Não compreendo como um beijo entre vários contestatários das políticas homofóbicas do Papa e acólitos, podem suscitar tanta "reacção". Hipoteticamente, a energia reactiva não foi despoletada pela forma de protesto mas sim pelos protestantes. É que o beijo, gesto de afeição e carinho, para alguns, é um assustador acto de provocação. Que "flores", estes papistas.
01 setembro 2010
Há coisas que não lembram ao diabo
Se houvesse um escrutínio, com olhos eclesiásticos, à maioria das letras das canções que reinam nas festas populares e religiosas, os seus intérpretes há muito teriam sido censurados pelas "malta da paróquia". Aconteceu em Mondim mas poderia ter acontecido em outro lado. Não conheço mais pormenores sobre o assunto mas a incoerência salta à vista: se censuraram os "Diabo na Cruz", como podem permitir as populares letras das canções de Quim Barreiros e afins? Há coisas que não lembram ao diabo!
21 julho 2010
As "faces de Jesus"
Neste artigo, na Obvious, é apresentado alguns casos da visualização das "faces de Jesus" em vários objectos. Não cobrindo a totalidade das visualizações, há algo sobre este tema (a visualização das faces e formas de Jesus) que interrogo: não havendo uma representação fiel da sua forma física nos escritos antigos, como é que sabem verdadeiramente quais as diversas "faces de Jesus"? As representações mais antigas representam-o desde um velho mago até um pastor impúbere. Com saberão, estes visionários, quais são as formas de Jesus. Certamente, naquelas mentes, estarão "alocadas" várias imagens que durante séculos se associaram à forma de Jesus e a sua visualização será apenas um reflexo daquilo que o seu consciente associa a Jesus.
No entanto, os ditames da religião monoteísta que adorna a bíblia são claros quanto à fabricação da representação do divino. Para reflexão, deixo aqui o segundo mandamento, e penso que é claro no que toca às "faces de Jesus":
“Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”
Provavelmente, os visionários lá estarão a quebrar um dos mandamentos daquilo que é a "constituição" da religião cristã. Mas vá lá, de incongruências e paradoxos está a bíblia cheia.
11 maio 2010
E tudo a razão levou ...
O Papa (não trato por sua santidade pois nem acredito em homens santos e muito menos em santos homens que ganham o título por ascenderem a um cargo na hierarquia dos homens) Bento XVI chegou a Portugal. A histeria que precedeu a sua chegada, continua. Concede-se dois dias de tolerância aos funcionários públicos, quando nada, mesmo nada, (à luz da razão) o justifica. O tempo de antena dado pelos órgãos públicos de comunicação é exagerado e chega ao ponto da histeria. Nada de novo trará o Papa a Portugal e aos seus cidadãos. Nada de relevante anunciará o Papa a todos os cidadãos de Portugal. O Papa discursará para os seus fiéis e para dentro da sua (decadente) Igreja, somente. Mas alguém já reparou que a maioria dos portugueses ignora esta visita papal? Pois, digam isso aos populistas do costume que ainda estão agarrados ao bafiento "Portugal Católico" de outrora.
26 dezembro 2009
25 dezembro 2009
«Oficialmente»
«É um dos grandes paradoxos da História, um povo oficialmente crente em Deus não reconhece Deus que o visita.» dixit D. José Policarpo (cardeal patriarca de Lisboa) in [Expresso]
D. José Policarpo afirma que nós somos «um povo oficialmente crente em Deus». Gostaria que, algo ou alguém, iluminasse-me com a explicação ou a razão para o cardeal considerar-nos um povo oficialmente crente em Deus. O que é isto de sermos «oficialmente» crentes em Deus? Quem ou que dados oficializaram esta sentença? Ao que parece o clérigo Policarpo gosta de sentenciar algo tão subjectivo e abstracto como as crenças (ou a falta delas) alheias, como se fossem «oficialmente» semelhantes às suas. Pois, mas não são.
Policarpo ao afirmar que somos «oficialmente crentes em Deus» faz relembrar outros tempos. Tempos em que a religião era algo «oficial» nos ditames da República ou da ditadura, como queiram. Tempos em que a tríade Religião-Família-Estado era-nos imposta. Felizmente, a tríade foi quebrada.
