31 março 2008

O poder televisivo como instrumento

"(...)detectável um relativo excesso de presença do Governo e PS", sendo também "sistemática a sub-representação do PSD nos diferentes serviços de programas da RTP". "

A representatividade das forças políticas sempre foi desproporcional, em todos os canais televisivos, devido à "afinidade" política destes media e/ou representatividade do voto como condicionante mediático. Mas na RTP existe um contra-balanço demais evidente que arrasa, tendencialmente, com as condicionantes atrás referidas.

Gosto de visionar os serviços informativos da RTP mas, actualmente, e em certas temáticas, nomeadamente a política e actuação governativa, prefiro ou para o bem da qualidade informativa, teoricamente isenta, mudar de canal televisivo.

Mas a RTP é apenas um caso de serviço público em que a administração deveria, e para o bem do Estado e apêndices, se isentar do movimento de troca governativa. A qualidade e a responsabilidade de quem dirige uma instituição pública seriam apuradas. E o cidadão seria beneficiado. Nada que já não tenha sido apontado por muitos mas os partidos e a governação relegam para o epíteto de não relevante devido, e não sejamos ingénuos, ao clientelismo político.

A imiscível mistura

No concelho vizinho, Vieira do Minho, vive-se uma eclesiástica municipalidade. Este concelho vizinho, tem como edil um sacerdote católico. Arrepia-me, a possibilidade de promiscuidade entre a religião e a política. Na altura das eleições autárquicas do ido ano de 2005, o actual presidente do município, o sacerdote, violou uma das mais elementares leis republicanas, candidatou-se sem renunciar ao sacerdócio. Causou estranheza, além da ilegalidade do acto, a conivência da oposição e das autoridades.

Não sei se actualmente o padre Albino Carneiro, o presidente do município de Vieira do Minho, tenha renunciado o sacerdócio. Penso que não. Uma ilegalidade, é certo, que preferem, seja quem for, pactuar. A parcialidade com a promiscuidade começam a existir. E em Vieira do Minho vive-se a promiscuidade: Câmara Esclesiástica de Vieira do Minho .

30 março 2008

Um Banco como outros

Impressionante, (e não contraponham que devemos regozijar com o sucesso de algumas entidades financeiras consideradas exemplares no panorama económico português e exemplares nos benefícios fiscais e políticos) que em tempos de promiscuidade económica e social as entidades bancárias portuguesas auferem lucros de fazer engordar de alegria o mais definhado neoliberal plutocrata.

A Caixa Geral de Depósitos, banco público 'clientelista', no dia de apresentação pública do seu estrondoso lucro, anunciou que irá aumentar o seu spread (teoricamente, o lucro directo do banco) devido à famigerada crise do crédito imobiliário para atingir os objectivos expansionistas.

Mais uma vez o cliente suportará o aumento de capital para assegurar a sua agenda económica expansionista, que nada beneficia com o megalómano lucro, visualiza e apreensiva-se. Porque não custear a sua expansão sobre os cerca de 300 milhões de euros de dividendos a distribuir aos accionistas praticando uma política mais social e condizente com o distintivo de banco público que tanto lhe favorece nos lucros. Possivelmente esta política não lhe custearia a expansão e teria de se haver com os accionistas e estes bem mais reivindicativos e influentes do que as pobres famílias e indivíduos que lutam o dia-a-dia para sobreviver nesta sociedade plutocrata e desigual.

Esperaria, embora seja contra-producente na actividade bancária, que o banco público se evidenciasse um pouco pela diferença do resto do sector económico, refrescando os seus ímpetos capitalistas e exalando um pouco de consideração sobre os seus donos (contribuintes).

Leitura complementar sobre a "vantagem" do sector bancário sobre os outros agentes da actividade económica em Portugal: A clinking-clanking sound via O País do Burro.

29 março 2008

Centro Hípico de Vinha de Mouros

O centro Hípico de Vinha de Mouros, Cabeceiras de Basto, sobressai, baseado na qualidade, dimensão e polivalência, nas infra-estruturas deste género presentes na Região Norte de Portugal. Um infra-estrutura criada com intento de colmatar um hiato nesta Região, ultrapassando, devido ao nicho de utilizadores deste equipamento neste Concelho, as necessidades concelhias.

Um investimento de escala regional. O edifício com uma arquitectura agradável e condizente com a área envolvente, destaca-se pelas funcionalidades das suas características e sua polivalência nas actividades ligadas ao lazer e entretenimento.

Na área que o envolve, o Município tem desenvolvido um conjunto de equipamentos para o fomento do lazer e conservação ambiental. Esta área possui um centro de educação ambiental, um complexo desportivo, um centro hípico e possivelmente outros equipamentos, do mesmo âmbito, a construir.

Actualmente, neste centro hípico pratica-se aulas de equitação terapêutica (hipoterapia) destinada a cidadãos com problemas que possam resolver ou simplificar com esta terapêutica. Uma iniciativa, a meu ver, pagante de qualquer pretensão megalómana que possam acusar a esta obra. Haverá um protocolo entre a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto e uma instituição a saber (meu palpite a Fundação A. J. Gomes Cunha ) com o objectivo de incrementar o número de praticantes da actividade terapêutica acima citada.

Com os custos associados à prática de equitação, a que este equipamento fomenta, assusta-me que a utilização deste equipamento, por parte dos praticantes deste desporto, seja focada em certa franja da população, nomeadamente aquela que poderá comportar os custos deste desporto. Não sei se existe algum curso de equitação financiado ou comparticipado com o propósito de fomentar o desporto a um maior espectro da população do Concelho. Se existir, bom. Se não, era aconselhável criar-se para o bem da equidade social.

Destaco um artigo presente numa edição ida do jornal o Correio do Minho, jornal ao qual felicito pela quantidade e a qualidade de artigos referentes a este Concelho, demonstra com maior pormenor a hipoterapia que se pratica no Centro Hípico de Vinha de Mouros.

"Afonso (nome fictício) é um dos quatro utentes que frequenta as aulas de hipoterapia no Centro Hípico de Vinha de Mouros, em Cabeceiras de Basto, o único equipamento público da região. Os problemas de foro psicológico levaram o médico do menino a receitar-lhe a hipoterapia como forma de tratamento para uma problemática que surgiu “muito cedo”. " (Ler mais)

Para o conhecimento e informação sobre as características do Centro Hípico e as modalidades com os preços associados que são lá leccionadas fica aqui o link: Centro Hípico de Vinha de Mouros.

