30 abril 2010

Em Wall Street já há fumo

"Um dos organizadores da acção afirma que, «o protesto tem como objectivo pressionar o Congresso a clarificar a sua posição. Queremos saber se está do lado de Wall Street e dos banqueiros ou do lado do povo americano», afirma."

"Esta semana, o Goldman Sachs, um dos bancos que mais lucrou com a crise, teve de defender-se frente a uma comissão do Senado das acusações de fraude no mercado de hipotecas."

"Face à renitência dos republicanos em pressionar os mercados financeiros, 62 membros da câmara dos representantes entregaram um abaixo-assinado à justiça para que investigue a fundo os métodos e acções de várias empresas de Wall Street."

[Ler mais]

Enquanto nos EUA a população se revolta com a promiscuidade da banca e a influência negativa que tem no mercado de emprego, fragilizando ainda mais os desempregados, em portugal, parece que a generalidade aplaude o governo pelos cortes ao subsídio de desemprego. A diferença de mentalidades é evidente, é neste sentido que também somos culpados pela situação em que nos encontramos. ACORDA PORTUGAL, mais uma vez o zé povinho vai ser sugado até ao osso por "meia dúzia de peixe graúdo".

Medidas avulsas e estúpidas

Questionado sobre quanto o Estado iria poupar e quantas pessoas que estão dependentes do subsídio de desemprego (que não é caridade, é um direito pois as pessoas descontaram para tal) seriam afectadas com o corte no subsídio (anunciado pelo Governo), o Primeiro-Ministro não conseguiu responder. Ou seja, uma medida tão penalizante deviria ser rigorosamente ponderada e estudada. Mas não. O governo anuncia um corte no subsídio de desemprego mas não sabe quanto irá poupar e muito menos quantas pessoas irá afectar com esta medida. Medidas avulsas e contraproducentes para agradar a alguns "fanáticos de mercado" e que servem para mostrar algum "sangue" aos abutres internacionais. Só faltou anunciar que iria cortar no subsídio de desemprego e financiar as grandes empresas portuguesas. Mas não é que fez isso.

É por coisas deste género que eu adoro piano...

...mais nenhum instrumento a solo é capaz de o fazer, especialmente quando o pianista é excelente.

29 abril 2010

É só um palpite. Por enquanto...

Admite prescindir do 13º mês para ajudar a salvar as contas públicas?

Via [Cheiro a Pólvora]

O nosso conterrâneo Luís Castro lança esta pergunta em tom de ironia, como quem diz, até que ponto nós seremos ou não solidários e tolerantes com uma possivel e previsivel medida governamental (abolir o subsídio de férias).

Pois eu não serei solidário nem tolerante quando há muitas outras despesas onde cortar, até porque mais não será do que a perda de um direito do trabalhador, que se tomar o rumo dos que o antecederam será irreversível, isto é, nunca mais saberemos o que é o 13º més na vida. Será também mais um ataque à classe média e à classe pobre, ou seja, sempre os mesmo a apertar o cinto, e sempre os mesmos a sofrer com a perda direitos.

28 abril 2010

Os Paliativos do Costume. Quem vai pagar o défice?

Hoje o líder do Governo e o líder do principal partido da oposição reuniram para discutir políticas e soluções para o futuro [in público]. Achei muito nobre que ambos se tivessem reunido, porque a Nação deve estar a cima dos partidos e das diferenças ideológicas, pena é que se tivessem esquecido também dos representantes dos outros partidos. Ainda assim, parece que o bom senso e a coragem não imperaram por aqueles lados. As declarações de ambos à comunicação social pareciam uma peça bem ensaiada mas, as suas vozes estiveram por vezes tão trémulas e hesitantes que não conseguiram disfarçar a insegurança e, talvez, a impotência e a vergonha que sentiram por dentro. Da primeira reunião apenas se lembraram de sacrificar os mesmos estratos sociais de sempre, como se isso fosse salvar Portugal do "naufrágio", como se a grande maioria dos desempregados o sejam de livre e espontanea vontade, e como se isso fosse resolver o estrutural problema económico do país.

Ainda que isso possa ajudar na redução do défice e, ainda que não discorde em absoluto com o que foi anunciado, porque há que criar um sentido de responsabilização de todos não devendo ninguém permanecer subsidiado quando lhe é oferecida uma solução de emprego, havendo também uma necessidade de melhor fiscalização das situações sociais, acho porém, que essas medidas quando vistas e aplicadas de forma isolada, assim como a redução do subsídio, são injustas, são insuficientes, são as pinceladas do costume. É que o esforço de "todos" parece ser muito dúbio na cabeça daquelas duas alminhas. Esqueceram-se de outros, esqueceram-se deles próprios, esqueceram-se primeiro de reduzir o despesismo do Estado, sobretudo nos caprichos da politiquice, de primeiro resolver a vergonha dos prémios de gestores públicos, de tributar mais justamente o grande capital e a banca, e de muitas outras coisas.

