11 janeiro 2009

Canja voodoo

«George W. Bush rejeitou no ano passado ajudar Israel num raide contra o principal complexo nuclear iraniano, optando por autorizar operações secretas de sabotagem, revela o New York Times na sua edição online» in [JN]

O conluio israelo-americano e a sua política «preventiva» tecem-se nos ficheiros «top-secret» por detrás das negociações e conversações diplomáticas. De nada vale, as «távolas» redondas da diplomacia internacional e os anseios de multilateralismo. Além, do critério ambíguo de quem deve ou não possuir o direito às armas nucleares (por princípio, sou contra) é este perigoso cinismo político que me irrita.

Minhotos (os que elegem) e os outros minhotos (os eleitos)

Há cerca de um mês escrevi sobre a volatilidade, para utilizar um eufemismo, da situação sócio-económica da Região do Ave do Cávado. O Bloco de esquerda apresentara, na altura, um conjunto de medidas excepcionais para minorar o desespero social e económico que se sente e vive nesta região.

Ido o tempo, a Oposição levou a discussão e ao parlamento um conjunto de programas de intervenção e de emergência para o distrito de Braga, que salientava a situação de "tragédia social" que se vive, em particular no Vale do Ave e Vale do Cávado. O grupo parlamentar do PS "chumbou". Nem os alertas das bancadas parlamentares oposicionistas, para "descartar" as obrigações da bancada, como quem diz, para sensibilizar os deputados do PS eleitos pelos círculos de Braga e do Porto, para se distanciarem da orientação da bancada e votar a favor das propostas da Oposição, surtiram efeito. O conjunto de medidas foi liminarmente "chumbado".

Na base da rejeição do conjunto de medidas, os deputados do PS alegaram «...deve fazer-se o balanço dos programas em curso e que, em 2008, já permitiram um investimento de mais de 20 milhões de euros» e que «...as medidas do Governo de apoio ao investimento e ao emprego, que serão votadas no Parlamento, no próximo dia 29, terão incidência na região» contudo, adjectivaram o conteúdo do conjunto de medidas apresentado pela Oposição como «demagógico» e de «simples retórica».

De facto, os «programas em curso» têm produzido um efeito deveras notável. Ninguém diria que existe um "plano governamental" para estas regiões. De referir, que esta crise que se sente e vive nas Regiões do Ave e do Cávado não é um fruto do acaso muito menos única e exclusivamente responsabilidade de alguma crise externa. As causas estão bem identificadas: a falta de variabilidade económica, o tipo de economia baseada em mão-de-obra barata, má gestão, uma globalização à la minhota etc. De referir que os empresários, que enriqueceram à custa da falência das empresas com a supressão de salários e afins, também, têm uma quota parte de culpas nesta situação desesperante. Responsabilizá-los é necessário.

De salientar o voto de rejeição a este conjunto de medidas dado pelos deputados do PS eleitos no círculo de Braga. Mostraram um "seguidismo" partidário exemplar. Estes exemplos de falta de responsabilidade perante o eleitor, obrigam-me a pensar que é urgente um outro sistema de eleição, o círculos uninominais.

10 janeiro 2009

Um «Governo Mundial»

Gideon Rachman, comentador em chefe de assuntos estrangeiros no jornal Financial Times, escreveu um editorial deveras provocador. Na minha opinião, este editorial possui o intento de desbravar e sensibilizar (dito de outra forma, preparar) a opinião pública para um recente (mas antigo na pretensão) conceito de governo: «O Governo Mundial».

Escreveu sobre a ideia profética que visa a criação de um «Governo Mundial», em que, e arredando o multilateralismo que se tenda impor nos dias que correm, os problemas de âmbito mundial (segurança, ambientais, sociais e económicos) e trans-nacionais teriam a sua resolução facilitada devido à centralização do poder num (a criar) «Governo Mundial», à semelhança da União Europeia.

Este editorial é ironicamente delicioso, para quem já se converteu ao "The Zeitgeist Movement" e acredita na possibilidade que uma elite de pessoas (algumas bem identificadas) implemente (indirecta ou directamente) um «Governo Mundial». Um sinal angustiante a ter em conta, tanto pelo conteúdo da «mensagem» como pela relevância do autor e as ligações deste com as "elites" mundiais.

Se num mundo preenchido de variabilidade política, como se pretende e à luz das leis fundamentais da vida e da Democracia, o cidadão, o elemento base de toda a estrutura governamental, se sinta impotente e, por vezes, efectivamente arredado de participar ou, pelo menos, ser "escutado" pelo seu governo, imaginem como seria a "democracia" de um «Governo Mundial», omnipresente e elitista. É evidente que a Democracia teria que ser sacrificada em prol, segundo estes ideólogos, de um objectivo maior e conveniente. Uma Democracia em toda a sua plenitude é inexequível com este conceito. Em suma, um «Governo Mundial» só é possível e praticável se consubstanciar numa "ditadura" à escala global. E isto, é algo inaceitável e a evitar.

De leitura obrigatória:
Editorial do Financial Times admite agenda para criação de um governo mundial ditatorial;
Rachman se diz horrorizado com a reação ao editorial "O Governo Mundial".

De visualização obrigatória:
Zeitgeist
Zeitgeist addendum.

