31 março 2010

Parece que alguém fazia ou faz anos hoje!

De cima para baixo e da esquerda para a direita: René Descartes (1596-1650); Henry Morgan (1635-1688); Franz Joseph Haydn (1732-1809); Octavio Paz (1914-1998); Shirley Mae Jones (1934-presente); Christopher Walken (1943-presente); Al Gore (1948-presente); Ewan McGregor (1971-presente); E eu (1984-?)

Acontece em Serralves

A história é simples e curta. Trabalhadores (recepcionistas) da Fundação Serralves, alguns com cinco anos de trabalho, tentaram acordar um vínculo laboral mais estável (contrato de trabalho) com esta fundação, pois se encontravam algum tempo a prestar um serviço indispensável à fundação e queriam o vínculo que este tipo de condições impõe. A fundação recusou e aconselhou esses trabalhadores a criar uma empresa de prestação de serviços. Não aceitaram. Posteriormente, a fundação criou uma empresa de prestação de serviços e convidou esses trabalhadores a participar -mas como as condições de trabalho eram piores do que anteriormente, recusaram liminarmente. Sendo assim, a Fundação Serralves dispensou (não renovou o precário contrato) os trabalhadores que já lá trabalhavam e que não quiseram ser ainda mais precários e mal pagos. Neste momento a fundação irá contratar uma empresa de "prestação de serviços" para colmatar a saída desses trabalhadores. Para finalizar, a fundação defende-se e diz que não despediu esses trabalhadores (o que na terminologia actual tem o pomposo nome de colaboradores) pois esses não estão ligados contratualmente a Serralves. Heterónimos à parte, pois neste contexto despedir é igual a dispensar, os responsáveis pela situação têm algum humor negro. Sem dúvida.

Este é apenas mais um exemplo da chantagem laboral que existe e que impunemente persiste em Portugal. Portugal tem-se "precarizado" na relação laboral, perante as exigências das grandes entidades patronais que querem tornar o trabalho em Portugal tão sério e competitivo como na China. Não se questiona a necessidade de haver vínculos laborais mais flexíveis, claro que não. Contudo, devem existir em situações onde se justifique e que sejam bem fiscalizadas. Uma conclusão óbvia que não se torna numa "regra" no trabalho em Portugal porque compensa ter trabalhadores precários (de acordo ou não com as leis laborais).

30 março 2010

Uma das primeiras imagens da colisão no LHC

via [Gizmodo]

"A partícula de Deus" (via webcast)

Podem seguir a experiência no CERN através deste enderço : http://webcast.cern.ch/lhcfirstphysics/

A "grelha" do acompanhamento via webcast está aqui: http://press.web.cern.ch/press/lhc-first-physics/webcast/

"A partícula de Deus"

Por vezes o jargão técnico e os conceitos académicos podem ofuscar a importância de uma experiência científica no cidadão comum. Contudo, esta entrevista do professor Gaspar Barreira é sintética e enuncia claramente os principais objectivos da experiência no LHC (do CERN) de tentar "recriar" o evento "Big Bang": a comprovação da existência do Bosão de Higgs, ou, coloquialmente, da "partícula de Deus".

Parece que alguém (ou algo) quer adiar o fim do mundo

Não começou bem a segunda tentativa para recriar os momentos que se seguiram ao big bang. O instante que deu origem ao universo depois de uma primeira experiência falhada em Setembro de 2008. Ao início desta manhã foi feita uma nova tentativa no grande acelerador de partículas, construído no centro europeu de pesquisa nuclear, mas nos primeiros segundos da experiência houve uma luz vermelha que se acendeu.. in [TSF]

29 março 2010

Um homem, um piano e o ... Chat Roulette

Naturalmente, concordo

"(...) qualquer indivíduo com mais de 21 anos passará a ter o direito de consumir marijuana, desde que não o faça em espaços públicos nem em lugares onde possam estar presentes menores de idade. Qualquer pessoa poderá ter em seu poder uma quantidade máxima de 30 gramas de marijuana, e cultivar as suas próprias plantas numa área que não ultrapasse um limite de 2,5 metros quadrados. A condução sob efeito de marijuana continuará a ser proibida." in [Público]

27 março 2010

[Arte de rua ] Who the fuck is Banksy?

