Mostrar mensagens com a etiqueta Baixo Tâmega. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Baixo Tâmega. Mostrar todas as mensagens

13 março 2010

"Eco-treta" em ciclo no Tâmega

Entre Amarante e Celorico de Basto a antiga linha do Tâmega (pelo menos o que restava dela) está soterrada. É o princípio do fim. Entenderam os governantes que uma "ciclo-eco-pista" entre Amarante e Arco de Baúlhe era um passo de modernidade e de sofisticação na mobilidade e lazer dos habitantes do Tâmega. E a coisa está a nascer. Pois, na malha urbana, intensa e densa entre Amarante e Arco de Baúlhe, a obra, a essencial obra, para promover o turismo e o lazer no Tâmega é sem dúvida a construção de uma "Ecopista". Claro, que os habitantes do Tâmega enjoados de betão e na falta de alternativas para o pedestrianismo e ciclo-turismo acorrerão em massa à prometida "Ecopista do Tâmega".

Considero que umas das piores decisões políticas na região de Basto fora o abandono da linha ferroviária do Tâmega. As vantagens deste transporte são evidentes e muito enunciadas. Basta comparar o bom exemplo espanhol nas zonas em que o tipo de linha, orografia e composição geográfica são em tudo idênticas ao Norte do País e em particular à Região de Basto, para termos a simples noção que aposta na reabilitação da linha do Tâmega é uma aposta ganha. Bastava ter uma visão global, ecológica e estratégica e os nossos governantes nunca abandonariam o projecto de reabilitação da linha do Tâmega. Mas não, estes seguem a linha dos congéneres nacionais: estrategicamente "cegos" e presos aos seus interesses. Preferiram substituir a linha ferroviária por uma "Ecopista" que atravessará uma zona predominantemente rural. Um contra-senso, na minha opinião. Tendo em conta que a reabilitação da linha ferroviária teria (a grosso modo) um custo dezenas de vezes inferior ao custo da construção da "Ecopista" e as "maiores" vantagens sociais e económicas para as populações abrangidas e todo uma região, a consideração que tenho por estes governantes raia o insulto. Enfim, deixo aqui uns dados apenas para corroer e revoltar mais um pouco:

Linha do Tâmega
Arco de Baulhe a Amarante (cerca de 39Km)
Projecto do Graham Garnell e grupo PTG:
Investimento necessário para a reabertura (1999): 100.000 Libras
Investimento necessário (em 2007): 600.000€
Investimento por Km: cerca de 15.000€/Km

Ecopista do Tâmega
(entre a estação de Amarante e o apeadeiro de chapa)
14 km de extensão por 3,5m de largura
inclui arranjo dos espaços exteriores das estações
iluminação entre Amarante e Gatão (6km)
custo: cerca de 2 milhões de euros (2.000.000€)
custo/km: 140.000€/km


dados retirados daqui.

06 março 2010

Já nos obrigam a ir para rua gritar

É por tudo. Dia 13 de Março irei a Amarante participar na manifestação "+barragens?Não!". Expressar a nossa opinião na rua será mais um passo para impedir aquilo que os governantes nacionais e locais aliados às empresas de produção de energia pretendem: a construção de cinco grandes barragens para a bacia do Tâmega.

30 dezembro 2009

Killing me softly

O jornal «Ecos de Basto» tem como notícia de capa uma entrevista com um administrador da EDP. Interessante a entrevista, com perguntas bem colocadas e com respostas, como não poderia de ser, bem calculadas. O título da entrevista é sintomático: «Barragem de Fridão apresenta-se como oportunidade de desenvolvimento». Convém, relembrar, que todo o «desenvolvimento» que uma barragem poderá trazer (com efeitos prolongados) é quase nulo. Isto é, por si só, uma barragem (empreendimento físico) não trará qualquer desenvolvimento para a terra que a acolhe. Contudo, o «desenvolvimento» é impulsionado com projectos à parte da construção da barragem. Estes mesmos projectos (de índole turística) seriam grandemente valorizados se fossem implementados sem a construção da barragem e sem a implosão do ecossistema do Tâmega.

É assim, o conjunto de governantes e políticos (e a população, para bem da verdade) só pensam (ou exigem) projectos e promessas de desenvolvimento em troca de algo que não se troca. Estamos na iminência de vender o Tâmega por meia dúzia de tostões, falsas promessas e com o aval dos políticos e governantes locais como, também, da desinformada e desinteressada população.

