31 dezembro 2009

Não haverá, com certeza, experiência tão emociante do que sermos um bando de espíritos a experimentar o corpo e as sensações humanas...

(retirado daqui)

Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual.

Somos espíritos tendo uma experiência humana.

Uma decisão não ambígua (comum a todos os sistemas computacionais): escolher um político patriótico ou um político anti-liberdade

via [The Onion]

Entrar com os dois pés...

...e, aproveitar o esquerdo para dar um coice em 2009. Que o ano 2010, seja um ano melhor, que traga algo de novo, mais esperança, bem-estar e felicidade.

30 dezembro 2009

Sobre a questão da discriminação (II)

«Mais de um terço dos bebés já nasce fora do casamento Número disparou nos últimos sete anos, mas a tendência vem de trás. "As pessoas estão a construir a sua vida sem necessidade de um papel"» in [Público]

A tendência é clara. Não havendo benefício algum, as pessoas (naturalmente) não assinam o contracto civil intitulado de casamento. O afecto (e o conceito de família) é algo transversal a um conjunto de assinaturas, sejam elas escorridas no cartório ou na sacristia. A família não é uma instituição é somente um conceito afectivo. Muitos viveriam melhor sem estes artificialismos que cobrem e desvirtuam algo tão natural como as livres relações humanas.

Uma desculpa intemporal, excepto naquele tempo (vá lá, que custa a recuperar) de púbere em a que desculpa, digamos, não «colava»

via [PostSecret]

[Uma dica]Se colocarem nestes sítios algumas barragens, com certeza que a EDP irá criar protocolos para mais ETAR

«Segundo o Instituto da Água (Inag), 38 por cento dos recursos hídricos monitorizados em 2008 pelo Sistema Nacional de Informação do Instituto encontram-se extremamente poluídos e inadequados para a maioria dos usos(...)a má qualidade da água tem sido uma constante desde 2005, sempre muito próxima dos 40 por cento» in [Esquerda.net]

Killing me softly

O jornal «Ecos de Basto» tem como notícia de capa uma entrevista com um administrador da EDP. Interessante a entrevista, com perguntas bem colocadas e com respostas, como não poderia de ser, bem calculadas. O título da entrevista é sintomático: «Barragem de Fridão apresenta-se como oportunidade de desenvolvimento». Convém, relembrar, que todo o «desenvolvimento» que uma barragem poderá trazer (com efeitos prolongados) é quase nulo. Isto é, por si só, uma barragem (empreendimento físico) não trará qualquer desenvolvimento para a terra que a acolhe. Contudo, o «desenvolvimento» é impulsionado com projectos à parte da construção da barragem. Estes mesmos projectos (de índole turística) seriam grandemente valorizados se fossem implementados sem a construção da barragem e sem a implosão do ecossistema do Tâmega.

É assim, o conjunto de governantes e políticos (e a população, para bem da verdade) só pensam (ou exigem) projectos e promessas de desenvolvimento em troca de algo que não se troca. Estamos na iminência de vender o Tâmega por meia dúzia de tostões, falsas promessas e com o aval dos políticos e governantes locais como, também, da desinformada e desinteressada população.

Sobre o resto gostaria de frisar que este jornal nunca expôs, nem uma linha, os contras dos empreendimentos destinados a arruinar o Tâmega. E foi notificado para tal mas, tal como as notícias do desagrado e incómodas, ficam relegadas às reuniões de direcção e para escárnio interno. Sem dúvida, um jornalismo de causas.

29 dezembro 2009

The mixtape (just for fans)

via [Arrastão]

Na lista dos vinte cinco vídeos preferidos em 2009 do Vimeo, destaca-se (para fãs) uma mistura audiovisual com cenas e sons (transversais) de vários filmes realizados por Quentin Tarantino. Na falta de conhecimento técnico e de cinefilia aguda, quando se trata de filmes entrego-me à primazia dos sentidos: ou seja, deixo o som e a imagem determinar os meus gostos. Portanto, é fácil perceber porque é que Quentin Tarantino (com os seus filmes e sons) fascina-me.

26 dezembro 2009

Esteve contra a tirania romana, contra a tirania religiosa, contra a tirania do Homem contudo submeteu-se ao céu

Sobre a questão da discriminação

Por mim acabavam os casamentos. O casamento civil, tal como é, serve para pouco mais do que um meio para atingir uma discriminação fiscal e económica. É somente um contracto ente o Estado e dois seres. Finada a discriminação (fiscal e económica) pouco mais servirá o casamento civil do que um papel e um compromisso.