Não podem ser só alguns a remar e a tirar o barco das águas tempestuosas, sobretudo quando esses "alguns" são os mais desfavorecidos e aqueles que se encontram em situação de maior fragilidade.

Que belo exemplo Sr. Sócrates e Sr. Coelho.

Até já estou a adivinhar o que virá nas próximas reuniões - subida de impostos para a classe média, congelamento de salários, congelamento de progressão nas carreiras..., ou seja, o mesmo de sempre, a mesma merda de sempre.

Reflexões sobre o dinheiro

Outrora trocavasse arroz por milho, vacas por galinhas, casas por terrenos..., etc. Os negócios eram feitos às claras, na hora, em acordo mútuo entre partes. Depois, inventou-se o dinheiro em forma de moedas de metais valiosos, com o intuito de facilitar as relações comerciais e a actividade mercantil. Mais tarde, o dinheiro passou a papel, sempre numa base de compra e venda de valores materiais. Depois, inventou-se a banca, a bolsa, as acções, os créditos, os spreads, as taxas de juro e, a merda toda que o tornaram naquilo que ele hoje é, um valor virtual complicado, ou complicadex, cheio de nuances muitos boas para enganar pobres, remediados e tontos, como também para enriquecer ricos e chicos-espertos.

Mas ele não tem valor nenhum, ele não compra o amor, nem a solidariedade, nem a amizade, nem a honestidade, nem os nobres valores da anti-matéria. O espírito não se compra, apenas pode ser influenciado. O dinheiro é hoje um valor predominantemente electrónico, quase não se vê. Está em cartões de crédito, nos computadores, em agências de rating, em tabelas bolsistas, a circular em fibras ópticas...,etc. O próprio está a deixar de ser matéria para ser tornar num número abstracto, para se diluir e confundir com a anti-matéria, mas, o dinheiro só pode comprar os valores da matéria. Infelizmente esses valores influenciam a anti-matéria, o espírito, e, esta influência está associada a outros valores menos nobres como: a ganância, a ambição desmedida, o oprtunismo, a burla..., que o dinheiro fez o favor de exacerbar ao longo de séculos, não pelo seu valor, mas antes pelo valor que a humanidade lhe deu.

Ele é mentiroso e injusto, não vale o mesmo nas mesmas circunstâncias, e pior, por vezes não vale nada quando devia valer muito, e vale muito quando não devia valer nada. Sabem porquê? Por que foi inventado pela humanidade, isso já diz alguma coisa. E por que foi alterado no seu valor, por outros homens sem valores, isso já diz tudo. Nós já vivemos na idade da pedra, hoje vivemos na idade do dinheiro. É ele que mexe com o Mundo, ele está a destruí-lo, ele guarnece os humanos de impurezas de espírito. Citando e parafraseando o Vítor e o Marco, se é isto a União europeia e se foi para isto que se criou a moeda única, então - "(...) que vão todos para a grande puta que os pariu". Tenho saudades do cifrão, do escudo ($$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$), sempre tinha um valor mais justo e honesto.

27 abril 2010

Abutres (III)

No momento alto da crise financeira os grandes líderes mundiais reuniram-se e determinaram (em tempo e unanimidade recorde) ajudas e estímulos financeiros (com taxas de juros baixas, relaxamento na cobrança de impostos etc.) às inúmeras e grandes instituições financeiras mundiais. Pois bem, elas estão a recuperar. Com solidariedade, "solidariedade" se paga.

Abutres (II)

"No mês passado, o Wall Street Journal noticiou que em Janeiro deste ano um grupo de grandes especuladores de "hedge funds", entre os quais George Soros, tinha-se reunido num jantar, no qual combinaram esforços para provocar a desvalorização do euro até um dólar. Pela evolução da situação, os esforços dos especuladores estão a ser bem sucedidos." in [Esquerda.net]

Abutres

A agência de rating Standard & Poors (irónico que tenha no nome "poors" e seja promotora de pobreza) arrasou o rating português diminuindo a classificação de "A+" para "A-". Esta agência só deu o certificado que os especuladores queriam.

Sendo assim, esta nova classificação da dívida dará, neste momento de frenesim de especuladores, lucros avultados para as grandes (e verdadeiros senhores dos países) financeiras. E isto devido à indefinição da política europeia (pois bem podem criticar a apatia e inactividade alemã mas quem sofre, Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e Itália já deviam ter tido uma atitude, em conjunto, de repúdio a este espiral especulativo) sobre este assunto, aliada uma crise (originada nas corruptas agências de rating e no mercado financeiro) que atinge tudo e todos. Como diz o meu bom amigo Vítor Pimenta Se é isto a União Europeia e o mercado livre, então que vão todos para a grande puta que os pariu.. Nem mais.

