01 março 2011
07 fevereiro 2011
04 fevereiro 2011
Contradições económicas
A Google anunciou, recentemente, que pretende contratar mais seis mil trabalhadores. A estratégia é evidente: aglomerar inteligência e criatividade como forma de se destacar no seu domínio de negócio. Este tipo de acção só é suportada por empresas com um bom desempenho económico e com objectivos claros. No entanto, a consequência foi logo sentida no "volátil" mercado bolsista: as acções, da Google, caíram 0,3 %. Em contraponto, e no mesmo sistema económico, quando uma empresa decide "reestruturar-se" (pragmaticamente, significa despedir mantendo a mesma produtividade) o, "senso comum", dir-nos-ia que a empresa está com certas dificuldades e pretende corrigi-las. De facto, só se "reestrutura" algo se, este, apresentar problemas. O efeito esperado poderia ser uma descida (caso estivesse cotada em bolsa) das suas acções. Não é o que acontece. O efeito é exactamente o contrário (na maioria dos casos), ou seja, sobe a sua cotação bolsista. Pode não haver uma relação directa entre este tipo de acção (despedir e contratar) e o seu efeito no mercado bolsista. Porém, ela (a relação) existe e desafia-nos logicamente.
15 setembro 2010
Novo acordo, velha receita
O Novo Acordo de Basileia sobre Capitais, conhecido como Basileia III, é um acordo internacional que impõe algumas regras, propostas por entidades reguladoras, ao sector financeiro. No entanto, o sector financeiro, obrigado agora a reter mais capital e, consequentemente, a ter custos com isso, já alertou que irá elegantemente transferir estes custos para os clientes. Nada de novo, já fizeram com os Estados (ao encaminhar as suas dívidas privadas para a dívida pública) e sempre fizeram com os clientes. Ou pensam que os lucros fabulosos são fruto de uma conduta ética e solidária?
30 agosto 2010
18 agosto 2010
A primazia do lucro
É uma notícia que anda a agitar os pilares da Internet. Há pouco tempo a Google e a Verizon (um dos grandes operadores de telecomunicações nos EUA), qual cartel cibernético, tornaram público uma proposta: acabar com a neutralidade da Internet na rede móvel, ou seja, promover uma Internet a duas velocidades. Uma velocidade para todos os utilizadores e outra para as grandes empresas do sector. O objectivo da proposta destas duas empresas dirigida ao regulador norte-americano, consiste em criar uma "auto-estrada" digital na Internet da rede móvel para empresas que a possam pagar, relegando a "estrada" normal para todos os outros.
A proposta peca em todos os sentidos. A quebra da neutralidade da Internet (ou seja, todos usufruem da mesma velocidade de acesso apenas condicionada por preceitos físicos) irá restringir o acesso (a quem possa pagar por ter um serviço de Internet mais rápida e poderoso) e a própria dinâmica comercial. As empresas que nascem e pretendem se desenvolver neste sector tecnológico estarão condicionadas, pois não poderão usufruir da mesma qualidade de acesso à Internet que as empresas concorrentes que dominam este mercado e pagam a "auto-estrada" digital. É o fim da igualdade de oportunidades para quem cria e produz serviços e produtos neste sector.
Sendo a Google uma das proponentes, mostra o cinismo que há nesta proposta. Basta recuar para o período inicial do desenvolvimento desta empresa para evidenciarmos esta afirmação. Quando a Google apresentou o seu motor de busca, outros dominavam o mercado. Caso, a proposta que hoje apresenta, estivesse estabelecida, as empresas dominantes condicionariam certamente o crescimento do seu motor de busca. E hoje, a Google, seria ,irremediavelmente, diferente.
A proposta garante os lucros das grandes e dominantes empresas na Internet. A proposta não tem o intuito de melhorar os seus produtos e satisfazer os utilizadores e clientes. Tem o objectivo de modificar o acesso a um serviço, que na minha opinião essencial e que deveria ser universal, para assim garantir os lucros para os seus accionistas.
14 junho 2010
O aviso
"O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto: se a FAO calcula que 30 mil milhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 mil milhões para salvar o sistema financeiro europeu? A luta de classes está a voltar sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho." Boaventura Sousa Santos in [Visão]
13 junho 2010
Lembram-se da pandemia da gripe A ? Pois bem, não existiu
Deixo este texto (1) de Abel Alves e estes (2,3,4) que eu outrora escrevi sobre a "toda-poderosa" indústria farmacêutica, como suplementos ao vídeo em epígrafe.
05 maio 2010
O jogo continua
"O aviso da Moody's [a ameaça de baixar o "rating" da dívida portuguesa] segue-se à baixa da cotação atribuída por outra agência, a Standard&Poors, e é anunciado no mesmo dia em que a Comissão Europeia reviu em alta o crescimento da economia portuguesa(...)" in [DN]
30 abril 2010
Em Wall Street já há fumo
"Esta semana, o Goldman Sachs, um dos bancos que mais lucrou com a crise, teve de defender-se frente a uma comissão do Senado das acusações de fraude no mercado de hipotecas."