Sobre o resto gostaria de frisar que este jornal nunca expôs, nem uma linha, os contras dos empreendimentos destinados a arruinar o Tâmega. E foi notificado para tal mas, tal como as notícias do desagrado e incómodas, ficam relegadas às reuniões de direcção e para escárnio interno. Sem dúvida, um jornalismo de causas.

24 dezembro 2009

[Considerações sobre o evento] «Impacto das barragens no vale do Tâmega»

Assisti, em Arco de Baúlhe no passado dia 18 de Dezembro, ao evento «Impacto das barragens no vale do Tâmega». Foram cerca de duas horas em que os oradores tentaram esclarecer o auditório sobre as causas e consequências das barragens a construir na bacia do rio Tâmega. Muito se poderia escrever sobre o que lá se disse, contudo gostaria de partilhar apenas algumas considerações que os oradores expuseram:

José Emanuel Queirós (MCDT) salientou, como exemplo, o estado da albufeira da barragem de Torrão. Esta apresenta níveis de eutrofização preocupantes que consubstanciam uma água deplorável. Um sinal do estado ambiental que pode ser multiplicado por seis(as barragens a construir na bacia do Tãmega). Afiançou, mais uma vez, que «se a Lei for cumprida, as barragens previstas para a bacia do Tâmega não serão construídas». Uma frase forte e factual ( suportadas pela legislação portuguesa e comunitária e também pelo relatório,de uma entidade independente encomendado pela União Europeia, que avaliou o plano de barragens).

O professor António Crespí (UTAD) abordou a questão dos Estudos de Impacte Ambiental não preverem como alternativa (pois a legislação obriga a apresentação de alternativas caso sejam identificados problemas) a não construção das barragens. O que implica que caso o estudo de impacte ambiental conclua que a barragem a construir será um apocalíptico empreendimento para aquela região e população, o estudo apenas poderá apresentar como alternativa o «melhor apocalipse», sem considerar que este não possa acontecer. Em tom irónico, penso eu, António Crespí rematou que era a favor de todas as barragens por um conjunto de razões: nós (habitantes do Tâmega) não respeitamos nem merecemos a riqueza e a diversidade biológica das nossas terras e que «vendemos barato» às concessionárias.

João Branco (Quercus) enfatizou as causas para que um plano de barragens tão deficiente e inconsequente continua a sua senda. Relembrou o facto do actual governo ter «encaixado» mil e trezentos milhões de euros (com este plano) no orçamento de 2008, sendo a causa principal para que o défice orçamental ficasse abaixo do patamar dos 3 por cento(imposto pela UE). Reforçou, ainda, que as alternativas às barragens passarem pela aposta na eficiência e poupança energética (é estimado que em Portugal haja 30% de energia gasta desnecessariamente). Logicamente, as empresas de produção de energia não se interessam por isso mas sim em capitalizar a sua produção, em causa está a rentabilidade.

A rematar a sessão foi lançado o repto para transportar até à justiça as razões apresentadas, como forma de impugnar o que o Programa Nacional de Barragens trará para esta região. Aqueles que as apresentaram são simples cidadãos, não podendo combater na luxuosa justiça portuguesa. A razão não vinga sozinha, e neste ponto o apoio de uma câmara (pois tem um conjunto de privilegiados meios de acesso à justiça) seria essencial. Contudo, mesmo com os argumentos apresentados por vários movimentos serem corroborados por entidades externas que avaliaram o plano e os factos falarem por si, não há (fora o partido "Os verdes") nenhum partido político ou entidade governativa que seja publica e vigorosamente contra este plano.

A sessão correu bem, embora a temperatura local não ser a desejável (alguém esqueceu-se de ligar o aquecimento). No entanto sentiu-se a falta dos representantes das entidades políticas e governativas locais. Em concreto, não se viu qualquer representante partidário ou da Junta de Freguesia de Arco de Baúlhe (onde o evento realizou-se) e muito menos da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto. Este foi um evento, realizado pela sociedade civil e com um tema importante, que não mereceu o destaque governativo e político. Se calhar o repasto e as felicitações natalícias são temas muito mais interessantes nos afazeres da política e governação.

