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22 fevereiro 2011

Líbia

A Líbia já está no centro da "revolução de Jasmim". No entanto, pelas características da autocracia que lá "reina", é evidente que esta revolução possua contornos mais violentos. É interessante sublinhar o quão incomodativo é, até certo ponto, esta "revolução em cadeia" para as grandes potências mundiais - declaradamente (pois o histórico das relações comprova) favoráveis à "estabilidade" que as ditaduras do Norte de África dão aos seus interesses. O nosso governo tem provas dadas sobre o favorecimento dado à "estabilidade" destas ditaduras, nomeadamente à ditadura líbia. Mas a "vontade popular" e a necessidade de justiça e bem-estar provam o quão hipócritas são. Espero que os protestos na Líbia tenham os mesmos (ou melhores, no meu ponto de vista) resultados que os protestos no Egipto e na Tunísia tiveram. Claro, este processo poderia ser, digamos, acelerado, caso as "grandes potências mundiais" fossem "incisivas" em defender o povo líbio invés dos recursos líbios. Mas é a "realpolitik", que tanto agrada a muitos dos interesses instalados e comprometidos, que irá determinar o apoio ou não ao povo líbio.

29 agosto 2010

Repúdio

Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma mulher iraniana, encontra-se no corredor da morte desde 2006 por ser acusada no seu país do crime de adultério. [in Diário de Notícias] Como é possível nos tempos que correm ainda existirem culturas e sistemas político-legais deste tipo!? A moralidade da pena de morte é, por si só, altamente discutível, e é-o ainda mais quando na sua base estão crimes como este. Veja-se o extremismo de condenar alguém à morte porque "saltou a cerca", com a agravante de que o crime não existe nos dois géneros, só é contemplado no sexo feminino, sendo que não é crime os machos fornicarem a torto e a direito com quantas mulheres quiserem. Um "machismo legalizado". Acrescentando ainda, a violência e a barbárie do método de execução escolhido, que fria e cruelmente é, matar alguém à pedrada (lapidação). Admito que a foto escolhida é "pesada", mas só através do olhar se poderá compreender. Qual Programa Nuclear qual carapuça, isto é bem mais asqueroso.

21 agosto 2010

Uma vergonha

Não deixa de ser uma contradição, uma União Europeia cada vez mais envelhecida, que recorrentemente (em países onde a direita política está no governo e roça o populismo bacoco) expulsa, ignorando direitos universais, quem nada mais vez do que procurar um país para melhorar a sua qualidade de vida. Digam, qual foi o crime que esta gente vez? Mas para Sarkozy (convém referir que é filho de imigrantes húngaros) esta evidência pouco vale. O repatriamento para a Roménia (onde são indesejados) é uma medida ineficaz e que só poderá ser vista como uma medida populista e demagógica.

13 junho 2010

Lembram-se da pandemia da gripe A ? Pois bem, não existiu

Deixo este texto (1) de Abel Alves e estes (2,3,4) que eu outrora escrevi sobre a "toda-poderosa" indústria farmacêutica, como suplementos ao vídeo em epígrafe.

12 abril 2010

Como a hipocrisia reina nas questões "nucleares"

Barack Obama e Dmitry Medvedev assinaram um tratado de desarmamento nuclear, que prevê que nos próximos sete anos ambos os países reduzam em cerca de trinta por cento o seu "potencial nuclear". Os EUA e a Federação Russa concentram a maioria do arsenal nuclear existente neste planeta. É um sinal positivo, o desejo elaborado por Barack Obama (que quer reduzir o armamento nuclear existente) e o tratado assinado por Obama e Medvedev.

Na "cimeira nuclear" a realizar em Washington Benjamin Netanyahu decidiu não comparecer. O primeiro-ministro israelita fora aconselhado a não comparecer na "cimeira nuclear", embora tivesse vontade de lá ir e apregoar o "perigo nuclear" para Israel, pois seria "emboscado" por outros países que exigiriam que Israel fosse fiscalizado por inspectores internacionais.

Nas relações internacionais e, em particular sobre este assunto (armamento nuclear), a hipocrisia reina. Como podemos ver pela imagem, Israel concentra o quinto maior arsenal nuclear. São cerca duzentas ogivas nucleares. Oficialmente, o Estado judaico (por definição é, portanto, um estado confessional como, por exemplo, o Irão), não desmente nem confirma a posse de armamento nuclear. Mas a existência de armas nucleares em território israelita é um "segredo público", pois existem documentos dos EUA que demonstram que Israel possui um significativo arsenal nuclear.

