Há cerca de um mês escrevi sobre a volatilidade, para utilizar um eufemismo, da situação sócio-económica da Região do Ave do Cávado. O Bloco de esquerda apresentara, na altura, um conjunto de medidas excepcionais para minorar o desespero social e económico que se sente e vive nesta região.
Ido o tempo, a Oposição levou a discussão e ao parlamento um conjunto de programas de intervenção e de emergência para o distrito de Braga, que salientava a situação de "tragédia social" que se vive, em particular no Vale do Ave e Vale do Cávado. O grupo parlamentar do PS "chumbou". Nem os alertas das bancadas parlamentares oposicionistas, para "descartar" as obrigações da bancada, como quem diz, para sensibilizar os deputados do PS eleitos pelos círculos de Braga e do Porto, para se distanciarem da orientação da bancada e votar a favor das propostas da Oposição, surtiram efeito. O conjunto de medidas foi liminarmente "chumbado".
Na base da rejeição do conjunto de medidas, os deputados do PS alegaram «...deve fazer-se o balanço dos programas em curso e que, em 2008, já permitiram um investimento de mais de 20 milhões de euros» e que «...as medidas do Governo de apoio ao investimento e ao emprego, que serão votadas no Parlamento, no próximo dia 29, terão incidência na região» contudo, adjectivaram o conteúdo do conjunto de medidas apresentado pela Oposição como «demagógico» e de «simples retórica».
De facto, os «programas em curso» têm produzido um efeito deveras notável. Ninguém diria que existe um "plano governamental" para estas regiões. De referir, que esta crise que se sente e vive nas Regiões do Ave e do Cávado não é um fruto do acaso muito menos única e exclusivamente responsabilidade de alguma crise externa. As causas estão bem identificadas: a falta de variabilidade económica, o tipo de economia baseada em mão-de-obra barata, má gestão, uma globalização à la minhota etc. De referir que os empresários, que enriqueceram à custa da falência das empresas com a supressão de salários e afins, também, têm uma quota parte de culpas nesta situação desesperante. Responsabilizá-los é necessário.
De salientar o voto de rejeição a este conjunto de medidas dado pelos deputados do PS eleitos no círculo de Braga. Mostraram um "seguidismo" partidário exemplar. Estes exemplos de falta de responsabilidade perante o eleitor, obrigam-me a pensar que é urgente um outro sistema de eleição, o círculos uninominais.