Em conclusão, não há «crenças oficiais» de um povo. São objectos tão pessoais como o próprio ser, é algo intransmissível e é um abuso generalizar para os demais a crença de um ou de um grupo de uns. Cuidado com aqueles que durante o tempo determinaram como «crença» e «pensamento» oficial as suas crenças e pensamentos. Na falta de provas e factos o passo mais fácil é assumir como inquestionável, verdadeiro e universal o que não se consegue explicar.
20 outubro 2009
«Ser ateu é ter uma alta religiosidade»
José Saramago, na apresentação da sua mais recente obra literária, verbalizou um conjunto de críticas à Bíblia, à Igreja e à religião. Certamente, estas afirmações não podem ser nomeadas como um "golpe publicitário". Nomear como causa principal, do polémico impulso verbal de Saramago, a "necessidade" de publicidade, é uma análise imediatista e descentralizada. Ele não necessita. É o único escritor de língua portuguesa que foi laureado com um Nobel da Literatura, uma evidência que, por si só, garante um inequívoco estímulo publicitário a qualquer obra que escreva e que queira publicar. No entanto, podemos, numa base hipotética, sustentar que a causa é mais profunda e humana. Poderíamos afirmar que a sua vida, o seu ateísmo, a sua personalidade, o seu intelecto e as vicissitudes da sua doença, e do respectivo tratamento, são factores importantíssimos para um possível fundamento para as suas palavras. Como um pensador é a sua vida e a sua personalidade que determinam, principalmente, a visão que tem sobre o universo e isto é-nos transmitido através das suas palavras e escritos. É, como disse Anselmo Borges, a visão unilateral de Saramago sobre a obra bíblica e suas dependências.
Sobre as palavras que proferiu, são, apenas, as palavras dele. Confesso, que bebo alguns dos seus impulsos verbais. Contudo, para quem "agnosticamente" vê a vida, há certezas que não posso comungar. Saramago afirma que: «para ser ateu é necessário ter uma alta religiosidade». Tem razão. O axioma de acreditar ou não em deus, são meta-certezas e verdades adquiridas por cada uma das doutrinas, que prefiro não perfilar. Estou intelectualmente limitado para ter certezas.
Porém, estas afirmações serão sempre um ponto de vista, uma opinião, uma confissão, um conjunto de palavras de um ficcionista sobre uma obra de ficção, pouco mais. A incomodada Igreja não as aceita. Claro que não, para além de ser uma «protectora terrena» da discutida obra é, também, a principal promotora da "propaganda" lá embutida. Criticar um dos seus veículos literários de transmissão de como pensar ou viver é restringir a sua própria existência. É algo «contra-natura» a Igreja criticar-se ou criticar aquilo que a sustenta. Sendo assim, a Igreja veio repudiar publicamente as afirmações de Saramago. Mas isto é uma reacção ao "mediatismo" que teve e que tem as afirmações. Nas declarações da Igreja à imprensa, estas são dominadas por expressões que refutem os ditames do homem sobre a Bíblia, a Igreja, a religião e não à obra dele ("Caim") apresentada naquele momento.
Pode-se, então, concluir que a origem da reacção eclesiástica e dos crentes não é a opinião, o contraditório, a imposição da verdade bíblica mas, sim, o efeito mundano que poderá ter estas afirmações de Saramago, ou seja, a difusão das críticas aos "maus-costumes" imprimidos na bíblia e a possibilidade de um religioso as aceitar e, valha-nos deus, as confrontar com a Igreja e com os crentes.
