Não compreendo como um beijo entre vários contestatários das políticas homofóbicas do Papa e acólitos, podem suscitar tanta "reacção". Hipoteticamente, a energia reactiva não foi despoletada pela forma de protesto mas sim pelos protestantes. É que o beijo, gesto de afeição e carinho, para alguns, é um assustador acto de provocação. Que "flores", estes papistas.
01 setembro 2010
Há coisas que não lembram ao diabo
Se houvesse um escrutínio, com olhos eclesiásticos, à maioria das letras das canções que reinam nas festas populares e religiosas, os seus intérpretes há muito teriam sido censurados pelas "malta da paróquia". Aconteceu em Mondim mas poderia ter acontecido em outro lado. Não conheço mais pormenores sobre o assunto mas a incoerência salta à vista: se censuraram os "Diabo na Cruz", como podem permitir as populares letras das canções de Quim Barreiros e afins? Há coisas que não lembram ao diabo!
18 dezembro 2009
Infelizmente, a discriminação tende a manter-se
No momento em que Assembleia da República irá terminar com uma lei discriminatória e alargará o casamento civil a pessoas do mesmo sexo, o Partido Socialista (acompanhado por conservadores) pretende restringir o direito de adoptar para os futuros casais resultantes desta alteração legislativa. Ou seja, os casais homossexuais poderão, amanhã, continuar a adoptar excepto aqueles que estejam, amanhã, civilmente casados. No momento em que se finalizará uma cláusula discriminatória na lei pretende-se criar uma outra. Irónico.
24 agosto 2009
Algo está desactualizado
Tristes são aqueles que querem impor, repito, impor o seu modelo de união entre dois seres com pressupostos de outros tempos, claramente errados e anacrónicos. Clarificando, o Presidente da República vetou um "novo" pacote legislativo que alargava o quadro legal para uniões de facto. Ao vetar este novo pacote legislativo, que por exemplo previa o direito legal à pensão por morte do companheiro ou companheira, o Presidente da República usou o argumento "estamos no final da legislatura e o assunto não está suficientemente discutido na sociedade civil". Este argumento, que se já repetiu diversas vezes, serve para vetar tudo o que a sua moral e religiosidade assim o determine.
Qualquer tipo de união entre seres deveria ser, sobre a égide de um Estado Civil, somente a união, prevista na lei, entre pessoas com vista a ter certas regalias perante os demais. A razão da sua existência legal seria a necessidade de o Estado (como reflexo da sociedade) precisar de ter este tipo de união para atingir certas finalidades. Por isso, o Estado deveria prever e incentivar legislativamente qualquer tipo de união. Caso contrário, ou seja, caso o Estado e a sociedade não necessitasse de qualquer tipo de união para atingir certos fins, o casamento ou outra coisa qualquer, a nível legal, deveria desaparecer. Assim, quem quissesse unir ou desunir dependeria somente da sua livre vontade.
Adenda: o Presidente da República utilizou um outro interessante argumento para sustentar o seu veto. O argumento cinge-se, e cito, pela: «escolha pessoal de um modo de vida em comum que, numa sociedade livre, aberta e plural, o Estado deve respeitar, não colocando quaisquer entraves à sua constituição, nem impondo aos cidadãos um outro modelo de comunhão de vida». No entanto, o veto a este pacote legislativo, impõe o modelo de vida em comunhão vigente pois não permite um outro modelo de comunhão com os semelhantes direitos legais.
01 fevereiro 2009
Sobre os cerca de quatro milhões de portugueses que podiam estar a viver na pobreza se não dependessem dos subsídios do Estado, nem uma palavra
Ao que parece, o nosso mui ilustre e recto presidente da República reiterou o discurso de bom cristão ao criticar a Lei do divórcio. Legítimo, é a opinião pessoal dele (embora não a consiga dissociar das acções presidenciais que toma). Agora, associar, ou melhor, culpabilizar a Lei do Divórcio por gerar a maioria dos "novos pobres", é, no mínimo, uma afirmação infeliz.
Não compreendo a posição política dele em continuar, embora a lei já fora promulgada por ele, a criticar a lei. Continua, também, a tentar "sacralizar" o contrato entre o Estado e duas pessoas. O mesmo contrato que à luz das leis civis, se denomina como casamento civil, não presidencial e muito menos religioso.
19 dezembro 2008
De facto, deveria haver mais respeito
Qualquer discriminação é uma violação aos direitos humanos. Discriminar alguém, com base na sua orientação sexual, é, por si só, algo reprovável e atentatório ao dogma dos direitos humanos.
Repare-se nestes escritos. O autor critica a capa da revista "FHM", afirmando a necessidade de haver mais respeito (perante os leitores da revista) e que esta edição (que na capa figura a imagem de Solange F.) é um atentado (provavelmente ao seu pudor). Conclui, o lamentável post, com a sentença: (...)acho que se deve banir a FHM do rol das "revistas para homens"(...)
