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16 fevereiro 2011

O encerramento do SAP, a barragem de Fridão e Celorico de Basto

O programa de desertificação do interior português, gentil e oficialmente referido como "reforma dos cuidados primários", está na iminência de ser executado nos concelhos de Cabeceiras e Celorico de Basto. O encerramento dos Serviço de Atendimento Permanente (SAP), no período nocturno, de Cabeceiras e Celorico de Basto está praticamente decidido. As reacções não tardaram, face a esse (não tão) inesperado estímulo. O executivo de Celorico de Basto prepara-se, no momento em que escrevo, para declarar uma interessante reacção. Segundo recentes notícias, o executivo de Celorico de Basto irá oficializar uma posição contra a "Barragem de Fridão" (outro projecto de desertificação e destruição do interior).

O recente histórico de promessas não concretizadas entre a região de Basto e a administração central é um fundamento (mais do que suficiente) para alicerçar esta posição em relação ao projecto hidroeléctrico de Fridão. De facto, não só a "barragem de Fridão" deveria ser censurada. A criação da "Ciclo-Eco-Pista" do Tâmega, vilmente sobreposta a linha ferroviária do Tâmega, deveria provocar o mesmo tipo de reacção. Porém, generalizada a todos os concelhos da região de Basto e Amarante. Um dos protocolos que o executivo celoricense se fundamenta, data de há cerca de vinte anos e trata da construção da variante rodoviária do Tâmega. Esta "promessa contratualizada" ainda está por concluir e é uma das contrapartidas pelo fecho da linha ferroviária do Tâmega. A razão, para a censura a este projecto, é a mesma do que será invocada em relação à "barragem de Fridão". No entanto, a "Ciclo-Eco-Pista" possui o facto agravante de que o objecto em troca, a linha ferroviária, está perante um perigo "de morte" por uma quase crónica falta de "visão" estratégica dos autarcas de Basto e Amarante. São decisões políticas que estão em causa e, estas, só podem ser revertidas por decisões políticas porque os estudos, a razão e o senso-comum não conseguem "clarificar" e "ajuizar" a (quase) automática subserviência das instâncias governamentais perante os interesses económicos e partidários.

Anteriormente, e em relação ao projecto hidroeléctrico de Fridão, o executivo celoricense tinha demonstrado a intenção de oficializar uma posição contrária à realização do contraproducente projecto para Fridão. A intenção, naquele tempo, fora baseada na recepção das conclusões de um estudo de impacte ambiental -encomendada pela autarquia de Celorico de Basto. Este estudo concluíra que as -mais-que-evidentes- consequências negativas para o ambiente e para o turismo da região, provenientes da realização daquele projecto hidroeléctrico, se sobrepunham às consequências positivas. Num contexto racional, a escolha era óbvia: a imediata negação daquele projecto. Porém, a racionalidade não é uma capacidade que se encontre facilmente na "inteligência colectiva" das instâncias governamentais. O executivo de Celorico de Basto não concretizou a anunciada intenção. Ficou-se pela ameaça. A realidade é exímia em clarificar crenças falsas. Havia, suponho, a crença que após a ameaça, o processo de formulação de contrapartidas (a decorrer), entre a EDP e Celorico de Basto, seria profícuo e vantajoso. No entanto, neste equilíbrio entre factos e crenças, o parceiro-mor da EDP (a administração central) clarificou o que pretende para Celorico de Basto: desertificá-lo impiedosamente em função dos interesses económicos e partidários de muita, e muita, gente mediaticamente respeitável. Perante esta realidade assustadora, e ao iminente fecho de mais um serviço estatal, o executivo irá jogar o seu trunfo. Um trunfo, independentemente das razões, que, hipoteticamente, poderá fortalecer a contestação.

04 novembro 2010

Drogas e preconceitos

Foi feito uma nova reavaliação da perigosidade de certas drogas(legais e ilegais). O álcool, droga legal e aceite, domina a primeira posição. Os preconceitos sobre drogas naturais e claramente menos perigosas do que o álcool continuam. Eu sou contra esta proibição. Acredito no poder de discernimento de um consumidor informado e, também, acredito em um mercado regulado que apenas traria vantagens para o consumidor e para o Estado. Sobre assunto:
Os traficantes são contra a legalização, e você? (Maio/2009);
Contra a hipocrisia(II) (Outubro/2008);
Contra a hipocrisia (Outubro/2008).

13 junho 2010

Lembram-se da pandemia da gripe A ? Pois bem, não existiu

Deixo este texto (1) de Abel Alves e estes (2,3,4) que eu outrora escrevi sobre a "toda-poderosa" indústria farmacêutica, como suplementos ao vídeo em epígrafe.

14 abril 2010

Ah...Ah...Ah...Atchim... SANTINHO!

Estamos no mês de Abril que diz o ditado é de "águas mil". Apesar de esfriar nalguns dias pode dizer-se com alguma segurança, que o período sazonal de elevado risco de propagação dos vírus da gripe, onde se inclui o tão falado H1N1, está ultrapassado. Hoje mesmo a Direcção Geral de Saúde suspendeu as medidas excepcionais do plano de contingência para a Gripe A.

Pois é, ainda se lembram da Gripe A que tantos noticiários abriu? Tanta tinta de jornais escorreu? E tanto pânico gerou? E da loucura da correria às vacinas, etc e tal? Uma suposta pandemia que nem sei se chegou a ser uma epidemia ou se não passou apenas de um surto.

