30 setembro 2010

Vampiros

E eis que as vampíricas medidas adicionais, ao que outrora fora adicional, emergiram. O Governo anunciou o que os profetas da desgraça (aqueles economistas, jornalistas, políticos e afins que inundem os meios de comunicação) já tinham implementado nas mentes de quem os assistia. Sublinho: não são aqueles que vão pagar os devaneios da crise que provocaram a crise. Foram outros. E não admito, não admito seja a quem for, que se brinque, despreze e goze com quem injustamente irá sofrer. Escrevo, ruído, revoltado e inconformado com a passividade de quem sofre e a enormidade de quem governa.

Almeida Santos, o "reverendo" Presidente do Partido "Socialista", afirmou, referindo-se às "novas" medidas apresentadas pelo governo, que: "o povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre". Até quando esperaremos que esta escumalha desapareça e se esconda no buraco do oportunismo? Não tolero estes políticos e políticas, e estou a perder a paciência com quem compactua com estes "desígnios" e designados.

29 setembro 2010

Recordando a Infância...

...quando a minha mente era ainda como uma borboleta colorida, curiosa mas inocente, alegre e sem preocupações maiores. Recordo os fácies das pessoas, cheias de vida, esperançosas e mais solidárias. Não se houvia falar depressões e de "xanaxes" como agora, havia emprego de sobra, o IVA era baixinho, pouco se falava de economias e de défices, era o reflexo de um país que crescia e prosperava por melhoria da qualidade de vida.

Hoje, ao som da música, recordo outros tempos, porque recordar é viver e repensar. Tempos que jamais voltarão, porque o tempo não recua, e a minha mente não deixa. Hoje, tenho os sentidos apurados, e no pensamento outras responsabilidades que não tinha outrora, num país destruído económicamente e degradado socialmente. Tenho de ser sincero, não tenho menos qualidade de vida que no passado, mas tenho a sensação, como a grande maioria certamente terá, de que estamos numa inversão do progresso desejável e daquele que foi expectável, sem que nos dêem capacidades ou oportunidades de o alterar, e que, tendencialmente, se tem traduzido e traduzirá numa perda de qualidade de vida das pessoas. Isto doi, porque não foi o que me "venderam" quando era pequenino. O meu país tem vindo a pregar umas partidas de muito mau gosto. Até quando?

Os bancos e a "crise"

Com uma parte do capital que é fornecido pelo BCE e que custa 1%, os bancos compram dívida pública, que paga juros de 6.4%, encaixando o lucro da operação. Quer isto dizer que a banca se está a encher de divida pública dos países da periferia? Não necessariamente, uma vez que, ao mesmo tempo que empresta capital, o BCE também está a comprar títulos de divida pública aos bancos (mas não directamente aos países).

Através destas operações, possíveis devido à actuação do BCE, os bancos estão a recapitalizar-se e a equilibrar os seus balanços. Existem outras formas de o fazer, que também estão a ser postas em prática: reduzir os níveis de crédito à economia, aumentar spreads e comissões bancárias e explorar ao máximo as técnicas de planeamento fiscal para pagar menos IRC (a taxa efectiva da banca, segundo a própria APB, situa-se nos 5%). Independentemente do método utilizado, fica bem claro que o ajustamento das contas da banca portuguesa também está a ser feito à custa dos impostos e dos salários dos trabalhadores e dos mais pobres. E foi esse o significado da mensagem do presidente da Associação Portuguesa de Bancos.

Excerto retirado daqui: Os bancos que banquem.

28 setembro 2010

Editorial XXI

Já está disponível no sítio do jornal "O Basto", o editorial do mês de Setembro: "Funcionários públicos, salários públicos".

27 setembro 2010

Remixes

Muse - "Undisclosed Desires" (Thin White Duke Remix)

Música Fresca

O novo álbum da banda canadiana - "The Suburbs", estreou a 2 de Agosto no Reino Unido.