28 março 2008

Exposição pode ser visitada de 2ª a 6ª feira das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, na Casa Municipal da Cultura (Horário de Expediente)

Na data em que se comemora o Dia Mundial do Teatro, a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto e a Emunibasto, em colaboração com a Direcção Geral das Artes – Programa Território Artes, apresentam ao público, até ao próximo dia 22 de Abril, a exposição «O que é o teatro?»

Uma exposição a visitar. É de salientar qualquer iniciativa cultural neste Concelho. Necessitamos de iniciativas deste género para sedimentar o hábito e provocar um estímulo cultural aos desprovidos cidadãos deste Concelho.

Uma sugestão: Que tal uma peça teatral para promover a efeméride e a exposição ?

27 março 2008

BastoTV efémera?

Os ecos de alguns meses atrás sobre a falta de actualização do sítio da televisão digital via Internet, a BastoTv, vaticinavam a continuação do interregno. Ido este tempo, continuamos sem qualquer actualização no sítio. Há exactamente quatro meses estamos, internautas, sem qualquer reportagem ou trabalho ao qual este sítio se destinava a fornecer a todos os cidadãos interessados e originários das Terras de Basto.

Este projecto intermunicipal está a prestar um importante contributo para a divulgação visual da cultura e vivência nas Terras de Basto mas tende a tornar residual a sua importância com a falta grave de actualização. Não sei a causa de tal desprovimento informativo. Mas seria de bom-tom que alguém responsável, desconheço os responsáveis do sítio nem sei se é um projecto camarário ou privado, explanasse os motivos. Fica a sugestão.

A proposição lógica na Saúde

Se existem Dez especialidades responsáveis por 80 por cento da lista de espera dos hospitais públicos então a Maioria das consultas em quatro especialidades médicas são privadas.

Se o consequente é verdadeiro então, forçosamente, o antecedente será verdadeiro.

O adiamento na resolução da promiscuidade e ineficácia do Sistema Nacional de Saúde só beneficia a ascensão do outro sistema.

26 março 2008

Unidade de Saúde Familiar, a solução

O Vítor Pimenta, advindo de um estágio numa USF, já deu a sua opinião sobre este novo paradigma de saúde comunitária.

A Unidade de Saúde Familiar (USF) é um modelo organizacional que visa atingir a competência, eficácia, melhor performance e um melhor atendimento clínico nos centros aderentes. Este novo modelo organizativo torna os diferentes intervenientes (médicos, enfermeiros e administrativos) iguais perante as decisões que esta unidade (grupo) de profissionais de saúde fará para atingir um determinado objectivo previamente discutido e acordado por todos intervenientes do grupo.

As vantagens são imensas. A USF é criada a partir de uma candidatura por iniciativa do futuro grupo de profissionais de saúde. Este modelo visa compensar o mérito e a eficácia do trabalho efectuado.

Aconselho veemente os profissionais de saúde de Cabeceiras de Basto a investigarem e talvez a enveredarem por este novo modelo organizacional. Uma vantagem adjacente é a crivagem de maus profissionais que, inevitavelmente, seriam penalizados no novo modelo. Seria um acto de elevação deontológica, além das vantagens evidentes, os clínicos cabeceirenses aceitarem sem reservas nem demagogias um verdadeiro desafio às suas capacidades.

A nível informativo e de consulta fica aqui a referência a este sítio muito pertinente nas questões, respostas, vantagens e desvantagens deste novo modelo organizacional: Missão para os cuidados de saúde primários

Neste link referencia-se directamente os procedimentos para a constituição de uma Unidade de Saúde Familiar, que no meu ver, elevaria a qualidade do serviço de saúde em Cabeceiras de Basto.

25 março 2008

Work for me and you will be free

Intitula-se à auto-proclamação de independência do Kosovo, com o "apadrinhamento" de alguns países, um << precedente >> devido ao receio de casos como este: "Os Estados Unidos advertiram hoje a Rússia para “os problemas” do reconhecimento da independência das regiões separatistas da Abcásia e da Ossédia do Sul, " Em que se visualiza a dualidade de princípios e interesses de quem "apadrinha" certos candidatos a país, baseando-se em certos princípios, e "aconselha" outros a não "apadrinhar" certos candidatos a país em similares princípios de "apadrinhamento".

Mútua de Basto- Um conceito a seguir

A Associação Mútua de Seguro de Gado - Mútua de Basto é uma associação de agricultores privada sem fins lucrativos, constituída por escritura pública de 17 de Março de 1988, com o objectivo inicial de apoiar os agricultores, nomeadamente para superar a inexistência de um seguro mínimo de eficácia e com prémios acessíveis. Reúne 936 sócios na sua Secção de Seguros, 5471 na Secção de Sanidade Animal, e 82 na sua Secção de Agrupamento de Produtores do "Cabrito das Terras Altas do Minho", distribuídos pelos quatro Concelhos da Sub-Região de Basto (Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e Ribeira de Pena), onde possui delegações de nível concelhio.

Ao longo destes catorze anos, as actividades desenvolvidas passaram de um cariz sectorial (agrícola) a um cariz de intervenção global em todos os quadrantes do desenvolvimento rural e social de Basto, incluindo assim todos os sectores de actividade económica.

in Mútua de Basto.

São vinte anos de desenvolvimento, algumas polémicas, e, sobretudo, a ascensão de um conceito de mutualidade, que actualmente, a torna transversal a uma alargada área de intervenção.

Esteve presente na celebração da efeméride, Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, que declamou, para além das congratulações, um incentivo à iniciativa local para produção de produtos característicos e com qualidade certificada.

Um caso de sucesso.

24 março 2008

O "lobbão"

(...)não houve apoios financeiros. "Demos apoio na gestão, nos estudos financeiros, defesa jurídica e processos de logística e compras".

"Queremos pagar as despesas. A sociedade em si não vai ganhar nada...", concluiu.

O poderoso lobby farmacêutico dissimula-se em estranhas formas mas sempre com os mesmos intentos monopolistas. Foi há cerca de um ano que findou o último monopólio legalizado em Portugal, que durou cerca quarenta anos, o da propriedade das Farmácias. Repara-se agora na tentativa de apropriação das farmácias hospitalares pelos tentáculos do dito lobby.

O paulatino aparecimento dos medicamentos genéricos no nosso mercado, a lenta afirmação destes produtos no mesmo mercado, casos de recusa de atribuição de medicamentos grátis, o escândalo sobre a relutância dos órgãos deliberativos oficializarem de uma vez por todas os medicamentos em unidose , descartando os interesses monopolizadores e economicistas de quem mais beneficia com a situação actual, as discretas investigações sobre a mais que evidente << cartelização >> dos laboratórios e o envolvimento de instituições públicas, os contra-sensos e as restrições exageradas sobre as para-farmácias, a promiscuidade entre os laboratórios e a actividade médica, a recente investigação da Comissão Europeia sobre as evidências de um certo condicionamento do mercado por parte de empresas farmacêuticas etc.