Algumas coisinhas não resisto, e tenho mesmo de dizer:

1º tivemos uma comunicação social alarmista, que confundiu o seu papel informativo com o de esmiuçar tudo a um pormenor tal, que teve como consequência a sensação de pânico e ansiedade nas populações. Contudo, não posso deixar de valorizar pela positiva o seu papel na informação às populações no que diz respeito às medidas de prevenção do contágio/transmissibilidade. Apenas penso que exagerou no tratamento da informação e na forma como a relacionou e cruzou, que certamente não era da sua competência fazê-lo, mas a culpa é dos portugueses que adoram tragédias e notícias sinistras e macabras.

2º não sei se as previsões epidemiológicas foram realistas, mas é certo que sendo ou não, houve quem lucrasse com o problema. Muitas vacinas, produtos desinfectantes e afins se venderam, muitas análises microbiológicas de despiste foram pagas pelo Estado a laboratórios privados, etc... ou seja, a saúde na sua melhor vertente mercantil.

3º Penso que o trabalho do Ministério da Saúde e dos seus profissionais foi exemplar desde o início, quer pela tranquilização das populações, quer pelas medidas preventivas e pelo plano de contingência aplicados, que muito provavelmente contribuiram para que o problema não tenha tomado proporções maiores e mais graves. Quem muito gosta de criticar o sector da saúde e o Serviço Nacional de Saúde português, que pelo menos engula agora em seco, porque se tivessemos um sistema de saúde predominantemente privado, certamente estaria-se borrifando para planos de prevenção e contingência (porque esses não dão lucro, se é que me faço entender)

4º O alarmismo gerado serviu para algumas coisas: para unir as pessoas por uma causa, para pôr o sector da saúde alerta para as necessidades e lacunas no combate a doenças endémicas e, sobretudo, para ensinar a sociedade portuguesa a ter hábitos de higiene mais rigorosos, a ensiná-la a tossir e a espirrar, a ensiná-la a racionar o recurso aos serviços de urgência, a ensiná-la que as infecções por vírus não se tratam com antibióticos, etc e tal.

5º Deixo aqui as minhas condolências às vítimas mortais do H1N1, bem como às suas famílias e pessoas próximas, que felizmente foram menos do que o expectável.

29 janeiro 2010

Uma mentalidade social também desmotivante

A sociedade que temos hoje, parece viver mergulhada numa espécie de procura permanente da relação - causa-efeito. Enquanto saudáveis tudo corre bem, quando surge um problema de saúde, tudo parece resolver-se com uns comprimidinhos, com umas análises e uma dietinha, ou com uma bateria de RX´s, TAC´s, RMN, Ecografias..., e uma boa dose de frases do tipo - não se preocupe tudo vai correr bem, isto que o sr(a) tem trata-se.

Aqui surge um apontamento. Tratar é uma coisa diferente de cuidar.

E apetece-me escrever hoje, porque se vai lendo uns comentários aqui e ali, que são tão básicos e desprovidos de argumentos e, muito propavelmente desprovidos de conhecimento de causa, que qualquer enfermeiro sente tristeza, e vê a não valorização de um trabalho de muita responsabilidade e desgaste.

Há ainda quem diga que não é uma boa altura para se convocarem greves. Eu pergunto se há alguma altura ideal para se fazerem greves, ou se tem de se encomendar um estudo científico para escolher as suas datas. Talvez para algumas cabecinhas, as greves deviam guardar-se para quando tudo parece correr bem, quando o país cresce, quando as pessoas vivem felizes, quando sentem justiça e são reconhecidas pelo seu trabalho, pelo seu esforço e pela busca da melhoria dos seus conhecimentos e qualidade na contribuição para o bem-estar das pessoas.

Na sociedade, a correria é tanta que tão pouco aprecia aquilo que é fundamental para a sua sobrevivência. Vive tão friamente à procura não sabe bem do quê, que nem de si sabe cuidar. Acha que sabe tudo de tudo e, que com uma busca no google ou umas breves leituras aqui e ali, se sabe muito sobre cuidados de saúde. Tão pouco aprecia um copo de água porque não se sente desidratada. Tão pouco aprecia o ar que respira. Tão pouco aprecia o seu corpo e a sua pele limpa. Tão pouco aprecia a sua independência e a sua autonomia para andar, comer, urinar e evacuar, ou de se virar numa cama as vezes que quiser durante a noite. Tão pouco aprecia a sua capacidade de comunicar as suas necessidades através da fala. Tão pouco aprecia a ausência de dor física, e também emocional, só se lembrando dela quando doi a sério e quando não tem ninguém que ouça os seus apelos ou a compreenda, por palavras ou por linguagem não verbal. Tão pouco sabe daquilo que a faz acreditar, daquilo que é olhar para ela como um conjunto de pessoas humanas na sua essência, que têm necessidades, e que precisa de as satisfazer para se sentir bem, feliz, e sobretudo, acreditar que a vida ainda tem algum significado. Seria bom que se lembrasse que a morte não é só biológica. São as necessidades que estão presentes desde o nascimento até à morte, aquelas que mais negligencia e as que mais sentido dão ao viver.

