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26 maio 2011

Para não perder o hábito...

...de escrever, que bem tenho andado distante da blogosfera.
...de partilhar o que penso com quem nem sempre posso.
...de me lembrar que vivo num país que está sempre em campanha eleitoral, porque parece ser a única coisa que a classe politica sabe fazer a toda hora, a todo o momento.
...de me lembrar que desde pequenino pouco mudou. Melhorou-se a cosmética e a retórica dos discursos, nada mais.
...de continuar a ouvir as mesmas promessas isoladas, as ideias em flash que ninguém consegue explicar como começar, acabar, ou simplesmente enquadrar no panorama actual, a falta de coerência, a troca de acusações e a nomeação de culpados para distrair e camuflar impotência e incompetência. Mas sobretudo, a ausência de um fim, um propósito.
...de recordar que temos partidos, Governo e Assembleia da República para vomitarem leis à mercê das oligarquias, em vez de pensarem nelas para estabelecer a harmonia e a justiça, damdo-lhes vida de uma forma estruturada, e em compromisso com a sociedade.
...pensar que a história se vai continuar a repetir, porque quando alguém não tem objectivos não luta, não procura, não tem esperança. Assim acontece com uma Nação.
...de analisar cada candidato com a distância partidária que me caracteriza, e de achar que nenhum tem um modelo ou uma linha de pensamento com cabeça, tronco e membros, enquadrada com a realidade actual, e que nos dê algo em que possamos acreditar ou pelo menos compreender. Resta-nos continuar a rastejar para pagar as dividas e seguir os chefes da Troika, pois nem vale a pena pensar que nos vão dar descanso até que acertemos as contas.
...de entender que vamos trabalhar mais, talvez ganhar menos, que o nosso dinheiro vai também valer menos e que vamos ter menos direitos, que o desemprego vai aumentar, os impostos vão subir, etc. Sim ok, é um esforço nacional para tirar o estado do fosso, mas até quando? Não foram estas as políticas da última década? Em que medida isso resolveu ou resolverá o problema estrutural da nossa economia?
...de estar plenamente convencido que qualquer partido ou coligação que venha a governar portugal não terá hipóteses de oferecer na primeira metade da legislatura medidas e reformas agradáveis. A menos que queira mesmo levar o país à banca rota.
...de estar plenamente convencido que igualmente o país irá à falência se mantivermos apenas como eixos orientadores o défice, e as consequentes medidas austeridade.
...de continuar a sonhar que a política e sociedade se unam e percebem que somos todos UM, que precisamos uns dos outros, mas que necessitamos de saber o que esperar, o que fazer, como fazer, o que procurar, que compromissos assumir de parte a parte, quais as metas, quais os riscos, quais os desafios, quais os recursos... Onde raio devemos investir as energias de uma vida? Temo que não haja nenhum candidato que dê resposta a estas questões. Por isso, até lá vou me divertindo com debates entre senhores a brincarem aos partidos.
...de ter a ousadia de criticar quando também não tenho todas as respostas para estas questões. Porém, tenho esse direito porque sou contribuínte, e parte do que me é sugado a mim e aos demais pelos impostos tem servido para pagar os salários destes senhores deputados e candidatos que o melhor que sabem fazer é olhar pra trás em busca dos mártires, falar muito dos problemas que toda a gente já sabem que existe, e passar "batatas quentes" uns aos outros.
IRRA... que cansaço! Olhem para o futuro com a consciência do presente que é pra isso que são eleitos e pagos, mas não se esqueçam do povo que é quem vos elege, idolatra ou derruba, e, sobretudo, quem pode ser capaz, com a vossa ajuda, de por este país no rumo certo.

23 setembro 2010

Outra Notícia, Três Perguntas

Teixeira dos Santos anuncia mais medidas de austeridade para cumprir o objectivo do défice. Passos Coelho recusa compactuar com um aumento de impostos. Cavaco Silva não intervém, limita-se a pedir que o PS e o PSD se entendam.

Para quando o final da crise?

10 anos a fazer sacrifícios cansa um pouco. Quando é que os portugueses poderão ao menos respirar e ter alguma esperança num futuro melhor?

Quando é que teremos políticos com verdadeiro sentido de Estado, que se deixem de politiquices e de acções e posições ao sabor das conveniências?