25 abril 2010

23 abril 2010

As bipolaridades, e o 25 de Abril de 1974

Este daria um bom post para ser publicado dia 25 deste mês tendo em conta mais um aniversário da Revolução dos Cravos, mas, como não sei se terei tempo para escrever nesse dia face a circunstâncias da minha vida pessoal e, como pouco ligo a datas históricas importando-me mais com o seu significado propriamente dito, peço perdão pela ousadia de antecipação. A coisa até se torna irónica porque cravos há muitos. Há aqueles que servem para crucificar e pregar nas ferraduras, magoam portanto, e, há também os da flor do craveiro, muito belos, simbolo da dita Revolução, mas, como todas as outras flores, murcham e morrem. O pensamento pós-25 de Abril tem esta dualidade, magoa e está a morrer. Não me interpretem mal pensando que estou a desvalorizar o sacrifício e a importância da Revolução, ou que sou adepto da ditadura, ou anti-democrata, apenas penso que vivemos numa democracia falhada que teima em manter tudo exactamente na mesma, um atraso no pensamento e consequentemente no progresso.

Eu próprio sofro deste mal pois nasci e cresci nesta sociedade, muito crítica com as paneleirices do dia-dia mas muito acrítica com grandes questões e problemas. Muitas vezes questiono este modelo de pensamento e luto para pensar de forma diferente e criativa, porque de certa forma não me revejo nele. Talvez me sinta incompreendido muitas vezes até por aqueles que me são mais chegados, mas não sofro muito com isso, porque lá no fundo sabem que digo muitas verdades e que as acções têm esses princípios, não os deixando ficar mal. Dizem que tenho um feitio lixado, e reconheço que tenho, porque me irrito muito facilmente com futilidades, com o interesse na privacidade da vida alheia, com o facilitismo de subir na vida, com o cinismo e a hipocrisia, com a desonestidade, a corrupção, o oportunismo, a falta de civismo, o jogo de interesses que rodeia esta teia toda, e muitos etc etc etc. Também "fervo" com aquelas frases típicas - "ah se os outros fazem eu também faço", cujas acções são independentes da legitimidade da coisa, que é como quem diz - "se o outro se atira ao mar eu também me atiro" mesmo que isso implique o mal de uma comunidade inteira, com a agravante de que, quando corre mal nunca se diz que foi voluntário, prepara-se sempre a culpa para outro alguém, pela outra frase - "atira-te ao mar e diz que te empurraram".

A sociedade em geral, não só a portuguesa, parece estar formatada para pensar numa lógica de bipolaridade. Repare-se que pensamos sempre nos extremos e no que eles representam, assim como no seu ponto de equilíbrio (a norma, o normal, a normalidade) que jamais será igual para toda a humanidade. É o bem e o mal, Deus e o Diabo, o Sagrado e o Profano, o Santo e o Pecador, o Céu e o Inferno, a luz e a escuridão, o frio e o calor, o sol e a chuva, o doce e o amargo, o salgado e o insosso, O Norte e o Sul, o Ocidente e o Oriente, a Esquerda e a Direita..., etc. É como se o Mundo tivesse dois lados, num planeta que é esférico, logo não tem lados. Tem pólos é um facto, mas são tão gélidos e inóspitos que ninguém quer lá viver.

Há no entanto sociedades mais evoluídas no pensamento, que conseguem discernir melhor esta bipolaridade. Por que têm uma cultura de valores melhor definida e éticamente mais evoluída, que melhor consegue separar o "umbigo" do bem comum, encontrar o ponto de equilíbrio, a harmonia. É neste sentido que a sociedade portuguesa, filosóficamente, tem uma mentalidade de pensamento muito atrasada. Os seus valores são demasiadamente mesquinhos e paradoxais por vezes. O 25 de Abril deixou-nos uma espécie de Guerra Fria entre a Direita e Esquerda, capitalistas e comunistas, ou o que lhe queiram chamar. Não no sentido de ser fria, antes pelo contrário, mas pela mesma lógica de bipolaridades doentia que se vivia na época em que a Cortina De Ferro dividia o mundo através de uma disputa e competição nuclear entre estados das duas facções. Aquilo que outras culturas já aprenderam com os perigos deste pensamento bipolar e do seu extremismo, que de certa forma é tão ou mais doentio que a doença bipolar documentada pela psiquiatria, os portugueses ainda não aprenderam.

