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14 fevereiro 2009

Reciclagem/rentabilização do meio (X)

Finalizando estes devaneios em jeito de 10 mandamentos e que já se alongaram em demasia, que haja um sentimento optimista em todos. Em analogia à história da humanidade, que por vezes necessitou de olhar o passado para entender e se preparar para os desafios do futuro, o sentido e o contexto dos post´s ficaram invertidos, pelo que a leitura e interpretação, farão sentido se lidos de baixo para cima. Os tempos são difíceis, e será importante usar todos os meios para partilhar conhecimentos, ideias e sugestões, como forma de encontrar soluções para actual situação de crise. Neste sentido, jornais, TV, blogues e outros, são motores fundamentais nessa partilha, pelo que aguardo comentários de quem tiver algo a acrescentar, algo de diferente ou algo de novo a dizer.

Reciclagem/rentabilização do meio (IX)

Tenho escrito muito sobre o meio que nos rodeia e o ser-se social. Contudo, não posso omitir um factor fundamental para ultrapassar a crise - a saúde geral, e a de cada um. Sendo eu da área, seria negligente da minha parte não abordar esta temática. As crises podem trazer graves problemas à saúde global. Poderão surgir movimentos populacionais migratórios que traduzem dificuldades de integração/socialização/aculturação, susceptibilidade à transmissão de doenças até então "isoladas" geográficamente, bem como os conflitos referidos no post anterior. Os escassos recursos económicos e falta de expectativas/esperanças poderão ser responsáveis por perturbações mentais, como depressões e comportamento delirantes/psicóticos. Por outro lado a desnutrição (pela escassez de bens alimentares), pobreza extrema, défice de condições sanitárias, epidemias/pandemias, e dificuldades de acessibilidade aos serviços de saúde, são uma ameaça a ter em conta.
Se a crise é grave, mais grave é os protagonistas de uma possível inversão da mesma, adoecerem. Sem saúde não se consegue nada. É bom que cada um reflicta sobre a sua condição de saúde e, não apenas lembrar-se dela quando a doença já se instalou. Contra a natureza iremos ter uma luta permanente, porque não conseguimos eliminar os vírus, as bactérias, nem os outros agentes patogénicos presentes no ecossistema. Podemos até irradicar uns, mas depressa surgem outros. Depois há as doenças inevitáveis, umas surgem pelo envelhecimento natural e pela genética de cada um, e outras alheias a faixas etárias, surgem de forma silenciosa, e por vezes sem razão aparente. Como podemos constatar a doença é inevitável ao longo do ciclo de vida. No entanto, a adopção de estilos de vida saudáveis, contribui em larga escala para reforçar o sistema imunitário de cada um, diminuindo desta forma a susceptibilidade à doença, bem como, a melhor convivência e convalescença com a mesma. Maus hábitos alimentares, sedentarismo, consumo de drogas (e aqui incluo no mesmo pacote álcool e tabaco), stress, falta de descanço, isolamento... entre outros, são responsáveis pela morbilidade em todo o mundo.
Esqueçam as dietas milagrosas dos sítios e das revistas mágicas. Ainda que haja boa literatura sobre dietas, o que mais se lê por aí são barbaridades que podem pôr gravemente em risco a saúde de quem as segue. Se desejam emagrecer ou saber comer, procurem ajuda profissional (nutricionistas e médicos não faltam), lembrem-se de comer bem (qualidade versus quantidade) todo o ano, em vez de o fazer apenas quando o calor bate à porta e as roupas de cortes justos mostram o "pneuzinho" e a celulite. Levantem os rabinhos do sofá e façam exercício físico. É o melhor aliado da saúde e a melhor forma de ligar o corpo à mente. Não desanimem à primeira, há tantos desportos que o importante é variar até se encontrar aquele que melhor se adapta à anátomo-fisiologia e condição de cada um (ex: andar a pé é simples, pouco cansativo e ao mesmo tempo excelente para a saúde). Se não forem experientes e quiserem optar por desportos mais exigentes, o melhor é procurar ajuda de profissionais ligados à área desportiva, passando préviamente por uma avaliação médica. E atenção, não criem expectativas elevadas, o exercício físico requer treino e adaptação do organismo graduais. Não pensem que estando em baixo de forma podem correr meia maratona tipo toiros. Isso apenas trará malefícios à vossa saúde.
Evitem o consumo de drogas. Estas representam substâncias tóxicas para o organismo que degradam as células e diminuem a sua capacidade de regeneração, para não falar do risco de dependência de consumo. As consequências não são novidade, envelhecimento precoce e as mais variadíssimas doenças associadas, bem como, a morte. Não quero dizer que não se possa fumar e beber esporadicamente, mas há que ser-se equilibrado.
Procurem relaxar, não vivam obcecados pelo trabalho e por fazer tudo o que está à vossa volta. O corpo e a mente precisam de momentos de calma que não se resumem apenas às horas de sono. Também é importante descansar acordado, fugir dos ambientes barulhentos e agitados, refugiando-se em locais calmos como as aldeias, as montanhas, à beira-mar, ou mesmo em casa a ouvir música, a ver um filme ou a ler um livro. É bom e ajuda à reflexão e auto-reflexão.
Não negligenciem a cama, durmam entre 7-8 horas por dia. Dormir a mais também não é saudável. O sono é fundamental para regenerar as células de todo o organismo.
Não se isolem, convivam em sociedade, saiam com os amigos, conversem com as pessoas, namorem, tenham uma vida sexual satisfatória, façam actividades em grupo... O reforço das relações inter-pessoais é nuclear para o equilíbrio mental e para a saúde em geral. O ser humano é um ser social.
Por fim não esperem pela doença. Procurem acompanhamento médico ao longo de todo o ciclo de vida. Muitos problemas de saúde futuros podem ser atenuados, controlados, e até evitados, se procurarem consultas de rastreio/promoção de saúde/prevenção da doença.

