintes. Esse socorro não é solução. É socialismo financeiro e é anti-americano.» dito e subscrito pelo senador republicano Jim Bunning.

Parece que poltergeist do senador McCarthy ainda ilumina e 'mexe' com muita alma republicana nos EUA.

Se capitalizasse a minha sensibilidade como eles capitalizam a da bolsa, a esta hora não estaria aqui...

« Petróleo sobe mais de 2% à espera de uma queda das reservas

Os preços do petróleo seguiam a ganhar mais de 2% nos dois mercados de referência, com as expectativas de queda das reservas petrolíferas norte-americanas, que vão ser anunciadas esta tarde.» in [Jornal de Negócios]

O sistema bolsista, seja qual for o sua área de actuação, sempre me fascinou. Entenda-se fascínio, neste caso, não como sinónimo de deslumbramento mas sim de interesse. É fascinante a sensibilidade deste tipo de instituição económica. Basta um simples boato ou declaração de algo influente no sistema económico para que o sistema bolsista reaja instintivamente, como qualquer selvático ser.

Neste caso, as expectativas (algo que não se realizou) sobre uma eventual (algo que ainda não é um facto) quebra das reservas petrolíferas norte-americanas leva uma subida (bem concreta) do preço cotado do barril de petróleo. Depois, virá a divulgação oficial (aquela parte onde a expectativa se concretiza e a eventualidade torna-se bem real), e claro, tudo isto acompanhado com uma subida do preço do petróleo cotado na fascinante bolsa. Em suma, o preço é influenciado várias vezes por um mesmo acontecimento antes, durante e depois de se realizar. Nada de especial, é a bolsa estúpido...

23 setembro 2008

BastoTv efémera ? (II)

Há uns meses atrás, brincava com a criação de uma petição on-line para a reactivação deste sítio. Ao que parece a duração efectiva deste sítio apenas foi de dois meses. Até aos dias de hoje, o conteúdo informativo (ou propagandista como queiram) nunca mais foi actualizado. Cai um projecto interessante. A BastoTv, em rigor o sítio, já era.

Adenda: contudo, acredito num possível retorno sebastiânico deste projecto. Provavelmente, numa outra altura bem mais "mediatizável".

Nada de especial, é apenas o senso comum

«O antigo Presidente da República Mário Soares acusou esta segunda-feira a maioria dos líderes da União Europeia (UE) de continuarem subservientes ao presidente norte-americano, George W. Bush.»

22 setembro 2008

Erguei-vos precários e indigentes trabalhadores deste país e perguntai a este senhor se é esta a responsabilidade social de quem nos emprega

«Com o país a perder competitividade externa, Ferraz da Costa[presidente do Fórum para a Competitividade e ex-presidente da CIP] lembra o estudo do economista do MIT, Olivier Blanchard, segundo o qual Portugal teria necessidade de uma quebra dos salários reais em cerca de 30 por cento “para manter a competitividade da maior parte dos sectores tradicionais”, no contexto do euro. O gestor partilha da mesma opinião.» in [Público]

Este tipo de comentário demonstra-nos um modo de pensar e de agir que assola muito dos empresários e gestores por este País. Quantos 'gestores' e derivados partilham a opinião (os salários reais dos trabalhadores portugueses, de forma a melhorar a competitividade da economia portuguesa, devem reduzir 30%) deste (des)conceituado 'patrão'. É isto a responsabilidade social de quem nos emprega ? Por favor, haja decência.

20 setembro 2008

Por falar em São Miguel e festividades idênticas com resultados idênticos...

to drunk to fuck, Dead Kennedys

As gloriosas e majestosas Festas de São Miguel começaram hoje

Para saber mais, por favor, clique exactamente aqui.

