Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura. Mostrar todas as mensagens

19 junho 2010

José Saramago 1923 - ...

As mortes que não o são!

Sou um desconhecedor da obra literária de José Saramago, não por incuriosidade pois já folheei alguns dos seus livros, mas antes porque a minha vida me levou a procurar outro tipo de literatura e outro tipo de leituras. Mas ainda vou muito a tempo, penso eu. Por isto não tenho nem posso fazer grandes juízos sobre a escrita de um Nóbel da Literatura, mas posso apreciar a sua personalidade e postura enquanto tal.

Já dizia o ditado que - "Santos da terra não fazem milagres". Por isso é que Dan Brown´s vendem tanto e são tão famosos no nosso Portugal, com um teor de escrita igualmente crítico com a religião quando comparados com Saramago. São as modas e as modinhas dos floreados e romances. Valem mais os que dão uns toques na bola e que nada produzem de concreto, do que aqueles que escrevem sobre a vida e o mundo e nos dão conhecer outras formas de pensar, abrindo horizontes. É este um Portugal que ignora a capacidade da língua portuguesa e, a riqueza da sua obra literária e dos seus escritores.

Saramago foi um crítico inconformista e são os inconformistas que fazem o mundo evoluir, aqueles que quebram os paradigmas, aqueles que contrariam a norma com a qual as maiorias concordam, aqueles que têm as suas convicções devidamente argumentadas e as defendem. Quase todos incompreendidos nas suas épocas como reza a história de: Jesus Cristo, Galileu, Mozart, Darwin, etc... Saramago tinha esse génio, o de uma personalidade bem marcada, de ideais e convicções inabaláveis, dotado de uma postura por vezes arrogante por que era vítima da própria arrogância daqueles que sempre acham que são os supra-sumos da inteligência e sabedoria, num país pouco habituado à auto-crítica e à dureza e crueza da verdade, e às vozes que contradigam os grandes senhores do poder instituído.

Ele será na minha opinião lembrado como Pessoa, como Eça, Bocage, Garrett ou Camões, etc. É sem dúvida um marco na literatura portuguesa, por ter sido capaz de criticar todo um modelo social e religioso de forma irreverente e literariamente rica, com a mesma genialidade dos seus antecessores. A ele dedico este meu texto, porque acredito que a vida e a morte são as coisas mais importantes da consciência humana.

20 outubro 2009

«Ser ateu é ter uma alta religiosidade»

José Saramago, na apresentação da sua mais recente obra literária, verbalizou um conjunto de críticas à Bíblia, à Igreja e à religião. Certamente, estas afirmações não podem ser nomeadas como um "golpe publicitário". Nomear como causa principal, do polémico impulso verbal de Saramago, a "necessidade" de publicidade, é uma análise imediatista e descentralizada. Ele não necessita. É o único escritor de língua portuguesa que foi laureado com um Nobel da Literatura, uma evidência que, por si só, garante um inequívoco estímulo publicitário a qualquer obra que escreva e que queira publicar. No entanto, podemos, numa base hipotética, sustentar que a causa é mais profunda e humana. Poderíamos afirmar que a sua vida, o seu ateísmo, a sua personalidade, o seu intelecto e as vicissitudes da sua doença, e do respectivo tratamento, são factores importantíssimos para um possível fundamento para as suas palavras. Como um pensador é a sua vida e a sua personalidade que determinam, principalmente, a visão que tem sobre o universo e isto é-nos transmitido através das suas palavras e escritos. É, como disse Anselmo Borges, a visão unilateral de Saramago sobre a obra bíblica e suas dependências.

Sobre as palavras que proferiu, são, apenas, as palavras dele. Confesso, que bebo alguns dos seus impulsos verbais. Contudo, para quem "agnosticamente" vê a vida, há certezas que não posso comungar. Saramago afirma que: «para ser ateu é necessário ter uma alta religiosidade». Tem razão. O axioma de acreditar ou não em deus, são meta-certezas e verdades adquiridas por cada uma das doutrinas, que prefiro não perfilar. Estou intelectualmente limitado para ter certezas.

