A esquerda como a imaginamos define-se como uma das partes da dicotomia da ideologia política actual. Tendo sido definida na Revolução Francesa tem-se rendido à mutabilidade dos tempos. Os valores que apregoa destacam-se por um maior sentido colectivo e abnegativo. Tal como o combate à desigualdade de oportunidades, centralização de sectores importantes e estratégicos do País no Estado com o objectivo de resguardar os cidadãos das oscilações do mercado e o perigo de tornar um bem público num consórcio privado, maior consciência ambiental e maior preocupação social. Ideologia de crispação contrasta com o conservadorismo da direita. Esta definição, actualmente, não se adequa às novas correntes políticas onde se pode observar um pouco de ecletismo.
O maior problema da esquerda é o confronto com o pragmatismo de uma governação. Partidos e pessoas que ostentam o nome deste espectro ideológico desvalorizam a teoria e tornam prática a actividade governativa. Podemos analisar os sucessivos governos socialistas e deparámos com esta constatação. Constatamos, também, que os partidos e pessoas afectas à ideologia "de direita", quando estão na oposição embarcam na defesa de políticas mais sociais e, por norma, restritivas da esquerda.
Localmente, estas ideologias tendem a "diluir-se". Com algumas variações mas na prática o pragmatismo e a procura de resultados iminentes culminam nesta "diluição".
Defendo o pragmatismo, mutabilidade e adaptabilidade das ideologias nos tempos que correm, é necessário, com o risco de se tornarem não praticáveis. Contudo, defendo que deve existir uma "espinha-dorsal" ideológica em cada acção política. Esta deve constituir parte importante da acção política para não cairmos na desvalorização ideológica e consequente perda de valores.