19 setembro 2008

Não é fracturante, é uma constitucionalidade (II)

«O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, afirmou hoje que ainda não está decidido se haverá liberdade ou disciplina de voto para os deputados socialistas em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.» in [Diário Digital]

[Silly Season daily dose] Um único cartão ! Arre, valho muito mais do que isto (ou não)

Ao que parece por entre os passeios, corgos, montes e vales cabeceirenses o símbolo máximo da modernização (ou não) já 'corre' por aí. É o Cartão do Cidadão, vulgo 'cartão único'. Aderia num estalar de dedos a este movimento governamental de vanguardismo burocrático, não fosse a perda da minha humilde carteira, o reencontro com ela (intacta mas monetariamente 'vazia')e o reparar na validade do BI. Na renovação (obrigatória) do dito documento de identificação fui burocraticamente 'roubado' (puxa, ao menos é pelo Estado). Por isso, continuo a usufruir do antigo, inestético e amarelado documento carimbado. Contra a corrente modernista, agora só em 2014, continuarei (nada que não esteja habituado).

17 setembro 2008

O sistema

Estamos perante mais uma crise económica mundial de contornos imprevisíveis. A crise actual (apenas uma doença congénita a demonstrar as falhas do sistema) tem a sua génese na parte mais insalubre do capitalismo- o sector financeiro. A crise do subprime tenta apenas reorganizar e apurar o sistema. Foi, e é, uma crise na base de sustentação do capitalismo- o consumismo. Sendo o crédito a base de sustentação do consumismo, e este o do capitalismo, logicamente, que o sistema económico actual está em crise.

Isto é apenas um ciclo de regeneração económica. Uma frase feita. Eliminar as perniciosas empresas, para que no resultado da 'combustão' destas, se regenere o sistema com novas e melhor preparadas empresas. Outra frase feita. Entretanto, no tempo que separa as anteriores frases, muitos sofrerão com esta 'regeneração'. Nomeadamente, os mesmos que através do seu consumismo 'alimentam' o sistema. O mesmo sistema que, seja em tempos de fartura ou de carestia, mordomia uns em detrimento de muitos. É um sistema económico injusto, imprevisível e não o melhor.

Não é fracturante, é uma constitucionalidade

«No dia 10 de Outubro, o parlamento vai discutir o projecto de lei do Bloco para permitir o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. A proposta bloquista altera o código civil para definir o casamento como "o encontro de vontades, solenemente formalizado, de duas pessoas que pretendem constituir uma família mediante uma plena comunhão de vida".» in [Esquerda.net]

Parece que o Partido Socialista irá utilizar a disciplina de voto, que regiamente decide pelas cabeças do seus deputados, para que na Assembleia da República, mais uma vez, se aproxime empiricamente do pensar e do agir da laranja conservadora, em que se tornou o PSD. O partido socialista(?) obrigará, não encontro melhor palavra, os concubinos deputados a votar contrariamente ao diploma do bloco de esquerda. Socialistas? Não, militantes do partido socialista.

16 setembro 2008

Por falar em criacionismo, nada como explicar a moralidade como uma evolução de um instinto social

«A moralidade é muito mais antiga que a religião, os humanos tem consciência, ou gama de consciências morais, inata, que se podem ver como versões sofisticadas do instinto social (...)que vemos nos chimpanzés e outras espécies sociais.»

Nada de especial, é apenas uma consequência do ciclo natural do mercado que se quer livre e autónomo (II)

«A American International Group (AIG), a maior seguradora por activos do Mundo, perdeu ontem em bolsa 60,8% do seu valor a que se junta uma queda de 30 por cento da passada sexta-feira. Este ano a seguradora já perdeu 92%. Os analistas temem que a AIG siga o caminho do Lehman Brothers, que domingo declarou falência.» in [notícias.rtp.pt]

15 setembro 2008

Nada de especial, é apenas uma consequência do ciclo natural do mercado que se quer livre e autónomo

Um dos maiores bancos dos EUA declara falência.

Sobre médias, cursos e ilusões sazonais que embevecem durante décadas

Existem escritos que no passar de dias, meses e anos continuam tristemente a assustar-me:

Empertigados e Empertigadas, quem precisa deles...