Para finalizar, gostaria de felicitar o Vítor Pimenta pelo trabalho efectuado. Ele organizou e preparou, praticamente, todo o evento. Que correu de um forma exemplar.

Este evento foi uma prova do que a sociedade civil cabeceirense pode mexer, sem protecção ou estimulo externo. Haja iniciativa.

post scriptum: podem ouvir (quase integralmente porque faltam os quatro minutos finais) o registo áudio da sessão neste sítio: Movimento Cidadania para o Desenvolvimento do Tâmega.

11 novembro 2009

Há mais de um ano que discutimos o lado real do Plano Nacional de Barragens e no entanto o governo e os seus dependentes locais...

Não há volta a dar. Agora não são os movimentos de insurgentes que o dizem. A União Europeia confirma a péssima decisão do governo e a ignorante complacência dos fiéis autarcas. Cada vez mais me convenço que o voto de protesto apresentado em Dezembro último na assembleia de freguesia de Arco de Baúlhe, contra os azeites de alguma gente, foi muito bem aprovado. À atenção dos novos e dos velhos protagonistas da política da Região de Basto. in [O Mal Maior]

O Programa Nacional de Barragens pode estar em causa. A Comissão Europeia encomendou um estudo a uma entidade independente e os resultados revelam que o Estado Português avaliou mal os impactos e a verdadeira necessidade destas barragens. O Governo já adjudicou grande parte das barragens e arrecadou mil 383 milhões de euros mas arrisca-se a ter de devolver o dinheiro. in [SIC Online]

O vídeo:

Adenda: para mais informações consulte o sítio de discussão do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega e a petição "anti-barragem" «Salvar o Tâmega e a vida no Olo».

25 setembro 2009

Finalmente, há um partido político que assume o evidente: o não à barragem de Fridão

Pode-se ler no programa eleitoral do Bloco de Esquerda:

« CANCELAMENTO DA CONSTRUÇÃO DAS BARRAGENS DO RIO SABOR, TUA E FRIDÃO

A barragem prevista para o rio Sabor, o último rio selvagem em Portugal, é irrelevante para a produção de energia eléctrica, não serve para o abastecimento humano ou para a irrigação de campos agrícolas, não terá um contributo visível no cumprimento das metas nacionais estabelecidas no Protocolo de Quioto nem sequer serve para a regularização dos caudais do Douro. Deve ser por isso cancelada. O mesmo se aplica à barragem do Tua, que destruirá uma via-férrea histórica única, e à barragem de Fridão, que afecta gravemente a população de Amarante.» via [Por Amarante Sem Barragens], com o aviso de Dario Silva.

03 julho 2009

"A luta continua"

Uma delegação do Movimento para Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega irá reunir-se com o Presidente da República para apresentar os argumentos que fundamentam a recusa de aceitar a construção de mais barragens no rio Tâmega. Um interessante passo, quando a nível local e regional os governantes pouco se preocupam em ouvir o outro lado das barragens. Prioridades.

Adenda:a petição: contra as barragens no rio Tâmega.

26 abril 2009

Valdemar Abreu

«Desde a primeira hora esteve associado à nossa luta no Tâmega e sempre pronto para o que houvesse a empreender. O seu exemplo fica na memória de quem o conheceu pela coragem e pela firmeza de posições ante a maior das adversidades. O vazio que deixa entre nós não tem reparação e a sua partida súbita do nosso encontro é sentida como um membro muito próximo da nossa família.» [José Emanuel Queirós]

Tal como o Vítor, tive o prazer de conhecer Valdemar Abreu numa breve incursão que fez por Cabeceiras de Basto. Conversámos e de imediato apercebi da sua maneira de estar e, principalmente, da sua maneira de pensar. Um "estilo" que não é comum (infelizmente) por estas terras. Por isso, e não só, com o sentimento que brota destas situações, faço assim a minha consideração a um Homem que viveu da e pela Terra.

25 abril 2009

[Textos de Abril] A opinião de José Emanuel Queirós

CONVOCADOS A CUMPRIR ABRIL PELOS CONCELHOS DO TÂMEGA

Enquanto o tempo não abranda a marcha e não há forma estudada de evitar a sua erosão, o dia que hoje passa é feriado nacional no meu país.

A Primavera corre cíclica sem repetir outros Abris, e já somam 35 os anos sobre o fim das ‘conversas em família’.