Neste sentido, acho que os problemas da Nação não se resumem apenas à Direita e à Esquerda, ou às suas políticas independentemente. É talvez de ambas, do tal Centro não harmonioso, da política a meias, do agora é isto amanhã é aquilo, do não se saber onde se está, nem o que se quer. Esta Legislatura política e a sua conjuntura é o espelho do que somos, uma sociedade desunida que vai remando em vários sentidos. Um verdadeiro remoínho que deixaria qualquer país tonto e nauseado.

As pilhas e as baterias só pôem os aparelhos a funcionar quando há um correcto equilíbrio das cargas eléctricas dos seus pólos. Caso contrário - low battery, low battery - bye bye - turn off. Portugal está em low battery há muito tempo. Há que pô-lo em cargar ou substituir as pilhas.

Ou é porque o que é público não presta nem tem qualidade, dá prejuízo porque é mal gerido, porque não temos dinheiro para sustentá-lo, porque dele mama "meia dúzia" do peixe graúdo que o controla, ficando os outros com igual direito a ver passar navios, mas, é quase de borla e é para todos. Ou também, é porque o que é privado é muito melhor, de qualidade, não sai do nosso bolso a sua criação, mas nem todos têm dinheiro para usufruir dele, dá muito lucro para alguns, mas quilhe-se, é mal regulado e vende-se a uma bolsa tipo jogo de póker, enriquece outra "meia dúzia" de peixe graúdo às custas do zé povinho, criando as tais elites económicas que têm mais poder que os Governos. Nem estamos numa coisa nem noutra, ou estamos em ambas.

A culpa é de ambas não terem algo em que possamos acreditar a 100%. É de ambas não existirem, ou antes, de coexistirem nas nossas cabeças e na prática do dia-a-dia, a tal bipolaridade doentia que às vezes é obtusa nas discussões e, outras vezes, permissiva no silêncio do pensamento e nas acções. Uma não vive sem a outra e parece que nós não conseguimos viver sem ambas, por isso é que o Centro tem mais adeptos, a lógica de dualidade de agradar a gregos e troianos e nunca definir um rumo, o que é desastroso. É como pôr um quarteirão de sardinhas a assar em que de cada lado está numa facção diferente a abanar e a puxar a brasa. No fim, as sardinhas das pontas ficam esturricadas porque a luta é de tal forma desenfreada que se esquecem de parar com ela no ponto de assadura. No fim sobram sempre as do Centro, menos queimadas mas muito secas, e, pobrezinhas, são tão poucas que matam a fome a muito pouca gente. No fim, a sardinha somos todos nós, o País. Os que puxaram a brasa ficam a cheirar a fumo e com a cara suja de tanta corrupção e tanta imoralidade que usaram para tentar ganhar a luta, mas safam-se sempre porque mesmo assim nunca se queimam, têm o controlo do assador.

Isto há coisas tramadas não há? O pensamento da sociedade portuguesa está formatado para isto, e foi isto que se criou no pós - 25 de Abril, uma casa que não tem pão onde todos ralham e ninguém tem razão, um portugal às turras, uma sociedade que nem é portuguesa nem europeia, nem cosmopolita nem provinciana, onde a riqueza e a pobreza abundam nos extremos, tão para a frente numas coisas e tão preconceituosa noutras, sem projecto algum, sem objectivos políticos e sociais, sem valores que a orientem, um divórcio absoluto. Ainda pensam que isto vai a algum lado? Se soubessem quantas vezes já me passou pela cabeça emigrar, nem vos dizia, já foram tantas que lhe perdi a conta.

Era preciso saber assar sardinhas, temperá-las como deve de ser, preparar o carvão, o lume, as brasas, abaná-las por igual e retirá-las no momento certo de assadura. Só assim se conseguiria tirar bem a pele, só assim daria para matar a fome a todos, evoluir, progredir e pescar mais.

Portugal precisava de outro 25 de Abril a começar na cabeça de cada um. Por cada um de nós olhar-se ao espelho e reflectir, nao no corte de cabêlo e no ponto negro da testa, ou na maquilhagem e no buço mal feitos, mas antes num exame de consciência sobre a vida que leva e as atitudes e comportamentos que toma em sociedade, esforçando-se para os corrigir. Isso, aos olhos de Deus, certamente valeria mais do que mil rezas, promessas a S. Bentinho e afins, confissões ao sr. padre, ou idas à missa.

Liberdade, Liberdade, Liberdade! Fascismo nunca mais!

A união faz a força!

21 abril 2010

Editorial XVI

Já está disponível no sítio do Jornal "O Basto", o rascunho editorial deste mês. Trata de comboios e pouco mais.

20 abril 2010

Já não tolero esse tipo de discusso, irra !