Pelo ano todo, em especial nesta altura setembrina, narizes empertigados comunicam com as suas bocas respectivas, de igual modo empertigadas, e proferem vocábulos soberbos cheios de baba. Para quem não atura verborreias prolixas, cá esta uma excelente dissertação sobre estas diarreias verbais no fontes do ídolo.

Os peões jogam-se inocentemente para alavancar jogadas de maior preparo (III)

Sobre a crise na Bolívia e 'jogadas de maior preparo' com que se pauta o mundo, aconselho aos cépticos e aos convictos para visualizarem este artigo sobre as causas da expulsão do embaixador norte-americano, Philip Goldberg (ao que parece um expert em criar conflitos e arrufos):

Bolívia: Os movimentos de um embaixador especialista em conflitos separatistas

13 setembro 2008

A banalidade do momento

«"Discute-se tudo o que é trivial, alguns responsáveis políticos concentram-se no que é secundário. O Presidente da República, primeiro-ministro e alguns ministros só discutem se o presidente deve ou não deve ouvir os responsáveis políticos regionais, quando dissolve uma assembleia regional", disse o líder do BE, durante a "Marcha contra a Precariedade", que hoje esteve na Margem Sul.» in [JN]

Certo e incisivo. O exagero mediático em torno dos vetos e dos 'humores ideológicos' do nosso mui estimável presidente da República, realça, aquilo que tanto nos aproxima de Angola- a partidarização dos órgãos públicos e governativos. Invés dos nossos governantes e afins canalizarem o seu precioso tempo à causa partidária (de estratégia e jogo político para a manutenção e captação de poder) praticassem a suposta dedicação à causa pública, poderíamos ser um pouco mais democráticos e muito menos 'politiqueiros'.

[Silly Season daily dose] Um dos intervenientes do estado de irritação de 'napolitanos' e 'romanos' aqui no nosso mui belo concelho

Please don't tell me how the story ends (II)

Banca volta a pagar metade da taxa de IRC das empresas

«A taxa de IRC da banca portuguesa caíu para 12,5% no fim do primeiro semestre. A banca lucrou mais de mil milhões de euros neste período, mas com o aumento das provisões que em parte são consideradas custo fiscal, acaba por pagar apenas metade da taxa de IRC aplicada às empresas.» in [Esquerda.net].

Please don't tell me how the story ends

«Aumentos salariais não vão ter em conta perdas do poder de compra» in [Agência Financeira].

12 setembro 2008

If/ then/ else

Interrogação: O que aconteceria se a pró-bélica Sarah Palin ostentasse o cargo da vice-presidência e assessorar-se o 'pueril' presidente John McCain ? Sim, neste exacto momento em que o insolente Chávez expulsou o séquito diplomático norte-americano da Venuzuela e insultou, violentamente, a grande nação americana ?

Possíveis tópicos de resposta: Qualquer coisa relativo a guerra, deus, petróleo, reserva federal americana, indústria bélica, geo-estratégia, império, imperialismo e IV esquadra naval americana.

11 setembro 2008

[Silly Season daily dose] Senhores de Basto

O Vítor Pimenta irrita-se com o descuido ambiental das entidades competentes no Arco de Baúlhe (Vítor, não é só em 'Nápoles', cá, em 'Roma', também temos o mesmo problema). Contudo, (re)apresenta-nos um interessante rascunho sobre um parque de campismo em Arco de Baúlhe. (Pá, nem todos os belgas são flamengos como nem todos os flamengos são belgas!!)

Noutro recanto de Basto, no pensar de Carvalho Leite, a inexistência de uma grande superfície comercial em Cabeceiras de Basto (qual proteccionismo económico) pressupõe a proposta da elaboração de uma carta para o comércio local. (Interessante, agora a preparação das gentes é que o difícil, porque já há muito estão preparados, ok, desejosos que algo assim aconteça).

O conterrâneo Ilídio Santos, questiona a instituição "poder" e a corrupção que lhe corrói. São coisas da Democracia, dir-me-à ele (eu, dir-lhe-ia mais: são efeitos secundários que importa minorar ou acabar).