Há mais gente a viver em Portugal e no mundo, mais de tudo, mas há menos Homem no viver por todo o lado que vejo, menos conversas e menos família.

O céu está encoberto por nuvens de tons inofensivos de que eu não gosto, apesar de algumas abertas que não deixam ver o sol, e já esteve mais ameno em Março. O vento, embora brando, sopra que parece querer cortar a alma aos inocentes com flores de jardim ao peito.

Não sei exactamente o que falhou, hoje que é sábado e é dia 25 deste Abril, se foi o tempo ou se foram as previsões dos homens, porque a meteorologia anunciava quedas de granizo.

Gosto das flores silvestres que despontam nos campos de verde viçoso, dos tons da urze, da giesta e da carqueja a florir nos montes, sorrindo para mim com alegria da vida que se faz plena ao sol-pôr. Também gosto das flores de jardim, mas exigem mais cuidados do que a natureza dá, e sucumbem mais às vaidades, às tradições e ao gesto irreflectido de quem passa.

Afastado da sombra de Amarante no rumo de Basto, depois de evitar Cabeceiras ofegante, pelas alturas da Cabreira, subido a Riodouro ao lugar de Moscoso, lá para os confins de Nariz do Mundo a ver terras de Montalegre, onde o tempo mais compassado usa outros mecanismos de contagem, respirando a pureza dos finos ares da serra tem valor verdadeiro o sopro da liberdade que ainda não desceu a encosta.

Se em cada um há consciência de haver um Homem novo e se em todos se projecta a esperança de emendar a revolução frustrada e os erros, tanto basta para termos outro Tâmega e fazermos desta terra outro país de novos Homens noutro Abril.

25 de Abril de 2009, José Emanuel Queirós

[Textos de Abril] A opinião de Alfredo Pinto Coelho

“ Salvem o Quilhão” ( parte 2 )

Engraçado, como eu , que senti a sensação de ter sido progressista, quando escrevi o artigo intitulado “ Salvem o Quilhão”, passei ,num ápice, para alguns, para o rótulo de conservador , de retrógrado, de alguém que é contra o progresso, contra o desenvolvimento.... Por ter tido a coragem de exprimir publicamente aquilo que sentia? Por me “despedir” do meu Rio, recordando o tão importante que ele foi para mim ao longo do meu crescimento como pessoa e como cidadão?

Desse sentimento expresso, qualquer bom entendedor perceberá, que se tratou, tão só, de um preâmbulo à mensagem que pretendia transmitir.

Por me ter dado ao “trabalho” de estar atento, de ler, de estudar, de participar nos debates sobre o tema da barragem de Fridão; de ter estado em contacto com professores universitários para tentar aprender mais, para tentar perceber o que vai implicar a mudança que se perspectiva para a minha terra ?

Por achar que (tal como a canção ) : “ para melhor,... está bem, está bem!..para pior, ....já basta assim! ? Engraçado, de facto! Para mim, ser conservador é outra coisa. Para mim, ser progressista é também outra coisa. E para que conste, afirmo que das duas filosofias ou concepções, partilho ideais. Vamos por partes:

1- Não considero que a albufeira que se vai formar pela barragem que está programada para Fridão, e que afectará Mondim, seja uma mais valia para a minha terra em nenhum dos aspectos que, implicitamente, estão em causa como sejam: a alteração da paisagem, a alteração (para pior )da qualidade da água do Tâmega e a consequente alteração ( para pior) na qualidade de vida das populações. Se isto é ser conservador, então eu sou conservador.

2- Para chegar a tal conclusão ( até prova em contrário..), dei-me ao “trabalho” de estudar, de visitar locais, de ouvir, de ler...

3- Em abono da verdade, cada um ouve ou lê o que quer; cada um interpreta como quer; cada um acredita no que quer. Eu acredito no que disse. E até prova em contrário, não embarco em interesses partidários ( porque não sou filiado em nenhum partido), em interesses económicos ou, mais importante ainda, em aceitar as mudanças sem sentido crítico.

Porque não gosto de ser como que mais uma “ovelha” dentro do rebanho, que tudo aceita, que tudo acha como inevitável quando vem de cima. E porque considero que, enquanto cidadão, tendo direitos e deveres, não abdico deles quando estão em causa questões tão importantes como seja, no caso em apreço, a maior alteração física (e por conseguinte ambiental ) que a minha terra vai sofrer nos 48 anos da minha existência. Não represento, além da minha pessoa, nada nem ninguém.