Paulo Portas volta a centrar o seu discurso no Rendimento Social de Inserção (RSI). Não obstante, a necessidade de fiscalização (embora, os subsidiários do RSI sejam mais fiscalizados do que, por exemplo, os bancos), Paulo Portas volta acenar com os milhões que o Estado poderia poupar com mais fiscalização. Interessante é que vemos Paulo Portas a acenar com a poupança de 120 milhões de euros e nem uma palavra sobre um negócio em que ele esteve envolvido e que se poderia poupar mais de mil milhões de euros. Prioridades de um político que prefere atacar um subsídio social a um negócio fútil e totalmente dispensável.

Aconselho a lerem a notícia e as propostas que o Paulo Portas, em conferência de imprensa, verbalizou. Num ataque claro aos que menos têm, consome todo este espaço mediático a propor regras e deveres a um conjunto de pessoas que, não é por acaso, são os mais indigentes. Gostaria de ver Paulo Portas e afins a direccionar toda esta ânsia de justiça e fiscalidade aos que mais têm e aos que mais fogem às suas responsabilidades.

19 abril 2010

Nos "tectos do Mundo"

João Garcia, o mais conceituado alpinista português e um dos mais conceituados do planeta, alcançou no dia 17 deste mês o cume Annapurna I na cordilheira dos Himalaias. Com esta escalada João Garcia torna-se o décimo homem a conseguir ascender aos cumes das 14 montanhas mais altas do Mundo, sem recurso a oxigénio. Suspeito que não irá parar por aqui. É efectivamente um grande exemplo de vida e de paixão pelas montanhas.

BPP e afins

No início da "novela BPP", o Estado, via governo, emprestou cerca de 450 milhões de euros ao Banco Privado Português. No momento, o ministro das Finanças e o governador do Banco de Portugal de então, asseveravam que os activos do Banco (segundo eles, avaliados em cerca de 670 milhões de euros) seriam suficientes para servir de garantia ao empréstimo. O Tribunal de Contas "chumbou" o aval, mas o empréstimo já estava atribuído e absorvido pela instituição e pelas "offshore". Hoje, sabe-se, que o BPP não possui os tais fundos que serviriam de garantia ao empréstimo (segundo uma auditoria o BPP só possui cerca de 33% das garantias dadas) o que pode implicar a perda de milhões de euros ao Erário Público. O Estado endividou-se para permitir o empréstimo a uma instituição privada, aumentando assim o seu endividamento (défice) e prolongar uma situação "condenada". Mais uma vez roça-se o termo "gestão ruinosa" e o Estado, ou seja, todos nós, ficamos a perder. O Bloco de Esquerda pede explicações pela mentira e exige responsabilização. Eu pediria algo mais.

16 abril 2010

14 abril 2010

Ah...Ah...Ah...Atchim... SANTINHO!

Estamos no mês de Abril que diz o ditado é de "águas mil". Apesar de esfriar nalguns dias pode dizer-se com alguma segurança, que o período sazonal de elevado risco de propagação dos vírus da gripe, onde se inclui o tão falado H1N1, está ultrapassado. Hoje mesmo a Direcção Geral de Saúde suspendeu as medidas excepcionais do plano de contingência para a Gripe A.

Pois é, ainda se lembram da Gripe A que tantos noticiários abriu? Tanta tinta de jornais escorreu? E tanto pânico gerou? E da loucura da correria às vacinas, etc e tal? Uma suposta pandemia que nem sei se chegou a ser uma epidemia ou se não passou apenas de um surto.

Algumas coisinhas não resisto, e tenho mesmo de dizer:

1º tivemos uma comunicação social alarmista, que confundiu o seu papel informativo com o de esmiuçar tudo a um pormenor tal, que teve como consequência a sensação de pânico e ansiedade nas populações. Contudo, não posso deixar de valorizar pela positiva o seu papel na informação às populações no que diz respeito às medidas de prevenção do contágio/transmissibilidade. Apenas penso que exagerou no tratamento da informação e na forma como a relacionou e cruzou, que certamente não era da sua competência fazê-lo, mas a culpa é dos portugueses que adoram tragédias e notícias sinistras e macabras.

2º não sei se as previsões epidemiológicas foram realistas, mas é certo que sendo ou não, houve quem lucrasse com o problema. Muitas vacinas, produtos desinfectantes e afins se venderam, muitas análises microbiológicas de despiste foram pagas pelo Estado a laboratórios privados, etc... ou seja, a saúde na sua melhor vertente mercantil.