"Face à renitência dos republicanos em pressionar os mercados financeiros, 62 membros da câmara dos representantes entregaram um abaixo-assinado à justiça para que investigue a fundo os métodos e acções de várias empresas de Wall Street."
[Ler mais]
Enquanto nos EUA a população se revolta com a promiscuidade da banca e a influência negativa que tem no mercado de emprego, fragilizando ainda mais os desempregados, em portugal, parece que a generalidade aplaude o governo pelos cortes ao subsídio de desemprego. A diferença de mentalidades é evidente, é neste sentido que também somos culpados pela situação em que nos encontramos. ACORDA PORTUGAL, mais uma vez o zé povinho vai ser sugado até ao osso por "meia dúzia de peixe graúdo".
Medidas avulsas e estúpidas
Questionado sobre quanto o Estado iria poupar e quantas pessoas que estão dependentes do subsídio de desemprego (que não é caridade, é um direito pois as pessoas descontaram para tal) seriam afectadas com o corte no subsídio (anunciado pelo Governo), o Primeiro-Ministro não conseguiu responder. Ou seja, uma medida tão penalizante deviria ser rigorosamente ponderada e estudada. Mas não. O governo anuncia um corte no subsídio de desemprego mas não sabe quanto irá poupar e muito menos quantas pessoas irá afectar com esta medida. Medidas avulsas e contraproducentes para agradar a alguns "fanáticos de mercado" e que servem para mostrar algum "sangue" aos abutres internacionais. Só faltou anunciar que iria cortar no subsídio de desemprego e financiar as grandes empresas portuguesas. Mas não é que fez isso.
28 abril 2010
Reflexões sobre o dinheiro
Outrora trocavasse arroz por milho, vacas por galinhas, casas por terrenos..., etc. Os negócios eram feitos às claras, na hora, em acordo mútuo entre partes. Depois, inventou-se o dinheiro em forma de moedas de metais valiosos, com o intuito de facilitar as relações comerciais e a actividade mercantil. Mais tarde, o dinheiro passou a papel, sempre numa base de compra e venda de valores materiais. Depois, inventou-se a banca, a bolsa, as acções, os créditos, os spreads, as taxas de juro e, a merda toda que o tornaram naquilo que ele hoje é, um valor virtual complicado, ou complicadex, cheio de nuances muitos boas para enganar pobres, remediados e tontos, como também para enriquecer ricos e chicos-espertos.
Mas ele não tem valor nenhum, ele não compra o amor, nem a solidariedade, nem a amizade, nem a honestidade, nem os nobres valores da anti-matéria. O espírito não se compra, apenas pode ser influenciado. O dinheiro é hoje um valor predominantemente electrónico, quase não se vê. Está em cartões de crédito, nos computadores, em agências de rating, em tabelas bolsistas, a circular em fibras ópticas...,etc. O próprio está a deixar de ser matéria para ser tornar num número abstracto, para se diluir e confundir com a anti-matéria, mas, o dinheiro só pode comprar os valores da matéria. Infelizmente esses valores influenciam a anti-matéria, o espírito, e, esta influência está associada a outros valores menos nobres como: a ganância, a ambição desmedida, o oprtunismo, a burla..., que o dinheiro fez o favor de exacerbar ao longo de séculos, não pelo seu valor, mas antes pelo valor que a humanidade lhe deu.
Ele é mentiroso e injusto, não vale o mesmo nas mesmas circunstâncias, e pior, por vezes não vale nada quando devia valer muito, e vale muito quando não devia valer nada. Sabem porquê? Por que foi inventado pela humanidade, isso já diz alguma coisa. E por que foi alterado no seu valor, por outros homens sem valores, isso já diz tudo. Nós já vivemos na idade da pedra, hoje vivemos na idade do dinheiro. É ele que mexe com o Mundo, ele está a destruí-lo, ele guarnece os humanos de impurezas de espírito. Citando e parafraseando o Vítor e o Marco, se é isto a União europeia e se foi para isto que se criou a moeda única, então - "(...) que vão todos para a grande puta que os pariu". Tenho saudades do cifrão, do escudo ($$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$), sempre tinha um valor mais justo e honesto.
27 abril 2010
Abutres (III)
No momento alto da crise financeira os grandes líderes mundiais reuniram-se e determinaram (em tempo e unanimidade recorde) ajudas e estímulos financeiros (com taxas de juros baixas, relaxamento na cobrança de impostos etc.) às inúmeras e grandes instituições financeiras mundiais. Pois bem, elas estão a recuperar. Com solidariedade, "solidariedade" se paga.
