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11 janeiro 2009

Minhotos (os que elegem) e os outros minhotos (os eleitos)

Há cerca de um mês escrevi sobre a volatilidade, para utilizar um eufemismo, da situação sócio-económica da Região do Ave do Cávado. O Bloco de esquerda apresentara, na altura, um conjunto de medidas excepcionais para minorar o desespero social e económico que se sente e vive nesta região.

Ido o tempo, a Oposição levou a discussão e ao parlamento um conjunto de programas de intervenção e de emergência para o distrito de Braga, que salientava a situação de "tragédia social" que se vive, em particular no Vale do Ave e Vale do Cávado. O grupo parlamentar do PS "chumbou". Nem os alertas das bancadas parlamentares oposicionistas, para "descartar" as obrigações da bancada, como quem diz, para sensibilizar os deputados do PS eleitos pelos círculos de Braga e do Porto, para se distanciarem da orientação da bancada e votar a favor das propostas da Oposição, surtiram efeito. O conjunto de medidas foi liminarmente "chumbado".

Na base da rejeição do conjunto de medidas, os deputados do PS alegaram «...deve fazer-se o balanço dos programas em curso e que, em 2008, já permitiram um investimento de mais de 20 milhões de euros» e que «...as medidas do Governo de apoio ao investimento e ao emprego, que serão votadas no Parlamento, no próximo dia 29, terão incidência na região» contudo, adjectivaram o conteúdo do conjunto de medidas apresentado pela Oposição como «demagógico» e de «simples retórica».

De facto, os «programas em curso» têm produzido um efeito deveras notável. Ninguém diria que existe um "plano governamental" para estas regiões. De referir, que esta crise que se sente e vive nas Regiões do Ave e do Cávado não é um fruto do acaso muito menos única e exclusivamente responsabilidade de alguma crise externa. As causas estão bem identificadas: a falta de variabilidade económica, o tipo de economia baseada em mão-de-obra barata, má gestão, uma globalização à la minhota etc. De referir que os empresários, que enriqueceram à custa da falência das empresas com a supressão de salários e afins, também, têm uma quota parte de culpas nesta situação desesperante. Responsabilizá-los é necessário.

De salientar o voto de rejeição a este conjunto de medidas dado pelos deputados do PS eleitos no círculo de Braga. Mostraram um "seguidismo" partidário exemplar. Estes exemplos de falta de responsabilidade perante o eleitor, obrigam-me a pensar que é urgente um outro sistema de eleição, o círculos uninominais.

22 dezembro 2008

A "globalização" deslocalizou-se sem responsabilidade nem mágoa

A gravidade da situação sócio-económica na Região do Ave e do Cávado é sentida por quem cá vive ou passe por estas paragens. Mediante as vicissitudes da globalização, estas regiões, que outrora forneciam empregos e trabalho, encontram-se em processo de "deslocalização". Deslocalização no seu sentido mais amplo. As gentes e as empresas estão a partir para outras paragens e os que cá ficam, gentes e empresas, vivem para sobreviver.

Pesa-nos, ainda, o peso da interioridade. Estarmos longe dos centros de decisão, com a sua plenitude em Lisboa (Capital do país e dos "fundos de miséria"), é o reverso da medalha para quem procura paz, sossego e a pureza bucólica. A distância entre estes centros e as terras que da ajuda deles precisam mede-se em anos e não em metros.

O desemprego é elevadíssimo nas estatísticas governamentais e na realidade, aquela onde os subsídios de desemprego e a inscrição no Centro de Emprego desaparecem, maior será a taxa de desemprego entre a população activa.

Neste sentido, e com agravar da situação sócio-económica, o Bloco de Esquerda alerta para esta realidade. Brada aos "céus" parlamentares e mediáticos o desespero social e económico que continua abafado e repisado na Região do Cávado e do Ave. Prometem, através de um conjunto de medidas, não resolver, mas pelo menos minorar as consequências de uma economia débil e centralizada que há muito ameaça ruir.

Não conheço o conteúdo das propostas do Bloco de Esquerda para "minorar as consequências". Contudo, penso que para além da qualidade deste medidas, pior, será, nada fazer. O PS e PSD chumbaram um anterior conjunto de propostas apresentadas pelo Bloco de Esquerda para esta Região. E, assim, depois do chumbo o PS e PSD apressaram-se a: nada fazer.

Não existe, pelo menos que eu tenha conhecimento, um plano ou um conjunto de medidas que "abrace" esta Região e corrija os erros de uma globalização "à la minhota", pela raíz. Ou seja, melhore o "ambiente" sócio-económico e, ao mesmo tempo, reestruture a economia débil e centralizada destas regiões.