3º Penso que o trabalho do Ministério da Saúde e dos seus profissionais foi exemplar desde o início, quer pela tranquilização das populações, quer pelas medidas preventivas e pelo plano de contingência aplicados, que muito provavelmente contribuiram para que o problema não tenha tomado proporções maiores e mais graves. Quem muito gosta de criticar o sector da saúde e o Serviço Nacional de Saúde português, que pelo menos engula agora em seco, porque se tivessemos um sistema de saúde predominantemente privado, certamente estaria-se borrifando para planos de prevenção e contingência (porque esses não dão lucro, se é que me faço entender)

4º O alarmismo gerado serviu para algumas coisas: para unir as pessoas por uma causa, para pôr o sector da saúde alerta para as necessidades e lacunas no combate a doenças endémicas e, sobretudo, para ensinar a sociedade portuguesa a ter hábitos de higiene mais rigorosos, a ensiná-la a tossir e a espirrar, a ensiná-la a racionar o recurso aos serviços de urgência, a ensiná-la que as infecções por vírus não se tratam com antibióticos, etc e tal.

5º Deixo aqui as minhas condolências às vítimas mortais do H1N1, bem como às suas famílias e pessoas próximas, que felizmente foram menos do que o expectável.

Energia a mais

Segundo este artigo (presente no semanário Expresso), Portugal tem, actualmente, excesso de potência instalada, ou seja, Portugal consome menos energia do que a energia que produz. No entanto, as "directrizes" económicas determinam a criação de mais "potência instalada". É curioso saber que num país em que o desperdício energético ronda os 40% da energia consumida a opção tomada é aumentar a capacidade de produção de energia. A razão é simples: mais energia para desperdiçar mais. Onde está o papel social destas grandes produtoras de energia? Onde pára a política social deste governo e afins? Como em tudo neste contexto económico em que vivemos, este tudo tem um fim e este fim mede-se em euros.

Negócios de Estado

"PS e PSD adiam inquérito às contrapartidas".

Como sempre, o "Bloco central" (PS e PSD), unidos sempre que há um vestígio de um "negócio de Estado".

13 abril 2010

Os sacrifícios são para todos mas mais para uns do que para outros

É muito aconselhável a leitura deste artigo de Daniel Oliveira, no Expresso (versão online). Daniel Oliveira, com uma ironia incisiva, destaca os sacrifícios que os trabalhadores e os administradores da GALP têm que fazer para consubstanciar uma solidariedade necessária em tempos de crise mundial. De facto, os vinte administradores da GALP fazem o sacrifício de "sugar" quase três por cento dos lucros da empresa em despesas de habitação, prémios e salários. O que é compreensível pois a empresa tem tido resultados positivos e os lucros têm aumentado. O que é incompreensível é esta monstruosidade imoral: os trabalhadores desta empresa exigem que seja aumentado em 2,8 por cento os seus salários, ou seja, um aumento no mínimo de 55 euros. Imperdoável, tendo em conta a conjuntura económica actual e os resultados desta empresa. Que desfaçatez têm estes trabalhadores.

Na desgraça, há sempre uma oportunidade de negócio

"A Alemanha vai contribuir com a “parte de leão” do financiamento da Grécia e beneficiará do facto de poder adquirir dinheiro no mercado internacional a uma taxa de risco de três por cento para o emprestar à Grécia a uma taxa de pelo menos cinco por cento." in [Esquerda.net]

A frase que poderia resumir a cimeira nuclear

"Sarkozy garante que não renuncia à arma nuclear".

12 abril 2010

Como a hipocrisia reina nas questões "nucleares"

Barack Obama e Dmitry Medvedev assinaram um tratado de desarmamento nuclear, que prevê que nos próximos sete anos ambos os países reduzam em cerca de trinta por cento o seu "potencial nuclear". Os EUA e a Federação Russa concentram a maioria do arsenal nuclear existente neste planeta. É um sinal positivo, o desejo elaborado por Barack Obama (que quer reduzir o armamento nuclear existente) e o tratado assinado por Obama e Medvedev.

Na "cimeira nuclear" a realizar em Washington Benjamin Netanyahu decidiu não comparecer. O primeiro-ministro israelita fora aconselhado a não comparecer na "cimeira nuclear", embora tivesse vontade de lá ir e apregoar o "perigo nuclear" para Israel, pois seria "emboscado" por outros países que exigiriam que Israel fosse fiscalizado por inspectores internacionais.

Nas relações internacionais e, em particular sobre este assunto (armamento nuclear), a hipocrisia reina. Como podemos ver pela imagem, Israel concentra o quinto maior arsenal nuclear. São cerca duzentas ogivas nucleares. Oficialmente, o Estado judaico (por definição é, portanto, um estado confessional como, por exemplo, o Irão), não desmente nem confirma a posse de armamento nuclear. Mas a existência de armas nucleares em território israelita é um "segredo público", pois existem documentos dos EUA que demonstram que Israel possui um significativo arsenal nuclear.