Reciclagem/rentabilização do meio (VIII)

Outra inquietação presente meu pensamento, é a guerra (e aqui incluo também o terrorismo). Seja ela política, religiosa, étnica...,ou o que quer que a origine, esta não pode ser justificável com moralismos doentios e empobrecidos. É verdade que as guerras nos ensinaram muitas coisas, e talvez sem elas, não teria havido aproximação e cruzamento de culturas. Porém, arrastaram consigo biliões de mortos e oprimidos, dando origem às mais variadíssimas formas de extremismo político e social. Passado é passado. No presente as formas de comunicação permitem, de forma pacífica, a aproximação e a negociação entre povos através do diálogo. Hoje conhecem-se variadíssimas culturas, crenças e religiões, falam-se várias línguas e dialectos. As Nações têm de saber respeitar-se umas às outras, e o respeito deve vir de dentro. Por muito que não concordemos com certas culturas, não podemos expulsá-las como se de cães se tratassem. O que podemos fazer é mostrar e explicar a nossa cultura aos outros e tentar entender a deles. Dentro dos limites das liberdades e direitos humanos, não podemos forçar ninguém a mudar os seus hábitos apenas porque nos dá na real gana, da mesma forma que não devemos deixar que tentem fazê-lo connosco. Devemos partilhar e não impor, educar e ser educados. Cada País tem de pôr de lado o preconceito pelas raças, religiões, étnias, costumes e orientações. A ONU e a NATO têm de repensar a sua forma de actuação. Os recentes conflitos entre a Rússia e a Geórgia, assim como o último na faxa de gaza, entre Israelitas e Palestinianos, espelham na perfeição a falta de diálogo e a transgressão das liberdades e direitos humanos.
Actualmente vivemos tempos difíceis do ponto de vista financeiro-económico, as religiões não encontram plataforma de entendimento, as populações vivem em clima de desconfiança por tudo e por todos. As Nações não encontram soluções de equilíbrio na distribuição dos recursos, e a globalização abriu o livro das desigualdades, da exploração e da injustiça espalhadas por todo o mundo. Talvez a queda do Muro-de-Berlim não tenha anunciado verdadeiramente o fim da Guerra Fria. Vivemos ainda numa época de grande desconfiança pelo vizinho do lado, repleta de tensões que se assemelham e muito, ao clima que antecedeu as grandes guerras. Com as actuais tecnologias bélicas em permanente desenvolvimento ("escondido" e/ou ignorado), em territórios como a china, o Irão, Coreia do Norte, etc, a ameaça é real. Actualmente, sejam elas: atómica, química ou biológica... se aliadas à crueldade humana, uma guerra de proporções mundiais, pode resultar no fim da humanidade.
Não podemos esquecer que o planeta não é de ninguém, é de todos que o habitam. As fronteiras são meros traços e riscos de divisões político-administrativas.