Há um ano cá no sítio

Faz hoje um ano, que me iniciei na escrita como colaborador deste blogue. Antes de tudo, o meu agradecimento pessoal ao Marco Gomes pelo convite. Tem sido uma experiência interessante e estimulante, e por cá continuarei a postar de vez em quando, embora com menos regularidade por razões da vida pessoal. Até um dia destes.

25 dezembro 2009

«Oficialmente»

«É um dos grandes paradoxos da História, um povo oficialmente crente em Deus não reconhece Deus que o visita.» dixit D. José Policarpo (cardeal patriarca de Lisboa) in [Expresso]

D. José Policarpo afirma que nós somos «um povo oficialmente crente em Deus». Gostaria que, algo ou alguém, iluminasse-me com a explicação ou a razão para o cardeal considerar-nos um povo oficialmente crente em Deus. O que é isto de sermos «oficialmente» crentes em Deus? Quem ou que dados oficializaram esta sentença? Ao que parece o clérigo Policarpo gosta de sentenciar algo tão subjectivo e abstracto como as crenças (ou a falta delas) alheias, como se fossem «oficialmente» semelhantes às suas. Pois, mas não são.

Policarpo ao afirmar que somos «oficialmente crentes em Deus» faz relembrar outros tempos. Tempos em que a religião era algo «oficial» nos ditames da República ou da ditadura, como queiram. Tempos em que a tríade Religião-Família-Estado era-nos imposta. Felizmente, a tríade foi quebrada.

Em conclusão, não há «crenças oficiais» de um povo. São objectos tão pessoais como o próprio ser, é algo intransmissível e é um abuso generalizar para os demais a crença de um ou de um grupo de uns. Cuidado com aqueles que durante o tempo determinaram como «crença» e «pensamento» oficial as suas crenças e pensamentos. Na falta de provas e factos o passo mais fácil é assumir como inquestionável, verdadeiro e universal o que não se consegue explicar.

24 dezembro 2009

Votos

Que esta seja um Natal especial, a todos os que aqui passam, e aos que não passam também.

[Considerações sobre o evento] «Impacto das barragens no vale do Tâmega»

Assisti, em Arco de Baúlhe no passado dia 18 de Dezembro, ao evento «Impacto das barragens no vale do Tâmega». Foram cerca de duas horas em que os oradores tentaram esclarecer o auditório sobre as causas e consequências das barragens a construir na bacia do rio Tâmega. Muito se poderia escrever sobre o que lá se disse, contudo gostaria de partilhar apenas algumas considerações que os oradores expuseram:

José Emanuel Queirós (MCDT) salientou, como exemplo, o estado da albufeira da barragem de Torrão. Esta apresenta níveis de eutrofização preocupantes que consubstanciam uma água deplorável. Um sinal do estado ambiental que pode ser multiplicado por seis(as barragens a construir na bacia do Tãmega). Afiançou, mais uma vez, que «se a Lei for cumprida, as barragens previstas para a bacia do Tâmega não serão construídas». Uma frase forte e factual ( suportadas pela legislação portuguesa e comunitária e também pelo relatório,de uma entidade independente encomendado pela União Europeia, que avaliou o plano de barragens).

O professor António Crespí (UTAD) abordou a questão dos Estudos de Impacte Ambiental não preverem como alternativa (pois a legislação obriga a apresentação de alternativas caso sejam identificados problemas) a não construção das barragens. O que implica que caso o estudo de impacte ambiental conclua que a barragem a construir será um apocalíptico empreendimento para aquela região e população, o estudo apenas poderá apresentar como alternativa o «melhor apocalipse», sem considerar que este não possa acontecer. Em tom irónico, penso eu, António Crespí rematou que era a favor de todas as barragens por um conjunto de razões: nós (habitantes do Tâmega) não respeitamos nem merecemos a riqueza e a diversidade biológica das nossas terras e que «vendemos barato» às concessionárias.

