10 fevereiro 2009

A "Recht" alemã

Ele:

-tem 37 anos;
-é jurista;
-tem como actividade principal as "relações internacionais";
-é barão(título nobiliárquico, não ladrão);
e chama-se Karl-Theodor Freiherr von und zu Guttenberg e é o novo ministro da economia da Alemanha. Portanto, um "novo" ministro em que a sua experiência económica provém-lhe da participação na gestão de uma empresa familiar e que vem representar a "direita" alemã, literalmente. Já é apontado, pelas suas características, como o lobby em pessoa. (Para saber mais pormenores sobre a caricata situação e correspondente pessoa clique aqui)

09 fevereiro 2009

Cada vez mais sinto-me com alguém de "esquerda", de uma "esquerda" diferente que está a emergir e a incomodar

maré alta, Sérgio Godinho

Um artigo de obrigatória leitura

«Está bem... façamos de conta» por Mário Crespo. (via Blasfémias).

Dar azo ao fundamentalismo (II)

Neste artigo de opinião na edição deste mês do jornal "Ecos de Basto" é exortado o "balanceamento" dos prós e contras da (mega)construção de cinco barragens para o Vale do Tâmega, previsto no "Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico". No entanto, o autor do artigo defende (como é legítimo) na sua opinião a ideia que a "Barragem de Fridão" é uma oportunidade. Na sua análise, o autor, baseia-se nestes argumentos:

1.«A barragem de Fridão, a construir no rio Tâmega, pela EDP Produção, próximo da cidade de Amarante, até 2016, terá uma potência nominal na rede de 250 mega watts e produzirá energia superior às necessidades da população dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto, Celorico de Basto e Ribeira de Pena»

Pois o objectivo primordial da construção da Barragem de Fridão é elevar o potencial de criação de energia hidroeléctrica. No entanto, somente para fins comerciais. Ou seja, a criação deste tipo de energia não estimula o "desenvolvimento sustentável" do país e muito menos da região. Para haver um "desenvolvimento sustentável" teríamos que apostar na eficiência energética (mais "barata" e mais ecológica). Portugal possui um potencial de "poupança" de energia em cerca de um terço dos nossos gastos energéticos, ou seja, desperdiçámos um terço da energia que consumimos. Porque é que o país não aposta em campanhas de sensibilização e promove planos de eficiência energética (em áreas como a construção de edifícios, indústria e agricultura etc.)? A título de exemplo, o presidente dos EUA, Barack Obama, no seu plano de investimento público prevê como estímulo económico o investimento público na área da eficiência energética, enquanto isto em Portugal o governo promove a displicência e nada faz para melhorarmos a nossa "factura energética".

A "criação" de energia a partir de barragens não é uma "criação" de energia "limpa" e renovável. No processo de criação de energia através de empreendimentos hidroeléctricos há a promoção do efeito de estufa (existem especialistas e estudos que apontam neste sentido), da perda de qualidade da água e da destruição do ecossistema. O que demonstra quão este tipo de energia é "suja" e "não-renovável" e não aquilo que nos querem "vender".

2.«Para além desta característica, que por si só é já muito importante, a albufeira abrangerá o território dos concelhos referidos, esperando-se que apareçam os empreendedores que façam deste projecto uma oportunidade para desenvolver as Terras de Basto.»

Uma oportunidade? Os empregos criados não irão servir os interesse das Terras de Basto, pois os empregos directos e indirectos criados na construção da Barragem serão temporários e "reservados" para as empresas de construção. Quanto a empreendimentos "à posteriori", nomeadamente relacionados com o Turismo, serão difíceis de se implementar. Pois, o Turismo em "albufeiras" para além de estar em "desuso" não são, por si só, apelativos. Teria-se de criar um outro tipo de apelo turístico. Mas estes poderiam ser criados sem a construção de "barragens". Veja-se o "boom" do ecoturismo e das vantagens (naturais) do turismo em rios selvagens, através de desportos radicais e planos turísticos baseados na qualidade ambiental. Contudo, não se "faz" uma barragem para se estar à espera de "empreendedores", porque o impacto de uma barragem na vida e na qualidade da população não é algo que se possa desprezar.