Porém, estas afirmações serão sempre um ponto de vista, uma opinião, uma confissão, um conjunto de palavras de um ficcionista sobre uma obra de ficção, pouco mais. A incomodada Igreja não as aceita. Claro que não, para além de ser uma «protectora terrena» da discutida obra é, também, a principal promotora da "propaganda" lá embutida. Criticar um dos seus veículos literários de transmissão de como pensar ou viver é restringir a sua própria existência. É algo «contra-natura» a Igreja criticar-se ou criticar aquilo que a sustenta. Sendo assim, a Igreja veio repudiar publicamente as afirmações de Saramago. Mas isto é uma reacção ao "mediatismo" que teve e que tem as afirmações. Nas declarações da Igreja à imprensa, estas são dominadas por expressões que refutem os ditames do homem sobre a Bíblia, a Igreja, a religião e não à obra dele ("Caim") apresentada naquele momento.

Pode-se, então, concluir que a origem da reacção eclesiástica e dos crentes não é a opinião, o contraditório, a imposição da verdade bíblica mas, sim, o efeito mundano que poderá ter estas afirmações de Saramago, ou seja, a difusão das críticas aos "maus-costumes" imprimidos na bíblia e a possibilidade de um religioso as aceitar e, valha-nos deus, as confrontar com a Igreja e com os crentes.

14 abril 2009

Significados da Literatura… e o prazer de ler

“Levar um livro no bolso ou na mochila, particularmente em alturas de tristeza, é estar em posse de um outro mundo, um mundo que pode trazer-nos felicidade.”
“Deixem-me enumerar as coisas que tornam a leitura algo que faço não por motivos profissionais ou para auto-edificação, mas por prazer:”
1. “O apelo desse outro mundo que antes mencionai. Isto pode ser visto como escapismo. Mesmo sendo apenas na nossa imaginação, continua a ser bom escapar à tristeza da vida quotidiana e passar algum tempo num outro mundo.”
2. “Entre os dezasseis e os vinte e seis anos de idade, a leitura era central nos meus esforços para fazer alguma coisa da minha vida, elevar a consciência e, desse modo, formar o meu espírito” (…). (…) “Quão longe podiam chegar os pensamentos, interesses, sonhos e territórios que se ofereciam à minha imaginação? Enquanto seguia as vidas, sonhos e ruminações de outros nas suas histórias e ensaios, sabia que iria conservá-los nos mais esconsos recessos da minha memória e jamais os esqueceria, da mesma forma que uma criança pequena nunca esquece a primeira vez que vê uma árvore, uma folha ou um gato” (…) (…) “as minhas leituras durante esses anos foram um empreendimento intenso e divertido que muito deveu à minha imaginação. Mas hoje em dia praticamente nunca leio dessa forma, e talvez seja por isso que leio muito menos.”
3. “Outra coisa que torna a leitura tão agradável para mim é a consciência de si próprio. Quando lemos, há uma parte da nossa mente que resiste à completa imersão no texto e nos felicita por levarmos a cabo uma tarefa tão profunda e intelectual: por outras palavras, o acto de ler. Proust compreendeu isto muito bem. Parte de nós, disse ele, fica fora do texto e contempla a mesa a que nos sentamos, o candeeiro que ilumina a folha, o jardim em volta ou a vista adiante. Quando notamos tais coisas, estamos simultaneamente a saborear a nossa solidão e o trabalho da nossa imaginação, e congratularmo-nos por sermos mais profundos do que aqueles que não lêem” (…)
“É por isso que, ao falar da minha vida de leitor, tenho de dizer isto imediatamente: se os prazeres que descrevo como 1 e 2 fossem prazeres que eu pudesse encontrar no cinema, na televisão ou noutros meios de comunicação, leria menos livros. Talvez um dia isso seja possível. Mas creio que seria difícil, porque as palavras (e as obras literárias que elas criam) são como a água ou as formigas. Nada pode penetrar nas rachas, buracos e fendas invisíveis da vida com a rapidez e minúcia com que as palavras o fazem. É nessas fendas que a essência das coisas – as coisas que nos tornam curiosos em relação à vida e ao mundo – pode ser inicialmente apurada, e a boa literatura é a primeira a revelá-las” (…) (…) “Para mim ler é criar a minha própria versão cinematográfica mental de um texto. Podemos erguer a cabeça da página para contemplarmos um quadro na parede, a cena do lado de lá da janela ou a vista em frente, mas a nossa mente não processa estas coisas; continuamos ocupados a filmar o mundo imaginário daquele livro. Para ver o mundo imaginado pelo autor e encontrar felicidade nesse lugar, temos de usar a imaginação. Ao dar-nos a impressão de sermos não apenas espectadores de um mundo imaginário, mas, em parte, seus criadores, um livro dá-nos sozinho, a bênção do seu criador. E é essa bênção solitária que torna a leitura de livros, de grandes obras literárias, tão tentadora para toda a gente e tão essencial para o escritor.”
Escrito por Orhan Pamuk (Escritor turco e Prémio Nobel da Literatura em 2006), excertos retirados do capítulo 30 do seu livro – “Outras Cores – Ensaios sobre a vida, a arte, os livros e as cidades".