João Branco (Quercus) enfatizou as causas para que um plano de barragens tão deficiente e inconsequente continua a sua senda. Relembrou o facto do actual governo ter «encaixado» mil e trezentos milhões de euros (com este plano) no orçamento de 2008, sendo a causa principal para que o défice orçamental ficasse abaixo do patamar dos 3 por cento(imposto pela UE). Reforçou, ainda, que as alternativas às barragens passarem pela aposta na eficiência e poupança energética (é estimado que em Portugal haja 30% de energia gasta desnecessariamente). Logicamente, as empresas de produção de energia não se interessam por isso mas sim em capitalizar a sua produção, em causa está a rentabilidade.

A rematar a sessão foi lançado o repto para transportar até à justiça as razões apresentadas, como forma de impugnar o que o Programa Nacional de Barragens trará para esta região. Aqueles que as apresentaram são simples cidadãos, não podendo combater na luxuosa justiça portuguesa. A razão não vinga sozinha, e neste ponto o apoio de uma câmara (pois tem um conjunto de privilegiados meios de acesso à justiça) seria essencial. Contudo, mesmo com os argumentos apresentados por vários movimentos serem corroborados por entidades externas que avaliaram o plano e os factos falarem por si, não há (fora o partido "Os verdes") nenhum partido político ou entidade governativa que seja publica e vigorosamente contra este plano.

A sessão correu bem, embora a temperatura local não ser a desejável (alguém esqueceu-se de ligar o aquecimento). No entanto sentiu-se a falta dos representantes das entidades políticas e governativas locais. Em concreto, não se viu qualquer representante partidário ou da Junta de Freguesia de Arco de Baúlhe (onde o evento realizou-se) e muito menos da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto. Este foi um evento, realizado pela sociedade civil e com um tema importante, que não mereceu o destaque governativo e político. Se calhar o repasto e as felicitações natalícias são temas muito mais interessantes nos afazeres da política e governação.

Para finalizar, gostaria de felicitar o Vítor Pimenta pelo trabalho efectuado. Ele organizou e preparou, praticamente, todo o evento. Que correu de um forma exemplar.

Este evento foi uma prova do que a sociedade civil cabeceirense pode mexer, sem protecção ou estimulo externo. Haja iniciativa.

post scriptum: podem ouvir (quase integralmente porque faltam os quatro minutos finais) o registo áudio da sessão neste sítio: Movimento Cidadania para o Desenvolvimento do Tâmega.

21 dezembro 2009

Música

Rodando os géneros músicais. Há momentos em que um bom house, é excelente para fazer um refresh.

18 dezembro 2009

Infelizmente, a discriminação tende a manter-se

No momento em que Assembleia da República irá terminar com uma lei discriminatória e alargará o casamento civil a pessoas do mesmo sexo, o Partido Socialista (acompanhado por conservadores) pretende restringir o direito de adoptar para os futuros casais resultantes desta alteração legislativa. Ou seja, os casais homossexuais poderão, amanhã, continuar a adoptar excepto aqueles que estejam, amanhã, civilmente casados. No momento em que se finalizará uma cláusula discriminatória na lei pretende-se criar uma outra. Irónico.

Editorial (XII)

Está (aqui) disponível o Editorial do jornal "O BASTO" do mês de Dezembro.

16 dezembro 2009

«Aumentar o salário é destruir a economia e aumentar o desemprego»

O poder de compra do cidadão português está pior hoje do que em 2005. No presente, a diferença deste indicador em Portugal e em Espanha situa-se em 30p.p., ou seja, os portugueses continuam a divergir da média europeia apesar dos "chorudos aumentos salariais" (segundo o patronato, alguns ministros e políticos). Contudo, no ano de 2008 a banca portuguesa premiou em mais de 13% (através de aumentos salariais, prémios etc) as seus equipas administrativas contrastando com o comum assalariado português que há muito vê os seus parcos aumentos salariais na ordem das décimas. Como diria o outro, somos todos irmãos mas cada um come em sua casa. Amém.

15 dezembro 2009

Tomai e recebei a volúpia terrena, temperada com uma boa música

Informação: esta música dos White Stripes é uma versão de uma música de Dusty Springfield. O videoclip foi realizado por Sofia Coppola (Lost in Translation e afins) e tem como protagonista a menina Kate Moss.