É talvez por isso que só o perceba, quando a doença força a uma alteração dos seus hábitos, e não são todos que o percebem, infelizmente. Talvez por isso, até chegar esse momento, pouco aprecia quem cuida dos seus conhecidos e familiares doentes, quem anda para trás e para a frente, para cima e para baixo, em telefonemas atrás de telefonemas, num esforço permanente de solicitar, ou sugerir ao médico a prescrição de um analgésico, um ansiolítico ou um medicamento para dormir. Para sugerir um alteração da dieta, ou um acerto na dosagem de um medicamento, ou para alertar para a necessidade de uma observação psiquiátrica, ou ainda solicitar uma avaliação da situação social. Tão pouco valoriza quem dá uma papa à boca. Tão pouco valoriza quem dá um banho, limpa um rabo ou limpa uma boca. Tão pouco valoriza quem detecta uma candidíase, uma escabiose, ou um herpes, ou uma conjuntivite... e solicita ao médico que prescreva umas pomadinhas, ou umas gotinhas. Tão pouco valoriza quem intervém na reabilitação, na explicação da importância das terapêuticas, na informação contínua que lhe presta sobre a sua evolução clínica, sobre a importância e utilidade dos procedimentos técnicos que são executados e sobre os exames que vão ser efectuados. Tão pouco aprecia quem a ajuda a ser menos dependente, e quem lhe ensina as estratégias para se tornar mais autónoma. Tão pouco aprecia aqueles que menos absentismo laboral apresentam ao seu serviço.

Ou seja, tão pouco aprecia que haja alguém presente, que dê cavaco, que se lembre da pessoa, que a informe, que se preocupe com ela, que a compreenda, que a queira ajudar, que olhe para ela como um todo.

Mas não é só no cuidar, também há as componentes técnicas. Para além de cuidar, os enfermeiros também intervêm no tratamento. Os enfermeiros são responsáveis por inúmeros equipamentos tecnólógicos, pelo seu manuseamento e manutenção. São responsáveis pela gestão dos stock´s e dos recursos materiais existentes nos serviços. São quem administra terapêutica e monitoriza os seus efeitos. São quem sabe como a terapêutica é preparada. Conhecem também as suas interacções, os seus objectivos e as complicações que podem provocar no organismo. São quem monitoriza o doente durante as 24h. São quem no imediato assiste o doente e intervém em situações de emergência, providenciando o que é necessário até que o médico chegue e complete a estabilização. Em algumas áreas entubam até oro-traquealmente, quando necessário. São quem prepara os procedimentos técnicos médicos, são quem prepara doentes para os exames e cirúrgias, são quem efectua colheitas de sangue, de urina, fezes, expecturação, exsudados de escaras, etc, São quem algalia, quem coloca sondas-nasogástricas, quem realiza os pensos, e quem monitoriza toda a hemodinâmica durante 24h. São quem fazem do corpo e da alma de uma pessoa o seu trabalho. E ainda tratam de papelada e burocracias. Também fazem trabalho de administrativos nas horas e nos dias em que ele lá não está, porque muitos serviços de saúde não fecham durante a noite nem aos fins-de-semana e feriados. Também organizam processos, resolvem questões burocráticas e atendem telefones.

É quando o problema de sáude se agrava, quando rouba o bem-estar, a autonomia e independência na satisfação dessas necessidades, que se passa a dar mais importância às coisas que pareciam mais simples e banais da vida, mas, que são as que se revelam mais importantes. E é aqui, que a tal relação de causa-efeito deixa de fazer sentido. É aqui que entra em jogo a espiritualidade da pessoa, a sua intimidade, as suas crenças, os seus objectivos, os seus gostos e os seus hábitos, no fundo, a sua singularidade, a sua personalidade única, que impede que essa relação de causa-efeito seja um sucesso garantido. É aqui que digo, ninguém conhece melhor um doente que o enfermeiro, ninguém gere tanta informação diversificada sobre o doente como enfermeiro. É porque as pessoas são todas diferentes, que a profissão de enfermagem é tão difícil, desgastante e um desafio constante.

Podia estar aqui a noite toda a escrever e a descrever exemplos da importância desta profissão.

Há quem por ignorância ou estupidez, ache que tudo é fácil, ache que é só limpar uns cuzinhos e dar uma injecções. Para isso até um serralheiro serviria, pensam eles. Mas estão mais enganados do que julgam. Por que até para isso é preciso ter jeito. Nós não nascemos todos para o mesmo. Por isso tão pouco dão ouvidos ao que o enfermeiro lhes diz, tão pouco valorizam no que os educa e aconselha nos seus hábitos e na promoção da sua saúde, no acompanhento domiciliário, no envolvimento da família e na articulação dentro dos serviços de saúde e com serviços sociais e educacionais. Como se não fossem necessários conhecimentos científicos, técnicos, clínicos, humanos e sociais, para exercer enfermagem. Para aqueles que julgam que os enfermeiros são meros empregados dos médicos e se limitam a cumprir as suas ordens, não tendo nenhuma actividade autónoma, então pergunto, o porquê de serem tão exigentes connosco quando recorrem aos serviços de saúde? Por que chamam tanto pelos enfermeiros nas situações de aflição? Por que nos atiram com responsabilidade à cara quando no doente surgem alterações? Por que fazem tantas perguntas ao enfermeiro?