Estou farto

09 dezembro 2009

Isto está cada vez melhor!!!

E não é que eles nos fazem mesmo rir da figura que fazem, e também desesperar, ao apercebermo-nos da estirpe e baixeza de grande parte dos políticos que representam a Assembleia da República e os outros Orgão do Poder, no exercício das suas funções. Em maio publiquei este artigo que encaixa bem nesta situação, exceptuando a parte dos aplausos e ovações. Um esfola e o outro mata, tipo os miúdos quando se pegam. Não conseguem separar os assuntos políticos das quezílias pessoais, só falta socarem-se e lançarem com cadeiras e microfonas pra cima uns dos outros, como se vê, volta e meia, em alguns parlamentos asiáticos. A Ministra Ana Jorge levou a mão à cabeça num gesto de incredulidade perante tais disparates, e, nem o Presidente da mesa (que não sei o nome) conseguiu moderar a palhaçada. Este circo qualquer dia passa a ringue. Este tipo de comportamentos reforça e legitima a ironia e as metáforas que muitas vezes os intervenientes da blogosfera (onde me incluo) utilizam para adjectivar a política nacional, até porque desta vez, os meninos de S. Bento fizeram questão de as utilizar também.

06 novembro 2009

O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita

Esta legislatura começou da pior forma possível, a todos os níveis.

O prólogo demonstrou claramente a panela em ebulição, e também, muitos derrames que pressagiam grandes instabilidades e, um epílogo muito triste.

O ambiente é tempestuoso, e os tiques partidários mantêm-se.

A teoria do sentido de Estado é uma miragem, ou ainda, uma utopia. Vai ficar para próxima, talvez.

Há momentos na vida em que é difícil ser-se optimista, quando o racional se centra na realidade das coisas.

09 outubro 2009

O "circo" está a chegar ao fim

Foram vários os números circenses que este ano tri-eleitoral nos ofereceu. Por entre agressões a candidatos, compras de votos, escutas, imprensa astuciosa, violência entre apoiantes de diferentes candidatos, ou violência perante a inércia das forças de segurança e, posteriormente desautorização das mesmas por um tal chefe insolar, entre outras, consolido na minha consciência, em pleno século XXI, que somos um país com um instinto democrático que mais parece uma anedota.
Vamos agora deixar a poeira assentar, para que se comece a discutir o futuro do país com a sensatez que os intervenientes destes números não tiveram.

20 setembro 2009

E o "circo" continua

As "polémicas" e os "escândalos" que envolvem partidos políticos e os seus intervenientes, teimam em brotar nos períodos pré-eleitorais, em plena campanha. Numa altura em que o eleitorado deveria estar concentrado relativamente às propostas para o futuro do país, este tipo de espectáculo, normalmente num timing inoportuno, e sempre baseado em alegações que carecem de fundamento jurídico credível, mais não servem do que para desviar a atenção e o interesse dos cidadãos daquilo que é importante. Do lado do PSD surgem as alegadas compras de votos relativamente a sufrágios internos do partido. Do lado do PS surgem as alegadas escutas por parte do Governo (serviços de informação) à Presidência da República. Espero que os portugueses saibam filtrar as informações uteis das inúteis e que se concentrem no essencial.

09 setembro 2009

Citações

A propósito da democracia portuguesa e aproveitando a afirmação de José Sócrates no debate de ontem frente a Francisco Louçã, no qual frisou bem, logo na abertura da discussão, que estas eleições iriam ser decididas entre ele e Manuela Ferreira Leite, mais ninguém, relegando os outros partidos para segundo plano, o que na minha opinião demonstra uma falta de respeito e de sentido democrático, para o qual a sociedade em geral e os meios-de-comunicação nem registaram a gravidade desta afirmação, talvez por conveniência. Hoje andei a navegar pela blogosfera, a ler outros blogues e opiniões sobre este debate, até que encontrei um comentário que registei de imediato pela capcidade sintética de pensamento, escrito por um tal pseudónimo - "agitador", e o qual transcrevo para este blogue.
"primeiro, o que está a acontecer com o louçã, tanto no debate com a leite como com o socrates, é pura e simplesmente a exploração do medo. a velha retorica bacoca e caciquista da “ameaça vermelha”. isto é de facto uma forma de manipulação." "outro ponto, é a teoria de que a esquerda se esgota no PS, pois, segundo algum iluminado, é a unica força capaz de marcar a diferença ou ascender ao poder, é tipico de um discurso pseudo fascista de “nós versus eles”." "o resultado desta mentalidade é a destruição de qualquer tipo de ideologia em detrimento de um suposto “mal menor”. para satisfazer o imperativo maximo de chegada ao poder." "estes dois pontos revelam não só uma pobreza de espirito democratico como tambem um vazio de ideias." "e é a isto que a “polis” está reduzida, a duas forças politicas cheias de medidas avulsas, onde não há direitos nem deveres definidos e baseados em valores e em principios, mas antes um conjunto de mezinhas." "isto é uma democracia? não me parece, isto é, e como disse socrates, uma questao de estilo, de atitude. uma farsa."

