31 maio 2010

Enquanto na RTP ...

Para além do telejornal da RTP ter dado um destaque exagerado à assinatura de um dado treinador português a um clube de futebol espanhol, a peça jornalística sobre o ataque israelita (pelo menos com a narração de Márcia Rodrigues -a correspondente no médio Oriente-) é um verdadeiro nojo. A peça enuncia que os tripulantes do comboio naval humanitário tentaram quebrar o bloqueio marítimo israelita (se o comboio está em águas internacionais, como se lê nas principais agências, órgãos de comunicação social e comunicados oficiais, não há razão nenhuma para bloqueios e muito menos de invasão militar) e que desrespeitaram os "alertas" e "avisos" israelitas. Por favor, nem peço o respeito pela deontologia jornalístico porque nos tempos que correm os valores corporativos são outros, mas sim o respeito pela verdade que honra os mortos e feridos daquela acto bárbaro.

Adenda: eis o vídeo, onde a mensagem subjacente é clara e assustadora:

Justiça !

Hoje, um comando israelita atacou e matou (pelo menos) uma dezena de activistas pró-palestinianos. O ataque deu-se, supostamente, em águas internacionais o que, para elevar ainda mais a barbárie israelita, vai contra todas as leis internacionais (a ONU avança que o conjunto de barcos estavam em águas internacionais). Israel age de uma forma violentíssima (efeito directo de um governo com uma coligação direita/extrema-direita) ao movimento que pretendia fazer chegar mantimentos ao estado enclausurado da Faixa de Gaza. Chega. Chega de vermos estados a sobreporem-se às leis internacionais. Chega de estados beligerantes que assentes em falsos e hipócritas argumentos tentam justificar o injustificável. Em suma, basta de Estados terroristas. Estou, como sempre estive, totalmente solidário com o povo palestiniano que ao longo de décadas está sujeito a uma prisão e a um atropelo consentido de direitos humanos.

Uma resposta minimamente congruente com esta situação seria, desde já, uma resposta "diplomaticamente forte" que exigisse a Israel nada menos nada mais que um pedido de desculpas formal e o levantamento do desumano cerco a Gaza. Posteriormente, a condenação, segundo os tratados e as leis internacionais, da actuação daquele país. Ou seja, apenas o que aconteceria a qualquer outro país. Fico à espera.

29 maio 2010

União de Interesses (II)

"No final do ano passado, um cidadão português solicitou ao Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território o acesso um estudo técnico que havia sido encomendado pela Comissão Europeia sobre a avaliação do referido Plano. A 3 de Dezembro de 2009, a Ministra portuguesa autorizou o acesso ao referido cidadão. Porém, em meados de Janeiro, a Comissão Europeia, através de carta, informou as autoridades portuguesas a sua oposição à divulgação do estudo. A informação aí contida – sobre os impactos que tal plano terá na vida dos cidadãos portugueses de Norte a Sul do país – é, manifestamente, de interesse público. Os cidadãos afectados devem ter o direito de saber quais os impactos directos que vão ter nas suas vidas. "

União de Interesses

O estudo, encomendado pela União Europeia e, como é óbvio, pago por todos os contribuintes europeus, de avaliação do programa nacional de barragens continua "fechado" a sete chaves nos confins da "eurocracia". A União Europeia argumenta que o estudo serve, embora pago por dinheiro público e sobre um programa público, apenas para auxiliar os serviços da Comissão Europeia na avaliação do programa nacional de barragens e, portanto, inacessível aos seus cidadãos. Desculpa. Apenas uma desculpa. Impressionante, que os interesses se sobrepõem ao esclarecimento público. Querem uma União Europeia próxima dos europeus não é?

Relembre-se que um relatório (sobre este estudo) tornado parcialmente público arrasa completamente os argumentos fantasiosos do Estado e dos concessionários como, também, conclui que o programa nacional de barragens é uma "inutilidade" muito cara.

26 maio 2010

Equipas de Intervenção Permanente (EIP)- Cabeceiras de Basto (II)

No início do ano de 2008, Cabeceiras de Basto integrava o grupo dos primeiros municípios portugueses a iniciar o processo de implementação de Equipas de Intervenção Permanente (EIP). Essas equipas, suportadas financeiramente pela Autoridade Nacional de Protecção Civil e pelas Câmara Municipais, visam melhorar o serviço de Protecção Civil, dando profissionalismo e qualidade ao serviço prestado.