Sou simplesmente um mondinense, não filiado em nenhum partido político, mas que considera que em democracia não são só os partidos políticos que têm direito a ter opinião nem tão pouco os governantes, sejam eles ao nível nacional, regional ou local.

Mal está a sociedade, quando a democracia se reduz a tão pouco.

Texto escrito em 24 de Abril de 2009 e retirado de O Chato e de Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega.

03 abril 2009

A ler

José Emanuel Queirós, escreve um interessante texto sobre algo que me preocupa e que, pela amplitude dos factos, deveria preocupar muitos mais: BARRAGENS NO TÂMEGA - COM ESCLARECIMENTO E PREOCUPAÇÃO.

31 março 2009

Uma tentativa de esclarecimento

Na passada Sexta-Feira, realizou-se em Mondim de Basto uma conferência que serviu como uma sessão de esclarecimento relativamente ao Estudo de Impacte Ambiental. Devido a um compromisso, não pude estar presente na referida sessão organizada pela Junta de Freguesia de Mondim de Basto.
Convém realçar a posição institucional da Junta de Mondim de Basto em promover uma discussão sobre a problemática da barragem de Fridão. Sem "complexos" em apresentar a outra parte da problemática de Fridão. Para consulta, refiro alguns links de opiniões pessoais sobre a sessão de esclarecimento mondinense e a problemática de Fridão:

Fridão! Que ferida nos vão criar?!, a opinião de Rui Miguel Borges;

Impactes Ambientais, a opinião de José Nobre;

F(e)ridão Ambiental, a opinião de Carlos Leite.

A minha opinião sobre este tema continua "fixa". Penso que os factos dos "não benefícios" são suficientes para solidificar a minha opinião. Porém, a pergunta cívica se mantém: onde pára a maioria dos representantes e eleitos políticos (desta região) na senda para o esclarecimento sério e objectivo sobre os benefícios e malefícios do que nos reserva o «programa nacional de barragens»? Não querendo falhar na sentença, mas arriscando na mesma, alguns destes estão comprometidos com o sistema. Outros, mais calculistas e dissimulados, estão na cínica espera de qualquer contrapartida económica ou administrativa para posterior utilização eleitoralista ou pessoal. Contudo, haverá (penso que poucos) os "conscientemente contra" e, até, os "conscientemente a favor" da realização do "atentado ambiental". Mas algo impõe-se, as escolhas de hoje reflectir-se-ão no amanhã.

25 março 2009

Na senda do progresso, continuamos a querer andar de bicicleta enquanto o futuro deseja outra coisa (II)

O último resquício funcional da Linha do Tâmega encerrou. Políticos e políticas visionárias sobre a acessibilidade e mobilidade têm condenado a ferrovia em Portugal. De facto, há várias causas para esta situação, desde o eleitoralismo até à perspectiva económica.

Encerram-se linhas ferroviárias em Portugal devido a uma perspectiva económica sobre a mobilidade e transporte público, que deveriam, antes de mais, mobilizar e transportar em prol do beneficio comum e não sobre uma perspectiva económica. Mas esta situação ilustra bem o paradigma dominante das «políticas de futuro» em Portugal: tudo o que não tenha benefícios eleitorais e económicos no imediato não é ou não pode ser exequível. É assim que se perde oportunidades e condenada-se um desenvolvimento coerente e sustentável. Só há uma alternativa sustentável e progressista para ferrovia em Portugal: reactivação e o aperfeiçoamento das linhas. Caso contrário, arriscamos a ter um pobre e atrasado país rodoviário.