Por isso digo, que estamos cá para lembrar a sociedade que as coisas aparentemente banais da vida, são aquelas que mais sentido lhe dão. Os enfermeiros estão cá para ajudar a satisfazer essas necessidades, ou restituir a autonomia na satisfação das mesmas. Nós estamos cá para vos servir e não estamos apenas presentes nas instituições de saúde. No dia-a-dia estamos ao vosso lado, e fiquem descansados que não vos vamos cobrar 100 euros por limpar um rabo ou dar uma injecção.

Sou um enfermeiro orgulhoso do meu trabalho, perdi o nojo do cheiro a merda, depressa me habituei à arrogância de pessoas sãs e doentes, ao insulto. Deixou de me incomodar o cheiro a sangue, os salpicos de secrecçõs, a tosse e os espirros para cima da minha cara, dos meus braços e do meu cabêlo. Não corro atrás do frasco de álcool para despejá-lo em cima de mim por ter medo das bactérias e afins. tenho prazer de cuidar pessoas desorientadas que perderam a noção do mundo e de tudo aquilo que as rodeia. As mais necessitadas são aquelas a quem dou prioridade, independentemente do seu status... Sabem qual o maior gozo de ser enfermeiro? É o de crescer-se como pessoa, de dar valor ao que muitos se esqueceram de dar. Esse é o meu verdadeiro orgasmo profissional. A única coisa que me incomoda, é que não se dê valor ao trabalho e dedicação de uma profissão tão humana como é a enfermagem.

Quando ouvi a ministra Ana Jorge apelar ao bom senso dos enfermeiros, o meu sentimento imediato foi, o de que a caríssima ministra é que perdeu o bom senso.

16 janeiro 2010

O Estado deve intervir no Hospital de Braga

«Grupo Mello Saúde, que gere o Hospital de Braga,mudou medicação a dezenas de doentes neurológicos, obrigando-os a assinar um "consentimento informado".

Mais de uma dezena de doentes acompanhados pelo Serviço de Neurologia do Hospital de S. Marcos, estão sem receber tratamento há mais de duas semanas. Em causa está a substituição do medicamento Octagam (imunoglobulina humana normal) por Flebogamma, um outro medicamento adquirido pelo Grupo J. Mello Saúde, actual responsável pela gestão do hospital, que os doentes afirmam ter efeitos secundários "insuportáveis".» in [jn]

A lógica da gestão privada está perverter o conceito, previsto na nossa Constituição, de protecção da saúde. Está, taxativamente, escrito que o Estado deve, e passo a citar a nossa Constituição, «assegurar o direito à protecção da saúde». Ora, com a administração (grupo J. Mello Saúde) do Hospital de Braga a impor um tipo de medicação, sobre a qual existe dúvidas científicas e à revelia dos próprios médicos do hospital que foram obrigados a receitar o que não aceitam, em que situação está a constitucional função de um hospital público prestar os melhores cuidados da medicina?

Nesta situação, o Estado tem e deve intervir. Uma questão de saúde pública e respeito pela nossa Constituição. Pois em causa está o bom funcionamento e prestação de serviços de uma instituição pública, que teve um revés funcional e qualitativo ao assistir a entrega da sua gestão a uma administração sedenta por lucro (como a boa lógica mercantilista determina).

10 janeiro 2010

Outrora havia um certo perfil de assistência hospitalar em Braga, amanhã, deixará de haver. O que mudou? A gestão, outrora pública agora privada

«Através de uma nota interna, divulgada ontem, a instituição de saúde comunicou aos seus profissionais que a partir do dia 18 de Janeiro vai deixar de receber novos doentes para aquelas especialidades médicas, alegando que “não fazem parte do perfil assistencial” da instituição.(...)Manuel Pizarro admitiu a existência de “um conjunto de dificuldades” relacionado com os termos do concurso da parceria para o Hospital de Braga, com gestão privada desde Setembro de 2009, mas frisou que esses termos foram definidos antes de 2005.» in [Público]

Um espaço hospitalar que anteriormente assistia utentes (nas especialidades de infecciologia, nefrologia, reumatologia e imunoalergologia) irá rescindir (termo correcto pois o que parece estar em causa são razões contratuais) e vedar a porta a «novos doentes» que carecem de tais serviços especializados. A razão não é pública, mas ao que parece esta tenderá ser a velha causa para as «reestruturações» nos serviços, ou seja, a velha implicação mercantilista: se há prejuízo então fecha-se.

10 setembro 2009

A propósito da saúde e da história do serviço público versus serviço privado (III)