Banksy. Um fenómeno artístico e cultural ou somente uma curiosidade num "mundo sem regras em que ele as quebra". Conheçam-no, ou relembram-no. (um texto, um trailer e o sítio )

"Primeiro as dívidas, depois o país"

No momento em que o PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) foi aprovado na assembleia (com a abstenção do PSD a viabilizar o voto favorável do PS) algo se evidencia: quase todos os partidos (e mesmo dentro do PS) apontam defeitos e erros estratégicos a este programa delimitado pelo governo para agradar as agências de rating e a Bruxelas. Porém, o PEC passa -ora com a disciplina parlamentar ora com o argumento ridículo de se dar "sinais positivos" a agências e a eurocratas. Em nome da "estabilidade" e dos "sinais positivos" caminha-se para um dos mais "demolidores" planos de "instabilidade" do Estado, mesmo quando a maioria parlamentar está contra este PEC. Ridículo.

Passos Coelho

Passos Coelho foi eleito, ontem, presidente do Partido Social Democrata. Terá, nos próximos tempos, a difícil tarefa de erguer o partido (unir as diferentes "sensibilidades" que dividem o PSD ) e colocá-lo como uma alternativa política ao Partido Socialista. E é neste ponto que, na minha opinião, residirá o maior problema de Passos Coelho. José Sócrates retirou, com as suas propostas e medidas, o espaço político ao PSD. Passos Coelho terá que contornar esta realidade e, ao que parece transparecer, tende a "neoliberalizar" o discurso económico do PSD. Aparentemente será a única saída, pois virar "à esquerda" não me parece que seja a onda de Passos Coelho nem de José Sócrates.

22 março 2010

jornalobasto.com

Está disponível o editorial deste mês do jornal "O Basto" como, também, o conjunto de artigos de opinião (muito interessantes) da edição impressa. Ainda esta semana começará a actualização diária do sítio com notícias e iniciará a rotação (três em três dias estará no sítio uma nova crónica) das crónicas "Opinião Demarcada" pelos ilustres cronistas. Bom trabalho.

post scriptum: qualquer sugestão, crítica ou vontade de dialogar sobre o sítio do jornal "O Basto" é de fazer o favor de enviar as missivas para admin@jornalobasto.com. O tasco agradece.

Há as grutas e a gruta desenhada pelos arquitectos da Christian Müller

Esta casa nasce de uma forma, digamos, prática. Um conjunto de arquitectos decidiu que se é para construir uma casa numa zona termal da Suíça, que se construa o mais perto possível da fonte termal. Literalmente. A Christian Müller Architects enterrou a casa e, eles, enterraram-na obliquamente, não vá a luz natural se esquivar. Pormenores, deveras importante. Gosto, é um trabalhoso curioso e arrojado.

Ver o artigo e as fotos da casa aqui.

21 março 2010

Depois do EIA de Fridão agora é o EIA dos aproveitamentos hidroeléctricos de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões apresentar erros imperdoáveis

Elaborado por quatorze (14) investigadores universitários, em quatro domínios científicos (Alterações Climáticas; Biodiversidade e Valores Ecológicos; Recursos Naturais e Factores Hidrológicos; Desenvolvimento Humano e Competitividade) , o estudo da UTAD vem arrasar mais uma peça desta grande patranha nacional jogada com o PNBEPH, e não podia ser mais eloquente na denúncia da falta de seriedade, rigor técnico, e valor científico do "estudo" colocado em consulta pública pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA):

«O EIA dos aproveitamentos hidroeléctricos de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões revela inúmeras fragilidades e insuficiências, quer do ponto de vista metodológico, quer do ponto de vista da qualidade da informação utilizada e da consistência e profundidade da avaliação realizada. Essas fragilidades e limitações, referidas nas páginas anteriores, condicionam e influenciam os resultados obtidos pelo que os erros, omissões e insuficiências deverão ser corrigidos e colmatados.» (p. 46) José Emanuel Queirós in MCDT

Para mais pormenores deixo aqui o parecer técnico da UTAD sobre o EIA.