Reciclagem/rentabilização do meio (VII)

Energia e dependência energética têm sido apontados como uma das fragilidades maiores do nosso país.
Tive a oprtunidade de assistir ontem à conferência organizada pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, relativamente ao empreendimento da Barragem do Fridão. É de louvar estas iniciativas municipais, que contribuem para a aproximação da população à política e da política à população, enriquecendo o debate e a democracia. Algumas dúvidas ficaram esclarecidas embora outras se mantenham. Confesso que não tenho dados, não estudei nem pesquisei acerca desta temática para ter uma opinião devidamente fundamentada. Contudo, penso que todas as condicionantes devem ser colocadas na balança, para que a decisão final seja a mais vantajosa para os cidadãos dos municípios envolvidos e para todo o país.
Ao longo dos últimos anos e muito recentemente, temos vindo a pagar bem caro a nossa dependência do petróleo (combustível fóssil, portanto, esgotável e altamente poluente). O mercado liberalizado centrou a regulação dos preços das matérias-primas na premissa oferta-procura. Esta lógica de mercado globalizado, após o 11 de Setembro, teve como consequência as osciliações tendenciosamente inflaccionista da cotação do preço do crude e, o consequente aproveitamento especulativo pelas entidades de produção e distribuição. Todo o sistema económico a nível mundial ficou em alvoroço. Como era de esperar, as economias mais frágeis e dependentes desta fonte de energia ficaram estranguladas (Ex: Portugal)
Embora a cotação do petróleo tenha vindo a cair vertiginosamente face à crise financeira mundial e em consequência da diminuição da procura, uma inversão rápida desta tendência, traduzida numa nova subida vertiginosa, é possível, real, e de recear. Poderemos entrar em colapso energético, e isso será a crise a bater à porta até dos ricos e milonários. Sem energia não há nada! Com um cenário destes correríamos o risco de nem pão nem leite termos à mesa para comer. Por estes e outros motivos, Portugal e a UE (altamente dependentes do ouro negro), deverão continuar no reforço ao desenvolvimento e implementação de energias renováveis, cujas matérias-primas são inesgotáveis e ao mesmo tempo, traduzem energia menos poluente e amiga da natureza. A altura de avançar é agora, não podemos esperar mais e sustentar os caprichos do mercado capitalista.
Falou-se não há muito tempo, na possível construção de um central de energia nuclear em Portugal. Não conheço a viabilidade do empreendimento, mas matéria-prima temos no nosso país. Talvez faltem técnicos e tecnologia adequada para a construção/funcionnameno/manutenção. Para isso o Estado tem de incentivar as Universidades ao desenvolvimento destas tecnologias. Não "engulo" os ambientalistas em protesto contra a energia nuclear, porque esta é limpa, e embora o "fantasma" de Chernobyl paire na cabeça da maioria das pessoas, é bom lembrar que o desastre nuclear se deveu a erro humano, idiota e grosseiro. Desde então não me recordo de mais nenhum acidente nuclear em todo o mundo. Pela lógica ambientalista teríamos de obrigar Espanha a desactivar as suas centrais nucleares implantadas nas proximidades do nosso território. Outras formas de energia têm vindo a ser faladas, como a fotovoltaica, a geotérmica, a das marés, etc. Ontem na conferência sobre a Barragem do Fridão falou-se na incapacidade de massificação da energia fotovoltaica, por ser ainda demasiado cara e pouco rentável. Não contesto porque não sou especialista na área, mas não entendo como é que o governo central se prepara para incentivar a independência energética dos lares, através da instalação de paineis de células fotovoltaicas!? Suponhamos que todos os fogos habitacionais instalam os ditos paineis solares ficando autosuficientes do ponto de vista energético, isto não será uma massificação desta forma de energia?!
O importante será mesmo pensar numa alternativa ao petróleo. A energia tem de ser limpa e inesgotável, seja ela solar, eólica, das marés, geotérmica, hidrogénio ou outra qualquer. Os Governos e as Universidades terão de unir forças para desenvolverem novas tecnologias de produção e aproveitamento energético.
Um último factor de grande relevo passa pelo uso e rentabilização da energia. Os portugueses não sabem poupar energia nem rentabilizá-la. Novas medidas têm sido anunciadas pelo governo no sentido da poupança energética, quer pelo isolamento térmico dos lares, utilização de electrodomésticos classe A, lâmpadas económicas, até ao lembrar de apagar a luz quando não está a fazer falta. São medidas que eu aplaudo. Contudo, falta o mais importante, que é fazer chegar a mensagem às pessoas o mais rapidamente possivel. À semelhança dos ecopontos ecológicos espalhados por todo o país e que são um enorme sucesso, a meu ver, as escolas deveriam ter um papel fundamental neste sentido, que não se traduzisse apenas em campanhas, mas também, no ensino em salas de aula e actividades curriculares. As crianças adoram estas actividades e certamente seriam as primeiras a aderir e a passar a mensagem. A televisão é talvez o meio-de-comunicação mais eficaz para informar as populações. Mensagens curtas transmitidas diariamente em horário nobre, encurtanto os enfadonhos anúncios publicitários, certamente teriam grande sucesso neste sentido. Se os ecopontos foram um sucesso, a poupança e rentabilização energética também será. Eu acredito.