14 dezembro 2009

[esta sexta, 18 de dezembro]

"Impacto das Barragens no Vale do Tâmega"

Local: Casa do Povo de Arco de Baúlhe

Hora: 21h30
Oradores:
Prof. António Crespí (UTAD)
Coordenador da Apreciação dos Estudos de Impacte Ambiental no Tâmega

José Emanuel Queirós

(Geógrafo)Rep. Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega

João Branco

(Eng. Florestal)Membro da Associação Ambientalista "Quercus"

Moderador: Vítor Pimenta

[Copy - Paste (via O Mal Maior)]

Convém ouvir e atender ao que se diz nesta reportagem

O Rio Bessa nasce em Montalegre e atravessa o nosso concelho desde Gondiães, até Cavez, passando por Vilar de Cunhas e desaguando no Tâmega. As paisagens que atravessa são raras e de extraordinária beleza com a mais-valia de possuir um ecossistema quase virgem. Contudo, um dos empreendimentos previstos no PNBEPH determinará a mudança radical da qualidade da água, das paisagens e do próprio caudal deste belo afluente do rio Tâmega. É consensual entre os especialistas que a população encontrada desta espécie rara de mexilhão (mexilhão-de-rio do norte) dificilmente poderá ser transferida para outro sítio. Como, esta espécie, só consegue viver e reproduzir em águas límpidas, pouco eutróficas, bem oxigenadas e em pouca profundidade (o que é o oposto -citando uma passagem da reportagem- do que acontece às águas após a construção de uma barragem) a barragem de Padroselos (se a legislação for cumprida) não poderá ser construída.

No entanto, outro pormenor se evidencia. Ao não construir a barragem o Estado tem pelo menos duas hipóteses: ou reembolsará a Iberdrola (empresa detentora dos direitos de exploração) no valor acordado (76 milhões de euros) ou dará o aval para o aumento da capacidade de produção nos outros três empreendimentos na bacia do Tâmega -em que a Iberdrola possui os direitos de exploração. Porém, esta segunda hipótese embate no estudo de avaliação do PNBEPH, encomendado pela União Europeia, que aconselha o Estado a diminuir em cerca de um terço a capacidade de produção de energia (com o objectivo de preservar o Ambiente, a qualidade da água e fazer cumprir a legislação portuguesa e europeia) nestes mesmos três empreendimentos.

A máxima continua: «Se a lei for cumprida nenhuma barragem na bacia do Tâmega será construída».

13 dezembro 2009

Prémio Pessoa 2009 - D. Manuel Clemente

Ao que parece o episcopado do Porto tem algo que permite aos bispos que presidem a esta jurisdição estejam, em certas alturas do nosso tempo, diagonalmente afastados do pensamento dominante da Igreja. Outrora fora D. António Ferreira Gomes, elevando o Pensamento Social Cristão, que culminou com a escrita da corajosa carta a Oliveira Salazar. Valeu-lhe dez anos de exílio. Actualmente, é o D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, que com a sua intervenção cívica tem-se destacado por uma postura humanística de defesa do diálogo e da tolerância, do combate à exclusão e da intervenção social da Igreja. Valeu-lhe o prémio Pessoa de 2009.

12 dezembro 2009

A Casa do Penedo - Lameira, Fafe

Certamente, pelos menos os habitantes de Terras de Basto e regulares visitantes, conhecerão esta peculiar casa. No meio da serra da Lameira encontra-se esta interessante e, digamos, rústica construção. No entanto, esta casa está a alimentar a curiosidade de muitos outsiders (estrangeiros ou não). Convém ler este artigo no Obvious: casa do penedo - os flinstones à portuguesa

11 dezembro 2009

Apenas mais um episódio da farsa em que tornaram o mundo e as palavras

«Guerra». Esta palavra foi declamada quarenta e três vezes pelo actual prémio Nobel da Paz. Nesta contagem, a palavra «paz» foi enunciada trinta e sete vezes e as palavras «direitos humanos» somaram, em conjunto, sete utilizações na intervenção de Barack Obama na cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Paz.