09 fevereiro 2009

Dar azo ao fundamentalismo (II)

Neste artigo de opinião na edição deste mês do jornal "Ecos de Basto" é exortado o "balanceamento" dos prós e contras da (mega)construção de cinco barragens para o Vale do Tâmega, previsto no "Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico". No entanto, o autor do artigo defende (como é legítimo) na sua opinião a ideia que a "Barragem de Fridão" é uma oportunidade. Na sua análise, o autor, baseia-se nestes argumentos:

1.«A barragem de Fridão, a construir no rio Tâmega, pela EDP Produção, próximo da cidade de Amarante, até 2016, terá uma potência nominal na rede de 250 mega watts e produzirá energia superior às necessidades da população dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto, Celorico de Basto e Ribeira de Pena»

Pois o objectivo primordial da construção da Barragem de Fridão é elevar o potencial de criação de energia hidroeléctrica. No entanto, somente para fins comerciais. Ou seja, a criação deste tipo de energia não estimula o "desenvolvimento sustentável" do país e muito menos da região. Para haver um "desenvolvimento sustentável" teríamos que apostar na eficiência energética (mais "barata" e mais ecológica). Portugal possui um potencial de "poupança" de energia em cerca de um terço dos nossos gastos energéticos, ou seja, desperdiçámos um terço da energia que consumimos. Porque é que o país não aposta em campanhas de sensibilização e promove planos de eficiência energética (em áreas como a construção de edifícios, indústria e agricultura etc.)? A título de exemplo, o presidente dos EUA, Barack Obama, no seu plano de investimento público prevê como estímulo económico o investimento público na área da eficiência energética, enquanto isto em Portugal o governo promove a displicência e nada faz para melhorarmos a nossa "factura energética".

A "criação" de energia a partir de barragens não é uma "criação" de energia "limpa" e renovável. No processo de criação de energia através de empreendimentos hidroeléctricos há a promoção do efeito de estufa (existem especialistas e estudos que apontam neste sentido), da perda de qualidade da água e da destruição do ecossistema. O que demonstra quão este tipo de energia é "suja" e "não-renovável" e não aquilo que nos querem "vender".

2.«Para além desta característica, que por si só é já muito importante, a albufeira abrangerá o território dos concelhos referidos, esperando-se que apareçam os empreendedores que façam deste projecto uma oportunidade para desenvolver as Terras de Basto.»

Uma oportunidade? Os empregos criados não irão servir os interesse das Terras de Basto, pois os empregos directos e indirectos criados na construção da Barragem serão temporários e "reservados" para as empresas de construção. Quanto a empreendimentos "à posteriori", nomeadamente relacionados com o Turismo, serão difíceis de se implementar. Pois, o Turismo em "albufeiras" para além de estar em "desuso" não são, por si só, apelativos. Teria-se de criar um outro tipo de apelo turístico. Mas estes poderiam ser criados sem a construção de "barragens". Veja-se o "boom" do ecoturismo e das vantagens (naturais) do turismo em rios selvagens, através de desportos radicais e planos turísticos baseados na qualidade ambiental. Contudo, não se "faz" uma barragem para se estar à espera de "empreendedores", porque o impacto de uma barragem na vida e na qualidade da população não é algo que se possa desprezar.

3.«Por outro lado, há muito tempo poderíamos estar a contribuir para a redução de emissão de CO2. Por isso, não sejamos fundamentalistas e procuremos tirar partido de todas as formas possíveis de criação de riqueza à volta deste empreendimento. .»

Mais uma vez, estudos académicos e vários especialistas apontam para uma significativa contribuição das barragens para o efeito de estufa. Nestes estudos, há quem afirme que certas barragens (nomeadamente aquelas que criam albufeiras extensas e pouco profundas) conseguem produzir tanto ou mais gases com efeito de estufa como centrais termoeléctricas movidas a carvão ou a gás natural. Neste caso, no Vale do Tâmega, Rui Cortes, professor de hidrobiologia da UTAD, refere que «"o Tâmega está altamente poluído. A albufeira de Fridão vai aumentar ainda mais essa poluição",» e destaca a acumulação de poluição nas albufeiras, responsável pela libertação de metano, um dos principais gases com efeito estufa.

Agora, como poderíamos tirar partido da criação de riqueza de empreendimento que irá destruir o ecossistema vigente, a qualidade da água e alterar a paisagem de um dos mais belos cursos de água do nosso país?

4.«Se temos no país um recurso natural magnífico, a água, e se temos uma orografia favorável ao aproveitamento desse recurso, através das barragens, o que se pergunta é: por que razão não aproveitamos anteriormente esta possibilidade? »

Reformulando: «Se temos no país um recurso natural magnífico, a água» e essencial à vida logo não o podemos tratá-lo deste modo. Como tal, o aproveitamento deste recurso através de barragens tem de ser muito bem equacionado. Contudo, para a preservação da água como bem essencial para a manutenção da vida, a construção de barragens deve ser evitado.

