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13 março 2010

"Eco-treta" em ciclo no Tâmega

Entre Amarante e Celorico de Basto a antiga linha do Tâmega (pelo menos o que restava dela) está soterrada. É o princípio do fim. Entenderam os governantes que uma "ciclo-eco-pista" entre Amarante e Arco de Baúlhe era um passo de modernidade e de sofisticação na mobilidade e lazer dos habitantes do Tâmega. E a coisa está a nascer. Pois, na malha urbana, intensa e densa entre Amarante e Arco de Baúlhe, a obra, a essencial obra, para promover o turismo e o lazer no Tâmega é sem dúvida a construção de uma "Ecopista". Claro, que os habitantes do Tâmega enjoados de betão e na falta de alternativas para o pedestrianismo e ciclo-turismo acorrerão em massa à prometida "Ecopista do Tâmega".

Considero que umas das piores decisões políticas na região de Basto fora o abandono da linha ferroviária do Tâmega. As vantagens deste transporte são evidentes e muito enunciadas. Basta comparar o bom exemplo espanhol nas zonas em que o tipo de linha, orografia e composição geográfica são em tudo idênticas ao Norte do País e em particular à Região de Basto, para termos a simples noção que aposta na reabilitação da linha do Tâmega é uma aposta ganha. Bastava ter uma visão global, ecológica e estratégica e os nossos governantes nunca abandonariam o projecto de reabilitação da linha do Tâmega. Mas não, estes seguem a linha dos congéneres nacionais: estrategicamente "cegos" e presos aos seus interesses. Preferiram substituir a linha ferroviária por uma "Ecopista" que atravessará uma zona predominantemente rural. Um contra-senso, na minha opinião. Tendo em conta que a reabilitação da linha ferroviária teria (a grosso modo) um custo dezenas de vezes inferior ao custo da construção da "Ecopista" e as "maiores" vantagens sociais e económicas para as populações abrangidas e todo uma região, a consideração que tenho por estes governantes raia o insulto. Enfim, deixo aqui uns dados apenas para corroer e revoltar mais um pouco:

Linha do Tâmega
Arco de Baulhe a Amarante (cerca de 39Km)
Projecto do Graham Garnell e grupo PTG:
Investimento necessário para a reabertura (1999): 100.000 Libras
Investimento necessário (em 2007): 600.000€
Investimento por Km: cerca de 15.000€/Km

Ecopista do Tâmega
(entre a estação de Amarante e o apeadeiro de chapa)
14 km de extensão por 3,5m de largura
inclui arranjo dos espaços exteriores das estações
iluminação entre Amarante e Gatão (6km)
custo: cerca de 2 milhões de euros (2.000.000€)
custo/km: 140.000€/km


dados retirados daqui.

26 agosto 2009

Queremos andar de comboio !

As vantagens de uma possível reactivação da linha ferroviária do Tâmega (Livração-Amarante-Celorico-Mondim-Cabeceiras) e do projecto inicial (ligação Guimarães-Fafe-Cabeceiras e Cabeceiras-Chaves) são evidentes. O comboio é um tipo de transporte essencial para responder às necessidades económica-ecológicas deste século. Nomeadamente, um tipo de comboio em bitola estreita electrificado, que servisse a mobilidade das populações e mercadorias em distâncias suburbanas e regionais (articulado com outras linhas) e possuísse a valência do turismo ferroviário (expondo as belezas naturais atravessadas pela linha e as características únicas da linha), seria algo, no meu pensamento, essencial para a Região de Basto. Teríamos um transporte público, económico, ecológico e, consequentemente, um tipo de investimento público que combateria a desertificação e o subdesenvolvimento, para além de promover as obrigações internacionais no âmbito ambiental.

Porém, um projecto de reactivação, modernização (como estão a fazer no troço Livração-Amarante) e desenvolvimento da linha do Tâmega (e linhas adjacentes) teria que ser transversal à Região de Basto. Necessitaríamos que houvesse vontade dos políticos e desejo dos governantes. Por exemplo, se houvesse uma confluência política sobre este projecto (como parece haver sobre o malogrado tema das barragens destinadas para o Tâmega e sobre a pertinência(?) das "ciclo-eco-pistas" entre os "decisores" desta região) os governantes das terras de Basto, Amarante, Guimarães e Fafe poderiam possibilitar a realização deste projecto, financiando um estudo sócio-económico e técnico e, posteriormente, apresentando-o à REFER, ao Governo e às demais entidades necessárias. Para isso, deveria haver capacidade de consenso, visão, comunicação institucional e sensibilidade ecológica. O que, na realidade, seria a parte mais difícil e morosa de um eventual projecto.