20 março 2010

Há dias assim

Hoje foi uma noite, um dia... e será outra noite igual a tantas outras, mas com um equilíbrio de luz/escuridão que só tem lugar 2 vezes no ano, incluíndo hoje.

Para os mestres de Reiki este dia é muito importante, porque o Universo disponibiliza energia muito útil para as alminhas que andam cá pela Terra. E não, não se trata de superstição da minha parte, trata-se daquilo que se sente. Um dia mau às vezes começa quando acordamos, sem razão aparente. Uns dizem que é do tempo, e talvez seja, da pouca energia que certos climas e alguns dias nos disponibilizam. Não conheço ninguém que não goste da Primavera e que não sinta um novo fôlego à medida que ela avança. Esta estação representa o nascimento, a nova vida. É nela que se concentram as energias necessárias para que as plantas floresçam, e para que determinadas espécies acasalem e perpetuem essa mesma vida.

Gosto de luz, de sol, da temperatura amena mas aquecer, de saber que os dias vão crescer e as noites decrescer, de ter menos roupa vestida, da frescura das manhãs com o aroma das flores e das plantas que vão rebentando, da melodia fantástica dos pássaros e outras aves em alvoroço total nos seus rituais de acasalamento...

...e aqui me encontro no final deste dia maravilhoso, onde não tive tempo para limpar portugal (ossos do ofício), mas onde arranjei um tempinho (que tem andado escasso) ao final da tarde para fazer um jogging no parque. Assim limpei o corpo e a mente ao som de um house bacano, óptimo para fazer um refresh e arrancar para mais uma etapa.

19 março 2010

Parece que as minhas vociferações quando num qualquer bar tinha de pagar por mim e por todas as mulheres, conhecidas ou não, tem uma base legal

«Há dois anos, portanto, que as “Ladies’ nights” são proibidas em Portugal – e puníveis com coimas que variam entre 5 e 10 salários mínimos nacionais (se o infractor for pessoa singular) e 20 a 30 SMN (para infractores pessoas colectivas), entre outras consequências.» in [Blasfémias]

Retirado dos confins do Facebook, com a devida vénia ao Cláudio

18 março 2010

Certo

«estou cansada de lembrar em sucessivas reportagens, entrevistas, crónicas e posts que a lei não admite que se use a arma a não ser quando está em causa perigo de vida para alguém. que é simplesmente obsceno ver polícias a dizer que o problema não é disparar contra um carro em fuga cujo ocupante ou ocupantes mais não fizeram que -- alegadamente, friso -- desobedecer a uma ordem de paragem, mas a falta de pontaria. estou cansada de evidenciar, na comparação com números de disparos de polícias de outros países, que as polícias portuguesas fazem demasiado uso das armas de fogo e matam mais que as suas congéneres de vários países europeus. estou cansada de sublinhar declarações de dirigentes da inspecção geral da administração interna no sentido de assegurar a ilegalidade -- ilegalidade, leram bem -- do uso da arma contra pessoas em fuga (fora ou dentro de veículos) quando não esteja em situações de legítma defesa ou de perigo de vida para terceiros. estou cansada de ver responsáveis políticos a calar a censura inequívoca destes crimes que mancham a polícia portuguesa, crimes que nos dizem a todos que a polícia que existe para nos proteger e para nos dar segurança pode ser e muitas vezes é exactamente o contrário disso.» Fernanda Câncio in [Jugular]

17 março 2010

[Sugestão de leitura] Einstein e o Socialismo

«O indivíduo é capaz de pensar, sentir, lutar e trabalhar sozinho, mas depende tanto da sociedade - na sua existência física, intelectual e emocional - que é impossível pensar nele, ou compreendê-lo, fora da estrutura da sociedade. É a "sociedade" que lhe fornece comida, roupa, casa, instrumentos de trabalho, língua, formas de pensamento, e a maior parte do conteúdo do pensamento; a sua vida foi tornada possível através do trabalho e da concretização dos muitos milhões passados e presentes que estão todos escondidos atrás da pequena palavra "sociedade".» in [Esquerda.net]