Reciclagem/rentabilização do meio (VI)

Nos últimos anos o planeta inteiro viu o seu desenvolvimento económico centrar-se no mercado do crédito. O dinheiro foi o principal produto mercantilizado pelas sociedades globalizadas. E aqui residiu o erro. Entristece-me ver países económicamente fortes que agora estão na banca rota financeira, como é o caso da Islândia. Um pouco por toda a Europa o cenário é semelhante. Portugal desde os anos 90 até aos dias de hoje viu o seu crescimento económico basear-se no crédito ao consumo. A fácil acessibilidade a empréstimos, as reduzidas taxas de juro e a "febre" do consumismo, levaram milhares de cidadãos a contraírem dívidas. Um dos problemas que poucos sabíam é que muito do dinheiro que nos estavam a emprestar era dinheiro estrangeiro, e dinheiro virtual, isto é, dinheiro que ainda nem sequer existia (especulação). Dinheiro virtual atrás de dinheiro virtual, obrigou os bancos centrais a subirem as taxas de juro, sugando o orçamento das famílias portuguesas que inocentemente foram contraíndo dívidas à banca, pensando que tinham orçamento para as liquidar. Mais tarde ou mais cedo a crise teria de bater à porta. O panorama agora é um pouco diferente, as taxas de juro desceram mas muitos cidadãos não têm dinheiro para saldar as dívidas. Uns porque contraíram créditos em demasia e outros porque estão desempregados e não têm fontes de rendimento.
Por sua vez, as ajudas do Estado à banca foi outra temática fortemente badalada na comunicação social. A generalidade dos economistas afirmou que as injecções de capital nos bancos por parte do Estado, eram essenciais para salvar o sistema financeiro. Contudo, o caso BPN e outros, alteraram profundamente a visão que tínhamos da banca e, lançou o rastilho para que os avales do Estado fossem fortemente criticados. Como referi no post anterior, não sou economista nem especialista em finanças, apenas espero, como a generalidade dos portugueses esperam, que as ajudas do Estado à banca se traduzam em ajudas para as empresas e para toda a população em geral.
Penso que a sociedade tem de procurar poupar dinheiro e também recursos. Não faz sentido vivermos uma vida inteira usufruindo de bens materiais à custa de créditos. Se não temos dinheiro para suportar luxos, então não tenhamos luxos. Se quisermos luxos, devemos poupar para os ter, e não contrair dívida. A acessibilidade aos créditos deverá ser apertada e rigorosa. E os mesmos deverão ser reservados a bens essenciais ao nosso quotidiano e ao investimento sustentável.