Porém, Cabeceiras de Basto, estando na vanguarda na criação destas equipas, assume, hoje, o papel inverso - é dos poucos concelhos que não possui estas equipas. Chegamos ao ponto em que, no distrito de Braga, haja concelhos com três equipas e que num dos concelhos com uma maior área florestal do distrito, estas equipas continuam no papel.

As desculpas "oficiais" afirmam que a causa deste adiamento prende-se por uma restrição nos critérios de admissão (idade do candidato tem de ser inferior a quarenta anos). É uma reclamação absurda e contraproducente. Absurda porque, conhecendo, como conheço o quadro activo dos bombeiros cabeceirenses, há, e no início do processo havia ainda mais, bombeiros formados, com experiência e com idade suficiente para cumprir os requisitos. Contraproducente, porque devido a uma exigência absurda (aumento da idade máxima para a candidatura) temos o adiamento de uma protecção civil com mais qualidade, resultando, como é óbvio, num "não melhoramento" do serviço de protecção civil no concelho de Cabeceiras de Basto e isso implica uma menor protecção aos cidadãos cabeceirenses.

Como afirma, e bem, Fernando Moniz (governador civil de Braga) "as câmaras têm a primeira e a última palavra" no processo de criação destas equipas. E, citando Fernando Moniz, se estas câmaras não implementam estas equipas é porque "(...)nem sempre as câmaras municipais consideraram a Protecção Civil uma questão prioritária". Mais uma vez, Fernando Moniz reforça a responsabilidade deste processo aos executivos camarários a afirmar que "(...)se houver vontade política dos presidentes de câmara, a situação resolve-se".

Pois bem, que haja responsabilidades políticas apuradas. Não há uma única razão, suficientemente válida, para que Cabeceiras de Basto, e outros concelhos em idêntica situação, não implemente estas Equipas de Intervenção Permanente. Basta deste circo de minudências burocráticas e de interesses disfarçados.

24 maio 2010

Publicidade não declarada

Na última edição do quinzenário "Notícias de Basto" a imagem de Joaquim Mota e Silva, presidente da Câmara Municipal de Celorico de Basto, aparece em sete das onze páginas (excluindo uma página publicitária) do referido jornal. Porém, não vi nenhuma etiqueta a classificar estas visões como publicidade.

22 maio 2010

O que não se ouve e lê nos principais meios de opinião

«Para a União Nacional dos comentadores e economistas do bloco central são estes os responsáveis pelo estado em que estamos: os funcionários públicos; os trabalhadores supostamente protegidos pelas nossas leis laborais; os cidadãos em geral, que vivem endividados e acima das suas possibilidades; o excesso de peso do Estado; e o excesso de impostos para a classe média-alta.

Repare o leitor que entre os responsáveis nunca está a banca, que além de nos ter enfiado nesta crise e ter sido salva pelos nossos impostos ainda paga menos ao fisco que todas as restantes empresas. Nunca está a elite económica constituída por meia dúzia de famílias que têm o Estado como refém dos seus negócios e os partidos como reféns da sua vontade. Nunca estão dos gestores mais bem pagos da Europa no País com o salário médio mais baixos da Europa.

Repare o leitor que por uma qualquer coincidência nunca estão, entre os responsáveis pelo estado em que estamos, quem realmente tem poder neste País. Não espanta. É muito radical ser “politicamente incorrecto”. Mas é preciso olhar bem para o chão que se pisa. Não consta que com a simpatia de funcionários públicos, professores, sindicalistas, desempregados, beneficiários do Rendimento Social de Inserção ou trabalhadores menos abonados se arranjem e se mantenham bons empregos. Há que dizer e escrever coisas chocantes, mas sem chocar as pessoas erradas.(...)»

via [2+2=5] que por sua vez via [Arrastão]

20 maio 2010

Um neo-liberal assumido

“não estará longe o dia em que não haverá dinheiro para pagar aos funcionários” nos hospitais e nas universidades públicas."

“Chegará mesmo um dia em que não haverá dinheiro para pagar aos médicos, aos enfermeiros, aos professores (...)”

Vamos a ver se eu entendo ou alguém entende estas coisas... Se não houver dinheiro para pagar a estes profissionais, das duas uma, ou se fecham as instituições ou se vendem as mesmas a entidades privadas.

