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13 dezembro 2009

Prémio Pessoa 2009 - D. Manuel Clemente

Ao que parece o episcopado do Porto tem algo que permite aos bispos que presidem a esta jurisdição estejam, em certas alturas do nosso tempo, diagonalmente afastados do pensamento dominante da Igreja. Outrora fora D. António Ferreira Gomes, elevando o Pensamento Social Cristão, que culminou com a escrita da corajosa carta a Oliveira Salazar. Valeu-lhe dez anos de exílio. Actualmente, é o D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, que com a sua intervenção cívica tem-se destacado por uma postura humanística de defesa do diálogo e da tolerância, do combate à exclusão e da intervenção social da Igreja. Valeu-lhe o prémio Pessoa de 2009.

20 outubro 2009

«Ser ateu é ter uma alta religiosidade»

José Saramago, na apresentação da sua mais recente obra literária, verbalizou um conjunto de críticas à Bíblia, à Igreja e à religião. Certamente, estas afirmações não podem ser nomeadas como um "golpe publicitário". Nomear como causa principal, do polémico impulso verbal de Saramago, a "necessidade" de publicidade, é uma análise imediatista e descentralizada. Ele não necessita. É o único escritor de língua portuguesa que foi laureado com um Nobel da Literatura, uma evidência que, por si só, garante um inequívoco estímulo publicitário a qualquer obra que escreva e que queira publicar. No entanto, podemos, numa base hipotética, sustentar que a causa é mais profunda e humana. Poderíamos afirmar que a sua vida, o seu ateísmo, a sua personalidade, o seu intelecto e as vicissitudes da sua doença, e do respectivo tratamento, são factores importantíssimos para um possível fundamento para as suas palavras. Como um pensador é a sua vida e a sua personalidade que determinam, principalmente, a visão que tem sobre o universo e isto é-nos transmitido através das suas palavras e escritos. É, como disse Anselmo Borges, a visão unilateral de Saramago sobre a obra bíblica e suas dependências.

Sobre as palavras que proferiu, são, apenas, as palavras dele. Confesso, que bebo alguns dos seus impulsos verbais. Contudo, para quem "agnosticamente" vê a vida, há certezas que não posso comungar. Saramago afirma que: «para ser ateu é necessário ter uma alta religiosidade». Tem razão. O axioma de acreditar ou não em deus, são meta-certezas e verdades adquiridas por cada uma das doutrinas, que prefiro não perfilar. Estou intelectualmente limitado para ter certezas.

Porém, estas afirmações serão sempre um ponto de vista, uma opinião, uma confissão, um conjunto de palavras de um ficcionista sobre uma obra de ficção, pouco mais. A incomodada Igreja não as aceita. Claro que não, para além de ser uma «protectora terrena» da discutida obra é, também, a principal promotora da "propaganda" lá embutida. Criticar um dos seus veículos literários de transmissão de como pensar ou viver é restringir a sua própria existência. É algo «contra-natura» a Igreja criticar-se ou criticar aquilo que a sustenta. Sendo assim, a Igreja veio repudiar publicamente as afirmações de Saramago. Mas isto é uma reacção ao "mediatismo" que teve e que tem as afirmações. Nas declarações da Igreja à imprensa, estas são dominadas por expressões que refutem os ditames do homem sobre a Bíblia, a Igreja, a religião e não à obra dele ("Caim") apresentada naquele momento.

Pode-se, então, concluir que a origem da reacção eclesiástica e dos crentes não é a opinião, o contraditório, a imposição da verdade bíblica mas, sim, o efeito mundano que poderá ter estas afirmações de Saramago, ou seja, a difusão das críticas aos "maus-costumes" imprimidos na bíblia e a possibilidade de um religioso as aceitar e, valha-nos deus, as confrontar com a Igreja e com os crentes.

06 março 2009

Nuno Álvares Pereira

Nuno Álvares Pereira (um cabeceirense de "moradia"), o aclamado Santo Condestável, está na iminência de ser canonizado. É a realização de um último passo advido de um longo processo de "santificação" de um beato. Saliento esta evidência, não por algum interesse nos trâmites na "santificação" de alguém e muito menos pelo facto de acreditar que "santo(s)" seja algo mais que um sobrenome, para introduzir um excelente resumo (recheado de apontamentos históricos) sobre D.Nuno e sua família:«Nuno Álvares Pereira: um novo santo que foi Senhor de Trás-os-Montes»

19 fevereiro 2009

Falar em nome de todos: "So say we all" *

«Braga responde com o amor para substituir a eutanásia» in [Diário do Minho]

Será que falarão por Braga? Ou o conceito Braga (cidade, concelho distrito), como meio geográfico e populacional, tomou (qual misticismo) a forma humana e incitou a substituição da eutanásia por amor ao próximo? Como nos ensina a velha máxima terrena: Em nome do amor, pratica-se o desamor (Domingos Oliveira).