Em que se baseia este post com um teor discriminatório? Baseia-se no facto em que a Solange F. é uma homossexual assumida e isto, nos pensares do autor do post, a impossibilita de pousar para uma revista que tem como "público-alvo" elementos heterossexuais do sexo masculino.
Será que ela, independentemente da sua orientação sexual, não continua a ser uma mulher? Uma mulher com características mais que suficientes para ser "a capa" desta "revista masculina"?
Preconceito e discriminação costumam andar de "mãos dadas" na rua da intolerância e da falta de esclarecimento. Enfim...
24 setembro 2008
God or something else save this soul because he doesn't know what is talking about
«O plano retira a dor de Wall Street e a espalha pelos contribuintes. Esse socorro não é solução. É socialismo financeiro e é anti-americano.» dito e subscrito pelo senador republicano Jim Bunning.
Parece que poltergeist do senador McCarthy ainda ilumina e 'mexe' com muita alma republicana nos EUA.
21 agosto 2008
Quem dá cavaco ao cavaco, cavaco é
O nosso mui estimável Presidente da República, na legitimidade que o cargo lhe confere e unido com a liberdade de opinião e de pensar, resolveu, no ver de alguns, assumir o papel (para sempre seu) de baluarte do conservadorismo e de opositor político à política vigente.
Cavaco Silva, no alto dos seus poderes políticos, veta (politicamente), o novo regime jurídico do divórcio. Alega, legitimamente, uma maior "cobertura" legislativa para a parte mais fraca de uma união. Embora, seja discutível o que é a "parte mais fraca" e em que valores se insere. Contudo, sabemos, sem descurar as preocupações presidenciais, que altos valores se impõe neste veto. Existe uma preocupação conservadora sobre certas matérias que, segundo "eles", têm a consequência de "fracturar" a sociedade e ameaçar os valores e a conduta imposta. Esta, o divórcio, é apenas uma das matérias "fracturantes". Na típica dança das posições, o presidente da república, avança e afirma a sua posição conservadora. Algo que não aparece na argumentação do veto presidencial mas que lá está implicitamente entrelinhado.
O partido socialista irá, juntamente com o apoio ideológico da esquerda política, recusar as "ponderações" do presidente da república. Em causa, para o partido socialista, estará o "bater do pé" perante as recentes "investidas" políticas do PR à maioria parlamentar e à política governamental. Para complementar, estará em jogo a tentativa (que está em movimento em diversas frentes, Vítor Ramalho, Manuel Alegre etc.) do partido socialista em reconverter para a sua causa os seus cépticos de esquerda. O apoio da esquerda parlamentar é natural e compreensível, a matéria é "fracturante" e o actual detractor é um conservador exímio e com contas para ajustar.
05 julho 2008
Não permitir
As diferenças entre a esquerda e a direita ideológica em Portugal, por vezes, e em alguns partidos, esfuma-se por interesses mútuos. Em certas questões, a divergência impõe-se. A câmara social-democrata de Santa Comba Dão, tem o intuito de criar uma casa museu sobre António Oliveira Salazar. Na discussão na Assembleia da República, os partidos da dita esquerda ideológica refutem tal iniciativa. A direita, tem como argumento o possível desenvolvimento regional e o carácter de contradição democrática a não implantação de tal saudosa casa.
Ora, para os filhos da revolução de Abril, onde me integro, o simbolismo dos actos é algo a ter em conta. A criação de um "monumento" de potencial adulação pelos saudosistas conservadores é um perigo e um contra-senso ao dever de Liberdade. Não apoio uma erradicação de certos maus momentos da História. Pelo contrário, apoio uma maior divulgação dos erros, das consequências, das razões, para que no futuro, tenhamos uma maior consciência histórica para não permitir ou cometer erros idos. Existem técnicas, planos e métodos de maior pedagogia política que a criação de uma casa-museu para futura adulação. A ideologia por detrás desta acção é repugnante, atroz e, consequentemente, condenável.
04 julho 2008
Nostalgia de outros tempos, quando um beijo "naquilo" possuía uma perigosidade excitante
02 julho 2008
E os peservativos, não impedem a procriação? Não serão alvos, também, de discriminação da MFL?
O conservadorismo da Manuela Ferreira Leite expôs-se, ontem, numa entrevista dada na TVI. Declarou, que descrimina e não concorda com a equiparação dos casamentos homossexuais com os casamento heterossexuais, porque, imaginem, e cito: A sociedade está organizada e tem determinado tipo de privilégios, tem determinado tipo de regalias e de medidas fiscais no sentido de promover a família (…) no sentido de que a família tem por objectivo a procriação”.

