30 junho 2009

Como as "estórias" se repetem

"Já parecem esquecidas as tentativas de intervenção do governo PSD na Lusomundo, que levaram à minha demissão", diz Henrique Granadeiro sobre Manuela Ferreira Leite.

29 junho 2009

"Atacar o desastre económico e vencê-lo"

«Olhando com alguma atenção para a lista, constatam-se no entanto duas contradições chocantes destas incomodadas vozes do poder.

A primeira é que há quem assine o manifesto contra as obras públicas mas tenha sido generosamente pago para fazer estudos e projectos para cada uma dessas obras.

A segunda, e porventura ainda mais grave, é que estes ex-ministros, todos juntos, estiveram 39 anos à frente da Economia ou das Finanças, mais 8 anos à frente do Banco de Portugal, 47 anos no controlo da política económica. Por isso, estes signatários foram os mandantes da economia. Tudo passou por eles. Surpreende por isso que se queixem da política que fizeram ou das decisões que tomaram.» Francisco Louçã in [Esquerda.net]

Investimento vs. Despesa

Está no domínio público dois documentos aparentemente distintos mas que estão centrados sobre o mesmo tema: a perspectiva da Economia Portuguesa.

Na última semana foi tornado público um manifesto que propunha a reavaliação do investimento público pondo, implicitamente, em questão as vantagens sobre este tipo de investimento que, na minha opinião, este documento considera como despesa incomportável. A grosso modo, o documento exponha as dificuldades da Economia portuguesa e "exigia" a reavaliação do investimento público anunciado pelas instâncias governativas. Em causa está o "endividamento do país" e os encargos desta política de investimento (despesa, para diferentes sensibilidades) no futuro deste país.

No entanto, de um modo reactivo, surgiu um outro manifesto. Este, portanto, defende a importância do investimento público, embora, também, como o (dual) manifesto anterior, exigem um bom e responsável investimento. Na argumentação deste documento é exposto a relação entre o investimento público e o emprego , o investimento público como alavanca da economia (em tempos em que o sector privado não investe) e a despesa (social e económica) do desemprego. Em causa está a contracção económica e as suas consequências negativas na economia. Tendo o desemprego como principal (má) consequência da falta de investimento público e a criação de emprego como mote deste.

A meu ver estes dois documentos debruçam-se sobre dois conceitos: investimento e despesa. Uns consideram, embora não explicitamente, este (o anunciado pelas entidades governativas) investimento público como despesa, enquanto os outros subscritores defendem o investimento público como um investimento necessário. Duas sensibilidades que irão se impor depois deste interregno político, mais concretamente, no dia 27 de Setembro de 2009.

28 junho 2009

"Como o cão sorria"

Nesta semana. O líder e afins correlegionários socialistas que reinam os desígnios governativos deste país tentaram (vá, alegadamente) comprar (via PT) um pedacinho da TVI (via Media-Capital). O objectivo primordial seria mudar uma certa linha editorial que incomoda os interesses instalados no governo. No entanto, nesta mesma semana, cai-nos (via Assembleia da República) em cima uma Fundação privada publicamente gerida, tal e qual uma outra (Fundação Prevenção e Segurança) nos tempos de governação Guterres que, curiosamente, encravou na típica sentença portuguesa:nada a julgar. Uma fundação interessante: na génese era financeiramente dotada pelas empresas privadas que a constituem mas, de um modo contínuo, fora financiada (via Anacom) pelo nosso mui nobre e prestável Estado de interesses. Simplesmente são, apenas, adjudicações directas de mal governar.

Nesta mesmíssima semana outro político de inquestionável idoneidade abriu a sua, quase santificada, boca para falar (ou melhor espicaçar) sobre a nossa salubre política. Falo-vos de Cavaco Silva e os seus recados, a exigiriam transparência e afins, ao não concretizado negócio da PT. As palavras (quase decalcadas do falatório de Manuela Ferreira Leite) do ilustre senhor não chegaram para aliviar a falta que estas fazem (fizeram) em outros importantes assuntos (desemprego, crise social, Madeira, BPN, bancos, deslocalizações "à la fugitif", bloco central de interesses etc). Entretanto, Manuela Ferreira Leite continua a questionar a verdade dos seus semelhantes e a espalhar credibilidade duvidosa. A aposta política dela e dos seus iluminados camaradas (ou colegas? não sei como se tratam os social-democratas entre eles) centra-se em questionar as grandes obras públicas mas, vejam só a credibilidade e a política de verdade a funcionar, nunca e já mais em tempo algum há referência da participação do Partido Social-Democrata (em geral) e da Manuela Ferreira Leite (em particular, no seu papel de ex-muitas coisas no aparelho do Estado) na imposição e delineação destes Mega projectos, dilaceradores da grande nação portuguesa. Questionar o quão "tachistas" são os outros quando nestas décadas de democracia eles, aqueles que passaram pelo doce canto do poder, deixaram uma marca de impunidade "tachista" e desperdício, não é hipocrisia? Ao menos assumam as culpas, para que possam, assim, falar de fronte erguida ao povo que (ainda) os ouve. Nada a julgar?

As questões políticas sobre que modelo de Segurança Social, de Justiça, de Coesão Social e igualdade de direitos, de Regionalização, de Economia, de Sistema Nacional de Saúde, de Educação e Cultura ficam para quando os políticos, se assim o entenderem, apresentarem os seus programas eleitorais para, nós, salivares cidadãos, se assim o entendermos, os podermos escrutinar.

27 junho 2009

Goodbye lenin- o filme que me faltava ver

Tenho uma lista infindável de filmes, mais antigos ou mais recentes, que por uma ou outra razão ficaram por ver. Este era um deles mas ontem tive oportunidade de o riscar dessa lista. Este filme é de 2003, de Wolfgang Becker e tem banda sonora de Yann Tiersen (que já conhecia quase de cor).

Este filme passa-se na Alemanha, no ano de 1989. Pouco antes da queda do muro de Berlim, uma mulher entra em estado de coma. Acorda 8 meses depois, após o triunfo do capitalismo no país. Com a sua saúde ainda debilitada, o filho faz tudo para que ela não saiba das grandes mudanças que ocorreram no país.

Música

O acordeão é daqueles instrumentos cuja sonoridade é, na maioria das vezes, associada a música "pimba", ou parola, como muitas vezes adjectivamos. Aqui deixo um exemplo de como pode sair boa música de qualquer instrumento. Basta um pouco de génio e de bom gosto.

