via [O Mal Maior]
c) Quanto às SCUT, deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as duas condições que justificaram,em nome da coesão nacional e territorial, a sua implementação: i) localizarem-se em regiões cujos indicadores de desenvolvimento sócio-económico sejam inferiores à média nacional; e (ii) não existirem alternativas de oferta no sistema rodoviário.
Engraçado que a Região de Basto cumpre todos estes preceitos e, no entanto, não usufrui de uma SCUT. Em Cabeceiras de Basto, bastião do partido socialista nas Terras de Basto, nada se disse e fez (pelo menos que tenha conhecimento) sobre a implementação do modelo SCUT na Auto-Estrada número 7. Realço, que esta Região cumpre todos as condições importantes para ser abrangida pelo modelo SCUT porém, como quem cá vive ou como quem cá passa sabe, as portagens lá estão e a cobrar um excêntrico tarifário (em comparação ao custo de vida das populações locais).
Leitura complementar: «A evidência de uma SCUT em Cabeceiras de Basto».
post scriptum: penso que o modelo SCUT é incomportável, embora a gratuitidade de uma auto-estrada é possível com outros modelos de financiamento, se há auto-estradas com este modelo e com condições sócio-económicas bem mais favoráveis do que a Região de Basto então a Região de Basto deveria, por uma questão de justiça, usufruir deste modelo. A população agradecia que fosse feita justiça.
«Os quatro maiores bancos privados portugueses apresentaram no final do primeiro semestre deste ano 760,7 milhões de euros de lucros, uma subida de 17,4 por cento em relação a 2008. Na prática, corresponde a 4 milhões de euros de lucros por dia. Por outro lado, os impostos pagos pelos bancos desceram 16,7%, menos 32,4 milhões de euros.» in [Esquerda.net]
Confesso que não são os lucros destas empresas privadas que me inquieta. O que me aflige é o modo como são obtidos estes lucros. Sabes-se, de há uns anos para cá, que o sector financeiro (em particular a banca) tem um tratamento especial em relação às demais empresas privadas na economia portuguesa. São os arredondamentos manhosos, o aumento vergonhoso dos spreads para compensar a queda das taxas Euribor, os benefícios fiscais (oficiais ou não) e outros beneplácitos governativos, o tratamento especial dado pela supervisão (Banco de Portugal), o apoio "almofadado" de cerca de 20 mil milhões de euros, a negociata dos painéis solares que determina a obrigatoriedade de negociar com um banco para poder usufruir da comparticipação estatal e a recente proposta do partido socialista que se baseia na criação de uma conta poupança de 200 euros por cada nascimento o que perfaz (pelo número de nascimentos do ano passado) que em 18 anos (altura que o banco permitirá o primeiro movimento de conta) os bancos terão cerca de 380 milhões de euros em caixa via Orçamento de Estado, consubstanciam em mim um certo repúdio por este tipo de empresas e práticas económicas.
De realçar, que a crise é um conceito assimetricamente bipolarizado, ou seja, "na crise" quando a maioria perde o pólo oposto ganha. O dinheiro é (quase) finito e transmissível, vai de um lado para o outro sem qualquer obstáculo. Convém escrutiná-lo de vez em quando.
Como é prática corrente criticar a crítica (uma séria crítica é uma solução para não repetir problemas e corrigi-los), por esta não apresentar solução, abro uma excepção e digo um punhado de soluções para corrigir esta situação:
- A retirada dos "benefícios estatais" que impulsionam os resultados dos bancos e que estes paguem os impostos que realmente deveriam pagar (os contribuintes agradeciam).
- Que a supervisão realmente funcione e que, consequentemente, imponha alguma "ética" e responsabilidade social neste sector económico. (Uma medida que nada tem de inovadora mas se a idoneidade fosse regra muitas das trapalhadas e negociatas teriam sido evitadas).
- A instituição de um «sistema bancário público» através da Caixa Geral de Depósitos (para acabar com especulações, trapaças, más e ilegais práticas económicas e com as injustiças que aparentam governar este sector).
- A subtracção do aval estatal (de cerca de 20 mil milhões de euros), pois este aval foi e é destinado a ajudar os "grandes" bancos que nos últimos anos têm apresentado bons resultados económicos. Isto é uma questão de justiça pois outros sectores económicos (nomeadamente o sector produtivo) não apresentam estes resultados porém não usufruem de qualquer tipo de "aval estatal" ou outro tipo de beneplácito governativo.
«O Partido Socialista quer que, até 2015, 50 por cento dos veículos comprados pelo Estado sejam eléctricos ou híbridos(...)» in [Público]
Existe um espaço dedicado à vida e obra do maestro Joaquim dos Santos, há pouco tempo referenciando na (re)inauguração do órgão de tubos do Mosteiro de S. Miguel de Refojos, que se intitula de Joaquim dos Santos, o compositor. Este espaço documenta e regista acontecimentos que envolveram e envolvem a vida e obra do compositor cabeceirense Joaquim dos Santos. Sem dúvida, um espaço a conhecer.