Da terra para aos céus, e com bênção papal

«Uma das formas mais vulgares de consumir cocaína com fins terapêuticos era misturada no vinho. Estes vinhos tinham propriedades medicinais e ainda "recreativas", actuando como uma espécie de anti-depressivo. Destacamos o vinho Mariani, muito famoso no seu tempo (1865) sobretudo devido ao Papa Leão XIII. Consta que Sua Eminência carregava sempre consigo um frasco deste líquido abençoado e, inclusive, premiou o seu criador com uma medalha de ouro!»

16 março 2010

Sodoma e Gomorra por Alessandro Bavari

[via Obvious]

São interessantes as fotografias digitais de Alessandro Bavari. Recuperando as bíblicas cidades de Sodoma e Gomorra, Alessandro, utilizando a ferramenta Photoshop (que fez há pouco tempo vinte anos de existência comercial) transporta o imaginário moral e obscuro dos pintores renascentistas italianos e flamengos para o formato digital. Símbolos intemporais do vício e do pecado, Sodoma e Gomorra, são vistas por Alessandro Bavari como cidades (descaracterizadas do seu contexto religioso) de diversão e prazer criadas por visionários. Uma interpretação diferente das "fontes de inspiração" renascentista do autor.

Orange juice

Durante o fim-de-semana decorreu o XXXII congresso nacional do Partido Social-Democrata em Mafra. De lá, e infelizmente pois a norma é absurda, o que se recorda é a aprovação de uma norma que normaliza, passo a redundância, a censura sobre a liberdade de expressão dos militantes social-democratas. Sessenta dias (a exactidão do número também é ridícula, porque não quatro anos antes?) é o período temporal que antes de um escrutínio nacional não se poderá ouvir, ler e ver críticas "oficiais" tendo como fonte de origem os militantes e destino a direcção do partido -faltou a norma abranger a crítica em surdina para o quadro ficar completo.

Muitos se ergueram. Das opiniões desfavoráveis a esta norma, a maioria dos "delatores" está fora da esfera da militância social-democrata. Porque, embora a norma não esteja em vigor, parece que tacitamente ela está a imperar. Não deixa de ser curioso que o partido que continuamente acusou o governo de provocar uma "claustrofobia democrática" (wtf?) tenha uma direcção que propôs (ok, houve a semi-proposta de seis meses em ditadura, mas eu acredito no sarcasmo) uma norma interna de fazer corar de vergonha qualquer assessor de Sócrates. Mas, enfim, quando discutimos as acções e os comportamentos políticos e criminosos do PS e do PSD ao longo deste tempo de governo e desgoverno, não será um abuso de linguagem colocar o rótulo que alguém outrora deu: "gémeos separados à nascença". Não é que estes dois, até na irritação perante a livre expressão são semelhantes.

15 março 2010

Há dias assim...

Por : Alfredo Pinto Coelho

O sol brilha mais, os nossos olhos irradiam a luz da esperança, a voz, mais alta, para quem nos quer ouvir, diz : Não ! Passado, presente e futuro. Memória, ideal, objectivo. 13 de Março de 2010, dia de concentração de vontades, dia de união, dia de apelo à razão - com emoção, dia de contentamento, dia de liberdade , dia para dizer :Não! Há dias em que os lobos gritam porque não têm asas para voar, em que os peixes perguntam : e depois, como vamos atravessar esses muros de betão?, as videiras reclamam porque não sabem nadar, homens perguntam se 1,6 % de energia é assim tanto para ainda mais quererem afogar? ... Gente das águas bravas, com canoas a rodopiar gritam : deixem-nos navegar...