Yann Tiersen - "La Noyee"

Incisivo quanto baste

Cavaco Silva, o presidente cauteloso que nada fala e tudo diz, abriu uma excepção sobre o caso PT/MEDIA-CAPITAL e falou. Pediu transparência sobre o negócio. Aliás é estranho como Cavaco Silva esteja "intoleravelmente" mudo sobre tantos assuntos (e polémicas que lhe são próximas) seja tão lesto a apontar esta trapalhada governativa.

No entanto, aconselho vivamente a lerem esta opinião do professor Gaspar Miranda Teixeira, exposto na edição deste mês jornal "O Basto", sobre o quão incisivo é o presidente da República:

Discurso Directo!

Por Gaspar Miranda Teixeira

Cavaco Silva, há-de ter, até ao final do mandato, oportunidade para ser mais incisivo.

No entanto, atitudes como a que teve numa visita ao Minho e perante meia centena de trabalhadores despedidos de fábricas de Barcelos e Esposende, dizendo-lhes que não tinha solução para os seus problemas, não ajudam nada.

Quando tal acontece, para bem das pessoas em Portugal, para bem do País, é melhor que fique dentro do Palácio de Belém, a entreter-se com a esposa, filhos e netos…

O Presidente da República tem revelado alguma sensibilidade para os problemas das pessoas, mas pode e deve ir mais além.

Somos o País com uma das mais baixas médias salariais, senão a mais baixa, na actualidade, da Europa Ocidental.

O Presidente deve efectuar um apelo sério e explícito às empresas e aos gestores para instituírem práticas salariais mais competitivas, que despertem a confiança dos trabalhadores e que contribuam para a sua motivação e consequente aumento de produtividade.

Por que são os portugueses altamente produtivos fora do País e cá dentro não?

Por que é que há 8 anos atrás um jovem recém-licenciado entrava no mercado de trabalho com um valor salarial na ordem dos 1000 a 1200 euros e agora começa com 700 a 900 euros e muitas vezes em situação precária de recibos verdes?

O Presidente tem de ser muito mais directo à questão do “Exemplo” em Portugal.

É que num País em que os gestores ganham salários ao mais alto nível da Europa e os seus colaboradores ganham salários ao mais baixo nível da Europa, algo está mal.

Como se pode aceitar que numa empresa um administrador possa ganhar 20000 euros de salário e um trabalhador administrativo apenas 600 euros.

Estamos a falar em 33 vezes mais, sem contar com prémios de gestão.

Isto não só é ultrajante como representa uma grande falta de dignidade, seriedade, no fundo uma total inexistência de integridade.

E já que falamos de integridade, porque não se refere o Presidente à inqualificável situação dos reformados em Portugal, tantos, com pouco mais de 250 euros mensais, num país em que há gente com reformas milionárias, adquiridas, nalguns casos, com apenas meia dúzia de anos de trabalho, e acumulação de reformas.

O Presidente tem falado no problema dos jovens à entrada do mercado de trabalho, mas esquece-se dos trabalhadores com mais de 40 anos, sem qualquer possibilidade, na maior parte dos casos, impedidos de retomar a sua carreira e muitos deles com qualificações de alto nível.

Não estaremos aqui perante um enorme desperdício de competências para o País?

Cavaco Silva, há-de ter, até ao final do mandato, oportunidade para ser mais incisivo.

No entanto, atitudes como a que teve numa visita ao Minho e perante meia centena de trabalhadores despedidos de fábricas de Barcelos e Esposende, dizendo-lhes que não tinha solução para os seus problemas, não ajudam nada.

Quando tal acontece, para bem das pessoas em Portugal, para bem do País, é melhor que fique dentro do Palácio de Belém, a entreter-se com a esposa, filhos e netos…

25 junho 2009

Um ano e meio depois...

«O Ministério Público acusou cinco antigos administradores de topo do BCP de manipulação de mercado, falsificação de contabilidade e burla qualificada, crimes que podem ser puníveis com vários anos de prisão. Os acusados, entre os quais Jardim Gonçalves, manipularam os valores das acções do banco recorrendo a 17 offshores, em operações que viriam a causar um prejuízo de 600 milhões de euros ao BCP e que tentaram esconder.» in [Esquerda.net]

Endereços da Internet == Cibersegurança ? Parece que sim

Um director do Centro de Cibersegurança do Departamento de Segurança Nacional dos EUA é o favorito na eleição para um organismo que, estatutariamente, gere os endereços da Internet.

III Torneio Contacto de Futsal -2009

Informação em www.planetafutsal.com

E porque hoje vou ao cinema...

TETRIS

21 junho 2009

Uma Europa para quem?

«O primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, disse hoje estar a considerar realizar o novo referendo sobre o Tratado de Lisboa "no início de Outubro", depois de ter obtido as garantias que visam tranquilizar os eleitores irlandeses.» in [Diário Digital]

Há um ano atrás a Irlanda, numa consulta aos cidadãos, recusou através de um referendo a ratificação do Tratado de Lisboa. Cumprido o período de nojo, o referendo constitucional ao Tratado de Lisboa voltará à Irlanda.

Era algo espectável, findado o plebiscito de há um ano atrás ainda o Não ao tratado de Lisboa estava a sair do prelo, e nos noticiários das televisões e rádios, já os eurocratas promoviam (ou melhor exigiam) a repetição do referendo. Começou, então, uma campanha de responsabilização sobre o acontecido ao povo irlandês (ou seja, pressão). Eurocratas e afins acusavam a Irlanda, ou seja, o seu povo, de impedir o desenvolvimento da Europa ao recusar a ratificação do Tratado de Lisboa. Depois de chantagens da Europa sobre a Irlanda e chantagens da Irlanda sobre a Europa o próximo referendo está para ser realizado até Outubro de 2009.

É assim nesta Europa "democrática", o Não aos seus interesses, embora legítimo e escrutinado, é repudiado e não aceite. Os eurocratas tudo estão a fazer para que a opinião sobre o Tratado de Lisboa mude na Irlanda. Realmente, o que é que querem estes gajos: um Tratado que está escrito num qualquer código simbólico (pois aquilo não é uma linguagem humana) em que os maiores interessados (pelo menos directamente) os políticos e governantes aparentam ter medo em discuti-lo e que não aceitam o referendar é no mínimo merecedor de uma forte rejeição. Assim vai a Europa e nós por cá.