Abutres (II)
"No mês passado, o Wall Street Journal noticiou que em Janeiro deste ano um grupo de grandes especuladores de "hedge funds", entre os quais George Soros, tinha-se reunido num jantar, no qual combinaram esforços para provocar a desvalorização do euro até um dólar. Pela evolução da situação, os esforços dos especuladores estão a ser bem sucedidos." in [Esquerda.net]
Abutres
A agência de rating Standard & Poors (irónico que tenha no nome "poors" e seja promotora de pobreza) arrasou o rating português diminuindo a classificação de "A+" para "A-". Esta agência só deu o certificado que os especuladores queriam.
Sendo assim, esta nova classificação da dívida dará, neste momento de frenesim de especuladores, lucros avultados para as grandes (e verdadeiros senhores dos países) financeiras. E isto devido à indefinição da política europeia (pois bem podem criticar a apatia e inactividade alemã mas quem sofre, Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e Itália já deviam ter tido uma atitude, em conjunto, de repúdio a este espiral especulativo) sobre este assunto, aliada uma crise (originada nas corruptas agências de rating e no mercado financeiro) que atinge tudo e todos. Como diz o meu bom amigo Vítor Pimenta Se é isto a União Europeia e o mercado livre, então que vão todos para a grande puta que os pariu.. Nem mais.
14 abril 2010
Energia a mais
Segundo este artigo (presente no semanário Expresso), Portugal tem, actualmente, excesso de potência instalada, ou seja, Portugal consome menos energia do que a energia que produz. No entanto, as "directrizes" económicas determinam a criação de mais "potência instalada". É curioso saber que num país em que o desperdício energético ronda os 40% da energia consumida a opção tomada é aumentar a capacidade de produção de energia. A razão é simples: mais energia para desperdiçar mais. Onde está o papel social destas grandes produtoras de energia? Onde pára a política social deste governo e afins? Como em tudo neste contexto económico em que vivemos, este tudo tem um fim e este fim mede-se em euros.
13 abril 2010
Os sacrifícios são para todos mas mais para uns do que para outros
É muito aconselhável a leitura deste artigo de Daniel Oliveira, no Expresso (versão online). Daniel Oliveira, com uma ironia incisiva, destaca os sacrifícios que os trabalhadores e os administradores da GALP têm que fazer para consubstanciar uma solidariedade necessária em tempos de crise mundial. De facto, os vinte administradores da GALP fazem o sacrifício de "sugar" quase três por cento dos lucros da empresa em despesas de habitação, prémios e salários. O que é compreensível pois a empresa tem tido resultados positivos e os lucros têm aumentado. O que é incompreensível é esta monstruosidade imoral: os trabalhadores desta empresa exigem que seja aumentado em 2,8 por cento os seus salários, ou seja, um aumento no mínimo de 55 euros. Imperdoável, tendo em conta a conjuntura económica actual e os resultados desta empresa. Que desfaçatez têm estes trabalhadores.
Na desgraça, há sempre uma oportunidade de negócio
"A Alemanha vai contribuir com a “parte de leão” do financiamento da Grécia e beneficiará do facto de poder adquirir dinheiro no mercado internacional a uma taxa de risco de três por cento para o emprestar à Grécia a uma taxa de pelo menos cinco por cento." in [Esquerda.net]
21 janeiro 2010
Pois
Através de um estudo da OCDE (via economia.info), fiquei a saber que, entre os 26 países da OCDE que têm rendimento mínimo, Portugal é dos menos solidários. Através do Negócios, fiquei a saber que o Estado gastou, em média e por mês, 313 euros por desempregado entre 2006 e 2009, o que compara com um gasto médio de 404 euros entre 2001 e 2005. Já sabemos quem é sempre sacrificado.
Através do eurostat, fiquei a saber que o risco de pobreza em Portugal está acima da média da UE e que os 10% de trabalhadores a tempo inteiro que auferem rendimentos mais elevados ganham 5.3 vezes mais do que os 10% que auferem rendimentos mais baixos. Estamos bem acompanhado pela Roménia e pela Letónia entre os mais desiguais. Na Dinamarca, na Finlândia ou na Suécia – países de “invejosos”, onde não se “premeia o mérito” e onde, já se sabe, também não existem “incentivos para a inovação” – os trabalhadores mais ricos ganham, respectivamente, 2.3, 2.4 e 2.5 vezes mais do que os trabalhadores mais pobres. Níveis de qualificação mais elevados e acessíveis a todos, maiores taxas de sindicalização e relações laborais ainda enquadradas por mecanismos centralizados de negociação entre patrões e sindicatos ajudam a explicar estes resultados mais igualitários.
Portugal é um país desigual, com uma percentagem de trabalhadores a tempo inteiro com salários baixos (20.3%), ou seja, com remunerações iguais ou inferiores a 2/3 do salário mediano nacional, acima da média da UE (17.2%). Um país que também é muito pouco generoso para com os mais vulneráveis. Tudo isto resulta de escolhas políticas e institucionais. Entretanto, o PS negoceia o orçamento com o CDS. in