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19 setembro 2010

Ciganices

O voto de condenação à França sobre a expulsão indiscriminada de ciganos, proposto pelo BE, foi rejeitada no Parlamento. Embora houvesse algumas declarações de voto, abstenções e um voto a favor da condenação, no essencial PS, PSD e CDS-PP rejeitaram o voto de condenação da França pela atitude discriminatória em relação aos ciganos.

Nem o facto de ter sido encontrada uma "circular administrativa" do governo francês a determinar a eliminação de acampamentos ilegais, mas "prioritariamente os ciganos", deportando os "ilegais", nem as condenações de várias instâncias internacionais a condenar o atropelo aos mais fundamentais direitos humanos, ecoou na consciência dos parlamentares do PS, PSD e CDS.

De facto, os deputados eleitos no Partido Socialista para o Parlamento Europeu, dias antes votaram favoravelmente a uma condenação desta política discriminatória em França. Os congéneres portugueses, votaram em sentido contrário.

O que se passa na França é algo recorrente na história. O objectivo de classificar certas comunidades como bode expiatório dos problemas incómodos para os populares políticos é uma técnica conhecida. Em Portugal, nota-se. Os populistas que governam o CDS-PP elegeram os cidadãos que recebem o RSI como uma comunidade problemática e sobre a qual todos os problemas circundam. Sarkozy e associados, os ciganos.

Claro, há sempre quem sobre estas questões as desvalorizam. Dizem, os doutos, que nos tempos que correm, com a crise a desenvolver, os nossos parlamentares se ocuparem com estas e outras questões "menores" é insultuoso. A predominância económica é evidente naquelas mentes. Mas, como a história nos ensina, quando os mais fundamentais direitos estão a serem postos em causa num qualquer país distante, a resposta tem de ser globalmanente condenatória.

Comparativamente, à década de trinta do século passado, isto foi evidente. As políticas segregacionistas praticadas pelos nacionais-socialistas alemães eram, de uma forma passiva, desconsideradas pela maioria dos cidadãos da Alemanha. Os principais problemas eram a inflação galopante, o desemprego e a asfixiante crise económica. Não se preocuparam com aquelas minorias, já secularmente discriminadas. Depois, foi história e a história, por variadas vezes, foi uma profeta do futuro.

21 agosto 2010

Uma vergonha

Não deixa de ser uma contradição, uma União Europeia cada vez mais envelhecida, que recorrentemente (em países onde a direita política está no governo e roça o populismo bacoco) expulsa, ignorando direitos universais, quem nada mais vez do que procurar um país para melhorar a sua qualidade de vida. Digam, qual foi o crime que esta gente vez? Mas para Sarkozy (convém referir que é filho de imigrantes húngaros) esta evidência pouco vale. O repatriamento para a Roménia (onde são indesejados) é uma medida ineficaz e que só poderá ser vista como uma medida populista e demagógica.

29 outubro 2009

«Todos os animais são iguais mas alguns são mais que outros»

«Nicolas Sarkozy é acusado pelo Tribunal de Contas francês de ter "exagerado muito" nas despesas durante a Presidência francesa da União Europeia - €171 milhões em 6 meses, mais do dobro da média das outras presidências.» in [Expresso]

19 março 2009

A reacção

Em França, uma sequência de manifestações poderá trazer para "a rua" centenas de milhares de manifestantes. No âmago do descontentamento está, uma invariável nos tempos que correm, a «crise». A grande parte dos que se manifestam (e não só) não estão nas ruas a manifestar por uma ruptura com o "velho" padrão social e alterar a percepção da "consciência colectiva". Pelo contrário, estão na rua com o intuito de manterem o mesmo modo de "pensar a realidade" e reivindicar tudo o que possa manter ou suportar no futuro o padrão social imposto (ou livremente assimilado) pelo capitalismo. Não é uma manifestação é, antes de mais, uma reacção perante a ameaça.

10 maio 2008

Incoerências de alguns, condenam muitos

Desde que raiamos como Nação somos um Povo inquieto e gostamos de nos deslocar, ora por necessidade, por curiosidade ou por algum fulgor anímico. Sabemos que ao nível da estimativa, directa e indirectamente, o povo luso possui cinco milhões de seres distribuídos por os quatro cantos do Mundo.

Não compreendo as exigências de algumas facções nacionalistas em renegar a estes conceitos e incentivar ao nacionalismo como forma de nos salvaguardar como Nação Lusa e ,assim, impedir a migração de seres oriundos de outras proveniências para o nosso País. Provavellmente a incoerência aliada ao conceito da "fácil explicação" de certos acontecimentos com razões injustas, infundadas e de "fácil" relação.

Continuamos a migrar. A emigração está comummente implementada, sofrendo oscilações em termos numéricos que dependem de certas conjunturas sócioeconomicas. É assim e será assim enquanto a incoerência de alguns não se sobrepor aos demais.

o Presidente francês, Nicholas Sarkozy, sendo ele um descendente de emigrantes, tentará implementar uma política de restrição à imigração para a Europa, quando a França presidir à União Europeia. Um contra-senso. Para não falar das razões que, ele e muitos dos que com ele pactuam de ideais onde se fracciona o solo como arauto dos ideais discriminatórios e nacionalistas, como este planeta fosse refém de certas "castas" e não um território global e pertencente de igual modo a todos os seres que nele habitam.

Espero que os representantes portugueses reneguem imperativamente a qualquer medida discriminatória de um espaço que se quer global, a Europa. Que Portugal se relembre da sua História e do presente e faça valer os ideais, de um povo que continua a migrar. Que não caia em pressões e intenções de certos seres que auguram uma propriedade territorial à sua medida e não congruente com a globalidade dos seres.

Somos um País de emigrantes e de imigrantes. A nossa herança genética é uma prova irredutível de tal valia. Hoje hospedamos seres e continuamos a ser hospedados em outros países. Não sejamos hipócritas. De hipocrisia estamos fartos.