Reciclagem/rentabilização do meio (V)

A baixa de impostos tem sido muito apregoada pela oposição política e recusada pelo governo vigentes. Confesso que não percebo muito de economia e nem sequer vou arriscar opinar muito sobre o assunto. Porque quando não se sabe mais vale estar calado. O que me parece é que temos impostos a mais traduzidos em taxas disto e daquilo, que somados e de forma subtil, ao fim do ano, representam meses de salário pró galheiro. IVA, IRS e IRC são apenas alguns tentáculos do polvinho que se cola e suga o rendimento dos contribuíntes. Há impostos a mais mascarados em taxas, que talvez merecessem uma redução. A medida recentemente anunciada pelo Governo em subir a carga fiscal àqueles que têm mais rendimento é de louvar, mas peca por tardia. Um governo socialista deveria ter essa medida na sua agenda desde o início da legislatura, e não agora. Exige-se que a avaliação dos rendimentos seja clara e totalmente abrangente, não ficando alguns privilegiados a contribuir o mesmo que a classe média. O combate à fraude e evasão fiscal também deveria ser mais apertado. A ASAE pode ter um papel fundamental em auditorias e fiscalizações financeiras às empresas.

13 fevereiro 2009

Reciclagem/rentabilização do meio (IV)

E porque não em vez do TGV reabilitar a ferrovia do interior e recuperar as linhas obsoletas um pouco por todo o país? O TGV vai servir quem? qual vão ser os preços dos bilhetes médios para um trajecto de 300 km? A nossa sociedade terá condições económicas para usar este meio de transporte caprichoso? ou será só para alguns abonados? Será justo que a única plataforma de comunicação eficiente no interior seja a rodovia? Não teremos já auto-estradas suficientes? daqui a pouco chegamos às A100 ou A200! muitas delas a pagar preços mais do que injustos para as condições socio-económicas dos seus utilizadores. Não seria melhor parar com as Auto-estradas e começar a pensar em recuperar e modernizar as Estradas Nacionais e secundárias, canalizando e distribuíndo o investimento um pouco por todo território. É que quem circula pelas várias estradas do país sabe que os amortecedores do automóvel não duram muito. O novo aeroporto parece-me uma escolha mais acertada. Não vou debater o timing, o projecto em si, nem a localização Ota/Alcochete. Prefiro deixar essa temática para os técnicos. No entanto, parece-me uma obra estratégica para o país, sendo que Portugal está geográficamente bem localizado para aumentar e desenvolver o tráfego aéreo entre (Europa-África-América). A par disso, a criação de postos de trabalho adjacentes a este investimento, pareça ser real e sustentável à primeira vista.
A nova ponte sobre o tejo é mais uma podazinha mal feita à nossa árvorezinha. Actualmente resido em Lisboa e sei as dificuldades de mobilidade das pessoas na sua área metropolitana. A nova ponte sem dúvida que é necessária, mas não irá resolver o problema de base (mobilidade). O problema da área metropolitana de Lisboa é a centralização do mercado de trabalho e dos serviços na urbe da cidade, deixando as cidades periféricas comportartem-se como autênticos dormitórios. Ainda que o sistema de transportes seja razoavelmente bom quando comparado com o resto do país, ele é insuficiente para a rede lisboeta. Por outro lado, as rendas e os preços dos imóveis na urbe são astronómicos, o que leva os cidadãos a optarem por residir nas periferias. Mas como as cidades periféricas oferecem poucas oportunidades de trabalho, as populações são obrigadas a mobilizarem-se da periferia para a urbe e da urbe para a periferia (É tipo um funil ou efeito de gargalo). Em média entra 1 milhão de habitantes na cidade de Lisboa todos os dias (dias úteis, penso eu). Seria mais vantajoso alargar a rede de transportes na periferia e descentralizar o mercado de trabalho, bem como, ajustar os preços dos imóveis e o mercado de arrendamento na urbe.
Quanto às barragens hidroeléctricas apenas as compreendo para armazenamento de água doce, e nada mais. Estas deveriam privilegiar zonas susceptívis à seca, como o Sul do país. Do ponto de vista ecológico e de impacto ambiental não são a melhor solução. Do ponto de vista energético também não traduzem a eficiência energética necessária. Pergunto, para que andámos a investir na energia eólica sendo pioneiros no esforço para desenvolver energias renováveis? Para agora investir numa forma de energia do século passado?! Retrocesso?! Que estão à espera para incentivar a energia solar, ou das marés (não poluentes), cuja matéria prima abunda no nosso país? E porque não incentivar/educar os portugueses para a poupança e eficiência energética? Não será já tempo do ensino e educação centrarem esforços neste sentido? Quanto a uma candidatura portuguesa à realização do mundial de futebol 2018, prefiro nem comentar, porque os portugueses gostam demais de bola e, certamente não iam apreciar aquilo que eu ia dizer. Apenas deixo uma dica. Pensem que há muitos desportos para além do futebol, desportos esses com enorme potencial de desnvolvimento no nosso país e, esquecidos ao longo dos tempos. Depois não chorem por medalhas aquando da realização dos Jogos Olímpicos.
A prioridade do investimento público deveria ser a reciclagem/restauração do velho, com sentido de modernidade. Aquilo que não é passível de reciclar, então que se faça novo, mas de forma sustentável, e ao mesmo tempo expandível e adaptável à evolução.
Porque é que o Estado não centra o investimento na recuperação/modernização e adaptação das infraestructuras públicas obsoletas? bibliotecas, escolas/universidades, hospitais, estradas, arruamentos, passeios, jardins/parques, centros e patrimónios históricos, que são usados por todos e para todos. Com pequenas obras aqui e ali, traduzir-se-ia uma grande obra, que seria a promoção da equiadade, e a justa distribuição dos recursos financeiros e de desenvolvimento em Portugal. Que haja vontade política e social para se podar bem as árvores e revitalizar o seu desenvolvimento, para que estas rejuvenescidas plantas germinem por todo o lado e carreguem a esperança de uma vida melhor.