«A bizarra política do abate dos meios de pesca transformou uma nação de pescadores num povo que mendiga à Pescanova espanhola que venha implantar em Portugal os seus tanques de linguados transgénicos que se reproduzem entre antibióticos e essências de sabor a camarão e lagosta. É nestas delícias do mar que se encontra agora o destino a que nos condenaram as maiorias do PSD e do PS. Um destino visível nas diferenças que hoje ressaltam nos sectores pesqueiros de Peniche e Vigo.» Mário Crespo in [jn]
Ouvi, não me recordo em que estação de rádio, que o PS personificado em José Sócrates sentia-se ofendido por esta verbosa injúria de Francisco Louçã. Como consolo e lavar de cara, PS pede um pedido de desculpas por, a meu ver, uma verdade verdadeira (passo a redundância). Em causa está o que passo a citar:
«"Acontece, no entanto, que voltou a convidá-la[a Joana Amaral Dias] para cargos de Estado em troca de um eventual apoio, seja a chefiar um instituto público na área da saúde, seja num qualquer lugar de Governo. Isso mostra-nos o desespero em que está o PS(...) Mostra-nos uma forma de política menor, de vergonha, que é uma política que oferece lugares de Estado, que trafica influências e oferece lugares a troco de algum apoio. Isto é uma vergonha, é a forma de governar em maioria absoluta, é pensar que o Estado é de um partido, mas não é. A democracia não permite traficâncias(...)Um partido que em vésperas de eleições anda a distribuir mordomias é um partido que não merece governar".» in [Esquerda.net]
Primeiro ponto: uma declaração de Joana Amaral Dias (a visada pelo suborno político) aparenta ser essencial e esclarecedor. No entanto, pelo partido em causa (PS), tudo aponta que o suborno político a Joana Amaral Dias é cruamente real.
Segundo Ponto: Francisco Louçã, na generalidade, ditou aquilo que deve ser dito. A promiscuidade entre cargos públicos e interesses partidários imposta pelos partidos do aclamado «arco de Governabilidade» (PS, PSD e junto,pela sua história governativa,o CDS-PP) é algo inaceitável e causador de muitos dos graves problemas funcionais do Estado.
Terceiro ponto: qualquer militante do PS que recuse a opinião que no seu Partido não existe este tráfico de influências e esta promiscuidade de cargos públicos, é aconselhado a repensar a sua consciência. É evidente que o PS e afins estão pejados desta promiscuidade política, porém renegar a esta verdade é atentar ao bom senso alheio. No entanto, os dirigentes partidários invés de recusarem este tipo de procedimento (suborno político), exaltando a hipocrisia, deveriam, antes de mais, não incentivar este acto pútrido mas combater, no interior do seu partido, esta vergonha. Mas claro, palavras levam-nas o vento.
O meu serão de ontem terminou no Oural Summer Party. Quero felicitar os responsáveis pela iniciativa e pela organização. Suponho que tenha sido um sucesso pela adesão que teve por parte da população. Espero que esta festa se repita por muitos anos, e quem sabe num futuro próximo, se proporcionem actividades de dimensões ainda maiores e com mais adesão do público. Da minha parte, e penso que da dos restantes "indolentes" do Remiso, estaremos sempre disponíveis para publicitar o evento e fazer a informação circular na blogosfera. Há que trabalhar agora para eliminar as pequenas lacunas logísticas e de organização (que foram muito poucas pelo que me apercebi), para que a cada ano o Oural seja cada vez melhor. Que estas iniciativas sirvam de exemplo, para que outras, surjam e aumentem a oferta e a diversificação cultural. O que começou por ser quase uma brincadeira, é hoje um festa de sucesso. O que é preciso é trabalho, espírito de sacrifício e dedicação. Os meus parabéns. Diverti-me imenso, mas as férias chegaram ao fim :(
Ontem, após meses de trabalhos de restauro, e ao fim de 80 anos de paragem, foi re-inaugurado o orgão de tubos do Mosteiro de S. Miguel de Refojos. O instrumento voltou a soar para todos nós pelas mãos do organista Peter Leu, com uma adesão muito significativa da população local.
Esta foto foi retirada da net e não pertence à colecção exposta no museu
O terminal do cais de Alcântara apronta-se para ser um novo hino de assalto ao bem comum e ao Estado. É um negócio apelidado pelo Tribunal de Contas como "objectivamente incompreensível", entre a Liscont (grupo Monta-Engil) e o Estado (intermediado pelo Ministério das Obras Públicas). De facto, o ónus do negócio de renovação do contrato de concessão (que acabava em 2015 agora "adiantado" mais 27 anos) cairá sobre os ombros dos contribuintes. Sem concurso público, com uma suspeita isenção de taxas a pagar à Administração do Porto de Lisboa (a Liscont recupera desta forma 199 milhões dos 294 milhões investidos), com uma cláusula manhosa em que o Estado (indirectamente) assegura os lucros da Liscont caso as perspectivas do negócio não atinjam os objectivos apresentados por esta empresa privada, consubstancia este negócio num evidente caso de nojo político.
É evidente a falta de cúria em administrar um bem público que certos governantes têm demonstrado. Este é um exemplo, de entre outros, de como os governantes fizeram das parcerias pública-privadas um veículo de vigarice e trapaça. No entanto, os políticos do PS nada dizem. Sintomático, talvez. Porém, em tom contrário encontra-se o gabinete do Ministério das Obras Públicas que discorda das conclusões do Tribunal de Contas afirmando que o «O Governo não concorda embora respeite o Tribunal de Contas.» Uma afirmação deveras esclarecedora.
"Durante os quatro anos e meio desta legislatura, em que se realizaram 464 reuniões plenárias, os deputados deram mais de 6600 faltas, mas deixaram somente 79 por justificar, cerca de um por cento do total." [in JN]