15 junho 2009
O "Estado Judaico"
Sendo verdade que em rigor o Estado de Israel não seja uma teocracia (possui um regime democrático) também é válido pensar que continua a fundamentar tanto a sua política como as suas acções em pressupostos religiosos. Não é displicente, que o governo actual (uma coligação entre a direita e a extrema-direita), como outros anteriores governos, enfatizam a sua "religosidade" (embora a sociedade israelita não seja a cópia dos usos e costumes dos seus governantes) nas relações políticas. Há quem afirme que esta é a verdadeira causa para o conflito territorial naquela zona: um Estado falsamente laico e o fervor religioso que ultrapassa os meandros da discussão teológica. Em suma são livros e palavras (sagradas) que outrora delimitaram áreas (podemos considerar também o factor histórico do povo semita). Num mundo, surreal, estas questões seriam discutidas por eclesiásticos e teólogos deixando as quezílias religiosas no antro do estudo. Mas não é isto que acontece e, naquela zona, os objectivos da política se confundem com os objectivos da religião.
Sobre esta evidência há um exemplo recente: a abertura (forçada pelos EUA) em relação ao Estado Palestiniano.
No conjunto de condições basilares para um futuro acordo entre as partes destaco uma condição que exige o reconhecimento dos palestinianos do Estado judaico e, não, do Estado israelita (como um Estado democrático e laico deveria se denominar). Pormenores que ditam a diferença.
post scriptum: no contexto das exigências pedidas por Benjamin Netanyahu, o Estado judaico exige que o território concedido (e não devolvido é a pureza das palavras) aos palestinianos não possuirá um exército, não terá o controlo do espaço aéreo, não permitirá entrada de armas, nem a possibilidade de estabelecer alianças com o Irão ou com o Hezbollah", o movimento xiita libanês. Tenderia a concordar com ele se este estímulo pacifista também se estendesse a Israel.
12 junho 2009
24 maio 2009
27 abril 2009
A César o que é de César, a Deus o que é de Deus ou, mais prosaicamente, cada macaco a seu galho
«O nosso Estado convive mal com a Igreja e com a santidade» in [JN]
Nesta entrevista é exposto o seguinte conjunto de palavras: «O cardeal patriarca de Lisboa admite, contudo, o valor de Nuno Álvares Pereira enquanto guerreiro, até porque soube "sê-lo com critérios cristãos", impedindo "violências escusadas" e abusos dos soldados». Não querendo argumentar em terreno alheio mas se a Igreja funcionar como um Estado então, pretensamente, será regido por uma constituição o que no caso religioso se poderá, a grosso modo, comparar com os «Mandamentos de Deus». Ora, uma destas regras dogmáticas (ou constitucionais na nossa laicidade estatal) será «Não matarás». Uma regra interessante e deveras humanista.
Portanto, tentar explicar a santidade de um guerreiro afirmado que este soube impedir «violências escusadas» é uma incongruência constitucional (dogmática). Isto leva-me a acreditar que no círculo religioso haja violências que sejam necessárias e que estas se incluam no regulamento interno dos que matam com «critérios cristãos». Gostaria que quem fosse mais iluminado nas leis de deus e eclesiásticas tentasse explicar-me como se guerreia com «critérios cristãos»? Certamente, não será com a difusão do respeito mútuo e da constituição de deus.
Depois digam que o Estado "dá-se mal" com a Igreja e com a sua "santidade".
06 março 2009
Nuno Álvares Pereira
Nuno Álvares Pereira (um cabeceirense de "moradia"), o aclamado Santo Condestável, está na iminência de ser canonizado. É a realização de um último passo advido de um longo processo de "santificação" de um beato. Saliento esta evidência, não por algum interesse nos trâmites na "santificação" de alguém e muito menos pelo facto de acreditar que "santo(s)" seja algo mais que um sobrenome, para introduzir um excelente resumo (recheado de apontamentos históricos) sobre D.Nuno e sua família:«Nuno Álvares Pereira: um novo santo que foi Senhor de Trás-os-Montes»
12 fevereiro 2009
Contradições
As religiões abraâmicas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo)tendem a aceitar o facto que alguém possa se sentir atraído por um elemento do mesmo sexo. Mesmo o Islamismo "afirma" que é natural "o desejo de homens por jovens atraentes" e que é visto como uma característica humana esperável. Contudo, proíbem a concretização carnal de tal desejo, ou seja, promovem a abstinência e condenam a consumação do acto homossexual. Impressão minha ou há nas hostes religiosas muito recalcamento de desejo sexual (ainda) não concretizado.