09 janeiro 2009

De comboio até Cabeceiras de Basto...

Devida a esta «vaga» de frio e gelo, eu, como vários conterrâneos meus, ficaram «exilados» nas suas «cidades-asilo». Grande parte das vias de comunicação rodoviária para Cabeceiras de Basto estão intransitáveis ou num estado muito perigoso para circular. Para além de culpar o tempo e os seus devaneios (um bode expiatório evidente), não deixo de apontar o dedo para a falta de alternativa das vias de comunicação no interior de Portugal. É a «centralização portuguesa», até na deslocação.

post scriptum: Entretanto, deambularei pela «cidade-penico» até haver uma próxima oportunidade de regressar a casa.

A investida bélica israelita foi previamente delineada e autorizada pelos EUA, "off record", está claro

«Durante uma visita ao Médio Oriente, o secretário da Defesa americano Robert Gates avisou que os inimigos dos EUA não deveriam usar o vazio de poder na região para tentar alterar o statu quo ou enfraquecer os novos objectivos americanos.

Ironicamente, o maior desafio a esta advertência acabou por vir do principal aliado da América na região, Israel.
(...)
O Governo israelita está, em suma, a aproveitar os últimos dias da Administração Bush para implementar a sua política de privilegiar o uso da força e está a tentar criar, ao mesmo tempo, uma situação que tornará indubitavelmente mais difícil ao novo Presidente pôr de pé as suas políticas para a região. »

A opinião interessante e pertinente de Álvaro Vasconcelos (Director do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia) in Público.

"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal , mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer"

«A resolução 1860 da ONU foi votada ontem à noite e adoptada por 14 votos em 15. Os Estados Unidos abstiveram-se.»

08 janeiro 2009

A oportunidade de "roubo" adjudicado sem concurso público (II)

«O objectivo da medida que está em preparação pelo Governo é reanimar a economia através de medidas excepcionais de contratação pública para este ano e o próximo, possibilitando a rápida execução dos projectos de investimento público considerados prioritários.» in [Público]

Não se pode facilitar em demasia os mecanismos de fiscalização, baseando-se no pressuposto, embora compreensível, do que ao agilizar os projectos de investimento público considerados prioritários derivará numa consequência positiva para a economia. Pode, até, ter um efeito inverso, ou seja, ao facilitar os mecanismos de fiscalização [ao permitir que uma obra pública até 5 milhões e 150 mil euros possa ser adjudicada sem concurso público] levará os decisores públicos a ficar mais susceptíveis ao tráfico de influências e a corrupção a nível do poder local, o que terá uma consequência negativa na economia.

"Os sistemas jurídicos não podem ser feitos na base de que todas as pessoas são honestas e virtuosas, têm sim que criar mecanismos para precaver contra pessoas menos honestas e virtuosas"

Sentencia Saldanha Sanches, e bem, sobre este assunto.

07 janeiro 2009

De facto

Não sei quais são os critérios para avaliar uma prestação de um governante numa entrevista, mas, considerar como positivo (passou no teste) uma prestação em que o nosso primeiro-ministro erra em quatro informações factuais é um pouco, digamos, facilitista. Não deveria ser reprovado por estas, independentemente das outras informações serem correctas ou "duvidosas"? No final, isto não é um exame nacional (na "era" Maria de Lurdes Rodrigues) mas sim um comunicado governamental ao País disfarçado de entrevista e, como tal, erros factuais são inadmissíveis.

Cabeceiras de Basto um espaço de ideias ?

O Carlos Leite interroga se terá Cabeceiras construído a base sólida que possibilite a ambição de um futuro auspicioso?. Contudo, num resultado de uma conferência debate (à primeira vista carregada de novidades) surge um plano a médio prazo ambicioso para Cabeceiras de Basto.

Seja qual for a base que servirá para um desenvolvimento sustentado deste concelho, terá que, indiscutivelmente, de se assentar na aposta no incremento da cidadania e da consequente discussão pública. Premissas que um projecto comum terá que incluir.

06 janeiro 2009

FAO YOU

«O relatório da FAO "The State of Food Insecurity in the World 2008", publicado no passado dia 9 de Dezembro, revela que o número de pessoas com fome crónica aumentou em 75 milhões no ano de 2007, em relação aos dados de 2003-05, provocando a subida dos subnutridos para os 923 milhões: estima-se que em 2009 este número irá ultrapassar os mil milhões. 65% dos subnutridos de todo o mundo vivem em apenas 7 países: Índia, China, Congo, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Etiópia. Na África sub-sahariana, 1 em cada 3 pessoas passam fome crónica.» in [Esquerda.net]-09 de Dezembro de 2008

«A FAO (organização das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação) afirma que seriam necessários 30 mil milhões de dólares. Isto é, para que ninguém no mundo morresse de fome ou de sede.»-14 de Outurbro de 2008

Sempre que leio estes resultados, quase de imediato sinto uma enorme repugnância para com os senhores "distribuidores" de dinheiro e causadores de guerras e infortúnio aos demais, aqueles que realmente governam o mundo e as nossas vidas. As suas ideias e os seus modos pensar consubstanciaram num mundo desigual e atípico. Um mundo onde os valores estão invertidos. Invés do dinheiro servir o homem é o homem a servi-lo. Provas? Olhem à vossa volta.