Os peões jogam-se inocentemente para alavancar jogadas de maior preparo (II)

Qualquer insinuação à ligação entre a reactivação e o posicionamento da IV esquadra naval dos EUA (que estava desactivada desde 1950), que funciona como posto avançado dos EUA e articula e coordena as 'forças no terreno' que, digamos, 'pressionam' os novos governos sul americanos de índole socialista, e os acontecimentos na Bolívia, não pode ser descurada. A história ensina-nos a não pôr de parte tanto o óbvio como o dúbio.

Será de estranhar que o presidente Evo Morales expulse o embaixador dos EUA em La Paz? Claro que não, as jogadas geopolíticas (que ainda acontece mas com uma sofisticação que anteriormente era desprezável) dos 'interesses americanos' estão ao rubro na Bolívia. São as consequências do precedente da 'revolução socialista' às portas dos EUA, e da necessidade 'imperial' de salvaguardar as posições comerciais e de influência norte-americana naquele país.

Aproveito, hoje, 11 de Setembro, para sublinhar as semelhanças entre o que se passa na América do Sul hoje e o que se passou à 35 anos atrás, quando um líder carismático que defendia a 'via chilena para o socialismo' foi assassinado. Este homem era Salvador Allende.

O horror contra a mudança

Definitivamente a situação sócio-política na América do Sul está a mudar. As mudanças naquelas, e por ventura em outras, regiões são difíceis e sangrentas. Depois da confirmação popular, através de um referendo nacional, Evo Morales e o seu vice-presidente foram reconduzidos na presidência boliviana. Contudo, a violência, o isolamento imposto e protestos oposicionistas aumentam. Contra o processo socializante na Bolívia, os oposicionistas (porque estão ou irão perder as prerrogativas 'feudais' e humilhantes que auferem) ao governo, chegam ao ridículo de justificar os seus protestos e actos violentos com o aumento das pensões dos idosos. Imaginem só, que uma das causas de tamanho ódio e violência seja a canalização da maior parte da renda oriunda da comercialização do petróleo e derivados dos departamentos, desde Janeiro passado, para um programa nacional de assistência aos idosos. Curioso, que haja paradigmas socialistas em que o capitalismo teime em não aceitar, mesmo que sejam compreensíveis actos abnegativos.

10 setembro 2008

[Silly Season daily dose] Pronto, não é bem com o feiticeiro mas com o outro é que não é de certeza

Antes morrer livres que em paz sujeitos (ao Cavaco Silva) II

" «São 141 normas e só 8 foram declaradas inconstitucionais. E essas serão expurgadas do texto, para que a lei acompanha a Constituição, como o PS quer que acompanhe», disse hoje o vice-presidente da bancada socialista.

Todas as outras dúvidas levantadas por Belém terão tratamento diverso, sublinhou Ricardo Rodrigues. Isto porque são «opiniões políticas» de Cavaco silva e «o Presidente da República, ao não ter querido que o Tribunal Constitucional se pronunciasse sobre estas normas conformou-se com elas», argumentou. " in [SOL]

Como o veto presidencial é relativo -sobre diplomas aprovados pela Assembleia da República- e sendo ele de índole política, a reacção da maioria socialista é a correcta. Ajustar o «Estatuto dos Açores» à Constituição (alteração das normas inconstitucionais) é o obrigatório. Tudo o mais é relativo. Sendo assim, o nosso muito estimado Presidente da República terá o que procurou. Uma reprovação política, espectável, pela Assembleia da República e em particular pelo partido socialista.

09 setembro 2008

Contabilística Educação

Além do exemplar saber escrever e falar, onde realmente se sente o défice educativo é no saber pensar. Num País onde o seu sistema educativo se pauta pelo decorar invés do raciocinar e onde os resultados escolares são o áureo objectivo, é o saber pensar ou simplesmente o pensar que é relativizado e secundado.