20 junho 2009

Infelizes

«A indústria fonográfica acusa Thomas-Rasset de ter colocado mais de 1,7 mil músicas no site de compartilhamento de arquivos Kazaa, antes de o serviço ser legalizado. No tribunal, ela se descreveu como "uma grande fã de música".

Os advogados de defesa argumentaram que as gravadoras não tinham como comprovar que ela era a pessoa que estava compartilhando as músicas, sugerindo que isso pudesse ter sido feito por seus filhos ou seu ex-marido.

As gravadoras, entre elas Sony, BMI, Universal e Warner Music, dizem que estão se concentrando em trabalhar ao lado de provedores de serviços na internet para endurecer as punções para os condenados por compartilhamento ilegal de arquivos.» in [O Globo]

Conclusão: o «lobby do copyright» concentra-se na concertação com os ISP's (fornecedores de Internet) para punir futuros utilizadores que compartilhem (reparem, compartilhar, não roubar ou lucrar) música na Internet. Não é por acaso que os ISP's se juntam com o lobby do copyright nesta paródia e emergente saga de punição.

Em primeira instância são eles que lucram com a partilha de ficheiros na Internet e todo o tráfego consequente. Todos pagamos para ter acesso a ela e pagamos através de taxas de tráfego, como quem diz de download (que crime!!), impostas pelos fornecedores de Internet. Não deveriam eles (os fornecedores de Internet) pagar os direitos de copyright? Não deveriam eles seguir o exemplo do Youtube que se aliou a uma editora repartindo lucros e assim disponibilizando vídeos e músicas gratuitamente para os utilizadores, mantendo assim o espírito livre, gratuito e de partilha que impulsionou aquele sítio.

No entanto, referindo o caso citado, quem paga a factura (monetária e legal) -uma multa de 1,4 milhões de euros- por partilhar uns ficheiros (reparem sem lucrar nem roubar) de música é uma mãe com quatro filhos que gosta, imaginem só, de música e de compartilhá-la. É assim que queremos uma sociedade? Pois a realidade virtual é isto mesmo, a realidade (um reflexo) da sociedade num mundo virtual -para os defeitos e virtudes.

Deixo aqui como forma de reflexão um comentário anexo a uma notícia sobre o primeiro português condenado por pirataria musical na Internet:

Deixem-me ser completamente demagógico e irracional:

- Processo Casa Pia: nada
- Processo Apito Dourado: nada
- Assassinatos de seguranças na noite: nada
- Caso Maddie: nada (com direito a humilhaçãozinha no estrangeiro...)
- Caso Freeport: nada
- Caso "dos sobreiros": nada
- Caso BCP: nada

Mas soube-se prender um jovem que fez um download ilegal!! Ah leões!!!

A justiça portuguesa é um paradoxo das redes de pesca: apanha o peixe miúdo, mas o peixe grande passa à vontade...

Sim, sei que fui altamente demagógico. Mas também me lembro que o símbolo da justiça é uma balança e a venda nos olhos. Pena que a balança esteja desequilibrada e que a venda tenha caído....

Sei que a lei é para se cumprir. Mas foda-se, que a cumpram todos!!!

Contra a discriminação, marchar (sei que é uma frase gasta mas é o que se arranja)

19 junho 2009

Porque irão pagar aqueles que nada lucram? Enquanto outros...

«(...)já é totalmente inaceitável que, em nome da "partilha" e da "pirataria libertária", se criem novos "intermediários piratas" e novas indústrias que enriquecem à custa dos criadores e produtores, sem lhes pagar um cêntimo. Por exemplo, as empresas que vendem as ligações à net (Netcabo, Sapo, Tvtel...) e que cobram pelos downloads num fabuloso negócio, mas não revertem nada para quem produz o que é descarregado. Ou as discotecas que fazem lucro com a música e as bebidas que vendem, mas que só pagam as segundas. Ou aqueles sites de partilha de ficheiros, verdadeiros intermediários do download, que enriquecem com a publicidade que lá é colocada mas que não pagam a quem produz o trabalho de que se apropriam. Ou todos aqueles que, servindo-se do trabalho dos outros, fazem negócio à custa deles, invocando os valores da "partilha", mas não estão dispostos a partilhar os lucros com aquela que é, normalmente, a parte mais fraca deste processo, ou seja, os autores e intérpretes.» in [Esquerda.net]

Um texto, de obrigatória leitura, de José Soeiro: Os novos piratas da era digital: negócio ou partilha?

18 junho 2009

Pela Internet como a conhecemos (II)

O Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), organização privada que alega ser uma «non-profit corporation for charitable and public purposes», gere os domínios e especificações técnicas da Internet. Uma organização acusada de que a sua "utilidade pública e de caridade" esteja condicionada aos desejos e desígnios do governo americano e, consequentemente, das grandes corporações. Claro que a independência e a responsabilidade deste organismo perante a comunidade internacional é muito discutível.

No entanto, o protocolo que funciona no âmbito de um acordo de projecto com o Ministério do Comércio dos Estados Unidos está a ultimar. Já se lêem propostas para a entidade (e o âmbito de acção) que irá substituir o ICANN nos desígnios do "controlo" da Internet. Daí, a comissária europeia Vivianne Reding, arauto das "boas e controladas práticas na Internet", divulgou o documento (que espera) estratégico onde volta a defender "maior transparência e responsabilização multilateral no governo da Internet.

A comissária (e o organismo que representa) já tinha proposto uma "ciber-polícia" que controlasse e protegesse as redes contra ataques "cibernéticos". Afirmando a necessidade de um "Mister Cyber Security", pois as medidas empreendidas até agora pelos estados membros têm sido negligentes. Penso que já percebemos o que pretendem.

Claro que ela e o organismo que representa (Comissão Europeia) têm uma ideia de como garantir uma «"maior transparência e responsabilização multilateral no governo da Internet». Eles "aceitam que a gestão diária do funcionamento da Internet seja conduzida por empresas privadas, desde que assumam responsabilidades e sejam independentes".

Pois, tal e qual como ICANN. Não é surpreendente vindo de quem vem, os populistas europeus (a família europeia do PSD e PP) são, agora, os representantes políticos da boa "governação" da Internet. Uma "boa governação" apoiada e incentivada pelas grandes corporações que têm grandes interesses em regular (controlar) a Internet. Daí que preconizem que uma entidade privada substitua a outra e releguem o Estado (e consequentemente os seus cidadãos) a simples cumpridores de regras e condições vindas de uma entidade privada (obviamente que não representa os cidadãos).