13 agosto 2009

Compreendem porque é que as alternativas à rodovia não são impulsionadas pelos governantes e afins

«As concessões das novas auto-estradas foram adjudicadas em média por valores 57% acima das propostas iniciais. Duas foram chumbadas pela comissão de avaliação dos concursos(..)A diferença de valores entre as propostas iniciais e finais chega a atingir os 639 milhões de euros (mais 119%) na Auto-Estrada do Centro entregue à Mota Engil e 194 milhões (mais 167%) no caso da AE do Baixo Tejo, a cargo da Brisa. A comissão de avaliação deu parecer negativo à adjudicação da AE Centro e do Pinhal Interior, justificando o chumbo com a diferença de preços, mas manteve outras adjudicações com diferenças superiores.» in [Esquerda.net]

31 maio 2009

Basto (também) quer o TGV

Depois de a região ter sido presenteada com o plano nacional de barragens de elevado potencial hidroeléctrico que, em troca do nosso rio Tâmega, segundo os interessados, trará desenvolvimento turístico, comercial e industrial, emprego, a possibilidade de controle de cheias e secas, o abastecimento de água para consumo e rega, e um espelho de água limpinho, através da purificação milagrosa das Etars a construir, nós, gente de Basto, como bons portugueses que somos, devotos aos mandatários deste país, acreditamos também que viremos a ser beneficiados com a passagem do TGV.

É que esta coisa de ficarmos com muita água a nossos pés, com iates e barcos de pesca nas marinas fluviais, lojas de top com venda de roupas de marca, resorts tipo 6 estrelas, peixinhos e peixões exóticos altamente apreciados pelos amantes da pesca em águas paradas, provas de motonáutica remo e afins, vai-nos trazer tanta gente cá que importa que cheguem depressa.

E a solução a propor a quem manda, pois agora é a nossa vez de dizer – de baixo para cima – o que queremos para as nossas terras é fácil:

(re)activa-se a linha ferroviária do Tâmega, alargando-se um bocadinho a existente e o TGV vem até nós. De notar que a solução Light -Alfa, que por acaso já é bem rápida, inovadora e com muito menos custos para o País não nos convence, pois queremos ser como os espanhóis e os franceses. O que os outros países evoluídos utilizam em termos de transportes ferroviários não nos interessa.

Assim, expressamente de TGV para Basto:

A malta que chega ao Porto, de Madrid e de Lisboa, continua viagem até à Livração e pronto! – vem cá tudo parar e deixa cá ficar os patacos prometidos para nos fazer esquecer essa coisa do nosso rio, que não é mais do que um sentimentalismo bacoco, conservador, ultrapassado e que não dá dinheiro a ninguém.

O TGV passará pelo Marco de Canavezes e Amarante a alta velocidade, pois não convém que os turistas vejam a albufeira do Torrão, não vá o diabo tecê-las e quais ignorantes, pensarem que a albufeira de Fridão será igual e quererem voltar para trás;

Depois, na passagem por Codeçoso, poderão visualizar a inodora estação de tratamento de resíduos sólidos (em dias sem vento) e rapidamente estarão em Celorico, concelho que merece o TGV, porque ao aferir pela ausência de protestos e quase nulo número de subscritores na petição anti-barragem, indicia que são grandes apoiantes do propalado desenvolvimento provocado pelo investimento público, em mega projectos, mesmo que para a sua execução nos destruam a nossa identidade regional que tem como “veia cava”, precisamente, o tal rio Tâmega;

Segue-se rapidamente a viagem e num instantinho chega-se a Mondim, o meu canto de Basto, que vai ter, além da tal água limpinha a seus pés, uma grandessíssima prenda que é uma magnifica ponte, ultra moderna, que possibilitará a ligação entre Mondim e Celorico pela estrada nacional para que, nós, os de cá, os transmontanos, possamos com os nossos Mercedes, à velocidade de gente evoluída, sair deste desterro.

Claro que a futura ponte que nos vão oferecer para passarmos de carrinho, irá ter um tabuleiro especial com linha ferroviária para o TGV pois cá essa coisa de automotoras, como antigamente, já não se usa.

O tabuleiro com linha ferroviária ficará lá bem no alto, do tipo à altura da Sr.ª da Piedade, para que possa haver visibilidade suficiente, não vá os críticos da barragem terem razão e o nevoeiro que afectará Mondim ser tanto que o maquinista do TGV não consiga guiar o tal bicho!...