*tirada do Battlestar Galactica, a qual ando a seguir religiosamente

12 fevereiro 2009

Contradições

«Igreja aceita homossexuais»

As religiões abraâmicas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo)tendem a aceitar o facto que alguém possa se sentir atraído por um elemento do mesmo sexo. Mesmo o Islamismo "afirma" que é natural "o desejo de homens por jovens atraentes" e que é visto como uma característica humana esperável. Contudo, proíbem a concretização carnal de tal desejo, ou seja, promovem a abstinência e condenam a consumação do acto homossexual. Impressão minha ou há nas hostes religiosas muito recalcamento de desejo sexual (ainda) não concretizado.

24 junho 2008

"Tem casa de graça e mais de 200 euros por mês de cada uma das outras cinco paróquias. Além de outras receitas, uma em cada três missas..."

Salários em atraso, alienação do património da Igreja, comissão fabriqueira, alegado desvio de bens da ecclesia, esmolas e emulamentos, terra interiorizada. São alguns dos ingredientes da história que irei recortar de seguida:

O pároco de Aguiar da Beira não recebeu o salário de Maio, no valor de 675 euros, e corre o risco de ficar sem o de Junho. A Comissão Fabriqueira não tem dinheiro.(...)

A crise financeira instalada agrava-se à medida que vão diminuindo as receitas das missas e esmolas.(...)

A proposta de doar o centro social à Misericórdia de Aguiar da Beira foi apresentada, a meio da semana passada, pelo pároco José Fernando Pinto. "Foi a votos e saiu derrotada. Em seis elementos, a única pessoa que concordou em ceder aquele edifício foi o próprio padre, que é também presidente do centro social. Alega que o voto dele é que vale, e que o nosso papel é meramente consultivo"(...)

A polémica surge poucos meses depois de o anterior pároco de Aguiar da Beira ter sido transferido para outra paróquia por alegado desvio de bens da Igreja.Em Março, após um "rigoroso" inquérito, o bispo da diocese anunciou que o sacerdote, Carlos Sousa, teria de devolver à paróquia cerca de cinco mil euros e alguns móveis da residência paroquial.

"Já estamos em finais de Junho e ainda não entregou nada"(...)

"As dádivas estão a diminuir. Havia domingos em que recebíamos 300 euros. Agora dificilmente chegam aos 40. Há muita gente desgostosa que está a deixar de ir à eucaristia", lamenta a comissão fabriqueira.

(...)apesar do padre estar com o salário em atraso, a sua situação não é preocupante. "Tem casa de graça e mais de 200 euros por mês de cada uma das outras cinco paróquias. Além de outras receitas, uma em cada três missas reverte integralmente a seu favor".

23 junho 2008

Investir no necessário

Autarquia beneficia Adro da Igreja de Passos

Obras representam um investimento na ordem dos 15.626,00 Euros

A promiscuidade que se vive entre o Estado (neste caso representado pela sua entidade local-a autarquia) e a Igreja, permite a remodelação de sítios que não são públicos (do pressuposto de estarem sobre a responsabilidade estatal).

Confundir freguesia com paróquia transpõe-nos para uma época ida onde os espaços administrativos eram delimitados pelas congregações religiosas. Qual a urgência de beneficiação de tal sítio? Será a sua importância história? O seu papel de apoio social? Porque a Igreja (no seu todo), com todo o seu esplendor monetário não remexeu nos seus fundos para suportar as obras de remodelação desta pequena paróquia? Não houve alternativa ao investimento público num sítio religiosamente privado?

Exigência

“Tragam um terço e uma vela com copo. Passem a palavra a quantos estejam solidários com a causa da vida, a sacerdotes e leigos, a grupos de jovens e outros movimentos da Igreja”

Hoje haverá uma concentração popular com o mote de "velada pela vida". Será em frente ao Hospital de Guimarães, Senhora da Oliveira.

De índole religiosa, espero que esta concentração, invés de pedir o irreversível, exigem a rápida implementação da Educação Social no Ensino, uma maior abrangência do planeamento familiar, para que actualmente não aconteça factos como este: Um estudo da Direcção-Geral de Saúde (DGV) revela que muitas mulheres que abortaram, cerca de 70 por cento, afirmam que não receberam qualquer informação sobre métodos anticonceptivos.

O busílis da questão, está, como parece norma na nossa sociedade, na não implementação de medidas educacionais essenciais.