Têm concerto agendado para o Pavilhão Atlântico a 18 de Novembro deste ano. [Detalhes]

23 setembro 2010

Outra Notícia, Três Perguntas

Teixeira dos Santos anuncia mais medidas de austeridade para cumprir o objectivo do défice. Passos Coelho recusa compactuar com um aumento de impostos. Cavaco Silva não intervém, limita-se a pedir que o PS e o PSD se entendam.

Para quando o final da crise?

10 anos a fazer sacrifícios cansa um pouco. Quando é que os portugueses poderão ao menos respirar e ter alguma esperança num futuro melhor?

Quando é que teremos políticos com verdadeiro sentido de Estado, que se deixem de politiquices e de acções e posições ao sabor das conveniências?

Estou farto

Uma Notícia, Duas Perguntas

O troço do TGV entre Poceirão e Caia vai custar o dobro do previsto.

Quem fez as contas para o orçamento da obra não terá uma máquina de calcular, ou não terá estudado aritmética na escola primária?!

Quem vai "meter dinheiro ao bolso"?

21 setembro 2010

Angariação de fundos para as obras do quartel, beba, coma e ajude os bombeiros

Este centro de petiscos estará aberto durante toda a Festa de São Miguel, ou seja, entre os dias vinte e trinta de Setembro. Apareçam.

19 setembro 2010

Ciganices

O voto de condenação à França sobre a expulsão indiscriminada de ciganos, proposto pelo BE, foi rejeitada no Parlamento. Embora houvesse algumas declarações de voto, abstenções e um voto a favor da condenação, no essencial PS, PSD e CDS-PP rejeitaram o voto de condenação da França pela atitude discriminatória em relação aos ciganos.

Nem o facto de ter sido encontrada uma "circular administrativa" do governo francês a determinar a eliminação de acampamentos ilegais, mas "prioritariamente os ciganos", deportando os "ilegais", nem as condenações de várias instâncias internacionais a condenar o atropelo aos mais fundamentais direitos humanos, ecoou na consciência dos parlamentares do PS, PSD e CDS.

De facto, os deputados eleitos no Partido Socialista para o Parlamento Europeu, dias antes votaram favoravelmente a uma condenação desta política discriminatória em França. Os congéneres portugueses, votaram em sentido contrário.

O que se passa na França é algo recorrente na história. O objectivo de classificar certas comunidades como bode expiatório dos problemas incómodos para os populares políticos é uma técnica conhecida. Em Portugal, nota-se. Os populistas que governam o CDS-PP elegeram os cidadãos que recebem o RSI como uma comunidade problemática e sobre a qual todos os problemas circundam. Sarkozy e associados, os ciganos.

Claro, há sempre quem sobre estas questões as desvalorizam. Dizem, os doutos, que nos tempos que correm, com a crise a desenvolver, os nossos parlamentares se ocuparem com estas e outras questões "menores" é insultuoso. A predominância económica é evidente naquelas mentes. Mas, como a história nos ensina, quando os mais fundamentais direitos estão a serem postos em causa num qualquer país distante, a resposta tem de ser globalmanente condenatória.

Comparativamente, à década de trinta do século passado, isto foi evidente. As políticas segregacionistas praticadas pelos nacionais-socialistas alemães eram, de uma forma passiva, desconsideradas pela maioria dos cidadãos da Alemanha. Os principais problemas eram a inflação galopante, o desemprego e a asfixiante crise económica. Não se preocuparam com aquelas minorias, já secularmente discriminadas. Depois, foi história e a história, por variadas vezes, foi uma profeta do futuro.

15 setembro 2010

Novo acordo, velha receita

O Novo Acordo de Basileia sobre Capitais, conhecido como Basileia III, é um acordo internacional que impõe algumas regras, propostas por entidades reguladoras, ao sector financeiro. No entanto, o sector financeiro, obrigado agora a reter mais capital e, consequentemente, a ter custos com isso, já alertou que irá elegantemente transferir estes custos para os clientes. Nada de novo, já fizeram com os Estados (ao encaminhar as suas dívidas privadas para a dívida pública) e sempre fizeram com os clientes. Ou pensam que os lucros fabulosos são fruto de uma conduta ética e solidária?