Porém, Israel, impõe que os seus vizinhos (em particular, o Irão) não deva, de maneira nenhuma, possuir a capacidade de produzir armamento nuclear. Uma medida que concordo e apoio. Porém, Israel, lesto a ameaçar os estados vizinhos, não dá o exemplo (e extingue o seu arsenal nuclear) e escapa impunemente ao escrutínio internacional. O estado de Israel, mesmo que não confirme, tem arsenal nuclear e, hipocritamente, ameaça quem nas "redondezas" tenha a possibilidade de produzir armamento nuclear. Israel possui armamento nuclear à revelia dos tratados internacionais e impede vigorosamente que outros o tenham. Israel apoia a visita de inspectores internacionais para que investiguem e determinem para que fins é utilizado o equipamento e "conhecimento" nuclear, porém não admite que inspectores entrem em Israel para fiscalizar e determinar para que fins Israel utiliza o seu equipamento nuclear.

As armas nucleares, só pela sua existência, são um perigo para a humanidade. A sua supressão deveria imperar nas relações internacionais.O estado actual das relações internacionais permite que haja países a serem fiscalizados e impedidos de desenvolver "conhecimento nuclear" e outros já com armamento nuclear não sejam sequer repreendidos. Enquanto a hipocrisia determinar as relações entre países, a "questão nuclear" será sempre mais uma prova de que a lei ou a ética não igual para todos mas, sim, um argumento "maleável" que se usa quando se precisa.

08 janeiro 2010

O plano soberano e divino de deus é perfeito e ele vai executá-lo de acordo com a sua vontade e no devido tempo, de uma forma que o glorificará

"Eis os resultados: eu sou o Presidente, logo sou o responsável pelo que acontece neste país." Foi assim que Barack Obama assumiu, ao fim do dia de ontem em washington, e perante as câmaras de televisão a responsabilidade pelo atentado falhado do dia de Natal. in [DN]

11 dezembro 2009

Apenas mais um episódio da farsa em que tornaram o mundo e as palavras

«Guerra». Esta palavra foi declamada quarenta e três vezes pelo actual prémio Nobel da Paz. Nesta contagem, a palavra «paz» foi enunciada trinta e sete vezes e as palavras «direitos humanos» somaram, em conjunto, sete utilizações na intervenção de Barack Obama na cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Paz.

Este foi um discurso em que Obama defendeu a sua paz, discutiu a sua justificação para a sua guerra, dirigiu-se aos seus gigantes da história e aos seus adversários internos. Portanto, este foi o seu prémio. Como prenúncio do que seria o cerne do discurso, Barack Obama, na saudação inicial saudou os seus cidadãos e os outros, os cidadãos do resto do Mundo, espelhando um pouco do «egocentrismo» americano. Lembro-me que quando Barack Obama recebeu a notificação que tinha ganho o prémio Nobel da Paz, afiançou que este seu prémio era um incentivo «à acção», ou seja, um incentivo à sua justificada guerra para impor a sua paz. Não fora cínico, como alguém disse. Fora cruelmente verdadeiro. Obama, com a atribuição do Prémio Nobel da Paz, viu reconhecido e consentido, pelo menos pelo Comité Nobel, o seu «esforço para a paz», que em crua verdade significa um maior «esforço» bélico.

O presidente Barack Obama enunciou vários conceitos interessantes que poderia realçar e, quem sabe, pôr em causa, contudo, por uma questão de um certo carinho comigo e um certo pudor intelectual, deixo aqui apenas uma consideração: Barack afirmou, algumas vezes, a necessidade de uma «guerra justa» e dos imperativos de uma «paz justa». Gostaria que me explicasse como é que o qualificativo «justa» pode qualificar duas coisas tão distintas e antagónicas como a «guerra» e a «paz»? Resposta: não pode. Não há, nem poderá haver «guerras justas». Há, e haverá com a incidência que a estultícia do homem permitir, a guerra. Apenas um nome, sem eufemismos.

Podem ziguezaguear tanto quanto quiserem o conceito de «guerra» mas uma coisa tenho a irredutível certeza: a guerra não é um meio para alcançar a paz e, muito menos, algo justo. O resto, são jogos de interesse e sintomas de uma sociedade a necessitar de uma mudança, pouco mais.