08 setembro 2008

O sempre solidário Estado, que dirão os adeptos do "Mercado livre" americano quando o seu paradigma económico trai a ideologia em troca do bem comum

«O governo dos Estados Unidos da América decidiu assumir o controlo das empresas Fannie Mae e Freddie Mac, as duas gigantes do crédito imobiliário, para evitar a sua falência. O plano governamental prevê o investimento até 200.000 milhões de dólares nas duas empresas, tornando-se na maior intervenção de sempre do Estado norte-americano no sector financeiro.» in [esquerda.net]

07 setembro 2008

Qualquer simultaneidade entre os EUA e a Federação Russa é puro imperialismo

«As forças russas atravessaram uma fronteira internacionalmente reconhecida para entrar num Estado soberano. Alimentaram e fomentaram um conflito interno, levando a cabo actos de guerra sem consideração pela vida humana, matando civis e provocando o êxodo de milhares de pessoas». Dick Cheney (vice-presidente dos EUA) in [TSF]

Um arco de festas

Após seis semanas consecutivas em trabalho e alguns acontecimentos e eventos perdidos, este fim-de-semana foi puro ócio e entretenimento. Como não podia de ser, fui à vila vizinha (Arco de Baúlhe), às festas religiosas(?) da nossa senhora dos remédios. Objectivo: 'socializar', descontrair e divertir-me um pouco. Deixo, em síntese, o bom , o menos bom e o mau momento (minha humilde opinião) da minha passagem pela festividade arcoense.

A Táscoela ('tasco' de requinte rústico) foi pelo ambiente, o círculo de amigos, a música e pelo espaço, o bom da festa.

O 1º Arco Festival foi uma boa iniciativa. Sinceramente, não sei como foi o festejo de tal festival, porque não passei da bilheteira para dentro. Num acto de propaganda a organização do evento distribui umas pulseiras plásticas como forma de publicitar o festival. Uma delas chegou-me às mãos. Eu e um conjunto de amigos lá fomos. Chegados lá, com a gentileza (de fim de noite) o staff, após interpelação, nos disse que as pulseiras plásticas de nada serviriam, isto é, não dava direito nem à isenção do preço do bilhete nem a qualquer regalia intra-festival. Sendo assim, como sou um não-fã do tipo de música lá praticada e aliado à falta de regalias para lá estar (só assim), não entrei.

Pá, ninguém me disse que a pulseira não me dava algum tipo de regalia, pelo contrário. Contudo, também não confirmei e acreditei na palavra dita por quem me ofereceu a pulseira. O logro aliado ao senso comum (que nestas festividades nos diz que quem possui uma pulseira alguma regalia há-de ter) resultou, a meu ver, em publicidade 'enganosa'. Por isso, foi o momento menos bom.

José Malhoa e a sua música, também, intervieram na festividade. Um típico bailarico para animar o povo e romper com frio que se sentia no espaço. Tudo característico e normal se não fosse um surto de imbecilidade (ou então um humor muito, mas mesmo, muito peculiar) vocalizado pelo cantor. Não é que o homem, no habitual diálogo nos intervalos musicais (penso que o objectivo é cativar o pessoal), vocaliza «...quem for maricas(?) que grite ». Como é óbvio e por questões de decência mental, ninguém respondeu ao repto. De seguida dá a 'tirada' da noite «estou a ver que aqui em Arcos de Baúlhe está limpinho». Pois, estou a ver que o preconceito e a imbecilidade andam insistentemente de mãos dadas. Juntado estas 'tiradas' preconceituosas e de mau gosto com a insistência (que admitiu o erro após uma repreensão do público) do cantor em tratar Arco de Baúlhe por "Arcos de Baúlhe", vale o momento mau da festividade.

05 setembro 2008

Cuidado com a «Onda de Violência» que nos dão

A mediática «vaga de violência», que os media têm empolgado e deturpado com base na mais manipulável 'galha' da matemática aplicada: a estatística, tem-nos acompanhado nos informativos momentos da televisão e da imprensa portuguesa. Ao contrário dela, em que o objectivo é a produção da melhor informação possível a partir dos dados disponíveis, os media 'sensacionalizam', em troca de uma informação credível e bem fundamentada. A politização desta «vaga de violência» é instantânea e natural. O cúmulo da 'politiquice' deu-se com os murmúrios da oposição da direita política. A provar esta situação, demonstra-se com a silly proposta social-democrata: o pedido de demissão do ministro da administração interna.