22 julho 2009

Que rico exemplo

É este o exemplo que vem de cima, dos senhores de fato e gravata que passeiam nos corredores da Assembleia da República, que dos púlpitos oram com as suas vozes altivas pedindo sacrifícios aos portugueses, argumentando que o país produz pouco, que é necessário trabalhar mais, cumprir as leis e os regulamentos... Aliás, situação mais que previsível, quando há uns meses atrás uma jornalísta questinou uma deputada sobre o elevado número de faltas às sessões plenárias e outras, dadas pelos deputados. Ao que ela respondeu mais ou menos assim - o trabalho dos deputados não são só reuniões e funções na Assembleia da República, isso é política com (p) pequenino.
E eu digo - A política de (P) grande deve ser aquela que se faz nos bastidores, que em vez de olhar pelos problemas do país e de trabalhar em prol da resolução dos mesmos, preocupa-se antes, com as máquinas partidárias, com as estratégias eleitorais obscuras, com a procura incansável de derrubar o adversário, etc, etc, etc.
Isto é política com (p) pequenino e políticos com pês muito muito pequeninos, ou então é a flexigurança.

16 julho 2009

Anedota do dia

Nem me vou dar ao trabalho de comentar tal disparate e insulto à democracia. Só dá mesmo para rir. Tenho curiosidade em saber a opinião de Cavaco Silva relativamente a esta proposta de Alberto João Jardim.

13 julho 2009

Aceitam-se sugestões

Nos últimos anos o controlo da despesa pública foi essencialmente determinado pelo congelamento salarial e congelamento de progressão nas carreiras, assim como, pela perda de direitos sociais. Por sua vez, do lado da receita, a súbida de impostos e de taxas foi a medida adoptada. Na actual situação de crise, estou ansioso para ver quais as medidas propostas para controlar a despesa pública sem prejudicar a classe trabalhadora, que já de si se encontra oprimida.

03 maio 2009

O "circo"

Em ano de eleições há sempre "circo"! Não se paga entrada, é à borlix. Não tem tenda própria. Os espectáculos não têm hora nem local marcado, vão acontecendo. A sua frequência, regra geral, aumenta com a proximidade das eleições.
No nosso belo País, nas vésperas eleitorais rebentam sempre escândalos, ouvem-se acusações politicamente incorrectas (tipo palhaçada), fazem-se manobras de ilusionismo demagógico e agora até se parte para a agressão de candidatos, como se de animais se tratassem.