São evidências a mais.

23 março 2008

Tibete, um país de interesses superiores

No Tibete existe um genocídio cultural, repressão e um ambiente de hostilidade fundados numa ocupação territorial e anímica pela China. A comunidade internacional divide-se nas opiniões sobre este território. Pelo direito de comparação, o Kosovo, uma nação que recentemente proclamou a independência unilateral, legítima na essência, que foi apoiada na sua determinação como nação por algumas potências mundiais baseadas em critérios, inequivocamente, menos rebustos do que os existentes no Tibete. Interesses superiores.

O Presidente do Parlamento europeu, Hans Gert Pöttering, afirmou que defende "medidas de boicote" aos Jogos Olímpicos se a R.P. da China não enveredar pelo caminho do diálogo com o Dalai Lama.

Na minha opinião não fez mais do que devia. Evidencio este comentário devido à falta de outros similares por parte das altas esferas europeias. Alguns países europeus reafirmaram de imediato, mesmo que aconteça algo terrível e inumano, que não boicotariam os Jogos Olímpicos. Interesses superiores.

O nosso Presidente da República, Cavaco Silva, por motivos de agenda não estará presente na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos. Consta-se que tal declínio, do convite por parte do Comité Olímpico, indirecto, por parte do P.R., deve-se aos apelos provenientes do parlamento Europeu e ao aumento da repressão chinesa no Tibete.

Quero salientar as infelizes declarações do secretário-geral do Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa, sintomáticas da desactualizada ortodoxia que vive aquele Partido. As declarações, com a evidente marca do compadrio cego entre camaradas, são no mínimo aterradoras para um partido que defende a liberdade e a defesa dos direitos humanos.

Jerónimo de Sousa diz: "(...)não haver precipitação no julgamento dos factos(...) face a "notícias contraditórias".(...)Sempre defendemos o diálogo, o respeito pelo direito internacional, designadamente o Tibete como parte integrante da China. Está cada vez mais claro que estes incidentes têm como objectivo político comprometer os Jogos Olímpicos" Mais uma declaração onde o compadrio ideológico sobrepõe a razão. Nada de original.

Mas intenção de boicotar os Jogos Olímpicos é legítima. Onde estão os ideais Olímpicos que deveriam suportar espiritualmente o lugar físico onde se realiza os Jogos Olímpicos? O ideal Olímpico foi destruído por interesses políticos, ideológicos e capitalistas. Jerónimo de Sousa, veemente, afirma que, pelo respeito ao direito internacional, o Tibete é parte integrante da China. Será? A ocupação agressiva e ilegal por parte da China é legal perante o direito internacional?

Leituras aconselhadas sobre o assunto:

Um Jerónimo de Sousa reaccionário no blog Sentido Único.

Palhaçada do ano no blog Uma Terra sem Amos.

Diz-me quem defendes...dir-te-ei quem és! no blog Troll Urbano.

22 março 2008

Fusão de freguesias é essencial

Os autarcas de freguesia querem que o Governo avance primeiro com um aprofundamento da lei do associativismo e só depois parta para a fusão de freguesias.

A situação municipal actual demonstra redundância. Existem demasiadas freguesias, pouco populosas que no conjunto perfazem despesas administrativas facilmente dispensáveis. A fusão de freguesias será um passo essencial para reestruturação administrativa nacional e não vale a pena insistir em passos intermédios como defendem os autarcas. Será um gasto de tempo desnecessário e inócuo. Fusão e regionalização o mais célere possível.

21 março 2008

O rosto da Loucura

O seguinte texto é da autoria de uma conterrânea e amiga: Gabriela, autora do blog Aqui Basto Eu, onde podemos encontrar este e outros interessantes textos. Um excelente texto sobre uma famigerada personalidade da sociedade cabeceirense.

O Rosto da Loucura

Como num jogo de cartas, tarot mal distribuído ou "sueca" sem par, a loucura reveste-se de uma intemporalidade que fascina, questiona e atrai. Assim foi ontem, ao ver correr, desenfreado e sem rumo, o célebre Costinha, conhecido por olhar vezes sem conta para o relógio (mais ou menos a cada cinco segundos). Apesar de tido como um louco pelas pessoas da vila, ele era desde sempre acarinhado como sendo digno de compaixão e até alguma ternura. Alguns rapazes, demasiado novos para compreenderem que o respeito se faz muitas vezes de silêncio e contenção, provocavam-no e instigavam-lhe o espírito para a revolta, enquanto ele levantava alto uma bengala nova em folha, segurando na outra mão dois guarda-chuvas e um saco de plástico.

Lembro-me de o ver há uns bons anos a correr atrás das raparigas que andavam na escola, com os braços abertos, curvado na sua pequenez de homem atarracado, a fazer uns sons imperceptíveis e a assustá-las de morte. Depois, deixei de o ver. Julguei-o atirado para uma sorte mais mísera e infeliz do que aquela que tinha tido até então. Vê-lo agora, porém, confirmou-me a suspeita que trago desde há muito: o que nos parece, a nós, loucura, talvez proteja do passar do tempo. A intemporalidade daquele rosto, sempre com a mesma expressão e o mesmo olhar vago, espelha as infinitas possibilidades de se ser humano. Porque, com diferenças ou sem elas, o cérebro tem múltiplas combinações possíveis para nos fazer compreender a emocionalidade da razão (ou a racionalidade das emoções, se quisermos outro prisma) e estender-nos o olhar até ao horizonte onde todos - todos, sem excepção - temos algo de semelhante entre nós.

20 março 2008

Existem valores e valores

> Salesianos vão fazer uma urbanização de 5 milhões de euros perto do novo aeroporto

> Diocese de Braga gere uma cadeia de hotéis e um spa com jacúzi e solário

> Fátima teve, num ano, um lucro de 3,9 milhões em acções e aplicações financeiras

> O anterior cardeal patriarca de Lisboa deixou uma herança de 5 milhões de euros

A opulência da Igreja Católica será, e está a ser, o despacho para a descrença da sociedade. A sua hipocrisia está imortalizada nos compêndios da História, seus autores opulentos e inumanos perpetraram actos horripilantes e paradoxais aos valores e ideais que preconizaram. Salva-se algumas excepções que vigoram na História eclesiástica como símbolos, prontamente imortalizados em sacro estátuas que contradizem com a mais áurea regra da não representação física de algo superior.

