26 janeiro 2009

Sobre o "não" no referendo em Viana do Castelo

...tenho a leve impressão que isto aconteceria em qualquer capital de distrito que possuísse as seguintes características:
-concelho mais populoso;
-o que paga mais impostos;
-o que tem maior capacidade económica;
-o que tem maior protagonismo para ganhar mais investimentos para o distrito;

e que, hipoteticamente, se inserisse numa comunidade que lhe desse o mesmo "peso" no processo de decisão da comunidade intermunicipal. Sabem, é que o princípio da igualdade é um conceito difícil de implementar e de praticar em política, pelo menos no tipo de política que conhecemos.

2 comentários:

  1. tens razão Marco Gomes e revela muito do que nós, como humanos somos. Mas deixo apenas um reparo: Apesar de ser o concelho mais, o que paga mais impostos, o que tem mais capacidade económica é o Concelho de Melgaço e o seu Presidente da Câmara e da Federação Distrital do PS, Solheiro, quem mais tem beneficiado com os apoios do poder central e mais protagonismo: porque é o homem do partido (aparelho) de sempre de todos os secretários gerais. Por isso é que tem captado apoios governamentais e comunitários para obras e projectos, alguns desproporcionados e megalómanos. É sabendo disso que Defensor Moura -que tem uma enorme capacidade reivindicativa e determinação (que muitas vezes é de pura teimosia), reconheça-se, não tem nenhuma dúvida (disse-me pessoalmente): a de que se iria criar uma coligação negativa dos concelhos PS (a maioria homens de mão de Solheiro), contra Viana, para arrumar com Defensor Moura. Mas não tenho dúvidas que o que está em causa é o que tu dizes: recusar o principio da igualdade para disputar os protagonismos. Independentemente de discordar dele na questão da adesão à CIM, a verdade é a luta dele contra o aparelhismo de Solheiro tem razão de ser. Veja-se que os deputados e putativos candidatos à AR estavam todos com Solheiro ...pudera, é ele quem decide as constituições das listas candidatas às legislativas!..

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  2. Cada distrito tem o seu "Solheiro". Nós, no distrito de Braga, temos o nosso.

    Pois, nesta luta de protagonismos, perde, lá vai o cliché, o que é "governado" (nisto se inclui terras e os seus respectivos ocupantes) pelos "protagonistas".

    Compreendo e até admito que a maior luta interna na classe política portuguesa seja entre políticos por vocação e dedicados à causa pública e os outros, aqueles que por ventura já foram dedicados e idealistas mas que hoje partilham com os demais o "pseudo-adjectivo" "aparelhista". É um princípio perigoso (veja-se a história da política nos últimos anos em Portugal) que está, infelizmente, implementado na política portuguesa.

    Em conclusão: guerras palacianas de obtenção de poder e protagonismo.

    O pior Fernando é que a maioria dos eleitores continua a eleger estes "marmanjos". A maioria destes até têm a noção no que (pois não votam na pessoa mas sim no partido) estão a votar. Contudo, a "alternativa" (não se inclui o PSD) continua distante das suas cruzes eleitorais.

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