Voltando ao tema, e após descrever muito resumidamente os pilares do nosso sistema de saúde e a sua complexidade de organica laboral, falta reflectir um pouco sobre o que seria mais vantajoso para os portugueses, no que diz respeito às diferentes visões de futuro para o sistema de saúde português - Público ou Privado?
Se relerem o primeiro artigo deste tema e reflectirem bem, vão chegar à conclusão de que o nosso sistema de saúde, é actualmente um sistema misto, no qual há um claro predomínio do sector público, mas onde o sector privado figura com relevância. Se por exemplo pensarmos em Centros-de-saúde e serviços de internamento e tratamento especializados/diferenciados (em hospitais), que normalmente é o que a maioria das pessoas entende como o sistema de saúde, pela sua transversalidade e importância estrutural, claramente verificamos um seviço público mais predominante. Por outro lado, se pensarmos por exemplo, em indústria farmacêutica, em consultórios privados de especialidades médicas, em clínicas de fisioterapia, medicina dentária, clínicas/centros de exames complementares de diagnóstico, clínicas de cirúrgia electiva de especialidades, e também em centros de tratamentos com recurso a tecnologias de ponta (Ex:Centros de diálise, clínicas de radioterapia...), verificamos uma parcela muito significativa de serviço privado.
O que está em causa no nosso sistema é principalmente a acessibilidade e eficiência dos cuidados, não a qualidade em si. Por isso, convém desmitificar que um atendimento em instalações a cheirar a novo com todas as mordomias de um hotel resort 5 estrelas, com pessoas "simpáticas" de sorriso amarelo dispostas a ouvir os problemas de saúde e ainda as lamentações da vida privada, ou que lhe proponham fazer mil e um exames, ou que lhe proponham logo ir à faca, ou que lhe prometam um tratamento milagroso, não significa, por si só, bons cuidados de saúde. Aqui penso que temos de ser muito claros, os serviços de saúde servem para promover um bem essencial, não devem ser encarados pelos utentes como locais de mordomias e caprichos. Não quero com isto dizer que não devam ter conforto e distrações (estes também são fundamentais, até porque o bem-estar não se resume exclusivamente à clínica, mas também, à relação da pessoa com o meio envolvente), mas há que ter bom senso. Posto isto, o objectivo principal de actuação de um serviço de saúde é o binómio - saúde/doença; e é com ele que os serviços de saúde se devem preocupar em primeira linha. Assim sendo, há prioridades no atendimento que não podem ser esquecidas em detrimento de outras. E que não haja ilusões, há bons e maus profissionais nos dois sectores (público e privado).
(CONTINUA...)

09 setembro 2009

A propósito da saúde e da história do serviço público versus serviço privado (Parte II)

Dando continuidade ao artigo anterior que teve como principal objectivo clarificar as pessoas de que um sistema de saúde não se resume aos centros-de-saúde, aos hospitais e às suas cirurgias, é bom lembrar que não podemos excluir uma componente importantíssima - os recursos humanos. Se pensarmos um pouco sobre a totalidade das estruturas do sistema, e se contarmos ainda com "outsiders´s" como a indústria farmacêutica ou laboratórios específicos, entre outros, que apesar de não estarem directamente relacionados com a prestação de cuidados de saúde directos, mas antes, fazendo parte desses mesmos cuidados por via de terceiros, estes têm um peso enormíssimo e uma elevada transversalidade num sistema de saúde. Constatamos assim, uma pluralidade imensa de profissionais com formações técnicas e académicas distintas, e outros sem formação nenhuma. Isto tudo para tentar dar resposta à enorme complexidade e exigência de um bem essencial, quer dos pontos de vista técnico e humano. Exemplos: médicos, enfermeiros, radiologistas, farmacêuticos, fisioterapeutas, técnicos de análises clínicas, auxiliares de acção médica, administrativos, dietistas/nutricionistas, assistentes sociais, engenheiros, etc.
À semelhança do que disse no último parágrafo do artigo anterior, um bom sistema de saúde tem de oferecer qualidade e eficiência, ou seja, tem de ser composto por recursos humanos com boa formação técnica e humana com vista à oferta de qualidade traduzida em cuidados, serviços e tratamentos. Contudo, mais importante ainda é, que esses profissionais com caracetrísticas diferentes mas complementares, consigam articular-se entre si, promovendo o trabalho multidisciplinar e em equipa. Este é o caminho para melhorar o sistema de saúde (articulação entre estruturas e profissionais, promovendo um trabalho de convergência). É como um motor. Se todas as peças funcionarem bem e estiverem oleadas, o motor trabalha bem. Quando uma das peças falha, o motor gripa.
(CONTINUA...)

08 setembro 2009

A propósito da saúde e da história do serviço público versus serviço privado (Parte I)