12 junho 2008

Irmãos, a verdade está nos actos e não nas palavras

Num "convénio" eclesiástico decretou-se que a remuneração da Eucaristia, na mui nobre e conservadora Província Eclesiástica de Braga, irá aumentar de sete euros e meio para dez euros. No decreto resultante, assinado por um rol de bispos, convenciono-se a obrigatoriedade da criação de um Conselho Económico em cada paróquia, assim como a existência de um Fundo Paroquial*. A cumprir no próximo quinquénio 2008-2013.

O plano eclesiástico de sustentabilidade económica é deveras oportuno. Oportuno, para desmascarar a evidente decadência nas relações eclesiásticas, entre o físico dos números e a metafísica dos valores.

A << crise de consciência >> tarda, mas não perdoará a transformação flagrante dos desígnios de Jeová em capital profano.

* Para este fundo deverão canalizar-se os emolumentos pagos pelos fiéis aquando da administração de sacramentos, bem como as suas ofertas. As novas tabelas podem ser consultadas no site da Arquidiocese de Braga: www.diocese-braga.pt.

04 junho 2008

A crise especulativa atinge as hóstias

Numa paróquia em Cabeceiras de Basto, o pároco responsável pela população subordinada eclesiasticamente, anunciou na missa semanal que devido a um aumento do preço dos cereais, base da elaboração do consagrado pão ázimo, pretenderá uma contribuição monetária extrao, por parte dos paroquianos, para assegurar a elaboração de hóstias na paróquia.

Acredito que seja um rumor, mas a confirmar, será mais um exemplo de como a Igreja continuará a afastar-se dos seus ideias pregados e a fortalecer a descrença acentuada que se vive em relação a ela.

20 março 2008

Existem valores e valores

> Salesianos vão fazer uma urbanização de 5 milhões de euros perto do novo aeroporto

> Diocese de Braga gere uma cadeia de hotéis e um spa com jacúzi e solário

> Fátima teve, num ano, um lucro de 3,9 milhões em acções e aplicações financeiras

> O anterior cardeal patriarca de Lisboa deixou uma herança de 5 milhões de euros

A opulência da Igreja Católica será, e está a ser, o despacho para a descrença da sociedade. A sua hipocrisia está imortalizada nos compêndios da História, seus autores opulentos e inumanos perpetraram actos horripilantes e paradoxais aos valores e ideais que preconizaram. Salva-se algumas excepções que vigoram na História eclesiástica como símbolos, prontamente imortalizados em sacro estátuas que contradizem com a mais áurea regra da não representação física de algo superior.

Sendo a Igreja uma instituição rica , horrivelmente rica, equiparada a uma empresa com capital inesgotável, enquanto conseguir aliciar os seus clientes (crentes), possui fundos para singrar na esfera financeira mas com o esclarecimento e responsabilização perde na esfera espiritual e de valores. O paradoxo desta instituição é evidenciado com a fome, pobreza e maleitas que caracterizam precariedade vivencial de quem vive e mora na esquina da rua da sua mui grande instituição.

Engana-se quem diz que a presente descrença da sociedade é fruto de modas, falta de valores ou qualquer tipo de falta de amor. Deve-se ao esclarecimento, a assumpção de factos inegáveis e do paradoxo vivencial e pernicioso da Igreja. Incomoda o esclarecimento. Não sou contra os valores essenciais do cristianismo ou de qualquer outra religião/ideologia que apregoe a equidade e amor ao próximo. Sou contra os que em nome destes valores elaboram subterfúgios vãos para proveito próprio não efectuando o que apregoam. Só com o esclarecimento e uma certa purgação de vícios milenares a Igreja voltará a encantar os descrentes. Até lá, muitos pecados se cometerão.

( Mosteiro de São Miguel de Refojos fotografado por Charlène Pereira )

12 janeiro 2008

A insensatez

Na Terra que outrora fora denominada e domiciliada pelo povo bastiano, vive a insensatez. Esta cingida ao castro invisível, mais restritivo e intransponível que a sua real forma, do egoísmo que fragiliza a condição humana. Clericais seres, antigos nos modos mas juvenis na arte de explorar, renegam a abnegação em troca da mordomia. Hipotecam o seu futuro. Desfalcam a sua Igreja, sem pudor e alicerçados por séculos de iguais práticas eclesiásticas, de jovens almas. Gritos emergem pela surdina, estes carregados de incompreensão e razão consolidam-se no mundano da vida. Todas semanas, na conservadora Terra, ouvem-se hinos de insensatez que condicionam costumes de acríticos ouvintes. Urgem as vozes discordantes que façam destapar o mouco ouvido eclesiástico.