Apenas não percebi porque também não incluiu no mesmo lote os deputados, os Secretários de Estado, os Chefes de Gabinete, os sub-chefes, os vices, os motoristas, os estafetas, os generais mores, os brigadeiros, os coroneis... e mais uma data de profissões que, algumas, bem podiam desaparecer porque para pouco servem. Podia também juntar juízes, delegados de justiça, procuradores, polícias, inspectores, etc... Então e sobre estes também não haverá risco de não haver dinheiro para lhes pagar?!

Ah espera lá, já não me lembrava, estas profissões e estes sectores profissionais não são privatizaveis... ora essa, que estúpido eu, já percebi tudo sr. Coelho, você prepara-se para propôr uma total privatização do Serviço Nacional de Saúde e do ensino superior público não é? Pois bem, boa sorte. Não se esqueça é de extinguir a tributação de impostos que é feita aos contribuíntes por esses mesmos serviços. Reze também por não ter a infelicidade de um familiar seu nascer com um problema de saúde congénito, que leve as seguradoras a recusarem-se a efectuar um seguro de saúde, e depois, quando precisar de um qualquer tartamento clínico, não se queixe se os hospitais privados o mandarem fazer 180º por não ter o dito seguro que cobre o tratamento. É o que acontece nos EUA, o país mais desenvolvido do mundo mas com um sistema de saúde que os envergonha a eles próprios (só me faz lembrar dois fimes - Jonh Q e Sicko). Não se esqueça também de fazer uma análise ao que tem sido a qualidade do ensino universitário privado no nosso país.

Boa sorte para a implementação das suas ideias.

Editorial XVII

Já está disponível no sítio do jornal "O Basto", o editorial deste mês de Maio: "Dançando com a dívida".

19 maio 2010

Explore a crise em 3D

No registo caseiro, uns dizem que a culpa é da direita "after hours ", outros da "esquerda caviar", outros dos feriados a mais e, a grosso modo, a " maioria" quer mas é culpar os " malandros" dos desempregados que recebem, sem trabalhar, o subsídio ao fim do mês.
Se a realidade ainda não mudou - e receio porque o José ainda ontem disse que o mundo mudou nas últimas 3 semanas - os desempregados só recebem, porque antes de o serem, foram empregados e descontaram para a segurança social aquilo que lhes exigiam.
Entre o inglês técnico do José para consumo externo e os passos de dança para consumo interno do seu parceiro do Tango, vai-se diminuir em 5 % os ordenados dos políticos para que numa operação de cosmética se demonstre solidariedade e se não diga depois que eles não contribuiram.
No registo europeu, a culpa é atribuida aos " PIG S" onde, dizem, o pessoal trabalha pouco e se reforma cedo.
Os "bifes", entretanto, vão tratando mas é de salvar a banca francesa e alemã do colapso financeiro com a criação do empréstimo europeu que para eles, por razões diferentes das nossas, é uma garantia do cumprimento do pagamento das dívidas por parte dos devedores dos países do sul.
E como não há crise que não dê em fenómenos inexplicáveis, por cá promulga-se uma lei com a qual " em consciência" não se concorda, e despede-se uma " boazona" que não tem culpa de ter um corpinho à medida. É que depois de tanto ser cobiçada ao menos, essa sim, foi solidária com os desejos do povo ( alunos, pais dos alunos...) e deu de si para a comunidade.

Internal affairs

A partir de hoje teremos mais um colaborador neste espaço. O ilustre tem como nome Alfredo Pinto Coelho e é mondinense. Companheiro de outras lutas, passará a lutar também aqui. Deixo aqui, como texto introdutório, o artigo de opinião do Alfredo que está presente no jornal "O Basto". Com o pensamento livre atinge a ideia de centralizarmos administrativamente a região. Uma ideia que apoio na integra. De ler e recomendar: "Retalhos de Basto".

18 maio 2010

Muitos esquecem-se, e no PSD parece regra, que o subsídio de desemprego não é um acto de caridade é um direito pago com o salário de quem trabalhou

«Já se sabe que o PSD fez um acordo com o engenheiro Sócrates para baixar o subsídio de desemprego e agora acrescenta que o trabalhador que vai receber uma devolução daquilo para o qual descontou quando pagou para o seu subsídio de desemprego, apesar disso é obrigado a trabalhar gratuitamente», comentou Francisco Louçã.