No entanto existe uma proposta para resolver a independência e responsabilidade à gestão da Internet atribuindo estas competências às Nações Unidas. Mas a Europa e EUA preferem que estas competências estejam concentradas num organismo privado. Porque será?

O (...)controlo [das corporações] que exercem sobre a Internet é mais prejudicial do que o controlo de qualquer governo. Nem mais. É evidente a pressão dos agentes privados no controlo e regulação para imporem a lógica corporativista na livre Internet. O mote é o mesmo, monopolização do lucro e a "fuga" deste na Internet.

E porque hoje vou ao cinema...

The Legend Of Zelda

Músicas da minha adolescência IX

Muse - "Darkshines"

15 junho 2009

Claro que a "exigência" não está disfarçada de aproveitamento político...

«O deputado do CDS-PP Nuno Magalhães exigiu, esta segunda-feira, explicações ao ministro da Justiça, Alberto Costa, sobre a fuga de detidos da prisão de Caxias, no sábado, considerando a situação grave.» in [Tsf]

Alegrai-vos, pelo menos por enquanto, detractores da cidadania pois o sítio do demo está em baixo

Aparentemente, o famigerado site PetitionOnline, em concreto o acesso aos seus servidores, foram atacados por um DoS(Denial-of-service attack). Como consequência o sítio está indisponível e, portanto, todas as suas páginas (petições) estão temporariamente inacessíveis.

De salientar que este sítio alberga centenas de milhar de petições de vários pontos do globo e o serviço à cidadania e à liberdade que este sítio predispõe é deveras considerável. Foi, provavelmente, devido ao seu peso democrático e ao volume de visitas que recebe diariamente que o sítio se tornou um apetecido alvo do mal cibernético.

Porém, convém referir que este ataque não corrompeu os servidores nem os dados guardados. Sendo assim e em princípio todas as petições e assinaturas estão salvaguardas e "à espera" que a normalidade reine para que possam estar outra vez disponíveis a todos os internautas.

Adenda: um comunicado da autoria de uma alegado responsável na empresa

«According to technical staff at our server center, the PetitionOnline.com web site operated as a public service by Artifice, Inc. has been inaccessible for about 10 hours, so far, due to a sophisticated distributed denial of service (DoS) attack.

PetitionOnline is a busy site, with a top-5000 Quantcast rating, a four-digit Alexa rank, and millions of unique monthly visitors. At any given time, tens of thousands of petitions are active on the site, and 30,000 or more signatures are collected on a typical day.

As long as site communications are blocked by the ongoing attack, we don't have a really good way to communicate with the huge community of users at PetitionOnline, so I'm posting this message here for those who may find it, Google willing.

We appreciate the calls and emails of concern and support we have received today from many site users.

Note that this DoS attack consists of blocking off communication from out on the Internet to the PetitionOnline site. The attack is entirely external to the PetitionOnline web server itself. None of the recorded petition signatures, or other stored data, is in danger from this attack.

Denial of service attacks are a form of computer crime. Laws regulating these attacks vary from nation to nation, but in the UK, for instance, they are punishable by up to ten years in prison.»

Pela Internet como a conhecemos

A livre troca de informação e cultura na Internet revolucionou o modo como pensamos este espaço em que vivemos. Contudo, o princípio livre (mas não desregulado) da Internet continua (como qualquer princípio que pratique a liberdade) a preocupar e incomodar certos sectores da sociedade. Nomeadamente, sectores que possuam interesse económicos e políticos são tradicionalmente adversos ao conceito da livre troca. Uns porque este princípio põe em causa lucros e dividendos outros pelo facto que a livre troca de informação, que propicia a liberdade de discussão e exposição de opiniões e ideais, é um entrave à imposição das suas ideias e opiniões.

No entanto, este conceito de liberdade já está irreversivelmente assimilado pelos internautas mas este facto não impede que políticos e grandes corporações se unem na limitação daquilo que é o advento da Internet e propulsionador do seu sucesso: a liberdade de troca de informação e cultura.

Daí que alguns movimentos que estão "geneticamente" contra estas limitações já se politizaram. O caso mais recente e popular é o movimento do Partido Pirata na Suécia. Nasceu como uma resposta social a uma condenação dos fundadores de um famoso site de partilha e hoje é um partido político que elegeu um eurodeputado e com a sua causa ramificada em muitos países.

Porque é preciso preservar este reduto de liberdade é necessário que todos defendam o direito à livre Internet e exijam a retracção destes intuitos castradores. Porque o "ataque" à liberdade proporcionada pela Internet está a crescer, e é necessário que todos que prezem esta liberdade se sensibilizem e lutem contra estas intenções infames.

O "Estado Judaico"

Sendo verdade que em rigor o Estado de Israel não seja uma teocracia (possui um regime democrático) também é válido pensar que continua a fundamentar tanto a sua política como as suas acções em pressupostos religiosos. Não é displicente, que o governo actual (uma coligação entre a direita e a extrema-direita), como outros anteriores governos, enfatizam a sua "religosidade" (embora a sociedade israelita não seja a cópia dos usos e costumes dos seus governantes) nas relações políticas. Há quem afirme que esta é a verdadeira causa para o conflito territorial naquela zona: um Estado falsamente laico e o fervor religioso que ultrapassa os meandros da discussão teológica. Em suma são livros e palavras (sagradas) que outrora delimitaram áreas (podemos considerar também o factor histórico do povo semita). Num mundo, surreal, estas questões seriam discutidas por eclesiásticos e teólogos deixando as quezílias religiosas no antro do estudo. Mas não é isto que acontece e, naquela zona, os objectivos da política se confundem com os objectivos da religião.

Sobre esta evidência há um exemplo recente: a abertura (forçada pelos EUA) em relação ao Estado Palestiniano.

No conjunto de condições basilares para um futuro acordo entre as partes destaco uma condição que exige o reconhecimento dos palestinianos do Estado judaico e, não, do Estado israelita (como um Estado democrático e laico deveria se denominar). Pormenores que ditam a diferença.

post scriptum: no contexto das exigências pedidas por Benjamin Netanyahu, o Estado judaico exige que o território concedido (e não devolvido é a pureza das palavras) aos palestinianos não possuirá um exército, não terá o controlo do espaço aéreo, não permitirá entrada de armas, nem a possibilidade de estabelecer alianças com o Irão ou com o Hezbollah", o movimento xiita libanês. Tenderia a concordar com ele se este estímulo pacifista também se estendesse a Israel.