Há dias de solidariedade, em que o “Rio é nosso e daqueles que vieram manifestar-se ao nosso lado..” António Aires, blogue Força Fridão;

Há dias em que o Rio dança. para nos lembrar que é na dança dos rios que há vida;

Há dias assim e o povo sai à rua: movimentos cívicos pelo Tâmega, a Quercus, a Coagret, a LPN, a associação Campo Aberto, alguns presidentes de juntas de freguesia, ambientalistas, O Bloco de Esquerda e os Verdes, cidadãos republicanos, monárquicos, da esquerda, da direita, do centro e do que eles quiserem mais...

Há dias em que o “ o grito determina... “ grande Marco Gomes – blog o Remisso;

Há dias T , de Tâmega, “ em que se penduram as razões e os lamentos..” grande Vitor Pimenta, blog Mal Maior;

Há dias em que o rio se transforma e dá voz ao poeta - Mestre Zé Maravilha :

“ Eu sou o Rio
Eu sou o ser que canta em pleno leito
e vos sussura as mensagens d`aventura,
Em mim vai um povo, meu eleito,
Nos caudais, até ao mar da desventura.”

Há dias de livros, que depois de nascidos vão direitinhos para a eternidade - “corre-me um rio no peito” - de Jales de Oliveira;

Há dias de saudade, de homenagem e de revolta e todos somos o H o 2 e o O da água do Tâmega - “ o poeta morreu..” grande, grande, compadre Jales de Oliveira ;

Há dias de festa rija !

Há dias de viver, amar e agradecer a poesia ;
Há dias de agradecer a Deus , pelo filhos que nos deu:
Ah! Grande Zé,
Ah! Grande Alfredo:

“Lágrima,
Este rio não é um rio,
Este rio é um fio de luz....
Uma lágrima sentida,
Uma lágrima vertida,
uma lágrima caída...”

Há dias que são 13 de Março de 2010.

Há dias em que somos livres e podemos gritar : Viva a liberdade !

Há dias em que, com emoção, se pode gritar bem alto, pela razão !

Por um Tâmega livre, sempre!

14 março 2010

"Corre-me um rio no peito"

Estive num evento muito interessante e deleitoso: o lançamento do livro do poeta Luís Jales de Oliveira. Esta foi a razão para um noite muito agradável. Comentei que aquele momento (por ser o escritor que é e o sítio em que apresentara o livro ser Mondim de Basto) não aconteceria em outro concelho de Basto. Para além da homenagem a Luís Jales de Oliveira, aquela noite, foi marcada pela qualidade da cultura mondinense que ali foi apresentada. O ponto alto do evento foi a agradável declamação de um excerto do livro "Corre-me um rio no Peito" pelo inigualável Luís Jales de Oliveira. Uma boa noite.

Para um Tâmega livre de mais barragens

A manifestação "+barragens?Não!" realizada ontem em Amarante foi mais um, e importante, passo para a reivindicação de um "Tâmega livre de mais barragens". Em concreto, a manifestação (ilustrada com um dia belíssimo e com as belezas arquitectónicas de Amarante) reuniu algumas centenas de manifestantes. Faltaram mais, pois claro. Faltaram as entidades oficiais, pois claro. Faltaram aquelas "entidades" que ainda não terminado o prazo de discussão do "EIA de Fridão", já se reuniam para oficializar o seu preço. Faltaram aqueles autarcas que ameaçaram "apoiar" as manifestações de rua caso o "preço" não fosse pago. Faltaram todos aqueles que não souberam atempadamente da manifestação. Porém, estiveram os que estiveram - e bem.

Mas o número (embora importante) não é determinante. O grito, esse sim, determina. A mensagem que o rio Tâmega está perigosamente ameaçado tem de ser transmitida, o meio de transmissão é de somenos. É necessário "despertar consciências", sensibilizar, demonstrar o porquê da reivindicação. No entanto, o grito está dado. A rua será o meio de transmissão para que a mensagem ecoe nos governantes e governos deste país. Ontem foi o princípio.