Este foi um discurso em que Obama defendeu a sua paz, discutiu a sua justificação para a sua guerra, dirigiu-se aos seus gigantes da história e aos seus adversários internos. Portanto, este foi o seu prémio. Como prenúncio do que seria o cerne do discurso, Barack Obama, na saudação inicial saudou os seus cidadãos e os outros, os cidadãos do resto do Mundo, espelhando um pouco do «egocentrismo» americano. Lembro-me que quando Barack Obama recebeu a notificação que tinha ganho o prémio Nobel da Paz, afiançou que este seu prémio era um incentivo «à acção», ou seja, um incentivo à sua justificada guerra para impor a sua paz. Não fora cínico, como alguém disse. Fora cruelmente verdadeiro. Obama, com a atribuição do Prémio Nobel da Paz, viu reconhecido e consentido, pelo menos pelo Comité Nobel, o seu «esforço para a paz», que em crua verdade significa um maior «esforço» bélico.

O presidente Barack Obama enunciou vários conceitos interessantes que poderia realçar e, quem sabe, pôr em causa, contudo, por uma questão de um certo carinho comigo e um certo pudor intelectual, deixo aqui apenas uma consideração: Barack afirmou, algumas vezes, a necessidade de uma «guerra justa» e dos imperativos de uma «paz justa». Gostaria que me explicasse como é que o qualificativo «justa» pode qualificar duas coisas tão distintas e antagónicas como a «guerra» e a «paz»? Resposta: não pode. Não há, nem poderá haver «guerras justas». Há, e haverá com a incidência que a estultícia do homem permitir, a guerra. Apenas um nome, sem eufemismos.

Podem ziguezaguear tanto quanto quiserem o conceito de «guerra» mas uma coisa tenho a irredutível certeza: a guerra não é um meio para alcançar a paz e, muito menos, algo justo. O resto, são jogos de interesse e sintomas de uma sociedade a necessitar de uma mudança, pouco mais.

10 dezembro 2009

Não precisamos de quedas mas sim de mudanças

«Meia dúzia de sessões parlamentares mostraram como vai ser o que resta desta legislatura: em vez de uma governação crescente, uma contagem decrescente. Até a outras eleições. Mas Portugal dispensa esta charada: se é para ser assim, o melhor é o Governo cair já. » Pedro Guerreiro in [Jornal de Negócios]

Sobre esta opinião de Pedro Guerreiro, apenas uma questão: cair para voltar ao mesmo?

Nas sessões parlamentares e declarações, públicas e polémicas de ministros e políticos, ouvimos e vimos a prova sonora e visual de muitas hipóteses enunciadas nos idos tempos pré-eleitorais. Afirmaram que com esta composição parlamentar, com este governo e com estes políticos a necessária «estabilidade governativa» estaria condenada. Pois bem, como um velho pescador dir-me-ia: pela boca morre o peixe. Dito e feito. Estamos perante, praticamente, os mesmos políticos e as suas linhas políticas/ideológicas. Os esperançosos apontavam que mudando as circunstâncias eles se adaptariam comportamental e politicamente, com o objectivo da estável governação deste país. Ora, como eles demonstraram irrepreensivelmente (nas recentes sessões parlamentares e declarações públicas) a hipótese dos esperançosos está errada e os cépticos singram. Não temos como fugir, não se pode apenas mudar a estética e acreditar que o edifício se aguentará se, este, está ocupado hierarquicamente por idiotas e oportunistas. A classe política está, como está, devido às suas próprias prestações. Certamente, haverá quem de bom e de bem esteja cumprindo o seu juramento à coisa pública. Mas, chegará o tempo em que estes estóicos seres se resignarão com a evidência que isto não mudará por dentro mas sim por fora. Enquanto isto não acontecer, aguentemos-nos como bons democratas que somos.

09 dezembro 2009

Isto está cada vez melhor!!!

E não é que eles nos fazem mesmo rir da figura que fazem, e também desesperar, ao apercebermo-nos da estirpe e baixeza de grande parte dos políticos que representam a Assembleia da República e os outros Orgão do Poder, no exercício das suas funções. Em maio publiquei este artigo que encaixa bem nesta situação, exceptuando a parte dos aplausos e ovações. Um esfola e o outro mata, tipo os miúdos quando se pegam. Não conseguem separar os assuntos políticos das quezílias pessoais, só falta socarem-se e lançarem com cadeiras e microfonas pra cima uns dos outros, como se vê, volta e meia, em alguns parlamentos asiáticos. A Ministra Ana Jorge levou a mão à cabeça num gesto de incredulidade perante tais disparates, e, nem o Presidente da mesa (que não sei o nome) conseguiu moderar a palhaçada. Este circo qualquer dia passa a ringue. Este tipo de comportamentos reforça e legitima a ironia e as metáforas que muitas vezes os intervenientes da blogosfera (onde me incluo) utilizam para adjectivar a política nacional, até porque desta vez, os meninos de S. Bento fizeram questão de as utilizar também.