Para uma melhor compreensão do que vou escrever nos próximos dias, devo começar por uma ideia base, que não raramente, é esquecida por muitos daqueles que falam do sistema de saúde. Um sistema de saúde envolve uma tríade básica composta por 3 pilares essenciais: Os cuidados de saúde primários, os secundários e os terciários.
Os primários comportam a primeira linha de actuação e deveriam ser os mais importantes no que diz respeito à intervenção e investimento em políticas de saúde, até porque são a raíz do estado de saúde de uma sociedade e, envolvem meios menos especializados e tecnologias menos dispendiosas, logo são mais baratos. A sua estrutura tem como objectivo a promoção de saúde e prenvenção da doença. Estes cuidados são prestados por estruturas, como por exemplo: Centros-de-sáude, Unidades de Saúde Familiares (USF´s,), por programas de controlo epidemiológicos e de saúde pública, programas de educação para a saúde, etc... As suas principais finalidades, entre outras, são: contribuir para que a sociedade seja educada na saúde, adopte estilos de vida saudáveis, evite comportamentos de risco, tenha acompanhamento médico ao longo do seu ciclo de vida, que lhe permita detectar potenciais predisposições para certos tipos de doença e, readaptar o seu estilo de vida como forma de prevenir as mesmas ou a sua agudização, evitando ou retardando, dessa forma, o recurso aos internamentos e tratamentos hospitalares, mais especializados e caros, isto é, o recurso aos cuidados de saúde secundários.
Os cuidados de saúde secundários envolvem essencialmente o diagnóstico precoce e o tratamento de doenças. Isto é, quando a primeira linha falha ou quando detecta suspeitas de doença, (pela sintomatologia, historial familiar/predisposição genética, estilo de vida, etc), o utente é encaminhado para os centros de exames complementares de diagóstico, a fim de efectuar os check up´s necessários e rastrear eventuais complicações (Radiografias, Ecografias, mamografias, electrocardogramas, análises sanguíneas, TAC´s, ecocardiogramas, cintigrafias, ressonâncias magnéticas nucleares, etc). Detectada a doença e depois de diagnosticada, o utente pode manter o acompanhamento médico nos cuidados de saude primários, isto quando não existe gravidade ou agudização que exija cuidados especializados/diferenciados, ou com carácter de urgência. Ou então, por outro lado, pode haver necessidade de tratamentos especializados em meio hospitalar (ex: internamentos prolongados por agudização de doenças que exigem cuidados médicos especializados e com tecnologia de ponta, cirúrgias, cateterismos, quimioterapia/radioterapia, mais exames complementares de diagóstco idênticos aos em cima descritos para melhor monitorização do prognóstico e evolução da situação clínica, etc). Escusado será dizer que este tipo de cuidados de saúde são muito mais caros, e actuam em situações de doença instalada, portanto, remedeiam, não previnem.
Por sua vez, os cuidados de saúde terciários resumem-se essencialmente às intervenções de saúde direccionadas para a convalescença/reabilitação de situações de doença. Os principais objectivos são os de auxiliar o utente a recuperar o mais eficiente e eficazmente possível, ou ainda, a adaptar-se a eventuais perdas na autonomia e independência na realização e satisfação das actividades de vida diária e, necessidades humanas básicas. Por exemplo: doentes que sofrem Acidentes vasculares cerebrais dos quais resultam sequelas como perda da capacidade de mobilizar partes do corpo (parésia/plegia), ou perda da capacidade de falar ou expressar-se adequadamente (afasia/disártria), que retiram autonomia à pessoa exigindo uma adpatação à sua situação de doença.
Dou como exemplo de estruturas que intervêm nos cuidados de saúde terciários: Centros-de-saúde, unidades de fisiatria/fisioterapia, centros de recuperação de actividade motora, unidades de cuidados continuados, terapia ocupacional, terapia da fala, etc.
Há contudo, estruturas que podem intervir em mais do que um nível de actuação, isto é, dependendo do serviço a efectuar ou dos cuidados a prestar, podem integrar cuidados de saúde primários, ou secundários, ou terciários (exemplo: os Centros-de-Saúde).
Um bom sistema de saúde, para além de oferecer qualidade e eficiência nos 3 níveis estruturais de actuação, tem essencialmente de conseguir articulá-los entre si, para que se actue com raíz, tronco e membros.
(CONTINUA...)