13 março 2010

"Eco-treta" em ciclo no Tâmega

Entre Amarante e Celorico de Basto a antiga linha do Tâmega (pelo menos o que restava dela) está soterrada. É o princípio do fim. Entenderam os governantes que uma "ciclo-eco-pista" entre Amarante e Arco de Baúlhe era um passo de modernidade e de sofisticação na mobilidade e lazer dos habitantes do Tâmega. E a coisa está a nascer. Pois, na malha urbana, intensa e densa entre Amarante e Arco de Baúlhe, a obra, a essencial obra, para promover o turismo e o lazer no Tâmega é sem dúvida a construção de uma "Ecopista". Claro, que os habitantes do Tâmega enjoados de betão e na falta de alternativas para o pedestrianismo e ciclo-turismo acorrerão em massa à prometida "Ecopista do Tâmega".

Considero que umas das piores decisões políticas na região de Basto fora o abandono da linha ferroviária do Tâmega. As vantagens deste transporte são evidentes e muito enunciadas. Basta comparar o bom exemplo espanhol nas zonas em que o tipo de linha, orografia e composição geográfica são em tudo idênticas ao Norte do País e em particular à Região de Basto, para termos a simples noção que aposta na reabilitação da linha do Tâmega é uma aposta ganha. Bastava ter uma visão global, ecológica e estratégica e os nossos governantes nunca abandonariam o projecto de reabilitação da linha do Tâmega. Mas não, estes seguem a linha dos congéneres nacionais: estrategicamente "cegos" e presos aos seus interesses. Preferiram substituir a linha ferroviária por uma "Ecopista" que atravessará uma zona predominantemente rural. Um contra-senso, na minha opinião. Tendo em conta que a reabilitação da linha ferroviária teria (a grosso modo) um custo dezenas de vezes inferior ao custo da construção da "Ecopista" e as "maiores" vantagens sociais e económicas para as populações abrangidas e todo uma região, a consideração que tenho por estes governantes raia o insulto. Enfim, deixo aqui uns dados apenas para corroer e revoltar mais um pouco:

Linha do Tâmega
Arco de Baulhe a Amarante (cerca de 39Km)
Projecto do Graham Garnell e grupo PTG:
Investimento necessário para a reabertura (1999): 100.000 Libras
Investimento necessário (em 2007): 600.000€
Investimento por Km: cerca de 15.000€/Km

Ecopista do Tâmega
(entre a estação de Amarante e o apeadeiro de chapa)
14 km de extensão por 3,5m de largura
inclui arranjo dos espaços exteriores das estações
iluminação entre Amarante e Gatão (6km)
custo: cerca de 2 milhões de euros (2.000.000€)
custo/km: 140.000€/km


dados retirados daqui.

12 março 2010

Amanhã

Amarante: manifestação "+barragens?Não!" - Pelas 12:00 horas haverá uma manifestação contra as cinco barragens (das dez previstas no PNBEPH) previstas para a bacia do Tâmega.

Mondim de Basto: lançamento do livro "Corre-me um rio no peito" do escritor mondinense Luís Jales de Oliveira - Pelas 21:00 horas no Salão dos Bombeiros Voluntários de Mondim de Basto.

11 março 2010

Associações

Tem tanto de interessante como de pertinente a discussão lançada pelo Vítor, embora foque um exemplo particular, o assunto ali discutido alude a alguns dos principais problemas do associativismo em Cabeceiras de Basto. Há uma clara interferência do poder político na gestão e na constituição da maioria das associações. Segue uma escala. Quanto mais ampla é a área de intervenção e maior é o número de pessoas, relacionadas directa e indirectamente com a associação, maior é o grau de interferência política. Entenda-se "interferência política", neste contexto, como o acto ou conjunto de actos que um partido através da sua representação política numa entidade pública (e.g. Câmara Municipal, Junta de Freguesia etc.) usa os recursos desta entidade para "controlar" politicamente estas associações. O objectivo é claro: votos e poder. Além de ser algo que a maioria dos cabeceirenses reconhece, aceitam-no passivamente. É um facto. Mesmo reprovando, aceitam-no. Esquecem-se, ou menosprezem o facto, que o uso fundos e recursos públicos para atingir certos fins partidários e pessoais é um acto ilegal e criminal e que o funcionário público (independentemente da sua posição hierárquica) é, antes de mais, um servente da coisa pública. Ou seja, alguém que deve servir a todos nós e não se servir de nós.