Reciclagem/rentabilização do meio (III)

O investimento público tem sido apontado por vários especialista de todo o mundo como uma das medidas prioritárias para combater a crise. Mas que tipo de investimento público??? No meu entendimento classifico o investimento público em dois tipos: o investimento que serve as oligarquias e/ou determinadas classes sociais (os megalómanos) e que centralizam o monopólio financeiro; e o investimento mais diversificado e abrangente que serve a sociedade em geral, distribuindo de forma mais igualitária os dinheiros públicos pelo território e pelas empresas (descentralizando o capital). Os países altamente desenvolvidos e ricos reservam o luxo de investirem em obras megalómanas, porque o dinheiro dá pra tudo. Mas Portugal definitivamente não é um país rico.
Ouço falar em obras públicas como o TGV, a nova ponte sobre o tejo, o novo aeroporto, as novas barragens hidroeléctricas, e até uma candidatura conjunta com Espanha para o mundial de futebol em 2018, etc. Cabe a cada um dos leitores defenir no seu pensamento o tipo de investimento em que cada obra se insere. Na actual óptica política, estes investimentos têm sido justificados como impulsionadores da economia, quer por reacenderem a "chama" económica, quer pela reabilitação da construção civil (um dos sectores em crise), quer pela criação de postos de trabalho, consequentemente. As minhas questões são: o que se vai fazer depois das obras megalómanas estarem concluídas? Vai se gastar o carcanhol, e depois de concluídas, as empresas vão fazer obra aonde e em quê? e com que dinheiros? se nem a Banca nem o Estado têm dinheiro!? Talvez abram falência arrastando consigo os funcionários para o desemprego, que no fundo é uma repetição do que nos está a acontecer e do que temos vindo a fazer. Que sustentabilidade é esta?!

Reciclagem/rentabilização do meio (II)