Ok, estou na fase PJ

rid of me, Pj Harvey

Contestação no Irão

O Irão vive momentos de instabilidade social e política devido a uma alegada fraude eleitoral. Em causa estão dois conceitos sobre como e por quem deve ser conduzido o Irão. É certo que os dois candidatos não estão polarizados nas políticas para o Irão e o seu relacionamento internacional, somente são "graus" diferentes: um moderado reformador (Mousavi) e o outro um conhecido (o presidente Ahmadinejad) conservador.

Os apoiantes do candidato Mousavi renegam o escrutínio e adjectivam as eleições como fraudulentas, manifestando-se um pouco por todo o país. No entanto, o recém-eleito (o anterior presidente) Ahmadinejad reafirma a sua legitimidade da eleição que o elegeu e, com a razão de um totalitário, tenta conter as manifestações e o descontentamento com a prisão de contestatários, a supressão de agências noticiosas e sites que possam incomodar o regime na senda de calar e impor os resultados eleitorais.

Convém referir que o Irão, em rigor a República Islâmica do Irão, é um estado teocrático que possui como "chefe máximo" um guia supremo (um eclesiástico) com certos e determinados poderes (com um mandato vitalício). Estas eleições visaram a eleição do presidente executivo, que tive (as eleições o respectivo presidente) o consentimento e apoio do Guia Supremo Ali Khamenei. Mesmo na hierarquia religiosa o país aparenta estar divido. Apesar do chefe eclesiástico supremo ter "apadrinhado" as eleições, aparentemente, outros subordinados não possuem a mesma opinião.

O Irão terá o tempo que se segue para se definir politica e socialmente (pois há implicações sociais). Ora, ou o Irão continuará na órbita do conservador Ahmadinejad que depois destas contestações irá tornar o regime iraniano mais rígido e repressivo ou terá (improvável) ou verá uma reviravolta política sem igual nas últimas décadas, com a imediata impugnação das eleições e emergência de um "novo" conceito na política iraniana.

Um estímulo

Por vezes a denúncia mediática é o estímulo que precisamos para "acordarmos" para a porcaria que nos rodeia. Sem dúvida. O silêncio encoraja a vergonha.

Adenda: The Network um filme interessante sobre este assunto.

12 junho 2009

Relembrar

(A) «Falta de Ética política» (nas Terras de Basto)

Sons verdadeiramente interessantes

wang dang doodle, PJ Harvey

Coisas que a realidade não copia

E porque hoje vou ao cinema...

ThunderCats

10 junho 2009

Relembrar

...como Cavaco (não) homenageou Salgueiro Maia.

Relembrar

...o estado do PSD (local).

Just Google it

«O Google está se aproximando de sua meta de produzir energia renovável a preço inferior ao do carvão, informou o chamado "czar da energia ecológica" do grupo.»

Ao ler esta notícia reparamos com dados muito interessantes. Por exemplo, a Google anunciou em 2007 que iria conduzir pesquisas e investiria em empresas com intuito de produzir energia renovável (a um preço acessível, ou seja, inferior ao preço da energia produzida pelo carvão) em um prazo de alguns anos. Contudo, a força motriz do investimento poderá ser os gastos energéticos que o gigante das Tecnologias de Informação tem anualmente e a sua, respectiva, factura ecológica.

De realçar que o quadro de investimento está centrado nas verdadeiras energias renováveis (sem qualquer exploração das águas), ou seja, a Google tem centrado as suas pesquisas e investimento na energia eólica, geotérmica mas, principalmente, na energia térmica solar.

Um outro dado importante é o valor do investimento. A Google investiu (apenas) cerca de 50 milhões de dólares em empresas que trabalham com energia limpa. A Google tem assumido os riscos (e as possíveis perdas) do investimento por uma energia limpa e a um preço acessível. Substituindo o papel que um Estado e de grandes empresas poluidoras deveriam ter nesta senda por um mundo melhor. No entanto, os responsáveis pelo projecto pedem que o governo dos Estados Unidos desempenhem um papel maior, que assumam maiores riscos e ampliem as pesquisas para o desenvolvimento de uma energia limpa e acessível a todos. Fica o sinal.

09 junho 2009

"Gerir com eficácia os conteúdos perigosos para o público"

O governo chinês reforçará o controlo virtual (mas tão duro e execrável como o real) ao decretar a obrigatoriedade da presença de um software que monitoriza os acessos do utilizador e bloqueia, caso a "base de dados" assim o determine, o acesso deste a certos sítios "não recomendáveis". Tal como os governos, as grandes multinacionais renegam, quase instantaneamente, a liberdade e a ética em troca de uma proveitosa entrada/permanência no mercado chinês. Contudo, ao nível das reacções internacionais pouco se ouve (e muito menos se age) sobre uma condenação pública e política à RP da China. Prioridades, de um mundo civilizado.

08 junho 2009

Por poucas palavras

... se caracteriza a mais profunda análise da nossa sociedade: O direito ao "foda-se".

Cuidado o "Papão" vem aí

No "rescaldo" das eleições europeias os órgãos de comunicação, em geral, estão pejados com opiniões e opinadores que barafustam adjectivos em relação aos partidos à esquerda do PS. Apelidam-nos como a extrema-esquerda. O intuito é claro (por parte de quem profere estes adjectivos): intimidar quem lê ou vê estes adjectivos, facilmente atribuídos, para suscitar velhas memórias e incutir o medo fácil da mudança. Se atribuem este adjectivo pelo facto que estes partidos situam-se à esquerda da geografia política do PS, o que dirão sobre o PP? Este partido situa-se no espaço à direita do PSD, por isso, segundo este tolo critério, também poderão poderão apelidar o CDS-PP como extrema-direita. Pois, à extremos e extremos.