Sendo a Igreja uma instituição rica , horrivelmente rica, equiparada a uma empresa com capital inesgotável, enquanto conseguir aliciar os seus clientes (crentes), possui fundos para singrar na esfera financeira mas com o esclarecimento e responsabilização perde na esfera espiritual e de valores. O paradoxo desta instituição é evidenciado com a fome, pobreza e maleitas que caracterizam precariedade vivencial de quem vive e mora na esquina da rua da sua mui grande instituição.

Engana-se quem diz que a presente descrença da sociedade é fruto de modas, falta de valores ou qualquer tipo de falta de amor. Deve-se ao esclarecimento, a assumpção de factos inegáveis e do paradoxo vivencial e pernicioso da Igreja. Incomoda o esclarecimento. Não sou contra os valores essenciais do cristianismo ou de qualquer outra religião/ideologia que apregoe a equidade e amor ao próximo. Sou contra os que em nome destes valores elaboram subterfúgios vãos para proveito próprio não efectuando o que apregoam. Só com o esclarecimento e uma certa purgação de vícios milenares a Igreja voltará a encantar os descrentes. Até lá, muitos pecados se cometerão.

( Mosteiro de São Miguel de Refojos fotografado por Charlène Pereira )

Hurra a Democracia

Terça-feira será o dia da condenação de uma Lei que iria provocar maiorias artificiais e pulverizava a representatividade democrática que a Constituição Portuguesa consagra e preconiza.

Nesta proposta de alteração da Lei Eleitoral exalava um ponto positivo: o impedimento dos presidentes de junta de votar os orçamentos e executivos municipais (os presidentes de câmara também não votam directamente no orçamento de Estado).

A proposta de alteração da supracitada Lei caiu não pelos motivos democráticos mas por divergência entre os partidos do rotativismo central e com a invisível mão dos autarcas, indignados com a perda de poderes. Ressalva-se que, embora pelos piores motivos, a pactuada alteração à Lei Eleitoral não vigerá.

Hurra a Democracia.

aos que tão mal dizem e tão mal se sentem nesta terra, resta-me deixar-lhes um conselho: move over

move over, Janis Joplin

Para quem não percebeu patavina do que esta grande voz canta e o título deste post, aconselho a lerem atentamente a legendagem deste vidoclip.

19 março 2008

Vizela- Dez anos como Concelho

Hoje comemora-se a efeméride dia da liberdade vizelense, como quem diz, dia da criação do concelho de Vizela. Não obstante a comemorações oficiais, protocolos, sessões solenes etc. algo sobressai. Este ano houve uma forma peculiar de comemorar o dia do Concelho. A edilidade entregou a cada casa, juntamente com um boletim de “instruções”, uma bandeira do município vizelense. Muito << savoir-faire >>.

Uma abraço intermunicipal para o vizelense José Manuel Faria, que provavelmente estará a saborear o dia da liberdade vizelense.

18 março 2008

Histórias 'Clínicas' na Aldeia (II)

Mais uma vez a negligência alia-se à incompetência. Infelizmente, neste Concelho, a excepção está a tornar-se uma regra. Aquilo que deveria ser uma infelicidade técnica, uma excepção, um acaso sem explicação está a tornar-se, ou já se tornou, algo quotidiano. Fico sem perceber a conivência de quem protege ou impuna os intocáveis quando alguém que muito prezo torna-se uma vítima da incompetência. Urge uma responsabilização séria.

17 março 2008

Edifício Escolar de Vilar de Cunhas-Cabeceiras de Basto

Esta Escola encontra-se banida de qualquer utilidade pública, em suma, está abandonada. Espero que exemplos como este sirva para sensibilizar a opinião da sociedade para uma política de construção baseada não no imediatismo mas sim no longo prazo. Desconheço a causa deste "desinvestimento". Poderá ser da edilidade, do governo central, injustiça divina, da reforma educativa ou uma mistura de todos (o meu palpite).

Portajar quem não merece possuir uma concessão SCUT então "desportaja-se" quem merece e não tem uma concessão SCUT

A Assembleia Municipal da Póvoa de Varzim aprovou um voto de protesto contra a introdução de portagens nas SCUT do Norte Litoral, Grande Porto e Costa da Prata. Na moção conjunta, apresentada pelos quatro partidos políticos com assento na Assembleia - PSD, PS,CDS-PP e CDU -, o município apela ainda ao Governo para que reconsidere

Em Cabeceiras de Basto, em tempo de construção da famigerada Auto-Estrada número sete, não se visualizou um "ecumumenismo" partidário para a atribuição de uma concessão SCUT para a dita auto-estrada. Inspirem-se neste exemplo e reivindicam, a posteriori, a quebra da concessão actual na A7 e promovam a concessão SCUT à qual nós e os nossos vizinhos merecem por direito e por rigor.

16 março 2008

Ruptura Democrática de Esquerda

O secretário-geral do Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa, tornou público um desejo antigo da esquerda portuguesa. Declamou, num jantar na Madeira, a necessidade em Portugal da criação de uma plataforma de concentração de forças políticas, sociais e independentes de esquerda que representasse uma verdadeira alternativa ao domínio governativo dos selectos Partidos Social Democrata e Socialista (ambos com designações não condizentes com as suas governações). Nada de novo apenas uma constatação pública, por parte de um líder partidário, de uma necessidade.

Quanto à sua implementação no panorama da política nacional, penso que será difícil e complexo em causa está a cicatrização de velhas divergências na esquerda e compatibilidade entre grandes vultos da esquerda portuguesa. O timming em que é apresentado publicamente este intento carece pelo seu atraso. Estamos a apenas um ano e alguns meses do sufrágio nacional e local. Uma estrutura política como esta demora algum tempo a ser preparada e implementada.

Em particular, uma estrutura como esta seria ideal para o concelho de Cabeceiras de Basto. Uma plataforma de esquerda que albergasse independentes, desalentados e desalinhados políticos de outras forças políticas, forças sociais e mesmo partidos. Uma verdadeira alternativa governativa. O cordão ideológico de esquerda os uniria em volta de um projecto político de mudança e de evolução para este concelho. Ao contrário deste projecto com âmbito nacional, projectos semelhantes de âmbito local repetem-se por Portugal. Claro, como no âmbito nacional, necessita de tempo para ser preparado e implementado.

15 março 2008

O prelúdio

Este post será uma análise crítica a um prelúdio textual de um artigo que voltarei a comentar. Este artigo intitula-se Novo Regulamento e Tabela de Taxas, Licenças e Tarifas, presenteado na última edição do jornal o Ecos de Basto.

Este prelúdio textual transmite-nos uma mescla de opiniões sobre a qualidade democrática da política praticada em Cabeceiras de Basto. A qualidade democrática pode ser mensurada por diversos parâmetros desde da qualidade das propostas de uma oposição política à liberdade de expressão crítica, passando, indubitavelmente, pelas políticas preconizadas e efectuadas pelo executivo vigente.