27 abril 2009

Maus a Matemática, mas bons na Pseudo-estatística

"Várias esquadras do país estão a impor "números-base" de detenções a fazer até ao fim do ano. Os polícias queixam-se de que assim só trabalham para as estatísticas. A Direcção da PSP prefere falar em prevenção da criminalidade. " [in JN]
Será que sabem o que a Estatística representa? Será que sabem que se baseia essencialmente num padrão de números de referência que apesar de matemáticos, espelham contudo, o acaso ou a probabilidade, logo, são meros guias que não reflectem uma realidade absoluta e exacta, mas por outro lado, probabilística e aleatória. É talvez por esta razão que a Estatística tem sido usada frequentemente como mecanismo para inventar verdades e para esconder mentiras.
O problema é simples de perceber. O facto de uma esquadra vir a ter eventualmente, uma média de detenções superior à de outras, não significa que, na sua área de abrabgência haja mais ou menos crime, da mesma forma que, não significa que os agentes policiais dessa esquadra sejam mais ou menos competentes, da mesma forma que, não significa que numa esquadra se trabalhe melhor que noutra, da mesma forma que, não siginifica que o crime aumentou ou diminuiu, da mesma forma que, não siginifica que vivemos mais seguros... E isto porquê? Porque a Estatística trabalha com números e, na sua dimensão, ignora muitos factores de desvio e aproximação à norma, quando calcula a própria aleatoriedade dos vários domínios do comportamento humano. A PSP, ao implementrar os tais "números base" (de detenções) está invariavelmente a condicionar, à partida, essa mesma estatística, uma vez que, atribui um número alvo ou uma meta, logo, deixa de ser Estatísticas e passa a ser uma estatística com a base numa aritmética moldável pelos próprios agentes da PSP, deixando de ser aleatória para passar a ser previsível e manipulável pelo ser humano. Assim sendo, na minha opinião, esta pseudo-estatística não vai contribuir para melhorar a segurança nem para reduzir a criminalidade global.
Se não vejamos. Supondo que, por casualidade, não hajam crimes susceptíveis à detenção dos prevaricadores, o que é que vão fazer os agentes das esquadras?!?!?! Inventar crimes ou delitos, susceptíveis de detenção?! Inventar provas de crime?! Deter inocentes?! .... ...Ou seja, inventar verdades e esconder mentiras.
Onde é que a Estatítica pode ajudar na prevenção à criminalidade??? Em primeiro terá de ser uma Estatística séria, não manipulável, e sem números previamente definidos. Porque uma estatística séria poderá auxiliar a identificar os problemas e as dificuldades dentro das esquadras, a identificar as necessidades de investimento e de implementação de estratégias, identificar focos de criminalidade e os seus mecanismos, assim como contribuir para uma melhor compreensão do crime e da dificuldade no combate ao mesmo. Contudo, a Estatística, isoladamente, não vai nunca conseguir explicar com exactidão a razão desses problemas, nem a razão de uns terem melhores médias, melhores modas, desvios-padrão e por aí fora...
Como alunos que não reprovam de ano para não estragar a estatística do sucesso/insucesso escolar; ou como doentes que são transferidos, à pressa, de serviços se saúde super-equipados para outros de "retaguarda" para que a certidão de óbito seja passada nos segundos e não se estrague a estatística dos primeiros; ou como as estatísticas das greves, em que os sindicatos apresentam números e, os governos apresentam outros completamente díspares; Ou como as estatísticas de previsão económicas que falham inúmeras vezes.
A Estatística é um excelente aliado para ajudar a compreender o mundo, para identificar problemas e tendências, mas jamais conseguirá explicar esses problemas e essas tendências isoladamente, ou atribuir-lhes significados morais. A sua matéria de estudo deve ser analisada com detalhe para se perceber as causas que levaram à obtenção de determinado número (média, moda, mediana..., etc, e, actuar sobre essas causas, e não sobre esse número. Em Portugal é comum fazer-se o inverso, ataca-se os números ignorando as causas.

22 abril 2009

Portugal europeu

Aproveito o texto sintético de Jorge Sousa no Avenida Central, para subscrever as suas palavras.
Após ter visto o último debate do Prós e Contras na RTP1, entre os candidatos nacionais às eleições europeias, reforcei na minha consciência, a opinião que tenho sobre a forma como se faz política em Portugal.
Achei fantástico que os candidatos dos principais partidos portugueses ( PS e PSD) tenham tido a habilidade, ou a falta dela, de conseguir transformar um debate sobre assuntos europeus num debate sobre assuntos nacionais, ou mais especificamente, sobre assuntos partidários. Parecia mais um prelúdio às legislativas.
O candidato do CDS/PP acabou por se deixar levar na mesma embrulhada, acabando por gastar tempo de discussão com problemáticas nacionais e com o governo de Sócrates.
Por sua vez, os candidatos do BE e da CDU/PCP, foram os únicos capazes de dar um aromazinho de europa, mas quase sempre, sem a luz do palco (talvez por serem minorias) e, sem a destreza suficiente para orientar o debate nos assuntos que realmente haveriam de ter sido postos em cima da mesa.
Gostava de ver debates sérios, directos às questões e problemas e, sobretudo, menos teatralizados. Suspeito que muitos, como eu, estejam já cansados da peça teatral em que a política portuguesa se transformou. Mudem de peça, ou de actores. Estamos nauseados.