Eleições Europeias 2009 - Europa

fonte: elections2009

No conjunto dos países constituintes da União Europeia, o grupo político PPE (onde figura o PSD e PP) foi o grande vencedor destas eleições europeias. Assim o povo escolheu. No entanto, os resultados reflectem a opinião de que a maioria dos votantes pretendem uma certa continuidade nas políticas europeias definidas no Parlamento Europeu (ainda restrito em certos poderes). É um voto para que Durão Barroso e as políticas neoliberais que nos presentearam com esta e outras crises continuem. Os próximos cinco anos serão decisivos (ou seriam a ver vamos) para uma mudança do paradigma europeu, que tem sido moldado pela ideologia neoliberal. Relembrar o trabalho (mal) feito como a horrível directiva sobre a Imigração Ilegal, a tentativa de implementar a vergonhosa directiva do trabalho, a tentativa de implementação do Tratado de Lisboa e as tentativas de restringir a liberdade ao condicionar (indirectamente) o acesso à Internet e o perigoso sinal de mudar o vigente paradigma Europeu (abandonar o Modelo Social Europeu e abarcar um Modelo mais, digamos, belicista).

Nestas questões o PS, PSD e CDS-PP alinham nas intenções da maioria do Parlamento Europeu. Votam Durão Barroso, querem restringir a imigração, apoiam o Tratado de Lisboa, apoiam quase as mesmas políticas sobre os direitos do e ao trabalho e são tão obtusos e reticentes sobre uma maior fiscalização económica e proibição dos antros de perdição que são as offshores. A ver vamos.

Eleições Europeias 2009 - Portugal

fonte: elections2009

PSD - 31,69% (elege 8 eurodeputados); PS - 26,57% (elege 7 eurodeputados); BE - 10,73% (elege 3 eurodeputados); CDU - 10,66% (elege 2 eurodeputados); PP - 8,37% (elege 2 eurodeputados);

O PSD sentenciou-se como o partido mais votado, nas eleições europeias de 2009, em Portugal. De realçar, que embora tenha reunido o maior número de votos esta vitória não é expressiva, ou seja, considero uma vitória "relativa" porque pouco mais votos teve do que as eleições europeias de 2004 onde concorreu coligado com o PP. Certamente, é uma vitória tanto para o partido como para a sua dirigente e para o seu cabeça-de-lista, que contrariaram a maioria das sondagens pré-eleitorais e opiniões internas que os questionavam.

O resultado eleitoral atribui ao PS uma pesada derrota. No contexto em que as eleições europeias são percepcionadas como as "primárias" (que não deveria acontecer) das eleições legislativas, este resultado apresenta um sinal preocupante para as hostes socialistas. Foi evidente a sangria de votos para a sua esquerda. A mesma esquerda política que, assustados quanto baste (tanto os partidos de direita e o partido socialista), fartam-se de adjectivar como a extrema-esquerda. Na minha opinião, este resultado apresenta-se como a verdadeira causa da vitória do PSD. O PS periclitante e arrogante teve o prelúdio que deveria ter. É um sinal.

O Bloco de Esquerda apresenta um resultado histórico. Numas eleições onde o número de deputados eleitos para o Parlamento Europeu diminui e a abstenção atinge um valor preocupante (cerca de 63%) o Bloco elege três deputados e aumenta substancialmente o número de votos em comparação às eleições europeias de 2004. É um sinal da rua. O mesmo sinal que preocupa o PS e começa a preocupar a direita política portuguesa. Sem dúvida um resultado marcante e que poderá vaticinar uma mudança na orientação deste partido para as legislativas.

A CDU com um resultado muito próximo do Bloco de Esquerda perfaz, também, um bom resultado eleitoral. Aumentou em cerca de 1,57 p.p. o resultado obtido em 2004. A CDU como o Bloco de Esquerda figuram-se os principais responsáveis pela "queda" do PS. Juntos consubstanciam cerca de 21% dos votos. Um resultante animador para a verdadeira esquerda e preocupante para os partidos onde predominam as políticas ditas de direita (PSD, PS e CDS-PP).

O CDS-PP também atinge um excelente resultado. Abarca 8,73% dos votos e elege dois deputados para o Parlamento Europeu. Tal como o PSD, o CDS-PP, contraria as sondagens e afirma-se como um partido "vivo" e activo.

Eleições Europeias 2009 - Terras de Basto

fonte: O Mal Maior

Nas Terras de Basto em coerência com os resultados eleitorais no Norte do país, o PSD arrecadou a maioria dos votos. Contudo, o bastião socialista (Cabeceiras de Basto) foi o único concelho desta Região a atribuir a vitória ao Partido Socialista.

Eleições Europeias 2009 - Cabeceiras de Basto

fonte: MJ

Em Cabeceiras de Basto, concelho tradicionalmente socialista, o PS ganhou as eleições congregando 42,17% dos votos. No entanto, houve um perda de 13,92 pontos percentuais em relação às eleições de 2004. O PSD arrecada 37,95 % dos votos. De realçar como terceira força política o CDS/PP com 5,79% dos votos. O Bloco de Esquerda ultrapassa pela primeira vez, neste concelho, a CDU. Em geral, os partidos à esquerda do PS tiveram uma subida substancial, nomeadamente o Bloco de Esquerda que quase quadruplicou o resultado de 2004.

Eleições Europeias 2009 - Refojos de Basto

fonte: MJ

Na vila de Refojos de Basto, sede do concelho de Cabeceiras de Basto:

o partido mais votado foi o Partido Socialista agregou 38,31% dos votos (menos 15,05 pontos percentuais do que as eleições de 2004 o que significa em votos absolutos um decréscimo em 195 votos);

o segundo mais votado foi o Partido Popular Democrático/Partido Social-Democrata que agregou 37,42% situando-se a uns míseros 0,89 pontos percentuais (14 votos) do resultado eleitoral do Partido Socialista;

a terceira força política mais votada foi o Centro Democrático Social/Partido Popular que consegui reunir em Refojos de Basto 7,54% do escrutínio, ou seja, 118 votos;

como quarto partido mais votado situa-se o Bloco de Esquerda com 5,87% dos votos, em absoluto, 92 votos;

a quinta força política foi a Coligação Democrática Unitária com 51 votos, ou seja, 3,26%.

Nestas eleições realça-se a parca vitória do PS que, nesta vila, viu diminuído em 15,01 p.p. o número de votos (em comparação com as eleições europeias de 2004). O PPD/PSD ficou muito próximo dos resultados do PS situando-se em segundo lugar por apenas 14 votos. O CDS/PP afirmou-se como a terceira força política. O Bloco de Esquerda teve um resultado honroso, mais que triplicou o número de votos (em comparação com os resultados com as eleições de 2004). A CDU teve um aumento de 0,58 p.p. (mais 11 votos).