3.«Por outro lado, há muito tempo poderíamos estar a contribuir para a redução de emissão de CO2. Por isso, não sejamos fundamentalistas e procuremos tirar partido de todas as formas possíveis de criação de riqueza à volta deste empreendimento. .»

Mais uma vez, estudos académicos e vários especialistas apontam para uma significativa contribuição das barragens para o efeito de estufa. Nestes estudos, há quem afirme que certas barragens (nomeadamente aquelas que criam albufeiras extensas e pouco profundas) conseguem produzir tanto ou mais gases com efeito de estufa como centrais termoeléctricas movidas a carvão ou a gás natural. Neste caso, no Vale do Tâmega, Rui Cortes, professor de hidrobiologia da UTAD, refere que «"o Tâmega está altamente poluído. A albufeira de Fridão vai aumentar ainda mais essa poluição",» e destaca a acumulação de poluição nas albufeiras, responsável pela libertação de metano, um dos principais gases com efeito estufa.

Agora, como poderíamos tirar partido da criação de riqueza de empreendimento que irá destruir o ecossistema vigente, a qualidade da água e alterar a paisagem de um dos mais belos cursos de água do nosso país?

4.«Se temos no país um recurso natural magnífico, a água, e se temos uma orografia favorável ao aproveitamento desse recurso, através das barragens, o que se pergunta é: por que razão não aproveitamos anteriormente esta possibilidade? »

Reformulando: «Se temos no país um recurso natural magnífico, a água» e essencial à vida logo não o podemos tratá-lo deste modo. Como tal, o aproveitamento deste recurso através de barragens tem de ser muito bem equacionado. Contudo, para a preservação da água como bem essencial para a manutenção da vida, a construção de barragens deve ser evitado.

Dar azo ao fundamentalismo

«A Iberdrola vai construir, entre 2012 e 2018, quatro novas barragens que completam o desenvolvimento hidroeléctrico da Bacia do Douro. Segundo informação distribuída por aquela empresa o investimento rondará 1.700 milhões de euros e prevê a criação de 13.500 novos postos de trabalho directos e indirectos.» in [Ecos de Basto]

É comum na estratégia das empresas produtoras de energia, "lançarem" notícias propagandistas para captar a adesão da população (das áreas abrangidas pela implementação dos seus empreendimentos hidroeléctricos). Neste caso, não ponho em causa a veracidade dos números. Contudo, para um melhor esclarecimento deveriam afirmar o quão efémero é a criação de emprego neste empreendimento. Ou seja, estes 13.500 postos de trabalho são postos de trabalho "criados" na construção do empreendimento (engenheiros,trabalhadores da construção civil etc.), pois, actualmente, a maioria das barragens funciona com um ou nenhum funcionário (são operadas à distância).

Será que estas barragens criarão emprego no âmbito do Turismo? Não, à partida, pois o país está repleto de "albufeiras" desertas em que se "venderam" a ideia de que as barragens (e as consequentes albufeiras) impulsionariam o turismo.

Findada a construção, os postos de trabalho "a criar" desaparecerão tão rápido como brotaram de notícias para "instrumentalizar as populações" e assim ficaremos com estes "mamarrachos" como símbolos de tão apregoado desenvolvimento.

«O Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico prevê ainda a construção de mais seis barragens que virão a reduzir substancialmente a dependência energética do país, para além de contribuírem decisivamente para a redução de emissão de CO2 para a atmosfera.» in [Ecos de Basto]

Mais uma ideia "vendida" para a "instrumentalização da população". Existem estudos académicos que provam que as barragens constituem uma importante fonte de poluição aquífera e atmosférica. Segundo Rui Cortes, professor de Hidrobiologia da UTAD, neste caso (Vale do Tâmega) as barragens a implementar irão destacar a «acumulação de poluição nas albufeiras, responsável pela libertação de metano, um dos principais gases com efeito estufa».