Este prefácio relata-nos, com sentido crítico, o modus vivendi político observado na última reunião da Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto.

O pouco público que assistiu à reunião da Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto do passado dia 11 de Fevereiro, não terá certamente saído defraudado desta primeira reunião anual, quer pela diversidade dos assuntos ali tratados, quer por alguns momentos jocosos, quase hilariantes, na troca de argumentos entre o Presidente da Câmara Municipal e o membro da CDU, José Manuel Marques.

Começamos com um pouco de humor informativo, entre o edil cabeceirense e o deputado municipal eleito nas lista da CDU.

Não fosse a persistência, com alguns laivos de teimosia e irreverência do único representante da CDU na Assembleia, esta reunião resumir-se-ia, à semelhança das anteriores, a um desfile triunfal das propostas da Câmara Municipal, que passam por este órgão deliberativo sem debate e sem confronto parlamentar, num deserto de ideias e opiniões contraditórias, um verdadeiro vazio de oposição.

Asserta e bem. Salvo o senhor deputado municipal José Marques a questionar e a propor de um modo acérrimo e irreverente, mesmo não encontrando respostas para as pertinentes questões, a restante assembleia municipal resumir-se-ia ao bem preparado e defensivo grupo parlamentar do Partido Socialista. A direita parlamentar está em ruptura. Perde a consideração política pela falta de propostas e questões para o bem concelhio a qualidade democrática desta Terra passa pelo debate pertinente . Necessita de uma renovação política iminente para não definhar. A sociedade cabeceirense, que está representada neste órgão deliberativo, não aceita nem pode compactuar com o regime laxista e despreocupado que aparenta vigorar na Assembleia Municipal. Não podem, nem devem, descurar o voto de idoneidade e seriedade com que se comprometeram com o eleitorado cabeceirense.

O Executivo “passeia-se” nesta Assembleia como uma família de felinos no meio de um rebanho de cordeiros.

A grosso modo gostei desta caracterização por parte do jornalista, o qual não conheço o nome para poder devidamente congratula-lo (não é ironia). Analogia com um espectador assíduo do National Geography Channel é uma pura coincidência.

Se, por um lado, nos deparamos com o grupo da maioria PS, coeso, coordenado, tematicamente interventivo, quiçá, excessivamente alinhado,(...)

Parcialidade à parte, a expressão "excessivamente alinhado" é uma crítica provocada pelo o tédio do debate parlamentar ou pela unicidade de opinião dentro deste grupo parlamentar? Fica a dúvida.

(...)já por outro, nos confrontamos com uma oposição - coligação PSD/CDS -, que vive desde há muito tempo um enorme pesadelo de incapacidade e desmotivação. Internamente espartilhada, desmembrada das suas figuras de proa, manifesta-se apenas em esporádicas acções individuais e de pormenor, como que em suspiros de desconforto, de quem se encontra numa penosa letargia de hibernação, da qual muitos já só pensam em ver-se livres.

Em jeito de conclusão, cá está a causa apontada pelo autor do prelúdio textual para a "letargia de hibernação".

Apesar deste artigo do jornal o Ecos de Basto ter a conotação de informativo, com um conteúdo que irei posteriormente comentar, este prelúdio textual aparenta ser um artigo de opinião. Gostei particularmente deste prefácio, claro com alguma evidente parcialidade mas, na sua essência, demonstra de um modo agradável de se ler o residual conflito ideológico/político em propor e questionar, na nossa Assembleia Municipal, que possui uma importância relevante para evolução de um concelho.

14 março 2008

Terra + Verde

(...)uma régie-cooperativa pioneira no país e que tem como objectivo central promover a valorização e protecção da floresta. A Terra + Verde é uma estrutura que, segundo o presidente da Câmara, Joaquim Barreto, "vai aliar entidades públicas, baldios, proprietários e a UTAD e que deseja promover a gestão integrada, através da contratualização de serviços, sem nos imiscuirmos na gestão privada de cada um dos associados".

A Câmara subscreveu 4 mil títulos com o valor total de 40 mil euros, de uma régie-cooperativa que tem um capital social ilimitado mas de montante mínimo de 100 mil euros.

Criar uma cooperativa com o intuito de criar um circuito directo entre a "Floresta" e seus "consumidores" assegurando a organização necessária para a protecção e sustentabilidade deste bem precioso e aparentando possuir todos os "ingredientes" só pode ter como consequência um bom resultado. A interacção entre agentes de entidade pública e baldios, proprietários e uma Universidade com o objectivo de valorizar e proteger este bem essencial só pode ser encarado com uma boa medida. Uma "receita" a aplicar em outras áreas.

Sperm For Tickets

Apenas uma curiosidade. Na Irlanda, um país que recentemente é apontado como um exemplo económico, administrativo e de desenvolvimento baseado na idónea aplicação de fundos comunitários compactua todo este desenvolvimento com um certo conservadorismo advido da sua extrema fé cristã.

A Ireland's Fertility Clinics (associação de clínicas de fertilidade lá do sítio) devido a uma falta de dadores de esperma (as doações destes "caçalhos" diminui em cerca de quarenta por cento nos últimos quatro anos) para os seus bancos de espermatozóides, rompe com o conservadorismo reinante e implementa uma estratégia pouco ortodoxa e original de angariar dadores.

A estratégia baseia-se na confidencial troca de esperma por um qualquer bilhete de um festival de música. Os administradores do website dizem que a procura tem superado as expectativas.

Fica aqui o link para os interessados dadores:Sperm for Tickets.

post scriptum:Por motivos puramente biológicos os elementos do género feminino não poderão participar na troca.

13 março 2008

Pluralidade- Uma questão de sobrevivência

O Bloco de Esquerda tem a sua génese num aglomerado de partidos, na sua essência semelhantes mas paradoxalmente diferentes, e plataformas de cidadãos e associações que permite uma abordagem, não deixando de haver conflitos, ao debate interno político diferente dos demais partidos representativos. Dever-se-à a uma institucionalização desta sadia troca de ideias e opiniões? Dever-se-à a uma amálgama de pessoas e associação de pessoas diferentes? Ou ao facto deste partido não ser somente um partido mas um "bloco" de partidos? Não sei.

Contudo, aparenta existir, neste partido, uma troca de ideias e debate interno diferente, baseada na liberdade de opinião fundamentada, construtiva e respeitável. Ressalvo, que escrevo apenas com uma visão exterior.