Porém, Israel, impõe que os seus vizinhos (em particular, o Irão) não deva, de maneira nenhuma, possuir a capacidade de produzir armamento nuclear. Uma medida que concordo e apoio. Porém, Israel, lesto a ameaçar os estados vizinhos, não dá o exemplo (e extingue o seu arsenal nuclear) e escapa impunemente ao escrutínio internacional. O estado de Israel, mesmo que não confirme, tem arsenal nuclear e, hipocritamente, ameaça quem nas "redondezas" tenha a possibilidade de produzir armamento nuclear. Israel possui armamento nuclear à revelia dos tratados internacionais e impede vigorosamente que outros o tenham. Israel apoia a visita de inspectores internacionais para que investiguem e determinem para que fins é utilizado o equipamento e "conhecimento" nuclear, porém não admite que inspectores entrem em Israel para fiscalizar e determinar para que fins Israel utiliza o seu equipamento nuclear.

As armas nucleares, só pela sua existência, são um perigo para a humanidade. A sua supressão deveria imperar nas relações internacionais.O estado actual das relações internacionais permite que haja países a serem fiscalizados e impedidos de desenvolver "conhecimento nuclear" e outros já com armamento nuclear não sejam sequer repreendidos. Enquanto a hipocrisia determinar as relações entre países, a "questão nuclear" será sempre mais uma prova de que a lei ou a ética não igual para todos mas, sim, um argumento "maleável" que se usa quando se precisa.

10 abril 2010

Negócios de Estado

Comissão de inquérito que avalia a acção do Governo relativamente à Fundação para as Comunicações Móveis, sobre o negócio das licenças 3G, concluiu que seis anos depois (2000-2006) as contrapartidas, no valor de 1300 milhões de euros e que tinham um peso de 50% nos critérios de atribuição das licenças, tinham sido residualmente cumpridas. Em 2009, estas contrapartidas aparecem executas pelas operadoras. No entanto, devido à estranha "celeridade" na execução destas contrapartidas, o Bloco de Esquerda, na comissão de inquérito, exigiu "saber mais" sobre a execução destas contrapartidas. Como resultado obteve uma negação do esclarecimento pelo voto "em bloco" do PS e PSD.Exigiram explicações e, como sempre, PS e PSD, unidos em tudo o que seja "negócios de Estado", impediram o aprofundamento das explicações sobre a execução das contrapartidas assinadas pelas operadoras de telecomunicação.

As comissões de inquérito são um importante instrumento de "vigilância democrática" ao governo do Estado. Não são, julgamentos sumários, pelo contrário, são tentativas de esclarecimento naturais e democráticas. Contudo, muitos destes resultados foram e são condicionados pelo PS e PSD (ocasionalmente auxiliados pelo CDS-PP) sempre que em causa está a tentativa em esclarecer alguns "negócios de Estado" comuns. Convém referir que são condicionados democraticamente, porque o PS e PSD são "a maioria eleita" . Porém, ao impedirem o esclarecimento estão a provocar o efeito contrário ao objectivo destas comissões de inquérito: a persistência da dúvida e da suspeita.

08 abril 2010

Aspectos sobre a banca portuguesa

O gráfico ao lado reflecte os dados publicados pela Comissão Europeia sobre os auxílios dados pelos vários Estados Membros da UE aos respectivos sectores financeiros (nos dados relativos a 2008 não estão incluídas as medidas de combate à crise). As barras a vermelho correspondem a Portugal, as azuis à soma dos restantes países da UE.

O gráfico diz-nos que, nos últimos anos, o Estado Português tem gasto mais com apoios ao sector financeiro (só em 2008 foram 1,3 mil milhões de euros, principalmente através de vantagens fiscais) do que todos os outros países da UE juntos. Perante isto é mesmo muito difícil aceitar que o governo peça tão pouco ao sector financeiro para o esforço de consolidação orçamental, apostando antes na contenção das prestações sociais, na redução real dos salários e em privatizações sem fundamento. in [Ladrões de Bicicletas] via [Arrastão]

07 abril 2010

Serviços Públicos

Em Valença do Minho há um conjunto de protestos para impedir o fecho (em horário nocturno) do SAP (Serviço de Atendimento Permanente). Na minha opinião, desde que haja uma alternativa (ou seja, um conjunto de meios de socorro e transporte) viável e suficiente o fecho naquele horário é natural e compreensível. As razões são óbvias: o número de doentes assistidos em horário nocturno é quase residual e os serviços prestados por aquelas unidades de saúde são pouco diversos, limitando-se a algumas valências básicas. No entanto, a reacção da população de Valença (na maioria, idosos) é, também, compreensível. Pois, o interior de Portugal tem assistido a um constante fecho de importantes serviços públicos sem qualquer medida de alternativa que o substituísse. O resultado é óbvio: o estímulo do processo de "desertificação humana" que se sente nestas regiões. Quase sempre a razão económica tem de dar lugar à razão do serviço público. Um serviço público só o é se for destinado a todos, sem excepção.