08 março 2010

PEC

O Plano de Estabilidade e Crescimento (documento destinado ao escrutínio económico e monetário da União Europeia e das agências de rating) está a sair da forja governamental. O documento apresentado (embora genérico e carregado de intenções) apresenta algumas medidas inevitáveis. Contudo, a intenção mais perigosa (em paralelo ao congelamento salarial e à consequente perda de poder de compra nos próximos anos) é o realce dado ao paradigma da privatização do património económico do Estado. As privatizações efectuadas pelas recentes governações são um corolário da proposição que determina que o Estado não deve privatizar os "monopólios naturais" (e.g. fornecimento de energia, correios etc.). A razão é muito simples: o monopólio mantém-se somente há a troca entre os maiores beneficiados (deixa de ser o Estado, ou seja, todos nós, para ser um pequeno conjunto de accionistas). Porém, a receita continua.

Dia Internacional da Mulher

Não sendo um convicto defensor deste dia reconheço-lhe a mensagem que trás todos os anos: o caminho que falta percorrer para que homens e mulheres estejam na sociedade como estão perante a vida.

07 março 2010

"Reflectir para agir (II)"

Para quem não foi ao evento com o tema "Pensar a Justiça Para Acreditar No Futuro" que teve a participação do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, e a moderação de Luís Castro, fica aqui um link para um pequeno "apanhado" dos ditos do evento: Marinho Pinto insiste: «O poder judicial quer derrubar o Primeiro-Ministro»

06 março 2010

Inércia

Ao contrário dos concelhos vizinhos o núcleo cabeceirense do movimento "Limpar Portugal" está à deriva. A data do propósito deste movimento está próxima e não se conseguiu, ainda, marcar uma única reunião. Convém referir que este é um movimento nascido e criado a partir da sociedade civil e que pretende abranger todos no objectivo de limpar o nosso espaço comum. Contudo, o apoio de associações e entidades públicas é importante. Estas entidades por terem o equipamento e a capacidade logística devem associar-se a esta iniciativa, é importante que assim seja. Porém, e mais uma vez em sentido contrário aos concelhos vizinhos, em Cabeceiras de Basto as associações, as autarquias e a Câmara Municipal não apoiam (com a disponibilização de equipamento, fornecimento das localização das lixeiras etc.) esta iniciativa. Portanto, conclui-se o seguinte: se não mudarem o rumo esta iniciativa em Cabeceiras de Basto poderá estar destinada ao fracasso.

Já nos obrigam a ir para rua gritar

É por tudo. Dia 13 de Março irei a Amarante participar na manifestação "+barragens?Não!". Expressar a nossa opinião na rua será mais um passo para impedir aquilo que os governantes nacionais e locais aliados às empresas de produção de energia pretendem: a construção de cinco grandes barragens para a bacia do Tâmega.

03 março 2010

"Reflectir Para Agir"

A CEDHRUS (Centro de Desenvolvimento Hermigio Romarigues) vai realizar no dia 5 de Março de 2010, uma palestra subordinada ao Tema - "Pensar a Justiça Para Acreditar No Futuro".

LOCAL - Auditório Ilídio Dos Santos, na Praça da República, Refojos - Cabeceiras de Basto.

HORA - 21:00h.

CONVIDADO - Bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. António Marinho Pinto

Moderador - Repórter e Jornalista da RTP - Dr. Luís Castro

Editorial (XIII e XIV)

Os editoriais do jornal "O Basto" dos meses de Janeiro e Fevereiro já estão disponíveis. O editorial do mês de Janeiro destaca o quinto aniversário do jornal "O Basto" enquanto o rascunho de Fevereiro destaca o comportamento dos executivos de Basto e de Amarante perante um mesmo facto:

O que é mau para os amarantinos é bom para os cabeceirenses, celoricenses e mondinenses? (Fevereiro)

V (Janeiro)