Os mondinenses, onde me incluo, irão pela primeira vez na história, ter estação para embarque e desembarque dentro da vila, pois, antigamente tínhamos que sair em Veade e vir a penantes para cima (ou na auto mondinense, quando esta fazia a ligação à vila);

Nova corrida e nova viagem, TGV de marcha atrás até Veade, e siga a marinha até ao Arco de Baúlhe, epicentro de Basto, onde os turistas poderão visitar de borla, pois incluído no preço do bilhete do TGV, o museu ferroviário lá existente.

Durante a viagem até à região, exigiremos que sejam servidos aos passageiros os nossos magníficos vinhos verdes, oferta limitada aos stocks existentes, produzidos nas ex-encostas do Tâmega, enquanto as nossas melhores vinhas de Veade e Canedo são transferidas para o Ladário, de Atei para a Sr.ª da Graça, e de Cavez para Vilar de Cunhas…

Até lá, a melhor estadia possível, até o desenvolvimento chegar!

post scriptum: Ribeira de Pena não será beneficiada com o TGV pois, segundo dizem, não vai precisar de turistas nem dos seus patacos, pois sendo accionista na exploração da água do Tâmega dispensa outras receitas extraordinárias.

Escrito por Alfredo Pinto Coelho

02 abril 2009

Uma perspectiva

O Vítor Pimenta, num artigo, e os respectivos comentários, de aconselhável leitura, expõe com simplicidade e clareza (que a elegância da matemática obriga) os números com que se pauta o "desenvolvimento" da política de mobilidade e transporte em Portugal. A linha ferroviária do Tâmega está, praticamente, encerrada. São dezenas de anos de descuro por parte dos responsáveis pela exploração da linha que, com as técnicas habituais, evocam a segurança como argumento de fecho e não de reabilitação da linha. Tal como ontem, hoje, a mobilidade e o transporte são pedras basilares para um verdadeiro desenvolvimento de uma região. A razão determina que, independentemente dos tempos e vontades, as vias de comunicação e transporte são e serão uma necessidade. Isto implica que a discusão sobre os "caminhos-de-ferro" seja adjectivada de contemporânea e pertinente.

De facto, é curioso o argumento de que as vias de comunicação já estão (suficientemente) estabelecidas e, portanto, qualquer retoma para diversificar ou complementar o conceito de mobilidade e comunicação é redundante. Redundante é "etiquetar" as escolhas de ontem como os axiomas de amanhã. A relatividade do tempo implica que tudo seja relativo. Já é tempo de "(re)pensarmos" as consequências advidas das decisões de encerramento da linha do Tâmega.

A linha do Tâmega foi capitulada em 1990. Trocada por contrapartidas que ainda estão por realizar. Falo-vos da variante do Tâmega, uma contrapartida não realizada que, por mim, seria mais que suficiente para impugnar o protocolo que determinou o fecho da linha do Tâmega. Naquele tempo, acredito, que os políticos e governantes em boa vontade apostaram em critérios económicos (algo que não é congruente com o conceito de serviço público) para o encerramento parcial da linha ferroviária do Tâmega. Contudo, o passado mostrou-nos quão errados estavam. Entretanto, o presente "aponta" para a escolaha de uma via de transporte e comunicação mais económica e ecológica -a ferrovia.

Foi uma decisão política e governativa que determinou o encerramento e a desvalorização da ferrovia e, em contraponto, impulsionou a rodovia como meio privilegiado de comunicação. Como tal, somente uma decisão política e governativa pode reverter este processo (que ainda continua) de "alcatroamento" do país. Para isso, a mobilização dos cidadãos para este tema é essencial, pois, numa sociedade funcional, a vontade da maioria dos cidadãos deriva numa decisão política e governativa. Contudo, não é bem assim que o "sistema" actual funciona.

O "sistema" actual está baseado na capacidade de políticos e governantes (pois são estes os eleitos pelos cidadãos para decidir a que velocidade e a que direcção o processo de desenvolvimento deve-se pautar) em perspectivar formas e processos de desenvolvimento. Um desenvolvimento sustentável, ao nível das vias de comunicação e mobilidade, tem poucas alternativas (e.g. ferrovia) em se "encaixar" neste paradigma. O que implica uma rápida retoma na discussão pública sobre o assunto "caminho-de-ferro".

De realçar, que o governo prepara um investimento de 3,8 mil milhões de euros para uma linha ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Porto mas se retrai ao incentivar a manutenção e a reabilitação da linha ferroviária, dita "tradicional", em Portugal. Um comportamento que está a sentenciar o conceito de ferrovia em Portugal. Será que o adjectivo e o substantivo "alta-velocidade" provocam, realmente, esta diferença de comportamento? Ou será que é algo mais? Ficam as dúvidas.

