Não é comum abordar a temática futebolística nos artigos que escrevo, até porque, definitivamente, há temas bem mais urgentes e importantes para serem discutidos na blogosfera que não o futebol. Contudo, não resisti em abordar esta situação que me parece caricata. Deixando de parte as minhas preferências clubisticas, e que muito provavelmente me vão valer uns quantos comentários azedos (estou eu já à espera disso), parece-me um pouco ridículo que o jornal desportivo – Record, no dia após a fantástica exibição do FC Porto frente ao Manchester United, em Old Trafford, que carimbou um empate e a qual mereceu elogios por parte dos mais variadíssimos comentadores desportivos e imprensa estrangeira, deixando em muito boa posição a equipa portuguesa para uma eventual passagem às meias-finais da Champion´s League, tenha o desplante de editar na primeira página como notícia de destaque (ocupando uns aproximados 60% da página), a eventual relação tremida entre a direcção do Sport Lisboa e Benfica e o treinador da equipa principal de futebol, Quique Flores. Por sua vez, o destaque para o jogo supracitado mereceu apenas uns aproximados 15% da página. Parece-me evidente o peso que cada uma destas notícias tem para o panorama desportivo nacional. A ideia com que se fica é que, ou o FC do Porto não é uma equipa portuguesa, e que estar ou não estar nos quartos-de-final da Champion´s para pouco importa para o panorama desportivo e futebolístico nacional. Ou então, que jogou contra uma equipa vulgar, que por sinal é a actual vencedora da Premier League e da Champion´s, com um orçamento 12 vezes superior a qualquer um dos nossos três grandes, e que se dá ao luxo de ter no banco de suplentes nomes como Ryan Giggs, Anderson, Nani, Tevez e Gary Neville. Para não falar dos habituais titulares, nomes como Van Der Sar, Vidic, Evra, Wayne Rooney, Paul School´s, e ainda, o melhor jogador do mundo segundo a FIFA, português – Cristiano Ronaldo.
É bom lembrar aos mais fanáticos, que é às custas de bons resultados europeus que se acumulam pontos a fim de garantir a presença de equipas portuguesas nas competições europeias nos anos seguintes. Independentemente de se gostar ou não do sucesso do FC Porto a nível nacional e europeu, penso que o Record deveria ter tido outra postura na edição deste número.
Apesar disto, também não me espantaria, em absoluto, que se o Sport Lisboa e Benfica ou o Sporting CP estivessem em situação e posição semelhante à do FC do Porto, o jornal desportivo – O Jogo, adoptasse a mesma facciosa e ridícula postura. E assim se vai fazendo imprensa desportiva em Portugal, recheada de parcialidade, que apenas serve para alimentar fanatismos e más relações com os clubes de futebol, e acima de tudo, com outras actividades desportivas, que muito muito raramente merecem destaques “em bruto” na primeira página.
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09 abril 2009
Parcialidade da imprensa desportiva
Não é comum abordar a temática futebolística nos artigos que escrevo, até porque, definitivamente, há temas bem mais urgentes e importantes para serem discutidos na blogosfera que não o futebol. Contudo, não resisti em abordar esta situação que me parece caricata. Deixando de parte as minhas preferências clubisticas, e que muito provavelmente me vão valer uns quantos comentários azedos (estou eu já à espera disso), parece-me um pouco ridículo que o jornal desportivo – Record, no dia após a fantástica exibição do FC Porto frente ao Manchester United, em Old Trafford, que carimbou um empate e a qual mereceu elogios por parte dos mais variadíssimos comentadores desportivos e imprensa estrangeira, deixando em muito boa posição a equipa portuguesa para uma eventual passagem às meias-finais da Champion´s League, tenha o desplante de editar na primeira página como notícia de destaque (ocupando uns aproximados 60% da página), a eventual relação tremida entre a direcção do Sport Lisboa e Benfica e o treinador da equipa principal de futebol, Quique Flores. Por sua vez, o destaque para o jogo supracitado mereceu apenas uns aproximados 15% da página. Parece-me evidente o peso que cada uma destas notícias tem para o panorama desportivo nacional. A ideia com que se fica é que, ou o FC do Porto não é uma equipa portuguesa, e que estar ou não estar nos quartos-de-final da Champion´s para pouco importa para o panorama desportivo e futebolístico nacional. Ou então, que jogou contra uma equipa vulgar, que por sinal é a actual vencedora da Premier League e da Champion´s, com um orçamento 12 vezes superior a qualquer um dos nossos três grandes, e que se dá ao luxo de ter no banco de suplentes nomes como Ryan Giggs, Anderson, Nani, Tevez e Gary Neville. Para não falar dos habituais titulares, nomes como Van Der Sar, Vidic, Evra, Wayne Rooney, Paul School´s, e ainda, o melhor jogador do mundo segundo a FIFA, português – Cristiano Ronaldo.
É bom lembrar aos mais fanáticos, que é às custas de bons resultados europeus que se acumulam pontos a fim de garantir a presença de equipas portuguesas nas competições europeias nos anos seguintes. Independentemente de se gostar ou não do sucesso do FC Porto a nível nacional e europeu, penso que o Record deveria ter tido outra postura na edição deste número.
Apesar disto, também não me espantaria, em absoluto, que se o Sport Lisboa e Benfica ou o Sporting CP estivessem em situação e posição semelhante à do FC do Porto, o jornal desportivo – O Jogo, adoptasse a mesma facciosa e ridícula postura. E assim se vai fazendo imprensa desportiva em Portugal, recheada de parcialidade, que apenas serve para alimentar fanatismos e más relações com os clubes de futebol, e acima de tudo, com outras actividades desportivas, que muito muito raramente merecem destaques “em bruto” na primeira página.
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