30 dezembro 2008

Leitura e reflexão

Terminei recentemente de ler este livro do Umberto Eco - "A Passo de Caranguejo". Penso que não é necessário fazer apresentações do autor, que para além de grande escritor é um grande pensador.
Este livro não se apresenta como uma prosa ou um romance convencional. Por outro lado, o seu esqueleto é um conjunto de artigos de opinião e palestras escritos e orados por Eco, em jornais e conferências. Confesso que o livro se torna enfadonho quando lido intensivamente, isto porque o autor faz inúmeras referências a personalidades políticas e históricas/mitológicas, que para quem não tem muita "bagagem"(como eu) acabam por massar um pouco. Mas página após página, o autor aborda temas como: Política, guerras, terrorismo, economia, racismo/xenofobia, religião, sociedade... de uma forma muito inteligente e dotada de um sentido de humor e de escrita incisivos. Por isso, para quem se interessa por estes temas actuais e de premente resolução, aconselho a leitura desta obra.
E como tudo na vida se faz pensando, nada como um bom livro para nos ajudar a compreender melhor o mundo, e com isso traçar os destinos de forma mais racional.

30 outubro 2008

A ti [Eugene Debs] a palavra te passo

«I am not a Labor Leader; I do not want you to follow me or anyone else; if you are looking for a Moses to lead you out of this capitalist wilderness, you will stay right where you are. I would not lead you into the promised land if I could, because if I led you in, some one else would lead you out. You must use your heads as well as your hands, and get yourself out of your present condition.»

20 outubro 2008

Já que estamos em crise

...nada como ler este senhor (aposto que repudia que eu ou alguém o intitule como senhor, provavelmente a sua característica libertária não o permita tolerar tal devaneio coercivo e subjugador) para depois sermos guiados pelo ideal da suprema liberdade e aderirmos à mais radical e primitiva solução para esta crise -seja ela qual for.

22 janeiro 2008

Outras visões

Avram Noam Chomsky.

07 janeiro 2008

Um paradoxo de duas pernas

Ontem maravilhei-me com a repetição do Documentário "Um Dia de Noite", sobre o indomável Luiz Pacheco, falecido no Sábado, dia cinco de Janeiro de 2008. Com passagens imperdiveis sobre episódios da sui generis vida, deslumbrei-me com a forma de estar, falar e maldizer deste ilustre "Sacristão do Surrealismo". Este Senhor abalou a esfera da literatura. Pulverizou os "cânones" do modus vivendi desde tempo da sua juventude até aos dias que correm. Imperdível, deu-me fome de o ler.

05 janeiro 2008

Me, myself and i

Christopher Hitchens - Letters to a Young Contrarian

Friederich Nietzsche - Der Antichrist

Erasmo de Roterdão- Elogia da Loucura