«Imagine que alguém que paga um seguro sobre o seu carro, tem um pequeno acidente e pede que lhe devolvam, pagando a reparação, aquilo que foi descontando ao longo dos anos. E a companhia de seguros diz-lhe: "muito bem, eu pago-lhe a reparação, mas agora tem que trabalhar aqui gratuitamente na portaria da minha companhia de seguros durante algumas semanas ou meses"» in [tsf]

As palavras de Francisco Louçã foram claras e objectivas. O PSD, tal como o CDS-PP, e alguns "iluminados" do PS (inclusive, José Sócrates) têm feito um ataque censurável a um direito (o subsídio de desemprego) legítimo. Estes invés de atacar os cidadãos que agora estão a receber um subsídio de desemprego, algo que só é possível se descontaram para tal, tentassem resolver o problema (em vez de aprofundá-lo), estariam realmente a cumprir o seu mandato de serviço ao cidadão. Parece que a promoção de emprego e a protecção social para quem está numa situação social e economicamente precária não são assuntos suficientemente importantes para gastarem o seu prolixo discurso. Estas medidas, anunciadas pelo PSD, PP e afins, são de uma insensibilidade incrível e de um oportunismo político reprovável. Enfim.

17 maio 2010

Imposições

"Entre as 88 reclamações recebidas no período de consulta pública do projecto da barragem do Fridão, a maioria das autarquias e alguns moradores e proprietários de terrenos afectados pela obra aceitam a edificação da estrutura à cota 160" in [jn]

As expressões a negrito do texto supracitado revelam, com pouco detalhe mas com muito sentido, o que foi e o que é o processo para a construção da "Barragem de Fridão": uma oportunidade política e uma desgraça popular.

O consentimento do ministério do Ambiente à construção da barragem de Fridão, diz-nos, semanticamente, que: a política e o dinheiro estão hierarquicamente superiores à razão e ao bem comum. Neste processo contestado, carregado de imprecisões, de atropelos à lei, mal e pouco discutido e com inegáveis consequências, algo é muito claro: o processo público para determinar a exploração de algo público é uma mera formalidade burocrática para impor, sim, impor o desejo económico e político de alguns sobre o bem-estar de todos os cidadãos. Estes seres através do poder, que lhes confere o povo, usam-no autocraticamente (pois não escutaram as oitenta e oito reclamações contra os dois pareceres positivos) para destruir económica e ecologicamente uma região inteira.

Infelizmente, o processo está inclinado para um lado desde o princípio. Vale a vontade de alguns para combater o monstro irracional que tomou conta daquilo que outrora chamaram de democracia. Esta luta não está vencida, nem nunca estará enquanto a razão existir. A razão é o passaporte para a vitória. E sobre isto, bem podem impor-nos decisões tomadas no mofo dos ministérios e nos hipócritas Paços dos concelhos, mas algo tenho arrogantemente certo no meu pensamento: nós caminhamos com a razão.

"Sexual color"

Gabriel Wickbold é um jovem e conceituado fotógrafo brasileiro. Está a conquistar os "olhos" do mundo, ao expor a cor da arte em fotografar. Na sua última obra, Gabriel, exponencia a cor. Gabriel utiliza a tinta e mistura-a, literalmente, as suas cores vivas com os corpos nus de algumas celebridades e cidadãos comuns. A mistura está presente no seu novo trabalho: "Sexual color". De aconselhável visita, o seu sítio está repleto de imagens cativantes e exoticamente deslumbrantes.

14 maio 2010

A entrada de Israel, sem preencher os requisitos e muito menos respeitar a própria legislação de admissão, na OCDE é um acto hipócrita, apenas mais um

"Documentos internos da OCDE reconhecem que as estatísticas aceites a Israel não respeitam os princípios da organização, mas os responsáveis entendem que o problema pode ser contornado desde que o governo de Telavive apresente dados corrigidos e sem incluir os dos colonos no prazo de um ano. Acontece que a partir do momento em que Israel é admitido na OCDE dispõe de direito de veto, pelo que este dispositivo acabará por não ser aplicado." in [beinternacional]

Mas qual projecto?!?!?!

A chanceler alemã Angela Merkel adverte para o riso de o projecto europeu fracassar se o euro acabar [in público]

Mas a União Europeia actual tem algum projecto? Ainda gostava de saber qual. Será algum do género "tudo ao molho e fé em Deus"? ou, cada um "puxa a brasa a sua sardinha"? Serão as ligações de TGV? os Tratados de "Bolonhas"? Serão os deputados e politiquices repletos de regalias e de luxos? Será o Banco Central Europeus a endividar-se para depois sugar o dinheiro todo brincando às taxas de juro?