09 abril 2009

Urbanidade… Ruralidade (contrastes)

Peço desculpa pelo tamanho do post, mas as palavras, por vezes, não chegam para expressar os nossos pensamentos e opiniões. Ao aproximar-se o dia em que Portugal relembra a Revolução que ditou o fim do Estado Novo, tempos de isolamento cultural, de censura à liberdade de expressão, de profundo atraso económico e opressão social…, senti necessidade de escrever este post, após ver, no passado domingo, a série da RTP1 – Conta-me como foi, cuja história e enredo retratam esse passado recente. Apesar de não acompanhar a série, enquanto fazia zapping ao meu televisor, o início do episódio de domingo despertou em mim particular interesse, e porquê? Porque nesse episódio a família central da série encontrava-se de viagem desde Lisboa até à aldeia dos seus familiares. O que achei particularmente engraçado, foi a excelente encenação que fizeram quando os filhos da família central da novela, uma criança e dois adolescentes, chegaram à aldeia, ficando estupefactos pela diferença entre os modelos de vivência da capital, na qual viviam e, da aldeia que até então nunca tinham conhecido e com a qual tinham acabado de estabelecer contacto. Pode parecer estranho para os jovens da minha geração e das que se seguiram, mas, há 40 anos muitas aldeias não tinham electricidade, as suas casas eram iluminadas a candeias de azeite ou petróleo; não haviam casas-de-banho propriamente ditas nem água quente para tomar um simples duche; os alimentos eram cozinhados no pote à lareira, ou no forno a lenha; as mulheres lavavam a roupa à mão nos ribeiros e nos tanques de granito; algumas crianças mal sabiam ler e escrever brincando com paus e pedras; ir à missa era obrigatório; os jovens trabalhavam na lavoura depois de concluírem o ensino básico (4ª classe), ou mesmo, nunca estudando, ficando analfabetos toda a vida; outros, davam o “salto” para França (emigravam) ou “fugiam” para as cidades em busca de melhores condições de vida, e outros, ainda, obrigados pelo regime, tinham de cumprir serviço militar sujeitando-se à Guerra Colonial em terras de ultra-mar. Passados alguns dias (minutos na série), os três filhos da família depressa se habituaram à falta de conforto da aldeia dos seus avós, entregando-se de corpo e alma à alegria e à felicidade da vida rural, ao cheiro a estrume, à retrete, à ausência de ruído e à sachola… Foi mais ou menos este retrato que o episódio de Conta-me como foi ofereceu aos telespectadores. O que me despertou o bichinho da escrita, foi o facto de hoje em dia, ainda se observar, embora forma mais amenizada, este tipo de contrastes e situações. Quero com isto dizer, que, apesar dos meios de comunicação permitirem uma maior proximidade entre o rural e o urbano, muitos contraste se têm mantido quase inalterados. Bom e mau, quando analisadas várias perspectivas. Se por um lado esta ruralidade permite manter uma identidade do passado genuinamente portuguesa, com o seu marco histórico de um regime fascista e do seu atraso civilizacional, o que é bom para relembrar o atroz legado salazarista, por outro, o tempo parece ter parado no que diz respeito aos modelos de vida, ao isolamento cultural, aos baixos índices económicos e educacionais, que muito frequentemente se tornam focos de pobreza e de problemas sociais graves. Muitas destas aldeias, já com poucos habitantes e essencialmente na faixa etária da 3ª idade, embora estabelecendo breves e pontuais contactos com o mundo urbano, mais modernizado, têm uma incapacidade, por si só, de evoluir para melhores condições de vida mantendo essa mesma identidade. Esta incapacidade em muito se deve à própria “preguiça” de adaptação aos novos tempos por parte dos aldeãos, e principalmente, às políticas despreocupadas do nosso País, no que diz respeito ao investimento educacional e sócio-económico que deveriam ter sido dadas a estas pessoas. A mescla entre o rural e o urbano pode ser o fim desta identidade genuína, porque quem habita estas aldeias, contactando frequentemente com os meios citadinos, depressa se rende aos vícios urbanos e, tão depressa as “destrói” nos seus costumes, tradições e estética arquitectónica, como as abandona sem olhar para trás. Faltou e falta essencialmente um suporte educacional forte para que esta mescla seja harmoniosa e rentável, para que as aldeias perdurem no tempo, para que os seus habitantes