O governo em resposta, 'alinha' na mediatização da «onda de violência». O que faz ? Apresenta serviço. Como ? Engendrando um esquema, também com um intuito mediático, de apaziguamento da opinião pública. Esquema este, baseado em critérios científicos pouco explícitos, põe as forças policiais em acção de apaziguamento da opinião pública. Onde ? Nos sítios do costume e com os preconceitos do costume: nos bairros sociais que são mediaticamente assinalados pelas inúmeras notícias negativas. Para além de um 'fogo de vista' que visa acalmar os ânimos sedentos de segurança da população visionária dos noticiários da noite, obtém-se um resultado excelente, nas palavras dos responsáveis policiais: com a mobilização de mais de 1100 agentes, durante vários dias na zona de Lisboa e Porto, o resultado das 'rusgas foram a apreensão de 8 armas de fogo e 3 armas brancas, doses de estupefacientes , 32 detenções e a interpelação de 958 suspeitos de crime.

Portanto, em comparação com o acto policial, os resultados, e atendendo à «onda de violência» que nos assiste, foram aquém das expectativas.

Silly Season daily dose

Para uns a silly season já terminou. Para mim, não. Só darei como terminada, quando eu a terminar. Enquanto isso, rejubilai irmãos, a silly season continuará.

Relax with covers

clap hands, Beck

Que ingrata és imperiosa Realpolitik

Ao ler este post do Vítor, não me saía desta sádica cabeça (além da música do magistral Tom Waits, Clap Hands) a insistência, salteada por adulação e por puro exercício democrático, em que falam, discutem e opinem as eleições do segundo maior país democrático- o grandioso EUA, e isto sem enfatizar a essência do discurso e propaganda política americana, que é baseada em mais raciocínio argumentum ad hominem do que em argumentação/refutação de ideais e ideias. Certo é, o que acontecer, para além das torrentes de água e de liberalismo económico que nos separam, irá directa ou indirectamente mexer com as vicissitudes do dia-a-dia do simples cidadão. Mas não pensem que as linhas orientadoras (ou imperialistas, como queiram) da política americana serão essencialmente modificadas. Não, pelo menos relativamente às relações internacionais serão apenas nuances de performance. Mas como o efeito borboleta é algo bonito e matematicamente fascinante, tenho a esperança que as futuras nuances (com a eventualidade da sebastiânica eleição de Barack Obama) de performance nas linhas orientadoras tenham, consequentemente, um efeito bem diferente no mundo extra-EUA. Sim, aquele em que a política o desenha no mapa consoante as necessidades e a estratégia do Império.

04 setembro 2008

Partilha do Saber

Apresento-vos um recente blog com origem em Cabeceiras de Basto. Intitula-se Partilha do Saber. Um nome sugestivo e deveras convidativo. Escrito e autenticado por Telmo Bértolo. Um novo sítio a ler e a reter.

03 setembro 2008

Cuidado diabos e diabretes eles andam por aí : "Autoridades policiais de Braga procuram homem que assaltou hoje dependência da CGD "

the hell (1952), Robert Doisneau

As autoridades policiais de Braga procuram o autor de um assalto à mão armada ocorrido às 9h41 de hoje na dependência da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em São Vítor, Braga, disse à Lusa fonte policial.

Um 'choque tecnológico' no serviço autárquico

Uma fase do projecto Tâmega Digital já está em execução. Respectivamente, a parte do projecto correspondente à instalação das redes autárquicas de banda larga nos cinco municípios do Baixo Tâmega. É uma 'autarquização' da banda larga no Baixo Tâmega. Depois de concluída, a instalação, a rede autárquica de banda larga estará disponível nos serviços e espaços públicos e autárquicos. Servirá para agilizar as comunicações entre serviços autárquicos, inter-municipais, intra-municipais e entre o cidadão e a entidade pública. Uma desburocratização com a prestação de serviços céleres e de qualidade, por parte dos serviços abrangidos por esta "Rede Digital", será o objectivo. A Administração local desta região avança para o famigerado choque tecnológico.

post scriptum: Alguém saberá porque, mesmo mudando de unidade territorial, Cabeceiras de Basto não "abraçou" este projecto? Mondim de Basto também mudou de unidade territorial mas integra este projecto (Tâmega Digital)...