24 novembro 2009

Europeus, são eles? (II)

«O directório que hoje governa a Europa não quer que lhe façam sombra» in [Expresso].

Esta a frase de Mário Soares caracteriza, profundamente, a recente nomeação de Herman Von Rompuy como futuro presidente do Conselho Europeu. Como exercício informativo fica aqui um link que mostra um pouco do "ar" que se respira submundo dos corredores de Bruxelas e revela quem são os constituintes do "directório" que Mário Soares refere.

23 novembro 2009

Europeus, são eles?

A poucos dias de porem em prática o «Tratado de Lisboa», os cargos políticos lá inscritos cedo brotaram. Não é de espantar que eles se auto-elejam, tal como o Tratado que lhes deu origem, à revelia dos cidadãos europeus que juraram administrar. Eleger «desconhecidos» não é algo novo no seio eurocrata de Bruxelas. Durão Barroso já foi um ilustre desconhecido. Um desconhecido que encarnou, literalmente, o papel de símbolo. Um símbolo de um, talvez, interesse maior. Tal como ontem, hoje, estes ilustres desconhecidos já têm o seu papel definido nesta Europa.

31 outubro 2009

The singers change but the song remains the same

«Hillary Clinton adverte Irão de que "a paciência tem limites"» in [SIC]

«(...)Hillary Clinton, rejeitou a precondição palestina para negociar, ou seja, o congelamento dos colonatos israelitas.» in [TSF]

Estas declarações reavivem os velhos tiques diplomáticos da administração Bush. Hillary Clinton, membro do establishment americano, exacerba, com a sua falta de diplomacia, a atitude cínica perante o «processo nuclear» do Irão -sendo os EUA uma das ditas «potências atómicas» exige que outros (para além dos países "amigos") não possuam tal capacidade- e a intransigência sobre as necessidades palestinianas. No fundo, sem aquelas palavras diplomaticamente correctas e as «nobelizáveis» intenções, a administração Obama é, em concreto, um reflexo da anterior. De nada vale para os EUA a ética que falta perante o Irão e a promessa de ouvir os lamentos da Palestina. No fim, crivando o discurso e os espectáculos mediáticos, o que temos nas verdadeiras questões internacionais são...boas intenções recheadas de más acções.

19 outubro 2009

Uma maneira de acabar com o estímulo bélico do recente prémio Nobel da Paz: aceitar a, evidente, fraude eleitoral

«Invalidação de votos coloca em dúvida vitória de presidente do Afeganistão(...)Os Estados Unidos advertiram que não enviarão mais tropas ao país até que tenham clara a legitimidade do novo Governo.» in [Globo.com]

09 outubro 2009

O prémio Nobel da Paz premeia a intenção americana de promover a paz mundial porque com as acções não vão lá

O prémio Nobel da Paz tende, com o correr dos tempos, a ser um consagrador de políticos mediáticos, com mensagens mediáticas e com acções... mediaticamente por concretizar. Nos últimos sete anos foram laureados três políticos provenientes dos EUA: Jimmy Carter (2002), Al Gore (2007) e Barack Obama (2009). Que acções concretas destes senhores mereceram tão egrégio prémio? Pode ser defeito meu mas entre premiar um grande nome político ou um simples encantador de cobras, escolho a segunda hipótese. O encantador de cobras é um artista de rua, como qualquer bom político, ilude-nos, no decorrer da seu ofício como qualquer bom político, e certamente terá desejos para um mundo melhor, com muitos destes desejos não realizados -como qualquer bom político. Contudo a simplicidade e o pouco mediatismo que deverá ter é algo notável e, no mínimo, "nobilizável". Para quando um prémio para Bo?

post scriptum: é engraçado que no momento de propor e votar os ilustres políticos americanos para o Nobel da Paz os eleitores não equacionam o esforço para reforçar a diplomacia e a paz no Mundo concretizado através de mais e melhor guerra promovida por estes. Provavelmente, são apenas variáveis residuais na equação de premiar o esforço de diplomacia e paz com guerra.