"Merkel lembrou que os governos prometeram aos cidadãos que o euro seria uma moeda estável, e «têm de cumprir essa promessa», sublinhou"

Pois bem, tudo o que o euro menos trouxe foi estabilidade. Ele serviu para duas grandes coisas: uma taxa de inflação brutal sem acompanhamento salarial na grande maioria dos Estados aderentes, e o enriquecimento das elites económicas que com essa inflação benificiaram nas transacçõesa financeiras. E com isto serviu também para outras pequenas grandes coisas que, fizeram com que a europa esteja hoje no estado em que está. Os Ingleses foram mais espertos, "libra", fizeram o manguito ao euro.

13 maio 2010

As primeiras "BOMBAS"

É sempre curioso tentar perceber porque estas medidas políticas são sempre anunciadas em alturas em que "meio mundo" anda distraído (futebois e visitas papais...). Mas pronto, é a vida, temos de gramar mais uma vez com uma chumbada nos impostos. Andar sempre a puxar à receita e cortar pouco na despesa tem sido a regra nas últimas décadas, que em nada tem resultado, mas enfim. Parece que nesta altura tudo vale e a falta de imaginação é sempre a outra regra, especialmente quando se juntam o líder da trapalhada e o líder da oposição a piscar o olho. Até que estão bem encaminhados para fazerem um Governo de coligação ao Centro, a ver vamos. Parece também que vão descer 5% nos salários dos políticos e gestores públicos, ui ui que fartura (hipócrisias eufemistas). Na vizinha Espanha ouvi dizer que a redução vai ser de 15% (veja-se a diferença). Nem o Papa nos livra desta. Oremos, oremos todos.

11 maio 2010

E tudo a razão levou ...

O Papa (não trato por sua santidade pois nem acredito em homens santos e muito menos em santos homens que ganham o título por ascenderem a um cargo na hierarquia dos homens) Bento XVI chegou a Portugal. A histeria que precedeu a sua chegada, continua. Concede-se dois dias de tolerância aos funcionários públicos, quando nada, mesmo nada, (à luz da razão) o justifica. O tempo de antena dado pelos órgãos públicos de comunicação é exagerado e chega ao ponto da histeria. Nada de novo trará o Papa a Portugal e aos seus cidadãos. Nada de relevante anunciará o Papa a todos os cidadãos de Portugal. O Papa discursará para os seus fiéis e para dentro da sua (decadente) Igreja, somente. Mas alguém já reparou que a maioria dos portugueses ignora esta visita papal? Pois, digam isso aos populistas do costume que ainda estão agarrados ao bafiento "Portugal Católico" de outrora.

10 maio 2010

Dias de Maio de 2010

Por: Alfredo Pinto Coelho.

Entre o final da queima (dos fígados) dos estudantes universitários e a mudança de grupo sanguíneo, de muitos campeões, para S de Sagres , a poeira de naftalina causada pelas bandeiras e cachecóis a agravar a nuvem esquisita, lá dos nórdicos, que por cá também veio parar, neste mês de Maio, do ano da graça de 2010, rumamos agora a grande velocidade para a bênção papal com bandeirinhas brancas e direito a folga para ir abanar o traseiro para o shopping,...

Na ressaca, campeões e universitários parece que vão pedir folga - à folga para ver o Papa.

Nestes dias de milagres, de capa preta ao princípio da noite, chuva de shots a arrepiar a espinha por entre a madrugada desenfreada, qual simplex , anula-se o traje, lingerie é para usar por fora, jovem que é jovem é resistente ao frio, quentes por dentro e por fora não há pêlo que trema, boca que não despeje, e siga a marinha: corpinho danone na calçada que a vida são dois dias...

Os menos dotados à aprendizagem para a vida, ao nascer do dia, divertem-se, ainda pequeninos, a tocar as campainhas nos prédios, porque o que importa é retardar até estourar (eles), e os outros chatear.

Festa rija em Portugal, enquanto aprovam a vinda do TGV que afinal vai ficar pelo Poceirão, pois a cheta não dá para chegar a Lisboa.

Deixa-os gritar: “ e quem não salta não é campeão ..”; deixa os estudantes dar o corpo ao manifesto: “são novos, não pensam ..” ; deixa andar, que estão distraídos!