03 abril 2010

Adultos incomodados

A polémica sobre o "negócio dos submarinos" está a iniciar-se, e já se ouve murmúrios. Neste caso, foi um almirante. Qual estatega económico, Vieira Matias, o dito almirante, adverte que Portugal deve-se comportar como um "país adulto", ou seja, pelas palavras do reverendo almirante, Portugal deve assumir o seu contrato com a Ferrostaal, mesmo que haja indícios fortes que este contrato tenha sido obtido via suborno e burla. O Almirante é incisivo e afirma que uma renúncia (legítima caso se prove os indícios de suborno e burla) do contrato assumido por Portugal implicará o fecho de várias empresas em Portugal com a maioria do capital alemão (apontando a Autoeuropa como exemplo). Numa coisa o almirante tem razão, Portugal deve-se comportar como um "país adulto": acabando com esta despesa totalmente dispensável (no contexto actual a última coisa que precisamos são despesas militares desta envergadura, tendo em conta que somos um país pacífico e democrático, outras necessidades se impõe) e tentar esclarecer este caso - custe o que custar- tal como qualquer adulto o faria.

[De obrigatória visualização ] Nos cinemas a 8 de Abril

02 abril 2010

Hipócritas

Não deixa de ser macabramente caricato que o vice-primeiro ministro israelita, Sylvan Shalom, ostente que não deseja ver as crianças israelitas aterrorizadas nos abrigos "anti-rockets" e autorize um raid aéreo sobre a Faixa de Gaza que tem como resultado três crianças palestinianas feridas. É triste a estupidez dos Homens que tentam justificar o injustificável.

Os dez mais estranhos museus do Mundo

Gosto de museus. Gosto de os conhecer, e isto implica tempo pois, para mim, conhecê-los não é passar pelos seus corredores é, sim, fixar o olhar, observar e no fim ler e apreciar cada placa, cada informação, cada estímulo sensorial. Sou nos museus, e espaços semelhantes, o que não sou na vida real: alguém atento e minucioso. Por isso, e não só, são espaços especiais para mim. À parte desta conversa, destaco um artigo interessante no jornal britânico Daily Mail que "dá conta" de dez interessantes museus. Há museus dedicados a um pouco de tudo, mas os que são apresentados neste artigo são deveras excêntricos e, depende dos gostos, realmente atractivos -pois os estímulos sensoriais são muitos. Desde do museu dos esgotos em Paris, ao museu das coleiras de cão em Kent (Inglaterra) e ao inevitável museu do falo na Islândia, o Daily Mail destaca uma selecção dos dez museus mais estranhos do mundo. De aconselhável leitura, fica o artigo (em inglês, peço desculpa): "Introducing the world's weirdest museums..."

01 abril 2010

Há muito que se fala em Portugal dos submarinos mas acções só na Alemanha

Na Alemanha uma investigação judicial está averiguar cinco dossiers afectos a negócios do grupo Ferrostaal -o Ministério Público alemão crê que foram negócios obtidos de forma ilícita através de subornos e burla de documentos. Um destes negócios trata-se do mediático "negócio dos submarinos", que teve o seu início com o governo de António Guterres e culminou (com a compra) com o governo de Durão Barroso e Paulo Portas. Deteram, na Alemanha, dois "quadros" da empresa alemã. Na Alemanha, o Ministério Público investiga e obtém resultados, mesmo quando estão em causa (directa ou indirectamente) uma grande empresa, grandes negócios e pessoas muito influentes política e economicamente.

Em outro contexto, Portugal tem assim mais uma razão para invalidar o negócio da compra dos dois submarinos à Ferrostaal:
1) As contrapartidas do negócio não estão satisfeitas;
2) O acto contratual da compra dos dois submarinos foi, alegadamente, concluído através de suborno e burla;
3) O processo passou pelos olhos, mãos (e quem sabe pela carteira) de António Guterres, Durão Barroso e, the last but not the least, Paulo Portas.

Impugnando o negócio, o Estado pouparia (pois comprar submarinos não promove o desenvolvimento do país pelo contrário) cerca de mil milhões de euros. Dinheiro precioso para invés do governo tentar equilibrar as contas do Estado à custa dos salários e impostos dos mais pobres e remediados.

Como citação para reflexão fica este trecho de uma notícia: "Ainda segundo a "Der Spiegel", a Procuradoria de Munique concluiu que a Ferrostaal garantiu a vitória no concurso subornando "decisores no Governo português, ministérios ou Marinha". Muitos dos subornos terão passado por uma sociedade de advogados de Lisboa(...)". Em suma, os actores do costume.