Os tempos que correm...

Um texto escrito por: Alfredo Pinto Coelho

Obras de rico: novo aeroporto, novas auto estradas, TGV..., grandes obras para um país de pobres: o aumento aos pensionistas com pensões mais baixas é de 17cêntimos / dia . Mais de 50% dos trabalhadores por conta de outrem em situação legal, recebem um vencimento líquido inferior a 650 euros.

Não, obrigado!

A malta acha que o aperto do cinto tem que ser para todos.

A crise não afecta os lucros da banca: os cinco maiores bancos a operar no país tiveram, nos primeiros 9 meses do ano, cerca de 5,1 milhões de euros de lucro por dia. Leu bem, 5,1 milhões por dia, o equivalente a mais 4% do que em 2008.

Não, obrigado!

A malta acha que não será preciso ganhar tanto, quando tanta população ( activa) se vê e deseja para conseguir pagar os encargos com os empréstimos contraídos para habitação própria.

Mais de 500.000 mil desempregados, número onde nem sequer entram aqueles desempregados de longa duração que, por nunca terem conseguido arranjar emprego, lhes chamam agora de inactivos.

Os “maus da fita” tipo FMI, dizem que Portugal tem que cortar nos salários sociais, nos benefícios fiscais e aumentar os impostos. O “nosso primeiro” diz que basta o relançamento da economia para ficar tudo nos eixos !.

Neste Portugal de “ fio dental “, com um défice superior a 8 %, continuamos para bingo enquanto uns políticos: o “nosso” primeiro, mais o “nosso” primeiro e mais o “nosso” primeiro , dizem que Portugal está bem e recomenda-se pois o crescimento da economia está à vista! e outros, que Portugal já nem dinheiro para a tanga tem.

No país de recibos verdes, da precariedade do emprego em que ficamos, afinal?

Enquanto a taxa de divórcios aumentou em 89 % em 10 anos, os do mesmo sexo querem, urgentemente, casar. Os do “não” são defensores do “conceito tradicional” do casamento. Os do “sim”, defendem direitos de pessoas.

Também no meu país, Basto country, há quem se queira casar: o padre de Carvalho fugiu com a sua amada de 18 anos; história bonita de vida, digo eu, apesar da minha opinião poder não interessar para ninguém, ou nada, que não seja a minha liberdade de pensamento.

Querem afogar 17 Km da linha ferroviária do Tua, obra prima do património ferroviário português e parte integrante do património da humanidade do Alto Douro Vinhateiro classificado pela UNESCO. Há quem lute pela sua (re) utilização para o fim que merece. Quem se deu ao trabalho de me ler até aqui, também pode ajudar ( htpp://www.peticao.com.pt/vale-do-tua ).

Enquanto isso, a água do Tâmega continua a correr para a foz, bem lá para Entre os Rios, apeadeiro final da sua liberdade. Por um Tâmega livre, sempre!

08 dezembro 2009

Um exemplo de uma manifestação da sociedade civil

No dia cinco de Dezembro de 2009, em Roma, houve uma explosão de indignação dirigida ao actual primeiro-ministro italiano Sílvio Berlusconi. Foram centenas de milhares de manifestantes a percorrer as piazzas e as ruas de Roma, somente para erguerem a voz na exigência da demissão de Berlusconi. Este foi um evento organizado pelos cidadãos, e o veículo de comunicação preferencial foi a Internet. Foi, e é, uma manifestação política sem partidos políticos. Quem falou, quem discursou e quem exigiu foi a sociedade civil ali representada. Agiram porque o sistema partidário e governativo não os ouve e não os respeita.Não é por acaso, que os políticos são relutantes a conviver com a Internet e a livre expressão da cidadania. Sílvio Berlusconi é um dos governantes europeus e mundiais que mais convictamente quer mudar o paradigma da Internet e transformá-la em algo "controlável".

Não é abusivo que se afirme que a realidade em Portugal também se pauta pelas mesmas causas desta manifestação, ou seja, um sistema partidário e governativo que não representa os interesses dos cidadãos e muito menos os respeitam.