06 junho 2009

Identidade europeia

Independentemente dos resultados eleitorais de amanhã, quero aqui deixar um sentimento de apelo à reflexão de todos os portugueses. Ao longo das últimas semanas, acompanhei de raspão a campanha eleitoral para as eleições europeias, e foi com enorme desagrado que constatei, através dos meios de comunicação, que os discursos dos candidatos se centraram, de grosso modo, numa espécie de discussão clubística, invocando frequentemente matérias do foro nacional, na tentativa de mobilizar ou desmobilizar as intenções de voto em A, B, ou C, ou …, etc. Algo a que o nosso historial político já nos vai habituando, com pouco de futuro, e muito apontar de dedos ao passado, por entre demagogias e distracção de temas nucleares, mediante ataques populistas inter-partidários e inter-candidatos. A certa altura, cimentei no meu discernimento que esta campanha se transformou num embuste para quem realmente está interessado numas europeias sérias e de utilidade nacional. Fiquei com a sensação de que esta campanha, não foi, de maneira alguma europeia, mas, por outro lado, uma preparação ou ensaio, para aquilo que mais interesse suscita na sociedade política e civil - Legislativas e Autárquicas. Não ficarei espantado se a abstenção às urnas envergonhar o nosso País, perante os restantes membros da UE.
E já que os nossos candidatos dedicaram pouco do seu tempo em esclarecer os eleitores sobre as suas ideias e projectos para a Europa, resta a cada um de nós, independentemente do eleito, pensar um pouco no papel que Portugal tem na Europa enquanto Estado membro de uma comunidade multicultural. Seria bom que individualmente e corporativamente se reflectisse sobre esse mesmo papel, procurando não apenas lembrarmo-nos da EU, reclamando fundos quando se instalam dificuldades internas, e esquecermo-nos depois, dos deveres e responsabilidades enquanto cidadãos e enquanto Estado membro, no compromisso (que supostamente deveríamos assumir) para a construção de uma Europa que se deseja unida, com as suas diferenças, mas com objectivos de convergência nas matérias que a fracturam. Porque para quem “sofre” de egoísmo/egocentrismo ou, para quem tem memória curta, houve muito recentemente, um alargamento desta mesma comunidade através da inclusão de novos Estados membros, Estados esses com características próprias, mas, fundamentalmente, com necessidades também, que em muitos casos, superam as do nosso País. Portanto, seria bom que na nossa mentalidade se instalasse a crença de que Portugal não pode limitar-se a receber da Europa, mas também a dar à Europa (e aqui não me refiro a questões económicas). Quero com isto dizer que, sendo a Europa um conjunto de Estados culturalmente distintos, com especificidades próprias, com dificuldades e necessidades diferentes, mas também, com potencialidades por explorar, cabe a cada Estado membro reflectir sobre essas potencialidades, sobre aquilo que tem e que pode dar aos outros que não têm, e sobre o que realmente não têm e necessitam dos outros, criando um compromisso de desenvolvimento conjunto, sem perda da identidade própria. Só com uma Europa solidária, de forma responsável, não preconceituosa, não xenófoba, assente numa plataforma eficaz de mobilidade e de emprego, com uma legislação convergente nas matérias sociais e jurídicas, com uma aproximação cultural na partilha e discussão de matérias de interdependência, bem como, na discussão das políticas ambientais, energéticas, financeiro-económicas, de saúde e educação, se poderá pensar numa União que possa funcionar como um bloco sólido. Mas para que esta Europa se solidifique, cada País que compõe a sua estrutura, terá de se readaptar ao seu conceito. Assim sendo, Portugal, integrando-a não é excepção, e à semelhança de muitos outros Estados membros, está neste momento, demasiadamente centrado sobre si próprio, sem um sentimento europeu interiorizado. A mentalidade da nossa cultura está a anos-luz de compreender o que a UE significa, e basta estarmos atentos para facilmente observarmos que não faltam por este país fora muitos que se auto-intitulam de pró-europa, sem sequer entender o seu conceito e as suas bases ideológicas de formação, apenas a olhando como o mealheiro de reserva quando a crise se instala ou quando se quer dinheiro para construir alguma coisa. Nós sociedade, temos o dever de procurar explorar as nossas potencialidades, e ao mesmo tempo, comportarmo-nos como cidadãos europeus devidamente civilizados, zelando pela democracia e civismo, procurando a justiça, a exigência, o rigor, o cumprimento dos deveres cívicos e da lei, deixando de parte o individualismo e o “chico-espertismo” que tem reinado nos últimos tempos e, que de certa forma, tem contribuído para o estado caótico da nossa cultura e, para o consequente afastamento da Europa nas mais diversas matérias, que não raramente nos envergonha quando em quase todas as estatísticas figuramos na cauda ou perto dela.

05 junho 2009

No Dia Mundial do Ambiente um documentário essencial: "Home O Mundo é a Nossa Casa"

Sinopse:

Em 200 mil anos na Terra, a Humanidade tem perturbado o equilíbrio do planeta, estabelecido por quase 4 biliões de anos de evolução. O preço a pagar é alto, mas é tarde demais para ser pessimista: a Humanidade tem apenas 10 anos para inverter esta tendência e tornar-se consciente da extensão total da destruição da Terra e alterar os seus modelos de consumo. Yann Arthus-Bertrand, o realizador, traz-nos imagens aéreas únicas de mais de 50 países para partilhando esperanças e receios num filme que lança a primeira pedra do edifício que, todos juntos, teremos de reconstruir.

Curiosidade:

Estreia hoje em 50 países, em simultâneo, o filme "Home - o mundo é a nossa casa" que pretende consciencializar a humanidade para a dimensão dos estragos já feitos no planeta.

Mystic Peace

voodoo child, Jimi Hendrix

Com a verdade me irritas, serão estes os ministros de amanhã?

«Em entrevista ao Semanário Sol, o Ministro do Ambiente diz que a água em Portugal é muito barata e que a breve trecho o preço das tarifas deve aumentar 15 vezes para "valores consentâneos com o resto dos países da OCDE". Nunes Correia adiantou também que o governo "não tem qualquer tabu com a privatização da água".»