Entretanto, prepara-se o corte ao 13.º mês e avisa-se que irão mesmo tornar a aumentar os impostos.

O Jesus, o treinador, já fez o milagre do ano embora conste que os milagres estão caros;

um ex-ministro das finanças, disse que a receita para resolver os problemas do país era:

ter fé!;

a nuvem de cinzas, essa, teima em nos deixar mas o Papa, parece, vai poder viajar para Portugal.

As previsões meteorológicas dizem que a 13 de Maio vai estar sol.

Para um tipo de 50 anos, do Sporting, em poupança de fígado e pobre em fé - não daquela que ainda lhe importa - que não vai ver o Papa e é alérgico a shoppings, a tolerância de ponto só poderá dar para dormir e esquecer.

07 maio 2010

"Tesourinhos deprimentes"

Ou se demite, ou é demitido. Não me parece haver mais nenhuma alternativa.

05 maio 2010

Mais emprego menos desempregados

Penso que a maioria dos cidadãos percebe que o estado económico actual em Portugal é preocupante. Bastaria olhar para as estatísticas oficiais sobre o desemprego para termos a percepção que o nível elevado da taxa de desemprego na população activa é, inevitavelmente, um indicador que ilustra o mau estado económico do país. É um facto.

Temos a percepção, também, de que se há desemprego é porque o tecido económico não fornece trabalho suficiente para fornecer um emprego a todos os que queiram e têm que trabalhar. As causas são diversas mas a principal é o estado "estagnado" da nossa economia.

Temos mais de seiscentos mil desempregados (estatística oficial) e as "bolsas de emprego" disponibilizam apenas trinta mil empregos. Logo, numa conta aritmética simples, veríamos que se todos os "oficialmente" desempregados desejassem os empregos "oficiais" disponibilizados pelas "bolsas de emprego", teríamos, a grosso modo, cerca de vinte desempregados a concorrer para um emprego.

Posto isto, a actual ministra que tutela a Segurança Social, Helena André, afirma que o corte no subsídio de desemprego tem como objectivo o rápido regresso dos desempregados ao mercado de trabalho. Ora, como o mercado de trabalho não tem o número de empregos necessários para absorver o número de desempregados "oficiais" (um emprego para vinte desempregados) é óbvio que esta medida (corte no subsídio de desemprego) nada tem de estimulante para o regresso dos desempregados ao mercado de trabalho. É imediato que esta medida foi feita para "poupar" algum dinheiro à custa dos que menos podem e, que aliás convém referir, estão a aceder a um direito para o qual descontaram.

Se querem o rápido regresso dos desempregados ao mercado de trabalho têm, como é óbvio, de estimular a economia que produzirá trabalho e consequentemente emprego. Mais emprego menos desempregados. Fórmulas simples de promover e que estes governantes não o fazem e, para agravar, iludem-nos com medidas social e eticamente censuráveis.

O jogo continua

"O aviso da Moody's [a ameaça de baixar o "rating" da dívida portuguesa] segue-se à baixa da cotação atribuída por outra agência, a Standard&Poors, e é anunciado no mesmo dia em que a Comissão Europeia reviu em alta o crescimento da economia portuguesa(...)" in [DN]

Para começar bem um dia primaveril e solarengo

03 maio 2010

Jogos

"Durante a segunda quinzena de Abril, compraram-se mais seguros contra o incumprimento de Portugal a curto do que a longo prazo. Nesse mesmo período, a rentabilidade dos títulos de dívida a cinco anos dispararam 300%." in [Agência Financeira]

Neste mês (Maio) Portugal terá que se financiar, ou seja, emitir títulos de dívida, pois é este o mês que rende o prazo para o pagamento de dívidas na ordem dos milhares de milhão de euros. Percebe-se o porquê da Standard & Poor's (S&P) baixar o "rating" de Portugal sem que contássemos com isso. O resultado está à vista. Portugal emitirá títulos de dívida que terá uma rentabilidade a curto prazo impensável há uns meses atrás (o que significa que o financiamento ficará mais caro). Isto não aconteceria caso o ataque especulativo da S&P não tivesse acontecido no tempo em que aconteceu. Caso Portugal tivesse que se financiar (pagar a dívida) daqui daqui a uns meses, o (ataque) corte no "rating" pela S&P estaria provavelmente suspenso. Nada é por acaso. Estas agências têm um objectivo claro: através do seu papel no mercado têm de atribuir a quem lhes paga (pois são agências de "consultadoria" privadas) o capital que cubra os prejuízos obtidos na crise financeira. São jogos e estratégias, que não querem mudar ou regular.