Como conclusão cito Pedro Garcias: Um Governo assim, se não for castigado pelos votos, sê-lo-á, certamente, pela História."

20 março 2009

[Linha do Tâmega]A regional dicotomia entre a Ecopista e a linha ferroviária

«O dinheiro gasto nos 10 km de Ecopista entre Amarante e Chapa, não daria para modernizar a Linha do Tâmega entre Amarante e Livração nos seus 12,5km?»in[JN]

16 fevereiro 2009

Na senda do progresso, continuamos a querer andar de bicicleta enquanto o futuro deseja outra coisa

«Com o troço Amarante - Arco de Baúlhe encerrado, um cidadão britânico apresentou um ambicioso projecto de reabertura ao tráfego ferroviário deste troço, a custo zero para as autarquias da Terra de Basto. O projecto remetia não só para uma exploração ferroviária turística como também o regresso de um serviço regional de passageiros. O seu projecto não foi aceite.

Neste momento as autarquias de Amarante a Cabeceiras de Basto pretendem converter a via em ciclovia, estando em fase avançada o troço Amarante - Gatão. » in [Wikipédia]

Convém "reactivar" o assunto. A ferrovia é uma aposta estruturante para o futuro da acessbilidade e mobilidade de um concelho e da sua população. Acima de tudo são decisões políticas. Decisões que condicionaram o passado e que podem definir o futuro.

18 janeiro 2009

Devaneios de domingo

Hoje, depois de uns dias de folga regresso à capital (onde o acesso à internet me é limitado ao local de trabalho), nunca esquecendo a bela terra que me viu nascer e crescer, e nem me deixando influenciar pela "febre" do centralismo. Assim sendo, a minha colaboração neste blogue será mais superficial que nos últimos dias.
E dado que ultimamente, a ferrovia portuguesa tem estado na "ordem dos trabalhos" [quer neste blogue (aqui e aqui) quer nos blogues vizinhos (aqui, aqui e aqui)], vou regressar de comboio, porque gosto deste meio de transporte e porque também sou a favor do investimento na ferrovia portuguesa (mas não pela via do TGV). Contudo, por falta de alternativa ferroviária, terei de iniciar a viagem na estação mais próxima - em Guimarães.
Boa semana para todos e até um dia destes.

16 janeiro 2009

Como é que podemos perder algo que ainda não possuímos? Ou os fundos já foram atribuídos?

Suspensão[do projecto TGV] implicaria perda de 383 M€ de fundos comunitários.» in [Destak].

O princípio "impulsionador" e as dúvidas sobre este projecto ainda se mantêm.

07 maio 2008

A sociedade, o Estudo e a futura implementação.

A sociedade civil, organizada e pelos meios indicados, consegue erigir planos e desejos. É de louvar o que acontece em Braga. A sociedade civil necessita, deseja, e propôs um estudo de mobilidade para a cidade. Visou a intenção de melhoramento da sua rede de transporte público e a possível, e agora, corroborada, implementação de um metro de superfície ou o retorno do eléctrico.

A ignição começou com o desejo e a necessidade da sociedade civil bracarense mas também pela voz reivindicativa do Pedro Morgado com a proposta de debates e de uma petição pelo regresso do Eléctrico iniciada no blog Avenida Central.

Falta agora o bom senso político para implementação dos resultados do Estudo de Mobilidade. Um grande feito por parte da sociedade civil e uma especial atenção para alguém, dentro das suas possibilidades, tem muita responsabilidade no processo a que o desejo e a necessidade da sociedade civil atingiu:

Via Aberta para o Eléctrico, Metro ou comboio. Por Pedro Morgado.

Um exemplo de reivindicação a seguir.

11 setembro 2007

Braga Eléctrica

Este recanto bloguístico irá associar-se à petição on-line para o O Regresso do Eléctrico a Braga, inicializada no blog bracarense Avenida Central. Esta petição on-line visa sensibilizar os dirigentes políticos e a sociedade em geral sobre a temática dos transportes intra-urbanos em Braga. Esta petição servirá para a idealização e possível realização de uma rede de transportes públicos menos poluente e mais pontual, com uma acessibilidade a sítios que com actual rede de transportes públicos são inacessíveis. Fica aqui o link para assinarem para o regresso do eléctrico a Braga Petição para o regresso do Eléctrico a Braga.