Verdadeiramente, um repasto bancário

«Apesar da calamitosa situação financeira, administradores e trabalhadores do BPN no norte do país festejaram esta segunda-feira num dos hotéis de cinco estrelas do Porto.(...)

Segundo a notícia da TVI, o espanto destes clientes aumentou ao saberem que este é o segundo de quatro jantares de Natal que o BPN este ano organiza para os seus trabalhadores. Calcula-se que o Estado português já tenha injectado mais de 3 mil milhões de euros no banco que foi dirigido por antigos membros dos governos de Cavaco Silva, hoje acusados por diversas fraudes que afundaram a instituição. Muitos clientes continuam com o seu investimento congelado e dizem-se burlados pela administração do BPN.» in [Esquerda.net]

03 dezembro 2009

Apenas mais um som de uma triste canção

Banco Nacional Português (BPN). É este o nome do drama financeiro que anima jornais e incomoda o comum português. Este banco teve um início fulgurante. Era, como outros que ainda estão financeiramente em pé, um banco politizado. Em rigor, falsamente politizado: porque desde do corpo directivo aos accionistas, muitos partilhavam a militância e a simpatia pelo Partido Social-Democrata mas aquilo que realmente comungavam, como muitos no ramo, era o gosto cego pelo dinheiro. Passado alguns anos, este banco de aparente sucesso, revelou a sua verdadeira identidade: um instrumento económico para o enriquecimento de quem (e associados) o dirigia.

Neste passo, o nosso Banco de Portugal (BdP) tem um papel determinante. O regulador do nosso sistema financeiro deu um novo significado à tolerância e a permissividade no sistema. Indirectamente, pela sua não actuação e desleixo fiscalizador, o BdP permitiu que a burla financeira em que o BPN se tornou, tomasse o titânico tamanho que hoje corrói os jornais e os cidadãos.

Após o polémico processo de nacionalização (argumento-mor fora a ameaça do colapso do sistema) do então sexto banco português, a injecção de dinheiro público começou. O que se viu e o que se vê, foi a substituição das obrigações dos accionistas pelo dinheiro público, ou seja, a nacionalização dos prejuízos e dos roubos do BPN permitiu que o corpo accionista fosse absolvido de pagar os erros e os prejuízos da empresa que eram proprietários. Salvou-se, por enquanto, o dinheiro do Estado, o dinheiro dos clientes e os postos de trabalho. Porém, até ao momento estima-se que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) "injectou" cerca de quatro mil milhões de euros para resolver os mínimos problemas para que o BPN continue a "funcionar".

Na consequência de uma futura resolução, o dinheiro até agora investido poderá não ser coberto por um futuro comprador, ou seja, na reprivatização do BPN poderemos conhecer o custo da nacionalização. No entanto, há um rumor sobre quem serão os interessados na retoma do BPN: o lobby angolano, desejoso em "limpar" o dinheiro escamoteado dos cofres públicos de Angola, poderá ter nesta reprivatização mais uma oportunidade de "investimento". Portugal, é um bom sítio para este tipo de operações financeiras. As relações luso-angolanas são próximas e, neste tipo de sistema financeiro, as palavras como e origem são irrelevantes nos processos de "capitalização" que promovem as hipócritas relações internacionais.

Por conseguinte, existe um processo judicial em curso. Entre algumas diligências, corre normalmente o processo judicial neste moribundo sistema judicial. No entanto, já há um valor estimado para os crimes efectuados pela cúpula do BPN e SLN: nove mil e setecentos milhões de euros. É este o valor astronómico, apontado pelo Ministério Público, que consubstancia a hecatombe financeira do BPN. No entanto, não vejo, não ouço quaisquer acções e palavras que possam questionar ou resolver onde se encontra este valor monetário. Conhecemos o trajecto (via offshores). O passo imediatamente seguinte é conhecermos onde pára e com quem está todo este dinheiro. Contudo, isto é uma questão que está a ser desprezada.

Os culpados estão há muito identificados: nós, permissivo e masoquista povo, o sistema financeiro (a existência de offshores, a falta de regulação e, quando a há, a sua não aplicação), políticos e governantes (embora peca pela generalização eles mantêm esta pouca vergonha e muitos são activos participantes) e a essência disto tudo: o capitalismo. Podemos procurar o que quisermos, se não fosse pelos pecados do capitalismo (o dinheiro e a ganância) este caso (e outros como tais) não aconteceria. Um axioma, dir-me-ão.