Dar azo ao fundamentalismo

«A Iberdrola vai construir, entre 2012 e 2018, quatro novas barragens que completam o desenvolvimento hidroeléctrico da Bacia do Douro. Segundo informação distribuída por aquela empresa o investimento rondará 1.700 milhões de euros e prevê a criação de 13.500 novos postos de trabalho directos e indirectos.» in [Ecos de Basto]

É comum na estratégia das empresas produtoras de energia, "lançarem" notícias propagandistas para captar a adesão da população (das áreas abrangidas pela implementação dos seus empreendimentos hidroeléctricos). Neste caso, não ponho em causa a veracidade dos números. Contudo, para um melhor esclarecimento deveriam afirmar o quão efémero é a criação de emprego neste empreendimento. Ou seja, estes 13.500 postos de trabalho são postos de trabalho "criados" na construção do empreendimento (engenheiros,trabalhadores da construção civil etc.), pois, actualmente, a maioria das barragens funciona com um ou nenhum funcionário (são operadas à distância).

Será que estas barragens criarão emprego no âmbito do Turismo? Não, à partida, pois o país está repleto de "albufeiras" desertas em que se "venderam" a ideia de que as barragens (e as consequentes albufeiras) impulsionariam o turismo.

Findada a construção, os postos de trabalho "a criar" desaparecerão tão rápido como brotaram de notícias para "instrumentalizar as populações" e assim ficaremos com estes "mamarrachos" como símbolos de tão apregoado desenvolvimento.

«O Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico prevê ainda a construção de mais seis barragens que virão a reduzir substancialmente a dependência energética do país, para além de contribuírem decisivamente para a redução de emissão de CO2 para a atmosfera.» in [Ecos de Basto]

Mais uma ideia "vendida" para a "instrumentalização da população". Existem estudos académicos que provam que as barragens constituem uma importante fonte de poluição aquífera e atmosférica. Segundo Rui Cortes, professor de Hidrobiologia da UTAD, neste caso (Vale do Tâmega) as barragens a implementar irão destacar a «acumulação de poluição nas albufeiras, responsável pela libertação de metano, um dos principais gases com efeito estufa».

Curiosamente, não se destaca a qualidade da água no Vale do Tâmega ao construírem cinco barragens (62,5 por cento de todas as barragens previstas no plano nacional de barragens), nem a alteração no microclima característico do Vale do Tâmega (que poderá influenciar a produção de vinho verde por consequência da acumulação de uma gigantesca quantidade de água neste vale) e muito menos a velocidade estonteante que este projecto (o plano nacional de barragens) está a ter. Mas, isto são apenas lamentações de um fundamentalista que só vê defeitos mas está numa contínua espera para que o peso dos pratos da balança (dos prós e contras) reverta.

20 janeiro 2009

Qualquer semelhança entre o Instituto da Água com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, é pura portugalidade

Face a uma carta dirigida à Comissão Europeia, e em particular a Durão Barroso, por um conjunto de associações ambientalistas portuguesas, a Comissão Europeia reconheceu algumas anormalidades no «Programa Nacional de Barragens» denunciadas na carta e decidiu investigar.

Em causa está o não cumprimento da directiva-quadro comunitária sobre a água. Um dos pontos apontados, de entre outros de igual ou superior importância, pelo «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega», que no seu manifesto se propõe a exortar o cumprimento desta directiva comunitária.

Contudo, Orlando Borges, presidente do Instituo da Água, instituto público que se propõe a acompanhar e assegurar a execução da política nacional no domínio dos recursos hídricos de forma a assegurar a sua gestão sustentável, bem como garantir a efectiva aplicação da Lei da Água, refere com a sua convicção que «não há qualquer violação da legislação comunitária».

Não é um pouco estranho que tantas associações ambientalistas se tenham juntado e, em consenso, focado este incumprimento da directiva-quadro comunitária sobre a água numa carta à Comissão Europeia, e que esta tenha "prestado" alguma atenção?

Infelizmente, os institutos de "supervisão" em Portugal têm uma certa tendência para ignorar certos e importantes pontos sobre o seu domínio de regulação. Menosprezando, quase sempre, com a sua "menos atenta" actuação coma a parte que deveriam defender -nós.

post scriptum: Salvar o Tâmega e a vida no Olo