possam alcançar melhores condições de vida mantendo os seus usos e costumes e reciclando ou adaptando os mesmos aos novos tempos. O mundo rural tem imensas potencialidades por explorar. O nosso País tem capacidade (tanto na oferta turística como gastronómica e de produtos tradicionais) caso houvessem e hajam outro tipo de políticas, menos centralistas, mais direccionadas para a educação e para o desenvolvimento sócio-económico, assim como, uma maior abertura e vontade para a mudança por parte de quem as habita. Várias medidas podem ser tomadas: a mais importante seria acabar com o analfabetismo (não apenas no sentido literal da palavra, mas também no sentido da ignorância), embora reconheça que seja impossível a curto prazo, a médio e a longo prazo é uma aposta possível e altamente rentável. O País político e social terá de procurar as condições para reabitar o mundo rural, até porque, hoje em dia, com automóveis e estradas alcatroadas em quase todos os cantos, viver na aldeia não é estar isolado, mas antes, viver com qualidade e em harmonia com a natureza. Actualmente, os aldeãos necessitam de orientação e de uma voz de comando que os encaminhe. As autarquias e aqueles com capacidade empreendedora (que em tempo de crise são poucos), são quem tem poder de impulsionar esta reabilitação urgente, através de suporte logístico e de investimento. O reforço do sentido comunitário dentro da própria aldeia (que sempre existiu neste meios por força dos laços de vizinhança e de interdependência), na tentativa de construção de um tecido produtivo seria, na minha óptica, uma excelente aposta. A agricultura biológica, a produção animal, a produção de têxteis e tapeçarias, a oferta dos rituais festivos e de romaria, a oferta gastronómica regional, de albergue e turismo rural, assim como, publicitação pelas entidades competentes…, são exemplos daquilo que poderia ser desenvolvido em parceria pelos aldeãos, autarquias, empreendedores e promotores turísticos. Há dias, no Pensar Basto, o Carlos Leite abordou também esta temática e uma hipótese não descartável, a de integrar algumas habitações numa rede de apoio social aos idosos doentes e/ou dependentes nas suas necessidades humanas e actividades de vida diária. Contudo, é primordial contribuir de forma melhorar as condições habitacionais, tanto para o conforto, como para recuperar um pouco da confiança perdida pelos seus residentes, que durante anos a fio caíram no esquecimento de alguns e, na “armadilha” exploratória do “Chico-espertismo” de outros, em consequência do capitalismo neo-liberal e do seu individualismo inerente. Porém, há que melhorar com bom senso, com sentido estético e de preservação patrimonial, cumprindo as leis de urbanismo e ordenamento territorial. Será importante melhorar não só no interior e exterior das habitações, mas também, os arruamentos e infra-estruturas básicas (rede eléctrica, água, saneamento básico, etc), porque, se há dinheiro para construir bairros sociais na urbe para pessoas socialmente desfavorecidas, e para pessoas que definitivamente só são socialmente desfavorecidas porque se viciaram nas irresponsáveis políticas sociais do nosso país, também há-de haver dinheiro para estas pobres pessoas, cujo tempo não lhes propiciou igualdade de oportunidades nem lhes ensinou outro modo de vida que não o "do suor da enxada" para a sua subsistência, esperando a morte num silêncio entristecido. Em Portugal, há bons exemplos relativamente a esta matéria. Que haja vontade para segui-los e, se possível, fazer ainda melhor.

18 janeiro 2009

Devaneios de domingo

Hoje, depois de uns dias de folga regresso à capital (onde o acesso à internet me é limitado ao local de trabalho), nunca esquecendo a bela terra que me viu nascer e crescer, e nem me deixando influenciar pela "febre" do centralismo. Assim sendo, a minha colaboração neste blogue será mais superficial que nos últimos dias.
E dado que ultimamente, a ferrovia portuguesa tem estado na "ordem dos trabalhos" [quer neste blogue (aqui e aqui) quer nos blogues vizinhos (aqui, aqui e aqui)], vou regressar de comboio, porque gosto deste meio de transporte e porque também sou a favor do investimento na ferrovia portuguesa (mas não pela via do TGV). Contudo, por falta de alternativa ferroviária, terei de iniciar a viagem na estação mais próxima - em Guimarães.
Boa semana para todos e até um dia destes.