Acredito que exista nos outros partidos uma liberdade de expressão institucionalizada contudo a abordagem que envolve as críticas e as diferenças de opinião aparenta ser diferente da do Bloco. Possivelmente, estas diferenças devem-se a uma probabilidade e previsibilidade governativa de alguns partidos e à ortodoxia anacrónica de outros. Temos inúmeros exemplos de divergências legítimas ou ilegítimas entre dissidentes de opiniões, locais e nacionais, e o aparelho partidário.

A pluralidade, desde da Biologia à meta-física, só poderá resultar numa evolução positiva e construtora. A unicidade, como a genética nos ensina, torna-nos vulneráveis a mudanças bruscas e paulatinas do ambiente que nos envolve. Um exemplo que já deveria estar mais que solidificado nas mentes humanas. Uma questão de sobrevivência. Um partido que não respeite tal dogma existencial só poderá definhar e empobrecer qualitativamente.

12 março 2008

Equipas de Intervenção Permanente (EIP)- Cabeceiras de Basto

Possuímos, seres do interior esquecido, um estado político, social e humano condicionado pelas diferenças e injustiças regionais. Ganhámos qualidade de vida bucólica, algumas vezes ameaçada, em detrimento de oportunidades e equidade.

Sinto agrado, por ser cidadão carente de uma protecção civil melhor e bombeiro voluntário que visualiza uma melhoria na qualidade técnica do corpo activo da corporação, pela iminente implementação das Equipas de Intervenção Permanente. Ansiávamos, sociedade em geral, por este protocolo e sua implementação já algum tempo.

Esta equipa de bombeiros irá elevar a qualidade técnica do socorro e a celeridade deste no concelho de Cabeceiras de Basto. Estas equipas serão comparticipadas, em 50 por cento, pelas Câmaras Municipais e pela Autoridade Nacional de Protecção Civil. Além de uma medida relevante ao nível de protecção civil terá uma repercussão a nível social, embora pequena, no âmbito do emprego. Servirá para melhorar e/ou criar novos postos de trabalho "desafogando" cidadãos no desemprego ou em condições precárias. Um bem haja à futura Equipa de Intervenção Permanente de Cabeceiras de Basto.

11 março 2008

Nada a acrescentar, só evidências

A recente celeuma que envolve a revisão do Estatuto da Carreira do Docente tem provocado reacções pouco consensuais, por vezes, desproporcionais e pouco evolutivas para a discussão. A classe profissional visada tem toda a legitimidade de reivindicar e lutar pelos seus direitos profissionais, mesmo que estejamos contra. É indiscutível. Estas reformas estarão sempre condicionadas no seu desempenho quando pelo menos uma das partes interessadas é afastada do consenso, não por falta de propostas alternativas, mas sim por obtusidade no diálogo.

Há efectivamente falhas nesta revisão do estatuto da carreira do docente que culmina nas burocracias relativas à avaliação, progressão na carreira e o próprio método de avaliação do desempenho do docente.

Esta reforma, na sua essência, é positiva mas (como parece, infelizmente, uma regra nestes últimos anos, repare-se na reforma efectuada na Saúde) o seu modo implementação chega a ser contraproducente. Uma reforma de fundo para ser consensual terá de respeitar e necessariamente "ouvir" todas as partes interessadas no processo, que neste caso são a classe docente e seus titulares e a sociedade civil. Caso contrário provocará a instabilidade e o caos social. Concluo: nada a acrescentar, só evidências.

Semana da Floresta do Cabrito e do Anho- Cabeceiras de Basto

Começa hoje a tradicional Festa da Floresta do Cabrito e do Anho no nosso ilustre concelho. Para quem gostar de aliar a visita ao Centro de Educação Ambiental de Vinha de Mouros e repastar com pratos regionais nada melhor que vir a Cabeceiras de Basto. Não se esqueçam no decorrer desta semana de incrementar o sentido crítico em relação ao estado ambiental neste Concelho.

Para mais informação e a calendarização dos múltiplos eventos desta festa fica aqui o link para o programa da Semana da Floresta do Cabrito e do Anho

10 março 2008

Água Hotel Mondim de Basto, um luxo?

A precariedade laboral é a essência do reboliço social que se visualiza e respira-se no ar putrifico das desigualdades de oportunidades e direitos em que se situa o statu quo.

Um comentador deixou, uns dias atrás, um comentário revoltante. Comentava a precariedade que se vive, por detrás de algumas obras emblemáticas e mediatizadas nas Terras de Basto. Em pormenor, no novo hotel de quatro estrelas (somente para a possível qualidade infra-estrutural e de serviço que proporcionará e não das condições de quem lá trabalha ou trabalhou). Transcrevo aqui o comentário:

"hugo disse...

trabalhei durante sete meses para o Mondim água hotel, como segurança através da empresa horizonte mais serviços de controle e vigilância. tendo durante este período de tempo sidos violados os meus direitos de trabalho de forma constante existido ainda salarios por liquidar. será esta a maneira de iniciar um projecto vital para o concelho? será esta a publicidade pretendida a imagem correcta? "

Senti na obrigação de evidenciar este comentário. Algo que considero muito é a a coragem de quem quer trabalhar, mesmo na precariedade, contra todas as condicionantes sociais em que vivemos. Revoltante, é o constante atropelo social e constitucional que certas entidades empregadoras efectuam com quem quer trabalhar e viver. Caro Hugo, certamente existirá processos legais morosos e por vezes incipientes para a resolução do seu caso. Infelizmente vivemos numa época onde o sector privado, legítimo mas socialmente ambíguo, desde de alguns anos tenta flexibilizar o contrato de trabalho. Mas, já com a legislação vigente continua a haver "atropelos" e desrespeito sem que as autoridades laborais consigam combater a burocracia, morosidade e os interesses desproporcionados. Uma luta desigual e injusta. Fica aqui o meu incondicional apoio e consideração pela sua "luta".

Trabalhadores controlados por conta de outrem.

Os atropelos à liberdade de manifestar são constantemente e de forma irritante disfarçados de acções policiais necessárias e condizentes com a situação.

O último caso mediatizado, acredito que existem muitas outras situações deploráveis como esta sem divulgação nos media, aconteceu numa durante uma manifestação na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Sines. Nesta manifestação, reivindicava-se a garantia das condições de segurança das instalações,a melhoria do meio ambiente (na qual a empresa responsável pela exploração da ETAR violava de um modo constante e criminal as normas ambientais) e o aumento salarial para um valor mínimo de 800 euros.

Revoltante.

09 março 2008

Contra-críticos

Infelizmente até um simples texto informativo serve para servir a cultura de propaganda de contra-crítica .