02 setembro 2008

[Silly Season daily dose] Ser kitsch ou não ser, eis a questão que o Michel Polnareff poderá esclarecer

Michel Polnareff, senhor de cantares melodramáticos e de um romantismo saudosista que prende e esfarrapa os coraçõezinhos mais frágeis e vulneráveis, fez e faz furor entre francófonos e filo-francófonos. É um cantor que provoca um revivalismo sentimental a quem alguma vez morou ou passou pela França nos loucos anos 70 e 80.

Como as palavras valem o que valem. Nada como comprovar a contradição da imagem deste senhor com a música que elabora. Ouçam, pensem e vibrem com Michel Polnareff e a sua contradição imagética e vivencial. A seguir je suis un homme, Michel Polnareff:

Eis um exerto da enigmática letra da canção je suis un homme:

La société ayant renoncé

A me transformer

A me déguiser

Pour lui ressembler

Les gens qui me voient passer dans la rue

Me traitent de pédé

Mais les femmes qui le croient

N'ont qu'à m'essayer.

(o resto da letra aqui)

01 setembro 2008

O clímax do arraial cabeceirense aconteceu no Sábado, e eu não fui. Dir-me-ão, para o mal e para o bem, não sabes o que perdeste...(sei, sei !!)

Cabeceirenses convivem na Quinta da Malafaia. Pela manhã partiram os seniores, seguindo-se os jovens e pessoas em idade activa, em grande animação (e com muito barulho).

Oferta Privada de Aquisição do Serviço Nacional de Saúde ultima-se

«Alguns exemplos bastarão para dar conta da gravidade da situação [transformação da saúde, de serviço público em negócio lucrativo]. Recentemente a Ministra da Saúde convocou todos os directores de serviços públicos de procriação assistida, no sentido de lhes criar as condições financeiras e humanas para aumentar significativamente a oferta pública destes serviços. Todos, excepto um, recusaram a oferta, sob vários pretextos e por uma só razão: todos eles dirigem serviços privados de procriação assistida e não queriam que os serviços públicos lhes fizessem concorrência.

Outro exemplo, ainda mais perturbador. Um determinado hospital público decidiu aumentar a oferta de serviços especializados para corresponder às solicitações crescentes dos cidadãos. Pois viu esta decisão contestada nos tribunais pelo sector empresarial hospitalar com o fundamento de que, ao expandir os serviços públicos, se estavam a pôr em causa as legítimas expectativas do sector privado quanto à sua expansão e lucratividade. Apesar de um tal propósito bradar aos céus, há juristas de renome dispostos a dar pareceres eloquentes a favor dos queixosos e só nos resta esperar que os nossos tribunais façam uma ponderação de interesses à luz do que determina a Constituição e decidam correctamente.

Terceiro exemplo. Contra o parecer da Ministra da Saúde, o Ministro das Finanças autorizou um acordo entre um hospital privado, pertencente ao Grupo Espírito Santo, e a ADSE, com o objectivo de, com o novo fluxo de doentes, viabilizar um hospital em dificuldades. O dinheiro gasto nesse acordo não poderia ter sido aplicado, mais eficazmente, na expansão dos serviços públicos? A ironia da história é que, pouco tempo depois, os jornais anunciavam em primeira página que os utentes da ADSE estavam a ser preteridos no referido hospital por a ADSE pagar pior. »

Apenas um excerto de um artigo de Boaventura Sousa Santos, sobre a transformação escandalosa do serviço público de saúde em negócio lucrativo. A ler e a reter : Saúde: do serviço ao negócio.