20 julho 2009

Algumas verdades e sugestões, sobre e para o SNS

"Como é que se incentiva a eficácia de um serviço hospitalar se o seu director não tem a obrigação de «prestar contas» do trabalho que é desenvolvido?"
"Não se incentiva, a ideia é mesmo essa. Eu continuo a acreditar que a maioria dos problemas do SNS seria resolvida se os directores de serviço fossem obrigados – e têm de ser obrigados – a assumir essas responsabilidades. Com certeza que o senhor Belmiro de Azevedo – atrevo-me a citá-lo porque é uma pessoa conhecida e respeitada – tem pessoas totalmente responsáveis e completamente autónomas nas suas várias empresas. Colaboradores que respondem directamente perante ele ou diante de quem lhe sucedeu. Se trabalharem bem são compensados, se trabalharem mal mudam-nos de poiso ou mandam-nos passear para outro lado. Nos hospitais deveria ser exactamente a mesma coisa, mas para isso a legislação tem der ser modificada."
"Por causa da gestão do pessoal?"
"A dicotomia entre as duas grandes classes profissionais do SNS – os enfermeiros e os médicos –, cada uma com a sua pirâmide de comando completamente independente e diferente, é uma grande dificuldade. No meu serviço, sem que a lei tenha sido modificada, tenho duas enfermeiras-chefes com quem dialogo todos os dias e com quem nunca tive nenhum problema. É claro que faço questão de não intervir nos aspectos técnicos da profissão de enfermagem, tão-pouco nas escalas. Apenas defino a política geral do serviço, ouvindo as suas opiniões, e claro que nem sempre estamos os três de acordo. Por exemplo, durante este problema que tive com o CA conversámos muito e, embora as duas entendessem que era muito mau mudarmos as regras de funcionamento, não faço segredo que uma delas até entendia que não valia a pena ir à luta, pensava que eu ia perder a batalha. Também é nestes momentos que um serviço se faz e amadurece. É preciso que se assuma de uma vez por todas que qualquer embarcação tem de ter um comandante. Obviamente que ele não resolve todos os problemas do navio e não está ao leme, mas é sempre ele o responsável – quando as coisas correm bem e quando correm mal também."
"O acesso aos cuidados de saúde melhorou e a prestação também. Ainda assim, os portugueses continuam insatisfeitos e os profissionais de saúde igualmente. Isto não tem emenda?"
"Tem solução. Nós progredimos mas poderíamos ter avançado mais. Temos capacidade, temos conhecimento, porventura até temos mão-de-obra em excesso. Ao contrário do que outros dizem, não temos uma falta grosseira de médicos, até temos um rácio mais elevado do que a maioria dos países europeus, temos é uma distribuição inadequada por especialidades e regiões. Comete-se tantos erros e ninguém é responsável. No ano passado o Ministério da Saúde [MS] até abriu uma vaga para um interno de cirurgia cardiotorácica num hospital distrital onde a especialidade não existe. São decisões cegas, decisões políticas. Depois, ainda há necessidade de assegurar a exclusividade dos médicos que trabalham para o SNS: se quiserem dêem-lhe outro nome mas assegurem-se de que os médicos trabalham em dedicação plena. Acabem de vez com os contratos que assentam na cláusula do «pagamos pouco, mas vocês mostrem-se por aí, façam de conta, e vão ganhar a vida para outro lado»."
"Teme o fim do SNS? "
"Não, mas temos de trabalhar mais. Os doentes estão mais informados, são mais exigentes e o acesso e os cuidados de saúde melhoraram. Temos um SNS que não nos envergonha mas que poderia ser muito mais eficaz. Mas se não temos as melhores estradas, os melhores carros, as melhores habitações, a melhor educação, a melhor justiça, porque havemos de ter o melhor SNS?"
"Lembra-se da entrevista que deu à nm há dez anos? É que ainda está actual... Hoje falámos mais do mesmo."
"É isso mesmo, realmente pouco aconteceu nestes últimos dez anos. As poucas reformas, se é que assim se podem chamar, entretanto feitas, não foram ao fundo dos problemas – o mais grave reside no sistema de trabalho dos profissionais do SNS, especialmente dos médicos. Volto a insistir num sistema de dedicação plena. Curiosamente, na reforma das carreiras médicas, recentemente negociada, mais uma vez aparece a dedicação exclusiva como um objectivo a atingir. Já lá estava antes mas, aparentemente, não é para ser levado a sério!"
"E aos que o acusam de receber um «salário de luxo»?"
"(...) Em média, os médicos do nosso centro trabalham entre setenta e 75 horas por semana. É muito? É, se calhar é demasiado, mas é o que é necessário para satisfazer as necessidades dos nossos doentes. Certamente não fazemos mais horas do que a maioria dos médicos portugueses que todos os dias trabalham quatro horas no hospital e mais oito na clínica privada. Entre outras, eu e os médicos do centro temos a vantagem de não andar a correr de um hospital para o outro. Mas para sermos honestos também é preciso dizer que mesmo com horas extraordinárias recebemos muito menos do que os colegas que fazem clínica privada. Até porque o SNS nunca poderá compensar o que um médico cirurgião pode receber cá fora, no exercício livre da profissão. Sobretudo quando se tem um nome. Eu tenho um nome e orgulho-me disso. Mas também me orgulho do trabalho que desenvolvi num centro público. Orgulho-me dos doentes e dos médicos que ensinei."
"Quando um dia recordarmos o professor Manuel Antunes, acha que vamos lembrá-lo como o cirurgião cardiotorácico que chegou, viu e venceu ou como o médico que ousou trabalhar de forma diferente?"
"Talvez pelas duas razões, mas a modéstia deveria obrigar-me a preferir a última. Mas esta também não é uma originalidade minha. Nós trabalhamos em Coimbra como se trabalha geralmente lá fora. Com intensidade, persistência, rigor e disciplina, tudo qualidades a que nós, portugueses, somos muitas vezes adversos. O sucesso do modelo está numa equipe coesa e motivada, construída durante estes últimos vinte anos, que produz trabalho de qualidade reconhecido a nível nacional e não só. Eu reivindico apenas o mérito desta selecção e da liderança. Acredito que uma liderança forte e determinada, talvez até teimosa, é um requisito fundamental para o sucesso de qualquer projecto. Mas Portugal não gosta de lideranças fortes e, por isso, serei talvez recordado mais pela negativa."

17 julho 2009

Preconceitos

Convém dizer que o sangue recolhido dos dadores é prévia e invariavelmente analisado antes do seu posterior uso clínico e, verificamdo-se a contaminação com qualquer microorganismo, este fica imediatamente inutilizado.

Com tanta ruptura no stock de hemoderivados que se verifica por este país fora, vêm agora argumentos destes. Como se os heterossexuais não adoptassem diariamente comportamentos de risco. O que dirá o Ministério da Saúde quando confrontado com os dados do vírus HIV, que comprova que a percentagem de novos infectados é superior nos heterossexuais em relação aos homossexuais.

21 maio 2009

Neste Sábado (II)

«No âmbito do Ciclo de Conferências “Políticas de Futuro”, desloca-se a Cabeceiras de Basto, no próximo dia 23 de Maio, o Dr. António Arnault, ex-ministro da Saúde e responsável pela criação do Serviço Nacional de Saúde, para proferir uma Conferência subordinada ao tema, em jeito de pergunta “Saúde Para Todos?”.» [Ecos de Basto]

14 maio 2009

Para que acabe a guerra de interesses que mantém como "refém" aquele que farmacêuticos e médicos deveriam, antes de mais, proteger e cuidar

«O parlamento discute esta quinta-feira o projecto-lei do Bloco de Esquerda que obriga a prescrição de medicamentos pela sua substância activa e não pelo nome comercial. No acto da compra, a decisão final será sempre do utente, mas as farmácias têm que ter disponível o genérico mais barato.