(...)até porque algumas pessoas do Arco de Baúlhe não se coibiram de criticar esta Piscina. E ao criticarem os equipamentos construídos na sua terra estão naturalmente a criticar o Arco de Baúlhe e as suas gentes. E isto deve preocupar-nos. Há atitudes e afirmações que não ficam bem mesmo quando feitas em ambiente carnavalesco.

in Ecos de Basto

Não sei como avaliar este excerto. Qualquer cidadão tem o livre direito de construir críticas aos ditos << equipamentos >> construídos nas suas terras sem que isso implique ser negligente com a sua Terra e as suas gentes. Uma crítica fundamentada e construtiva implica exactamente o contrário do que exala deste excerto, implica gostar e preocupar com o sítio onde vive.

Quanto a referência ao ambiente carnavalesco, penso que é perigoso insinuar o que deve ou não ser mote carnavalesco. Enfim, uma frase infeliz.

Uma inspiração

ain't got no...i've got life, Nina Simone

08 março 2008

Zeitgeist- O espírito do tempo

Tive conhecimento, algum tempo atrás, de um fabuloso documentário, através do blog Troll Urbano, que se intitula Zeitgeist. (o documentário está disponibilizado integralmente neste link)

Uma pérola para quem como eu pense que nada é linear. Os cépticos esclarecem-se e os convictos tornam-se cépticos. Aconselho veemente a verem este documentário.

Perene Carvalho

Escolhi a data de hoje para homenagear um Homem, um simples homem que possuía a mais rareada forma de estar entre os seus congéneres, a excelência da vivência pautada pela educação e fundamentada no respeito. Falo-vos do grande senhor António F. Teixeira de Carvalho, finado à cerca de quatro meses.

Não o conheci pessoalmente, pouco posso escrever sobre a sua personalidade. Apenas fiquei com a noção da sua obra na sociedade cabeceirense e o seu modo de vida, digno dos mais dignos.

Protelei esta humilde homenagem até conseguir reunir escritos mais pertinentes e sensíveis. Seres que tiveram o privilégio de partilhar momentos de vida, por mais escasso que fosse, com este grande senhor.

A ele:

Teixeira de Carvalho dará nome à Biblioteca Municipal de Arco de Baúlhe, artigo publicado no jornal O Basto.

António Teixeira de Carvalho homenageado pela Câmara Municipal , artigo publicado no jornal Ecos de Basto.

O adeus ao Dr. António Francisco Teixeira de Carvalho Senhor Carvalho ou Toninho para os amigos artigo publicado no jornal Ecos de Basto e escrito por Fernanda Carneiro.

Uma biblioteca do Tamanho da vida de Um Homem, artigo publicado no blog O Mal Maior, escrito por Vítor Pimenta.

07 março 2008

Coloquem-se, agachados, por trás das costas de um “Judas” qualquer, e vejam se lhe conseguem ver a cara…

Não tenho credo, não sou burguês nem proletário, não possuo capital, não sou expectável, não tenho classe nem pertenço a nenhuma. O que tenho? Deixem-me dizer o que tenho, e ninguém me pode tirar a não ser que eu o permita, tenho palavras. Palavras que contextualizam ideias e ideais. Sou idealista. Pecado mortal para alguns e um amargo mel para muitos.

Na recente edição do jornal regionalista trissemanal, o Ecos de Basto, em artigos de opinião, nomeadamente Por favor, um passo ao lado! e É lixada! , os autores dos atrás citados escritos, criticaram, de forma cómica e acutilante, a "blogosfera" cabeceirense. Acusam-na de possuir e incutir princípios e ideias retrógradas e desactualizadas para o concelho de Cabeceiras de Basto. Simplesmente por criticarem algumas linhas orientadoras de políticas e acções e tentarem demonstrar outros pontos de vista para o concelho.

Invés do contra-argumento construtivo e diálogo salubre entre cidadãos temos críticas desorientadas e pouco evolutivas, em suma, retrocesso. Neste blog criticou-se quando achou-se pertinente, congratulou-se quando meritório, informou-se sempre. O balanço foi abonatório para os supostos queixosos. Basta percorrer o blog.

Não sou nenhuma sumidade, pelo contrário. Procurei dar a minha opinião e ideias, no meu entender, construtivas para este concelho. Uma grande parte dos comentadores deram opiniões bem mais pertinentes e objectivas do que as minhas para a evolução positiva deste concelho. Mais uma vez, basta percorrer as "caixas" de comentários contidas neste blog. A conclusão que tiro é que este "espaço" é um espaço na sua essência construtivo e coerente. Não tirem conclusões precipitadas e emotivas.

06 março 2008

Histórias 'Clínicas' na Aldeia

Vivemos num tempus em que arrogância de uns colide com o orgulho de outros. No passado fim-de-semana estive a exercer o meu dever como bombeiro voluntário cumprindo o meu serviço nocturno. Eu e outro colega fomos solicitados para uma ocorrência à qual cumprimos escrupulosamente.

Ao finalizar os trâmites da ocorrência, encontrávamos no SAP de Cabeceiras de Basto, eram cinco horas da manhã, e necessitávamos de um pequeno autocolante provido do médico de serviço para viabilizar o verberte correspondente a tal ocorrência. Prontamente e de uma forma arrogante foi-nos negado tal provimento pelo médico de serviço. Arrogância deste homem contrastava com azáfama da enfermeira a atender o paciente, é evidente para quem conhece este tipo de profissional de saúde, que ele nem "tocou" no paciente.

Dirigimos-nos ao administrativo de serviço a questionar a obrigatoriedade de tal provimento. Ele confirmou tal suspeita. Ao questionar o porquê da negação desta obrigatoriedade, ele, o administrativo, respondeu que a atitude do médico era normal! E que a arrogância do médico e a teimosia eram uma marca de água no seu serviço e era melhor esquecer. Nada de especial.

De retorno ao Quartel o meu colega,um estudante de medicina, vociferava:São estes médicos que dão a nefasta fama à classe e ao serviço de saúde, médicos formados na secretaria no reboliço do vinte cinco de Abril.

Para quando uma responsabilização real dos seus actos? Para quando uma separação entre os profissionais de saúde, e não só, na sua área de actuação profissional (público ou privado e nunca público e privado)? Para quando um sistema de avaliação qualitativa que servisse para punir os maus profissionais? Para quando o fim das prerrogativas desiguais relativas à classe profissional médica? Para quando a liberdade de cursar em qualquer curso onde a restrição seja feita no mercado de trabalho (a jusante) e não ao contrário? Para quando uma actuação profissional condizente a funcionário público e não a atitude actual de superioridade perante o serviço público?