14 setembro 2010

Com fôlego para sonhar

A cabeceirense Adriana Ferreira, um talento emergente na área musical, está, hoje, em destaque no Jornal de Notícias: com fôlego para sonhar.

12 setembro 2010

Orçamento Participado

A câmara Municipal de Cabeceiras de Basto durante o período de elaboração do Plano de Actividades e Orçamento do Município de Cabeceiras de Basto para o próximo ano 2011, coloca à disposição do munícipe a possibilidade de poder sugerir e, até quem sabe, participar no Orçamento e Plano de Actividades para o próximo ano. A iniciativa é boa. O meio, ou seja, o sítio onde o munícipe propõe as suas sugestões, poderia ser tecnologicamente melhor. Menos mal.

O sítio para apresentar propostas é o seguinte: http://www.cm-cabeceiras-basto.pt/2845.

07 setembro 2010

Hipocrisias

A Galp, uma das golden share onde o Estado detém poderes especiais no mercado accionista, prepara-se para criar uma rede de postos de abastecimento de combustíveis mais baratos, com o objectivo de concorrer com os preços dos postos de abastecimento dos hipermercados, como por exemplo: do Intermarché, Jumbo ou E. Leclerc. A estratégia é clara, manter os preços elevados e os lucros astronómicos nos postos com o símbolo da petrolífera, e manter o monopólio, concorrendo e procurando aniquilar as vendas dos concorrentes de "marca branca", até à sua exaustão e falência. A minha sugestão é - jamais abasteçam nos postos low cost pertencentes à Galp.

Nós por cá

Numa recente notícia do jornal "O Basto", era apresentada, com dados do INE e referentes ao ano de 2007, uma lista dos concelhos portugueses com o menor índice de poder de compra per capita. Ora, sem qualquer surpresa, pois já existiam dados anteriores que comprovavam, os concelhos da região "apenas-na-memória" de Basto apareciam nos últimos lugares -bem entendido, a lista fora apresentada em ordem decrescente.

O concelho de Ribeira de Pena aparece em penúltimo lugar, Celorico de Basto em quarto, Mondim de Basto em décimo quinto e Cabeceiras de Basto no trigésimo lugar. Excepto o concelho de Basto (com 51,83%), a região de Basto apresenta menos de metade do poder de compra concelhio da média portuguesa. Os lugares cimeiros são óbvios. Os outros também. Porém, reflectindo um pouco estes dados, nota-se que estes comprovam a real assimetria entre o literal e o interior, entre o Sul e o Norte. Assimetrias, estas, sustentadas e até subsidiadas, pela centralidade dos investimentos, apoios estatais e estruturas de administração pública. Notório e inquietante.

Na região de Basto, os factores externos (as causas atrás anunciadas) não explicam tudo -como é óbvio. Uma das causas poderá ser a interna falta de um grito comum por todos os poderes políticos. Os governantes de Basto deveriam, na minha opinião, ter concertado posições em torno de questões comuns. A falta de investimento estatal nesta região (no conjunto dos quatro concelhos, pois, em boa verdade, Cabeceiras de Basto, nesta questão, e nos últimos anos, é uma excepção), o não cumprimento de promessas estatais (e.g. a via do Tâmega), na questão do que reserva o plano nacional de barragens (três concelhos tiveram uma posição conjunta menos Ribeira de Pena) para esta região, a questão das portagens na A7, são alguns exemplos onde uma posição conjunta e consensual era bem vista e apreciada. O empobrecimento, ou a continuação da pobreza, não nasce aí. É certo. Mas a falta de medidas conjuntas ajudou.

Esta falta de concertação é evidente e não de agora. Perdem os concelhos. Imaginem, se a voz dos governantes se unissem para repudiar o abandono estatal (o fecho de escolas e outras instâncias da administração pública), repudiar as quatro barragens destinadas a Basto, repudiar a o assassínio da linha ferroviária do Tâmega e exigissem a "isenção" das portagens da A7. Se estes governantes se concertassem e efectuassem planos de desenvolvimento (turísticos, económicos, sociais etc.) em comum para toda uma região? Certo, que nada disto é fácil mas não perderiam rigorosamente nada se se tentassem.