A razão porque acho que é um insulto os vencimentos dos 20 "grandes" gestores portugueses

"Comparando com os custos com pessoal, a Inapa ocupa o primeiro lugar: o salário da comissão executiva pesa quase 27 por cento nos gastos com trabalhadores. Segue-se a Zon (sete por cento) e a REN, com 5,3 por cento. A diferença salarial face aos colaboradores é grande em todas as 20 cotadas analisadas."

Repara-se no "peso" do vencimento da comissão executiva (dois executivos) da Inapa na totalidade dos custos com os trabalhadores: 27 %dos gastos . Se querem "ganhar" competitividade (um dogma, na liberal classe de empresários portugueses) à custa da redução do factor "custo" do trabalho, uma dica: reduzem o vencimento dos seus administradores. As razões são simples: o impacto desta medida era imediato e substancial (27% dos custos); o impacto social (em número) era quase residual (dois administradores e, certamente, economicamente estáveis) e fazendo jus à velha máxima de que "o exemplo vem de cima", o estatuto ético da empresa e dos seus trabalhadores era solidificado.

Claro, medidas são "não exequíveis" pois quem determina estas medidas é quem seria mais afectado, os dois administradores que absorvem 27% do gasto com os trabalhadores.

01 maio 2010

De leitura aconselhável

Não tarda, o FMI estará de novo a passear por aí.

A explicação fácil é a de que o país teria hoje condições mais difíceis do que ontem para responder pelas suas obrigações.

E porquê? Porque nas últimas 24 horas produzimos menos? Não consta. Ou porque foi ao contrário? Também não sabemos. As oscilações nas taxas de juro da dívida pública não têm relação com a conjuntura económica no mesmo espaço de tempo. Têm a ver, isso sim, com os humores do tão badalado "mercado".

E o que é este "mercado"? O cidadão de Alcabideche não compra dívida pública. Quem compra obrigações dos Estados são instituições públicas e privadas de natureza financeira que, quando muito, as propõem aos seus clientes. Mais de dois terços da dívida grega está nas mãos da banca alemã. A banca nacional, por exemplo, tem 6,8 mil milhões de euros colocados em Atenas. Como decidem os bancos? Avaliando o risco. Se é elevado (taxa de juro alta), a expectativa de retorno compensa o perigo de incumprimento pelo Estado. Se é baixo (caso alemão, por exemplo) o investimento rende fraco ganho, mas é dinheiro em caixa.

Pergunta seguinte: e quem mede esse risco, quem informa o "mercado"? Aqui entram as agências de rating. Elas começaram por ser empresas que vendiam informações a potenciais compradores e vendedores de títulos de dívida. Com o tempo veio a centralização – há 4 no mundo, três norte-americanas e uma inglesa – e a sua irmã gémea, a corrupção. O termo não é meu, mas de Paul Krugman, nobel da economia. Com efeito, as firmas pagam a estas agências as notas que elas lhes dão. Este "mercado" funciona na base do princípio do emitente-pagador. Como ninguém corta a mão a quem lhe dá de comer...

As duas maiores agências encontram-se actualmente sob investigação do senado norte-americano. A "ameaça constante da perda de negócios" levou-as a "massajar" os indicadores em que se baseiam as notas. Como escreveu o nobel acima referido, elas "distribuem bilhetes de identidade falsos". Sabemos que assim é: 93 por cento dos títulos subprime classificados em 2006 como AAA são hoje lixo tóxico. Em matéria de credibilidade estamos conversados - elas subestimam o risco de quem lhes paga tanto como sobrestimam o das dívidas públicas.

Porque não se põe fim a um oligopólio que nos trama mas que foi incapaz de prever a bancarrota do Dubai e da Islândia? Porque não se criam, em substituição, agências públicas transnacionais, independentes dos interesses em jogo? A resposta é estúpida, mas não há outra: basicamente por nenhuma razão.

Mais estúpida do que ela só a constatação final: a Standard & Poor's atribuiu A– a Portugal porque este se revela incapaz de crescer... enquanto receita um PEC ainda mais recessivo. O aluno não será grande espingarda, mas o avaliador, esse é impagável.

Texto escrito por Miguel Portas.