Certamente, Nunes Correia (ministro do Ambiente para quem não conhece a peça) tem-se comportado como um ministro do Ambiente dos governos PS e PSD. Pouco se sabe sobre o seu trabalho e, como consequência, o Ambiente ressente-se. Não é necessário relembrar as diabruras que o seu ministério (e respectivos apêndices) tem feito com o tópico das barragens. Desta vez, o ministro afirma que o preço das tarifas deve aumentar 15 vezes e que a privatização (o que de um certo modo é o que acontece com o negócio das barragens) não é nenhum tabu. Pois não, está a vista a consideração que tem sobre um bem comum, cada vez mais escasso (daí a apetência em ganhar algum com a água seguindo a área lei do mercado oferta/procura) e essencial à vida.Segundo esta lógica, qualquer dia privatizarão o ar- nunca se sabe. Porém, neste artigo exposto no Esquerda.net é salientado algumas incoerências nos argumentos do ministro para este aumento, e passo a citar:

«O facto de existirem numerosas famílias com dificuldades para pagar as facturas da água, situação que se agravou com a crise económica e com o aumento da precariedade, não parece preocupar o Ministro.

Por outro lado, de acordo com um estudo desenvolvido pelo IRAR (Instituto de Águas e Resíduos), relativo aos tarifários em vigor em 2007, o encargo médio com o abastecimento e com serviços de saneamento de água, para um cliente doméstico, rondava os 157 euros anuais, ou seja, cerca de 13 euros mensais, perto de 2% do salário médio em Portugal (cerca de 700 euros). E se dúvidas existisse, este gráfico do Programa das Nações Unidas para o Ambiente mostra que em Portugal se paga mais pela água do que em Espanha e Itália. São dados que desmentem as contas do Ministro do Ambiente.

O Bloco de Esquerda já reagiu, em comunicado, a este anúncio do Ministro: "É inaceitável que num país com 2 milhões de pobres, 500 mil desempregados, uma média salarial das mais baixas da Europa e um alarmante nível de endividamento familiar, a preocupação do Governo seja aumentar as tarifas da água, um recurso vital e necessário ao bem-estar das populações." Quanto a uma eventual futura privatização da água, Nunes Correia afirmou ao Diário Económico que "neste momento, não existe nenhuma intenção de privatizar a Águas de Portugal". "Optámos por privatizar ramos da AdP, como a Aquapor, a Luságua ou a Recigroup", disse o ministro, assegurando que o governo não tem "nenhum tabu com a privatização, mas daqui a uns anos não seremos nós a decidir". »

04 junho 2009

"Uma espécie de confissão"

Um banqueiro no confessionário I

Um banqueiro no confessionário II

Um banqueiro no confessionário III

Já tarda em por-mo-nos em fronte dos tanques (II)

Já tarda em por-mo-nos em fronte dos tanques

via [Fontes do Ídolo]

E porque hoje vou ao cinema...

TRANSFORMINATORS

02 junho 2009

Uma "cruz pesada"

Assistimos, nos últimos nove meses, à "injecção" por parte da Caixa Geral de Depósitos no Banco Português de Negócios do revoltante valor de 2,55 mil milhões de euros. Uma "cruz pesada" para um país que está diante uma crise social e que se conteve sempre em outras despesas, digamos, mais pertinentes. No entanto, a decisão que legalmente permitiu este montante (a nacionalização) alegadamente (por que vivemos no tempos das alegações) foi baseada num parecer do mui atento governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, três dias antes da decisão parlamentar (somente a maioria socialista votou favoravelmente). Um parecer que aconselhara a nacionalização (sem o cálculo dos possíveis custos) em somente sete linhas. É assim, no país pejado de bons e atentos senhores. Para isso dedico-os uma música que tem como título um sentimento que alegadamente não reina no mundo dos "decisores" deste mui honroso país:VERGONHA.

Ordem e desordem

Assisti ontem ao programa Prós & Contras com o tema "GUERRA ABERTA -O que divide os advogados" e alicercei a minha opinião sobre o mediático bastonário da ordem dos advogados. Sem dúvida, ele, o bastonário, é alguém como poucos na vida pública portuguesa. Mediante as ideias dele e o modo como as defende (estou farto de "paninhos quentes"!) a minha opinião solidificou-se: é um homem essencial para a mudança que este país necessita.

Para quem não viu fica aqui os links para a primeira e segunda parte(respectivamente) do programa exibido ontem:

A primeira parte do programa;
A segunda parte do programa.

Adenda: fica aqui um post em que partilho muitas das considerações ali feitas sobre a "Guerra das togas":Prós e Contras - Marinho Pinto.

Por vezes acontece, o mensageiro também implica a mensagem

Sobre a não exposição dos tópicos europeus na campanha eleitoral Daniel Oliveira afirma e bem que:

«Todas as eleições é a mesma rábula: os jornalistas escolhem, de cada dia de campanha, as frases dos candidatos sobre política nacional. Ignoram quase todos os temas europeus sobre os quais quase todos os candidatos falam. Chegam ao fim, e dizem que a Europa esteve arredada do debate.»

E porque hoje vou ao cinema...

Grand Theft Auto

01 junho 2009

Uma triste realidade

«Em 78% dos países do grupo dos mais ricos (G20) foram registados casos de tortura e agressões por parte das autoridades, assinala o relatório sobre 2008 da Amnistia Internacional, ontem divulgado.

Esta constatação levou a que a secretária-geral da organização, Irene Khan, tenha desafiado os líderes mundiais a enfrentarem esta "crise de Direitos Humanos explosiva" e a não relegarem para segundo plano esta questão desculpando-se com a crise económica.» [ler mais]

Quando a sociedade civil faz emergir do fundo do baú das conveniências certos assuntos (assuntos estes que costumam qualificar como "fracturantes") há quem se arrepie (por preconceito ou desconhecimento) pela pertinência destes. É assim numa sociedade em "ruínas". Onde os direitos são subjugados pelo fútil, pelo dinheiro, pelas conveniências ou, pela vil indiferença. Se eu pudesse avaliar quão "doente" está uma sociedade, avaliaria-a pela importância que esta dá a certos assuntos. Deixo um desafio: olhem, escutem e avaliem quantos assuntos relacionados com direitos humanos são o tópico principal das vossas conversas, dos média, dos políticos e aí terão a resposta a esta pergunta, já é tempo de mudarmos ?

Há pastores e "pastores"

via [O Mal Maior]

Músicas da minha adolescência VIII