15 junho 2009

O "Estado Judaico"

Sendo verdade que em rigor o Estado de Israel não seja uma teocracia (possui um regime democrático) também é válido pensar que continua a fundamentar tanto a sua política como as suas acções em pressupostos religiosos. Não é displicente, que o governo actual (uma coligação entre a direita e a extrema-direita), como outros anteriores governos, enfatizam a sua "religosidade" (embora a sociedade israelita não seja a cópia dos usos e costumes dos seus governantes) nas relações políticas. Há quem afirme que esta é a verdadeira causa para o conflito territorial naquela zona: um Estado falsamente laico e o fervor religioso que ultrapassa os meandros da discussão teológica. Em suma são livros e palavras (sagradas) que outrora delimitaram áreas (podemos considerar também o factor histórico do povo semita). Num mundo, surreal, estas questões seriam discutidas por eclesiásticos e teólogos deixando as quezílias religiosas no antro do estudo. Mas não é isto que acontece e, naquela zona, os objectivos da política se confundem com os objectivos da religião.

Sobre esta evidência há um exemplo recente: a abertura (forçada pelos EUA) em relação ao Estado Palestiniano.

No conjunto de condições basilares para um futuro acordo entre as partes destaco uma condição que exige o reconhecimento dos palestinianos do Estado judaico e, não, do Estado israelita (como um Estado democrático e laico deveria se denominar). Pormenores que ditam a diferença.

post scriptum: no contexto das exigências pedidas por Benjamin Netanyahu, o Estado judaico exige que o território concedido (e não devolvido é a pureza das palavras) aos palestinianos não possuirá um exército, não terá o controlo do espaço aéreo, não permitirá entrada de armas, nem a possibilidade de estabelecer alianças com o Irão ou com o Hezbollah", o movimento xiita libanês. Tenderia a concordar com ele se este estímulo pacifista também se estendesse a Israel.

Contestação no Irão

O Irão vive momentos de instabilidade social e política devido a uma alegada fraude eleitoral. Em causa estão dois conceitos sobre como e por quem deve ser conduzido o Irão. É certo que os dois candidatos não estão polarizados nas políticas para o Irão e o seu relacionamento internacional, somente são "graus" diferentes: um moderado reformador (Mousavi) e o outro um conhecido (o presidente Ahmadinejad) conservador.

Os apoiantes do candidato Mousavi renegam o escrutínio e adjectivam as eleições como fraudulentas, manifestando-se um pouco por todo o país. No entanto, o recém-eleito (o anterior presidente) Ahmadinejad reafirma a sua legitimidade da eleição que o elegeu e, com a razão de um totalitário, tenta conter as manifestações e o descontentamento com a prisão de contestatários, a supressão de agências noticiosas e sites que possam incomodar o regime na senda de calar e impor os resultados eleitorais.

Convém referir que o Irão, em rigor a República Islâmica do Irão, é um estado teocrático que possui como "chefe máximo" um guia supremo (um eclesiástico) com certos e determinados poderes (com um mandato vitalício). Estas eleições visaram a eleição do presidente executivo, que tive (as eleições o respectivo presidente) o consentimento e apoio do Guia Supremo Ali Khamenei. Mesmo na hierarquia religiosa o país aparenta estar divido. Apesar do chefe eclesiástico supremo ter "apadrinhado" as eleições, aparentemente, outros subordinados não possuem a mesma opinião.

O Irão terá o tempo que se segue para se definir politica e socialmente (pois há implicações sociais). Ora, ou o Irão continuará na órbita do conservador Ahmadinejad que depois destas contestações irá tornar o regime iraniano mais rígido e repressivo ou terá (improvável) ou verá uma reviravolta política sem igual nas últimas décadas, com a imediata impugnação das eleições e emergência de um "novo" conceito na política iraniana.

17 maio 2009

Um ponto de vista

08 abril 2009

Uma indigestão liberal

Manifestantes na capital da Moldávia, Chisinau, invadiram o Parlamento em protesto contra a vitória do partido do governo, o Comunista, nas eleições gerais do último domingo (...)
Mais de 30 pessoas, incluindo manifestantes e policiais, ficaram feridos nos confrontos em Chisinau, segundo informações dos serviços de saúde. (...)
Segundo informações canais locais de televisão estão fora do ar e a rádio nacional está transmitindo música folclórica. (...)
o Partido Liberal conseguiu quase 13% dos votos e o Partido Liberal Democrata ficou com 12%.

fonte: O Globo

post scriptum: um dado interessante «As eleições foram observadas por organizações europeias e internacionais, incluindo uma delegação de deputados ao Parlamento Europeu, que consideraram que as mesmas "foram bem organizadas e decorreram num clima calmo, pacífico e pluralista"»