Curiosamente, não se destaca a qualidade da água no Vale do Tâmega ao construírem cinco barragens (62,5 por cento de todas as barragens previstas no plano nacional de barragens), nem a alteração no microclima característico do Vale do Tâmega (que poderá influenciar a produção de vinho verde por consequência da acumulação de uma gigantesca quantidade de água neste vale) e muito menos a velocidade estonteante que este projecto (o plano nacional de barragens) está a ter. Mas, isto são apenas lamentações de um fundamentalista que só vê defeitos mas está numa contínua espera para que o peso dos pratos da balança (dos prós e contras) reverta.

Os Japoneses é que sabem se divertir...."povo doidão, né"

Uma medida "Sheraton"

«"Vamos reduzir as deduções fiscais dos rendimentos mais elevados com o objectivo de aliviar as contribuições da classe média", afirmou José Sócrates» in [JN]

O facto de José Sócrates afirmar que impulsionará a "justiça social", enquanto discursava num hotel de cinco estrelas no centro do Porto, não me desviará do conteúdo da mensagem.

Como a época eleitoral "muda" a mentalidade partidária

«O secretário-geral do PS prometeu ainda garantir, na próxima legislatura, o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, salientando que esta alteração "não é uma vitória de uma minoria, é uma vitória de todos nós porque o país e a sociedade ficarão melhor"» in [JN]

De facto, a descriminação continua. É interessante percebemos a lógica que "move" o partido socialista.Há pouco tempo atrás o partido socialista encarnado no seu líder parlamentar votou no continuar da discriminação. Agora, reina o discurso de clamação de votos (em última instância é o que sobressai) para que o país e a sociedade fiquem melhor.

06 fevereiro 2009

Leis orwellianas em prol do serviço privado

«5. Decreto-Lei que, no uso da autorização legislativa concedida pela Lei n.º 60/2008, de 16 de Setembro, procede à segunda alteração do Decreto-Lei n.º 54/2005, de 3 de Março, que aprova o Regulamento da Matrícula dos Automóveis, Seus Reboques, Motociclos, Ciclomotores, Triciclos, Quadriciclos, Máquinas Industriais e Máquinas Industriais Rebocáveis, e estabelece a instalação obrigatória de um dispositivo electrónico de matrícula em todos os veículos automóveis, ligeiros e pesados, seus reboques, e motociclos, bem como triciclos autorizados a circular em infra-estruturas rodoviárias onde seja devido o pagamento de taxa de portagem» in [Comunicado Conselho de Ministros]

Para além da discutível perda de privacidade que este Decreto-Lei implicará, digam-me (pois não compreendo) qual é a necessidade do legislador (neste caso o Conselho de Ministros) "criar" um Decreto-Lei para satisfazer as necessidades de um grupo de empresas privadas (concessionárias das auto-estradas) em detectar os prevaricadores dos seus serviços? Sendo assim, porque não pôr um chip em cada cliente(automóvel) de um supermercado(auto-estrada) para que este não consiga passar pela caixa(portagem) sem o devido pagamento (do serviço prestado)?

05 fevereiro 2009

Nada é linear

«Segundo o Telegraph.co.uk, o terramoto de 7.9 de magnitude que matou 80.000 pessoas na China no ano passado, pode ter sido despoletado pela mega barragem de ZiPingPu. A suspeita está a ser levantada por cientistas chineses e norte-americanos. Fan Xiao, que é o engenheiro chefe do Departamento de Geologia de Sichuan diz que é muito provável que a construção e enchimento do reservatório de 315 milhões de toneladas de água, em 2004, tenha levado ao desastre.» (ler mais)