01 dezembro 2009

Limpar Cabeceiras de Basto em Março de 2010

O grupo de Cabeceiras de Basto para aderir ao Limpar Portugal 2010 já está criado. Portanto, fica o apelo público de adesão a esta rede.

Muse no Pavilhão Atlântico

Energia, muita energia, são as melhores palavras que encontrei para classificar o concerto dos Muse, no último domingo. O mérito desta banda é a qualidade dos seus músicos, a sua capacidade rítmica, a sua complementariedade, as variações de emoção que as músicas transmitem em passagens rasgadas de agressividade, a capacidade de sincronismo e a potência de energia que conseguem transpor para o público. Não houveram momentos altos, houveram antes, momentos menos altos, quase imperceptíveis durante aproximadamente 1h e 45 minutos, com a assistência em êxtase, pulando, aplaudindo e cantando em uníssono, em muitas das músicas.

O novo álbum - "The resistance", tem tido alguma dificuldade em afirmar-se, sobretudo nos admiradores mais antigos da banda, onde eu, me auto incluo. Este novo trabalho é sem dúvida mais comercial, à semelhança do que já tinha sido o seu antecessor - "Black holes and revelations", onde rebusca claramente a referência sonora e majestosa dos Queen, e em algumas músicas, o romantismo da sonoridade dos Him. Não seria necessário, porque eles próprios (Muse) já conseguiram ser uma referênica do rock moderno. Contudo, mesmo as novas músicas conseguiram manter o nível de energia, com a "The resistance tour", a trazer uma novidade no cenário, e nos efeitos visuais que envolveram toda a sala, contribuíndo para o ambiente de festa.

Os três arranha-céus que constituiram o cenário e que tanta curiosidade e teorias geraram nas cabeças do público, revelaram-se no início do espectáculo, com os 3 elementos da banda a surgirem em três plataformas distintas, num nível superior ao do palco, e que foram descendo e subindo duranto o evento. Porém, tenho lido alguma crítica relativamente às condições de acústica do Pavilhão Atlântico, e não posso sequer contradizê-las, porque é muito provável que em certas zonas da plateia e das bancadas, a qualidade do som seja baixa. Assisti aos Depeche Mode e aos Muse em circunstâncias muito idênticas, de frente para o palco, a uns 15 metros de distância. Talvez uma posição privilegiada, em que não senti grande dificuldade de ouvir os instrumentos e as vozes, com excepção dos momentos de pulos e de coro do público. Mas comparando os dois concertos, e sem tirar qualquer méritos aos Depeche Mode, a potência e energia sonora dos Muse foi muito superior.

Não posso deixar de fazer referência aos escoceses - Biffy Clyro, já conhecidos de alguns portugueses, numa das edições anteriores do Festival de Paredes de Coura. A banda escocesa abriu a noite de espectáculo tocando cerca de 30 minutos com grande garra, preparando da melhor forma o ambiente, para o que de melhor estava para vir.

Muse - "Uprising"

Muse - "Feeling good"

Muse - "Time is running out"

Muse - "Knights of cydonia"

Querem mudar a data do vinte cinco de Abril para Novembro?

Não compreendo (na totalidade) a atitude revisionista apresentada pelo CDS-PP na Assembleia da República. Quiseram, embora tenha sido apenas um apelo a um voto de congratulação, elevar no patamar histórico a efeméride de 25 de Novembro 1975. Nada contra a data e o simbolismo a ela associada. Contudo, elevar o 25 de Novembro ao momento histórico que originou a nossa Democracia é historicamente abusivo. Na génese da nossa Democracia está e estará sempre ao fim da ditadura e a consequente instauração da liberdade -isto aconteceu a 25 de Abril de 1974.

Na minha opinião isto pode-se explicar como a necessidade que uma certa direita mais à direita tem, em haver, através da extrapolação do 25 de Novembro, uma qualquer revanche contra a celebração da data do 25 Abril de 1974 (quase sempre conotada com a esquerda política).

Curiosamente o mesmo grupo político que euforicamente celebra o 25 de Novembro é o mesmo que tem sempre o festejo (quando o há) mais contido em alturas de Abril. «Coincidências, não existem».