Rui Rio afirmou que o «Governo está a criar um país de subsidio-dependentes», aconselhando um «arrepiar de caminho» na atribuição do Rendimento Social de Inserção (RSI). Rui Rio, seguindo uma lógica populista assenta o seu discurso político na crítica aos subsidiados dos rendimentos de inserção social, inferindo a «acomodação» destes ao subsídio. Exige uma maior fiscalização e a implementação da contrapartida do trabalho comunitário a quem beneficie do RSI.Como base deste discurso está o aumento de 50 mil beneficiários do RSI em relação ao ano de 2008.
Isto é um tipo de discurso popular que tem a direita portuguesa como a origem política dos seus maiores oradores. Neste âmbito, o CDS-PP é o partido que mais se evidencia. Como exemplo, temos uma campanha eleitoral recheada com a premissa demagógica que quem recebe o RSI não são os mais pobres dos mais pobres mas sim os preguiçosos e burlões. São os que pensam como eles que devemos desmascarar.
Rui Rio, e outros que pensam como ele, não destaca a relação directa entre a crise económica e o aumento do número de beneficiários de subsídios estatais. Prefere iludir dizendo que o Governo não ajuda os que menos têm mas que cria «subsídio-dependentes».
Rui Rio, e outros que pensam como ele, não publicita que a taxa de risco de pobreza aumentou em Portugal e só com o apoio do Estado é que o processo pode reverter. Pois, num quadro de crise económica o sector privado, pela sua natureza e objectivo, não subsidiará a diminuição da pobreza. Rui Rio, e outros que pensam como ele, prefere reivindicar a contrapartida do trabalho comunitário.
Rui Rio, e outros que pensam como ele, não destaca que entre os 385 mil beneficiários existem 38 mil que tendo outros rendimentos (e.g.trabalhadores) necessitam do RSI para sobreviverem. Provavelmente, quem pensa assim, não realçará que as causas principais deste estado de necessidade são a inexistência de emprego e, de uma forma preocupante, o prolongamento dos baixos salários pagos em Portugal. Sobre as causas, Rui Rio, e aqueles que pensam como ele, prefere não «popularizar».
Rui Rio, e outros que pensam como ele, não refere que os beneficiários de certos subsídios estatais (e .g. RSI e complemento solidário) não estão sujeitos a um verdadeiro sigilo bancário. Em concreto, quem recebe o «malogrado» rendimento não está imune a uma vistoria governamental (via Segurança Social) às suas contas bancárias ao contrário de quem não precisa deste rendimento.
Porém, Rui Rio, e outros que pensam como ele, não defendem o «levantamento do sigilo bancário» para efeitos de crime económico e burla fiscal mas para os beneficiários do RSI exigem uma maior e mais «asfixiante» fiscalização. A título de exemplo, entre 2003 e 31 de Outubro de 2008 foram detectadas irregularidades na atribuição do RSI que consubstanciaram 21,3 milhões de euros entregues indevidamente pelo Estado. O Estado tem entre 10 e 14 mil milhões de euros em dívidas fiscais a cobrar. No entanto, Rui Rio, e outros que pensam como ele, dão mais relevância política à fiscalização sobre os RSI.
Como conclusão afirmo que há quem consiga "escapar" à fiscalização sobre os RSI e abuse da solidariedade estatal. Há e haverá sempre quem transgrida as regras. Só que tomar a parte pelo todo é um erro grave e injusto que é impulsionado pela constatação que quando falamos em subsídios estatais, estamos a discutir casos de emergência social e o que está em causa seja a sobrevivência de muitos cidadãos. Por isso, e por tudo o resto, repudio o discurso populista, que tem assolado os média portugueses, proferido por políticos e partidos que usam e abusam do oportunismo político para elevar aos céus os seus interesses políticos, nem que para isso tenham de ostracizar os mais «pobres dos pobres». Racismo social, não!