Neste sentido, o projecto do Bloco prevê duas mudanças fundamentais em relação à legislação existente. Em primeiro lugar, os médicos passam a ser obrigados a receitar pela Denominação Comum Internacional (DCI), ou seja, pela substância activa do medicamento e não pelo seu nome comercial. Para tal, o Bloco propõe uma alteração ao modelo de receita médica, retirando o campo respeitante à autorização ou não da dispensa de um medicamento genérico, dado que é pela designação internacional que o médico deve prescrever.

Em segundo lugar, o Bloco propõe a criação de mecanismos para que a aquisição do medicamento seja realizada ao mais baixo custo tanto para o próprio doente como para o Estado. Assim, no acto de dispensa dos medicamentos o farmacêutico deve, obrigatoriamente, informar o utente da existência de medicamentos genéricos comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde e dispensar aquele que tem o preço mais baixo. Se a farmácia não possuir o medicamento mais barato em stock, e se o doente o desejar, a diferença entre o preço do medicamento genérico mais barato e o medicamento dispensado constitui encargo da farmácia.

No entanto, a decisão final sobre a marca do medicamento a adquirir (genérico ou não) será sempre do utente. "Não obrigamos o doente a escolher o genérico mais barato", disse, referindo que este poderá contar com o conselho "do médico e do farmacêutico e com a sua própria experiência de vida" para tomar a decisão, podendo escolher entre o genérico mais barato, outro genérico ou o medicamento de marca.» in [Esquerda.net]

08 maio 2009

Os traficantes são contra a legalização, e você?

«A Marcha Global da Marijuana (MGM) é uma iniciativa internacional que reinvindica a legalização da marijuana. Realiza-se desde 1999 no primeiro sábado de Maio (este ano, excepcionalmente, no segundo sábado) e desde então já contou com a participação de 485 cidades por todo o mundo. Em Portugal a primeira MGM aconteceu em 2006 na cidade de Lisboa, tendo o Porto aderido em 2007 e Coimbra em 2008. Este ano pela primeira vez, Braga junta-se à MGM com uma concentração.» in[MGM-Braga]

Sou contra esta hipocrisia. Uma hipocrisia alimentada pela lei. Por isso lá estarei.

Sobre este assunto deixo aqui alguns dos argumentos que solidificam a minha posição: contra a hipocrisia (II) e contra a hipocrisia (III)

30 março 2009

Ventos de Mudança

Desenho de Pedro Vieira (via arrastão)

Recordo aos leitores, que há dias, e segundo o jornal - O Público, o bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, em entrevista para a TSF, defendeu o uso do preservativo em pessoas portadoras do vírus da sida.

Hoje surge outra notícia.

"A Santa Sé está a preparar uma resposta oficial às declarações do bispo de Viseu D. Ilídio Leandro que defendeu, num texto publicado no site da Diocese de Viseu, que quem tem uma vida sexual activa tem “obrigação moral de se prevenir e não provocar a doença na outra pessoa. O bispo disse ainda que “aqui, o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório." [in Público].

Mas como se não bastasse, no seguimento da mesma notícia e das declarações de D. Ilídio Leandro, surgem opiniões semelhantes de outros Bispos portugueses:
(...)" D. Manuel Clemente, bispo o Porto, defendeu que “a grande solução” para o problema da sida “é comportamental” e que o preservativo é “um expediente” que poderá ter “o seu cabimento nalguns casos."
(...)"o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, defendeu que “proibir o preservativo é consentir na morte de muitas pessoas” e que quem aconselha o Papa devia ser mais culto."

28 março 2009

Outras formas de interpretar a lei de Deus

"O bispo de Viseu, Ilídio Leandro, defendeu que os portadores do vírus da sida devem usar preservativo durante as relações sexuais, porque são “moralmente obrigadas a não transmitir a doença”, indicou o religioso aos microfones da TSF." [in público]
Não podia estar mais de acordo.
"O bispo de Viseu indicou, porém, que, a propósito das declarações do Papa Bento XVI durante a sua recente visita ao continente africano – em que indicou que o combate à doença não se faz com a distribuição de preservativos e que, pelo contrário, “isso só irá complicar a situação” –, que o Sumo Pontífice não poderia assumir outra posição que não essa." [in público]
Discordo. E fiquei sem perceber a lógica da moral católica. Ou talvez, o Bispo de Viseu tenha defendido o Sumo Pontífice, com receio de sofrer represálias.

02 março 2009

Apelo

No passado fim de semana o Centro Hospitalar de Lisboa (Zona central) foi confrontado com uma ruptura no stock de hemoderivados. Faço aqui um apelo a todos os cidadãos que não tenham qualquer impedimento no que diz respeito à dádiva, a procurarem dar sangue sempre que possível.
Dar sangue é um acto de solidariedade e cidadania, e o único incómodo real para o dador é a picada da agulha num braço, mas que pode traduzir-se numa vida salva. Para além de haverem outras vantagens para os dadores que não vou agora referir. Lembrem-se que um dia poderão ser vocês a precisar de sangue.