16 setembro 2008
Por falar em criacionismo, nada como explicar a moralidade como uma evolução de um instinto social
«A moralidade é muito mais antiga que a religião, os humanos tem consciência, ou gama de consciências morais, inata, que se podem ver como versões sofisticadas do instinto social (...)que vemos nos chimpanzés e outras espécies sociais.»
10 setembro 2008
24 agosto 2008
Domigo o "dia do senhor" ou simplesmente dia do Sol
Ao entrar num excelso canto de culto -possuindo uma predilecção pelos antros mais harmoniosos nas formas, nas cores e na história- um conjunto de sentidos desperta espontaneamente. Os olhos procuram o que o 'coração' não vê. Qual prospecção anímica, tudo é belo, tudo tem significado, tudo reluz e tudo ofusca. Não procuro a razão, muito menos as tautológicas palavras 'sagradas'. Estética, pura estética, é a estética do deslumbramento. Sinceramente, não sendo ateu porque o meu relativismo não o permite, espero um dia encontrar o Seu significado, não o das 'suas' coisas. O dele e mais nenhum. Provavelmente, num ardor, num infortúnio, num encostar de melancolia, não sei. Contudo, a falta de provas substanciais (qual herege que pede insolentemente provas ao divino) leva-me a estar onde estou- céptico. E qual melhor estado de alma do que este. Se se provar que Ele existe, sempre poderei alegar que nunca, Ele, dignou-se a conhecer. E, assim, esclareço-me. Caso contrário, viverei, como tenho vivido- ignorantemente céptico. A ignorância e a estupidez sempre tiveram um sucesso com a misericórdia do divino. Porque razão tão infeliz fórmula iria falhar comigo. Nenhuma, portanto, seja qual for o cepticismo ou o esclarecimento sobre este questionável assunto, terei sempre uma escapatória. Até lá, valete frates.
16 junho 2008
31 março 2008
A imiscível mistura
No concelho vizinho, Vieira do Minho, vive-se uma eclesiástica municipalidade. Este concelho vizinho, tem como edil um sacerdote católico. Arrepia-me, a possibilidade de promiscuidade entre a religião e a política. Na altura das eleições autárquicas do ido ano de 2005, o actual presidente do município, o sacerdote, violou uma das mais elementares leis republicanas, candidatou-se sem renunciar ao sacerdócio. Causou estranheza, além da ilegalidade do acto, a conivência da oposição e das autoridades.
Não sei se actualmente o padre Albino Carneiro, o presidente do município de Vieira do Minho, tenha renunciado o sacerdócio. Penso que não. Uma ilegalidade, é certo, que preferem, seja quem for, pactuar. A parcialidade com a promiscuidade começam a existir. E em Vieira do Minho vive-se a promiscuidade: Câmara Esclesiástica de Vieira do Minho .
21 janeiro 2008
São Sebastião, santo dos animais e protector de males como a peste e a fome
Nestes dias realizou-se, por estas terras, celebrações ao dito santo com nome de príncipe. Em Boticas, concelho adjacente a Cabeceiras de Basto, esta prática está em vias de desaparecer devida a um judicial imbróglio. O pároco local tentou efectuar o registo predial por usucapião de uma propriedade, alegando que esta foi construída sobre os alicerces de uma antiga estrutura pertencente à igreja. O povo, descontente com esta apropriação indevida e por serem eles os construtores da dita propriedade, estão à espera da decisão judicial e dela depende a continuação da celebração em honra a São Sebastião. Em Cabeceiras de Basto, na freguesia de Gondiães, também realizou-se a celebração bianual em honra ao supracitado santo.
Em Gondiães, ao contrário do que se passou na terra d'outro lado da serra, o Padre celebrou a parte religiosa da cerimónia entre um agradável bem-estar entre os presentes. Impressionante como os párocos, devido a questões materiais, por principio, estas deveriam ser distantes de suas principais preocupações, entram em conflito com o seu "rebanho". Certos hábitos custam a desaparecer.