05 setembro 2010

"Tâmega e Patagónia a mesma luta"

O José Emanuel Queirós faz um paralelismo interessante: duas realidades, em espaços físicos quase opostos, padecem do mesmo mal. O mal, é facilmente identificado: é algo que se junta misturando a ganância de multinacionais, desrespeito por leis ambientais e por aquilo que estas pretendem proteger (nós, meus amigos), o consentimento (criminoso) e a passividade dos dirigentes sociais e políticos. No Tâmega, tal como na Patagónia, vivemos o mal globalizado, pois o bem (aquilo que estes piratas intitulam de lucro e dividendos) é distribuído localmente -entenda-se, para os bolsos destes grandes "investidores". A ler: "Tâmega e Patagónia a mesma luta".

03 setembro 2010

Parece que hoje vai haver festa

Quid pro quo

A firma de advogados "João Pedroso e Associados" recebeu da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, no ano transacto de 2009, a quantia de vinte e um mil euros. Não é especificado (nem está disponível tal informação) a razão para que uma firma de advogados de Lisboa preste serviços jurídicos (suponho eu) a uma Câmara do Minho. Posto isto, é natural que os munícipes e até ao contribuinte português se questione sobre a finalidade de tal verba. Seria um acto transparente e democrático (pois o órgão executivo da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto é público e o dinheiro gasto por este é, também, público) que os responsáveis esclarecessem este facto.

02 setembro 2010

Diz que é uma espécie de justiça

”O acórdão em que Queiroz é suspenso por seis meses por perturbar um controlo antidoping, a 16 de Maio, é também arrasador para o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que tinha ilibado o técnico desta acusação. (...) critica o Conselho de Disciplina por ter incluído a expressão “a esta hora” na frase proferida por Queiroz: “Por que é que estes gajos não vão fazer controlos para a c... da mãe do Luís Horta?” (...) e entende mesmo que o treinador questionou a legitimidade do controlo, ao dizer as frases: “Um controlo antidoping? À selecção nacional? O Luís Horta quer é visibilidade.”Na base da condenação de Queiroz está ainda o entendimento de que os impropérios proferidos e o tom exaltado criaram “um ambiente hostil em volta da operação de controlo”, comportamento que “perturbou as condições de normalidade em que a mesma deveria decorrer” [in Público]

Se foi só isto!?!? Bolas!!! E eu a pensar que tinha havido empurrões, porrada, cuspidelas, ameaças... e sobretudo, tentativas de corrupção, de coacção, de adulteração da colheita e análise dos mijos, etc. Mas não, afinal foram só umas caralhadas do seleccionador, que tiveram direito ao mediatismo, a tornarem-se públicas e a porem em causa a dignidade do homem. Que bela Justiça esta, que perde tempo nestes julgamentos da treta. Parece que houve aqui mãozinha do poder político, alguém parece ter ficado muito ofendido. Foi uma boa estratégia, enquanto isto rolou, os portugueses andaram distraídos, e o país a arder, nas florestas e no resto. Baaaahhhhh, isto é do pior.

01 setembro 2010

Há coisas que não lembram ao diabo

"O único problema que tivemos até hoje foi em Mondim de Basto. Ligaram-nos a dizer que o espectáculo que tínhamos marcado não podia ser feito porque a malta da paróquia não aprovava."

Se houvesse um escrutínio, com olhos eclesiásticos, à maioria das letras das canções que reinam nas festas populares e religiosas, os seus intérpretes há muito teriam sido censurados pelas "malta da paróquia". Aconteceu em Mondim mas poderia ter acontecido em outro lado. Não conheço mais pormenores sobre o assunto mas a incoerência salta à vista: se censuraram os "Diabo na Cruz", como podem permitir as populares letras das canções de Quim Barreiros e afins? Há coisas que não lembram ao diabo!

Editorial XX

Já está disponível no sítio do jornal "O Basto", o editorial do mês de Agosto: "Bombeiros".