Desemprego, investimento público, baixa de imposto, ajudas à banca, sustentabilidade energética, entre outros, têm gerado muita controvérsia. Aplausos para os governantes que tanto dizem e fazem para pouco ou nada alterar. Já que a Primavera está a bater à porta, é necessário podar as plantas, mas podá-las bem. O que os governantes têm feito é podar aqui e ali, enxertar aqui e acolá, negligenciando a raíz. Se a raíz está podre mais vale cortar a árvore de vez e plantar uma nova. Não vale de nada podar uma árvora que está a morrer. Da mesma forma, é contraproducente e inglório resolver problemas ramificados sem se tratar a raíz dos mesmos.
O desemprego é uma realidade muito presente. A tecnologia tem vindo a substituir a mão-de-obra humana nos vários sectores laborais, como forma de aumentar a produtividade, os lucros e a comodidade do trabalhador. A tecnologia tem de passar a ser vista como um aliado da humanidade e não como um substituto a tempo inteiro. A ciência é maravilhosa mas a sua aplicação pode ser devastadora.
A tecnologia deveria centrar o seu desenvolvimento nas tarefas que o ser-humano não consegue executar ou no aperfeiçoamento das mesmas, bem como, na rentabilização dos recursos materiais. Por outro lado, a tecnologia tem centrado os seus esforços na rentabilização dos recursos humanos (errado).
Com tanta tecnologia disponível parece-me que temos empresas a mais em determinados sectores de capital, e a menos em sectores fundamentais ao bem-estar social. O curioso é haver tanta concorrência empresarial nos primeiros e os preços do produto final serem tão elevados e aproximados entre si (especulação financeira?!?!?!). Tendo em conta esta perspectiva, não me admira a falência de algumas empresas, que apesar de venderem os seus produtos ao preço de mercado, acabam por não ter lucro suficiente, quer pela pouca tecnologia que empregam, quer pela fraca formação dos seus funcionários, quer pela fraca capacidade de negociação das matérias-primas, ou pela elevada carga fiscal... Assim sendo, talvez a falência de empresas seja inevitável e talvez não valha a pena perder tempo à procura de soluções para reabri-las ou salvá-las. Mais vale cortar a árvore.
Sugestões dos meus neurónios - Talvez seja utópico ou surreal, mas seria importante que empresas falidas que derivaram deste modelo financeiro/económico (produção/consumo de bens materiaris) fossem dando lugar a empresas com um carácter diferente do actual, mais centrado no ambiente, na eficiência energética, no bem-estar, no lazer, na cultura, nos costumes e, na reciclagem do que é velho, com sentido de modernidade. A sociedade tem efectivamente de reflectir sobre os recursos que tem, aproveitando as capacidades físicas e intelectuais de cada um para criar algo diferente, que seja sustentável e, que ao mesmo tempo sirva a sociedade em geral. O importante é fazer-se bem feito, gostar daquilo que se faz e, procurar sempre melhorar para se ser competitivo, crescer e regenerar a empregabilidade do país.

Reciclagem/rentabilização do meio (I)

Nos últimos meses muito se tem falado em crise finaceira/económica, na falência de empresas com o consequente aumento do desemprego, nas taxas de juro, no crédito mal parado, em Barack Obama, etc. Ouvimos debates atrás de debates, semanas após semanas, carregados de parcialidade política, envoltos em ressabiamentos que mais parecem uma matilha em que todos ladram e nenhum tem razão. Por vezes dou por mim a perguntar que futuro social nos está reservado?! Já me resignei, de certa forma, quanto às perspectivas económicas futuras. Mas o que eu não consigo "engolir" é a crise socio-política em que estamos enclausurados. Será que é tão dificil a humanidade entender que a recuperação económica só é possivel com uma modificação das nossas relações em sociedade e em política?! Estamos a atravessar um dos maiores desafios dos últimos cem anos e nem assim a sociedades procura sentar-se à mesma mesa para dialogar. Sim, dialogar e não monologar, que é que o que se tem feito em cimeiras disto e daquilo, e reuniões G 7, G 8, G 20, ou G não sem quantos.
À escala nacional o cenário é muito semelhante. Os debates na AR parecem debates dos parlamentos asiáticos, nos quais se fazem insinuações, insultos e ataques pessoais, como forma de mascarar a imcompetência governativa e de oposição (só falta partirem para a violência). Perdem-se horas na AR em discussões periféricas e azedas, deixando as questões centrais para segundo plano. A direita e a esquerda nunca estiveram de acordo em nada, muito menos estarão em ano de calendário eleitoral. A direita parece um deserto árido e seco. A esquerda parcece um mar dividido no qual se navega sem bússola.
Seria importante os políticos esquecerem um pouco as orientações partidárias e os estudos estatíscticos (que actualmente pouco espelham a realidade), e olharem à sua volta, sairem dos ministérios e da AR para começarem a percorrer o país de Norte a Sul e de Este a Oeste, para verem realmente onde estão os nossos problemas de base e as nossas esperanças (têm uma boa oportunidade quando começarem as campanhas eleitorais). Olhar global é ser-se justo e inteligente. Chega de centralismo capitalista. Seria importante pensar menos no dinheiro e mais nos recursos que temos ao nosso dispor para fazer dinheiro e sair deste fosso. Depois disso reunirem-se na AR com sentido de Estado, para conversarem sobre as soluções para o futuro, mandando pelo autoclismo todas as barreiras idelógicas que tanto ódio e ressabiamento têm gerado.