
E já que os nossos candidatos dedicaram pouco do seu tempo em esclarecer os eleitores sobre as suas ideias e projectos para a Europa, resta a cada um de nós, independentemente do eleito, pensar um pouco no papel que Portugal tem na Europa enquanto Estado membro de uma comunidade multicultural. Seria bom que individualmente e corporativamente se reflectisse sobre esse mesmo papel, procurando não apenas lembrarmo-nos da EU, reclamando fundos quando se instalam dificuldades internas, e esquecermo-nos depois, dos deveres e responsabilidades enquanto cidadãos e enquanto Estado membro, no compromisso (que supostamente deveríamos assumir) para a construção de uma Europa que se deseja unida, com as suas diferenças, mas com objectivos de convergência nas matérias que a fracturam. Porque para quem “sofre” de egoísmo/egocentrismo ou, para quem tem memória curta, houve muito recentemente, um alargamento desta mesma comunidade através da inclusão de novos Estados membros, Estados esses com características próprias, mas, fundamentalmente, com necessidades também, que em muitos casos, superam as do nosso País. Portanto, seria bom que na nossa mentalidade se instalasse a crença de que Portugal não pode limitar-se a receber da Europa, mas também a dar à Europa (e aqui não me refiro a questões económicas). Quero com isto dizer que, sendo a Europa um conjunto de Estados culturalmente distintos, com especificidades próprias, com dificuldades e necessidades diferentes, mas também, com potencialidades por explorar, cabe a cada Estado membro reflectir sobre essas potencialidades, sobre aquilo que tem e que pode dar aos outros que não têm, e sobre o que realmente não têm e necessitam dos outros, criando um compromisso de desenvolvimento conjunto, sem perda da identidade própria. Só com uma Europa solidária, de forma responsável, não preconceituosa, não xenófoba, assente numa plataforma eficaz de mobilidade e de emprego, com uma legislação convergente nas matérias sociais e jurídicas, com uma aproximação cultural na partilha e discussão de matérias de interdependência, bem como, na discussão das políticas ambientais, energéticas, financeiro-económicas, de saúde e educação, se poderá pensar numa União que possa funcionar como um bloco sólido. Mas para que esta Europa se solidifique, cada País que compõe a sua estrutura, terá de se readaptar ao seu conceito. Assim sendo, Portugal, integrando-a não é excepção, e à semelhança de muitos outros Estados membros, está neste momento, demasiadamente centrado sobre si próprio, sem um sentimento europeu interiorizado. A mentalidade da nossa cultura está a anos-luz de compreender o que a UE significa, e basta estarmos atentos para facilmente observarmos que não faltam por este país fora muitos que se auto-intitulam de pró-europa, sem sequer entender o seu conceito e as suas bases ideológicas de formação, apenas a olhando como o mealheiro de reserva quando a crise se instala ou quando se quer dinheiro para construir alguma coisa. Nós sociedade, temos o dever de procurar explorar as nossas potencialidades, e ao mesmo tempo, comportarmo-nos como cidadãos europeus devidamente civilizados, zelando pela democracia e civismo, procurando a justiça, a exigência, o rigor, o cumprimento dos deveres cívicos e da lei, deixando de parte o individualismo e o “chico-espertismo” que tem reinado nos últimos tempos e, que de certa forma, tem contribuído para o estado caótico da nossa cultura e, para o consequente afastamento da Europa nas mais diversas matérias, que não raramente nos envergonha quando em quase todas as estatísticas figuramos na cauda ou perto dela.
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