05 março 2008

Não existe coincidências

Nabo no Pedestal - 2004,Fernandes,Gustavo

04 março 2008

Vozes de Basto (III)

O conceito do direito a manifestar a sua opinião livremente parece estar um pouco deturpado na militância política em Cebeceiras de Basto. Os partidos só têm a ganhar com a pluralidade de opiniões interna. A pluralidade de opiniões, inevitavelmente, implica a divergência e a crítica construtiva, que muito contribuem para a solidificação e validação da opinião partidária. É evidente que esta "liberdade" provoque algumas reacções negativas, derivantes de facções e/ou singulares que visualizam nesta atitude ou modo de estar uma séria ameaça à sua visão retrógrada e interesseira de estar politicamente.

Tenho assistido várias vezes a críticas, algumas pejorativas, ao direito de opinião livre sobre políticas e acções, efectuadas pelo executivo camarário e Partido Socialista, ao Vítor Pimenta. Estas críticas têm a sua génese na militância política dele. Isto é inaceitável. Um partido definha ideologicamente e em qualidade com a homogeneidade de opiniões. Criar uma autocracia de opiniões com militantes acríticos e monocórdicos num partido democrático é uma contradição. Meus caros criticadores, desejo (não é uma ironia) e a sociedade necessita que evoluam como indivíduos pensantes e respeitem a Democracia que não "vive" sem o direito de manifestar livremente a sua opinião, seja dentro ou fora de alguma associação política.

03 março 2008

Vozes de Basto (II)

"Espero que o espírito intriguista se mantenha vivo e que esta opinião chegue ao conhecimento do interessado pela voz do senhor do costume. Já agora e a talho de foice, interrogo-me se aos Cabeceirenses lhes vai ser permitido destrancar o ferrolho, emergir do coma e respirar o intervalo da mudança. Palpita-me que aqui no nosso burgo e à falta de condições objectivas e seguras, mas, em qualquer caso, nunca sem ser a pedido de muitas famílias, vamos ter uma recandidatura.

Como já percebemos, Cabeceiras é um dos munícipios onde o poder autárquico assenta numa estratégia pessoal que, não embarcando na lógica do eucalipto, resolve por si só, para além de mim, só resto eu.

Que se cuidem os que legitimamente acalentam esperanças num amanhã novo. Estou convencido que o futuro presidente da nossa câmara, será encontrado e assumido com base num compromisso que assegure um regime de continuidade, no que ao poder se refere.

Há peões de e na estratégia que começam a ser movimentados, com vista a garantir uma plataforma coincidente com desígnios controladores. Ao contrário do que apressadamente possamos concluir, julgo não estar nos planos do actual presidente de câmara, passar o testemunho em tempo útil, ao seu sucessor natural que durante todos estes anos o tem abnegada e estoicamente acompanhado. Argumentar-se-á, por ventura, até aquele que um dia será o cessante, que a eminência deste possível sucessor, nunca foi muito visível, quiçá, bastante pálida até. Perante um quadro de rigidez e autoridade (ismo), seria suicídio e estupidez para um qualquer pretendente à cadeira máxima na autarquia, tentar sequer pular uma cerca que, ao longo dos anos, foi terminantemente montada. Para baralhar um pouco as coisas, não me admirarei que surja um candidato que, não sendo surpresa o acto de iluminismo, apesar de tudo, não resolverá os efeitos da machadada."

A opinião lúcida ou não (depende do ponto de vista interessado) do Ílido Santos no blog cabeceirense Casa de Pedra

02 março 2008

Drum session

Numa drum session, onde eu tentei criar, de um modo amador mas persistente, ritmos numa velha e "batida" bateria, um jovem pretendente a músico, o proprietário da citada bateria, explanava as dificuldades de cursar, por mais simples e efémero que fosse, algum curso relacionado com ensino musical em Cabeceiras de Basto. A música é indispensável em todo o movimento evolutivo do ser, a nível individual e social existindo a obrigatoriedade do acesso ao seu ensino de um modo universal. Mas isto não acontece e mais rareado é na ruralidade onde vivemos.

Nesta prolífera troca de opiniões falávamos de bandas, músicos, géneros musicais em suma arte. Para umas questões relacionadas com certos grupos musicais onde aconteceu um "desvio" musical com intuito mercantilista respondi que a Arte desvaloriza-se e corrompe-se quando impera o intuito monetário. E este conceito poder-se-á aplicar a uma grande generalidade de situações, entre elas, a Política (arte de governar).

01 março 2008

Injustiças tarifárias

Um do estratos sociais mais desfavorecido é o correspondente ao das famílias numerosas (que tanta falta ao País). Existem algumas medidas instaladas pelo Estado Social mas mostram-se insuficientes e algumas vezes incipientes. Mas localmente podemos, embora de uma forma paliativa, "desagravar" um pouco a dificuldade de uma vivência familiar, indiscutivelmente, dura e exigente.

A nível local, uma das medidas para tal "desagravamento" será a implementação da Tarifa Familiar da Água. Esta tarifa torna-se particularmente imperativa no contexto social do nosso concelho. Neste concelho, com todos os problemas sociais existentes, rege uma das tarifas de água mais cara e injusta do País e esta torna-se incomportável para famílias numerosas.

(clicar na imagem para um melhor visionamento)

A imposição de uma tarifação feita segundo escalões de consumo, com valor crescente serve para dissuadir um consumo excessivo de àgua mas torna-se extremamente penalizador para famílias numerosas.

O tarifário apresentado na primeira folha de cálculo é referente ao concelho de Setúbal assumindo que cada pessoa consome 3.6 m3 por mês, de acordo com o padrão internacional de 120 litros de água por dia reconhecido internacionalmente como o adequado.

É apresentado, na segunda tabela, o custo a que ficará o consumo de água por família, em função da sua dimensão.

Vê-se, assim, que uma família de duas pessoas vê a sua factura agravada em 19%, apenas porque a água que cada um consome chega através do mesmo contador.

No caso de uma família com 4 pessoas, o custo já é agravado em 62%; numa família de 6 pessoas, o valor médio por m3 já é mais do dobro!

Repare-se na flagrante injustiça: uma família com 6 pessoas forçosamente tem um consumo 6 vezes superior ao de uma habitação só com uma pessoa, mas a sua factura é 12 vezes superior, só porque vivem na mesma casa!

As autarquias deveriam ser o exemplo e serem as primeiras a combater estas injustiças. Algumas autarquias já praticam esta tarifa (de salientar o caso do concelho de Sintra, o segundo mais populoso de Portugal), cabe aos deputados da assembleia municipal e ao executivo eleito proporem e aceitarem medidas que promovam a equidade tarifária entre os seus munícipes.

A informação referente aos valores aqui apresentados encontram-se no sítio da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas.