31 agosto 2008

[Silly Season daily dose] Quarenta anos depois, eles continuam a ser notícia, todos dias, sem excepções, às 20 h em todos os noticiários

Sua boca amordaçaram

O continuado e programado silêncio de Manuela Ferreira Leite não é mais que um 'açaime' imposto. Imposto por quem? Ninguém em concreto. Quem a amordaçou foi a senda pela credibilidade (que tanto pretende exalar, vejam o seu silêncio nesta altura tão mediática e propícia a 'politiquices'), a estratégia de provocar um mediatismo 'invertido' (isto é, ao estar silenciada as notícias sobre ela e o seu partido estatelam-se diariamente na imprensa) e assim ter o tempo e o sossego para se preparar para a sua sebastiânica(?) rentrée política, para que ela (a rentrée) seja o querem que ela seja.

30 agosto 2008

Reviver, em tempos de amargura, sempre foi uma fórmula politicamente eficaz

Por parte do CDS-PP, o antigo secretário de Estado da Administração Interna, Nuno Magalhães, classificou a medida[intenção governamental de alterar a actual lei das armas] anunciada por Rui Pereira como um «remendo». No entender do deputado, o Governo «não está a encarar o problema de frente, devendo ir «mais longe». in [TSF].

A pena de prisão preventiva para quem comete um crime com a ameaça de arma (para os democratas cristãos) é uma medida pequena e aquém do necessário? Com o revivalismo[não vos parece que há um clima de revivalismo 'salazarento' no ar] marcado nas propostas com que estes senhores nos presenteiam, nesta situação, o que quererão realmente dizer com ir «mais longe»? Restaurar a pena de morte? Aplicar a "justiça" de Bush (comummente tratada de patriot act e afins)? Criar um verdadeiro Estado Policial? Acabar com liberdades(que deixariam de o ser) invioláveis e inquestionáveis? Esclareçam-se.

post scriptum: já não consigo aturar tanto exagero mediático, até na imprensa minhota o sensacionalismo reina e corrói.

29 agosto 2008

28 agosto 2008

Enfermidade do banco de horas

O sindicato dos Enfermeiros reivindica a normalização de algo que é praticado, comummente, no serviço de enfermagem tanto no sector público e no privado. Uma espécie de "banco de horas", à luz da actual legislação laboral, ilegal. Mas a "ilegalidade" tem os dias contados. A 'nova' proposta de lei de revisão do código do trabalho, a aprovar pela Assembleia da República, irá tirar o 'incómodo' da senhora ministra em orquestrar uma solução efémera e, como muitos dizem, populista ao aceitar e combater as reivindicações desta classe profissional. Como? generalizar o "banco de horas" a tudo e a todas as profissões.

Também eu, meus caros, também eu...

dazed and confused, Led Zeppelin

27 agosto 2008

E se o silêncio for quebrado?

A disponibilidade de discussão na sociedade cabeceirense é restrita. As causas são várias: os pretextos, as desculpas, os preconceitos, a cidadania debilitada, a sociedade, o individualismo, a adulação à moralidade e ao dever de pacatez, etc. Como gostaria de ver, ouvir e sentir opiniões dos demais cidadãos, sem complexos, sem a preocupação vexatória de ter o consentimento moral do outro para falar ou estar. Temáticas transversais, tais como a homossexualidade, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a liberalização das drogas leves, a energia nuclear, a religião, a sociedade, os valores, a moral, a freguesia, o concelho, as pessoas e o futuro, necessitam de se ouvir. As organizações para tal funcionam mal, pelo simples facto, de não haver um são debate sobre tudo e qualquer coisa. Existe um vazio de debate, nunca de opinião, porque até na surdina a mais inóspita e inconcebível opinião é gerada. Mas o que será que falta?

Lembra-me, estas linhas, um evento ao qual fui em 2005. Em, plena época eleitoral, fui convidado a assistir a um debate/conferência organizado pela juventude socialista. O evento, realizou-se num espaço de diversão nocturna no centro da vila de Refojos de Basto. Rigorosamente, não me recordo do que foi discutido ou o que faltou discutir. Lembro-me, neste âmbito, de um episódio, na habitual troca de opiniões entre o público e os conferencistas, que causou espanto e perplexidade. Alguém insurgiu-se do atónito público e questionou os conferencistas sobre qual seria a opinião deles sobre a legalização das drogas leves. De imediato, risinhos cínicos rompiam a atmosfera de conformidade política. Quais espíritos incomodados por dentro e menosprezáveis por fora. Enfim, aí mostrou-se, num público maioritariamente jovem, quanto a "mentalidade colectiva" desta terra está constrangida. No meio do sarcasmo e da ironia, e da pertinência de tal perturbadora questão, concluiu-se que: para quem foi dirigido a questão com nada respondeu. Evadiu-se através da retórica política. Enfim, um elucidativo episódio de como são as coisas e sobre aquilo que é necessário mudar.

Mondim Jovem (II)

JSD Mondim de Basto organiza segunda edição do "Mondim Jovem"

26 agosto 2008

Take the effect and make it the cause

[Silly Season daily dose] In the name of U.S.A., you are arrested for 'blogconspiracy' against this great nation

Ao que parece alguém, com o domínio state.gov, visitou este humilde espaço e bisbilhotou o meu perfil no blogger. O servidor, utilizado, é localizado em Reston, Virginia nos Estados Unidos da América, sítio este, perto de Langley, Virginia, onde sita a famosa sede da agência da central de inteligência(?) americana: CIA. Aquela a qual o Fidel e outros seguidores queixam-se das mais variadas conspirações. Por isso, detractores das políticas americanas, cuidai-vos que 'eles' andam por aí. Não sentem por aqui um odor a enxofre ?

Cuidado cabeceirenses distraídos, aqui o jack, por vezes em dias de folga, arrebenta a corrente e talha

jack the ripper, Nick Cave and the Bad Seeds

25 agosto 2008

Tic Tac ... Eis que as Àguas de "betão" acabam de se erigir (II)

«O PCTP/MRPP considerou hoje que o futuro aproveitamento hidroeléctrico do Fridão, incluído no Programa Nacional de Barragens, ameaça a segurança e a saúde pública no Vale do Tâmega.

O partido "diz não à barragem de Fridão porque estão em causa a segurança, a saúde pública e a qualidade de vida das populações do vale", escreve o PCTP/MRPP, em comunicado enviado à agência Lusa.

"Porque o rio Tâmega para montante de Amarante já apresenta um grau considerável de poluição, perguntamos que saúde e que qualidade de vida vão ter as populações ribeirinhas?»

in Público.

Neste comunicado, o PCTP/MRPP, exorta a perigosidade para o ambiente do plano de barragens nacional, e em particular, a futura barragem do Fridão. Um especialista em estudos de impacte ambiental, Rui Cortes, asseverou o perigo iminente para Amarante se esta barragem for construída. Enquanto o debate, semelhante a uma explicação de uma decisão unilateralmente tomada, se faz em outras terras de Basto, por aqui, nada se explica. Esta decisão, unilateral, do governo impor, o plano nacional de barragens, sem ouvir, sem esclarecer e sem debater as vantagens e desvantagens de tal investimento, relega a população ao seu silêncio imposto. E esta, inquieta-se com o que para aqui vem.

Compreendo a necessidade de criar alternativas energéticas. É necessário, sim. Contudo, o que se impõe aqui é a velha máxima do Bocage que o desenrasco português imortalizou : é pior a emenda do que o soneto. É deveras escandaloso um projecto, a acontecer, sem discussão nem esclarecimento. Não é um projecto inócuo. É um plano nacional de grandes barragens. É gigantesco. É enorme e destruidor. Terá as inevitáveis vantagens que este tipo de investimento e retrocesso energético possui. Mas, no actual momento, trata-se de evidenciar as desvantagens ambientais e não só, porque o processo de decisão há muito parece ter sido definido nos meandros dos ministérios e das empresas, lá para o centralismo de Lisboa. Como sempre, quando os 'altos valores' políticos e económicos se se impõem, os pacóvios do vale do Tâmega e das Terras de Basto, os verdadeiros prejudicados, não devem e não podem ser ouvidos, muito menos, participar harmoniosamente no processo de decisão. É politicamente contra-producente e economicamente inviável.

Adenda: A ler e a reter: O Mau Castor (ou o lobby das águas paradas).

Qualquer simultaneidade entre este caso e o do Kosovo é puro imperialismo

«Rússia prepara independência da Abecásia e da Ossétia do Sul»

24 agosto 2008

[Silly Season daily dose] Eis o mais nacionalista dos seus heterónimos, sendo ele, o poeta, um nacionalista por excelência

Domigo o "dia do senhor" ou simplesmente dia do Sol

Ao entrar num excelso canto de culto -possuindo uma predilecção pelos antros mais harmoniosos nas formas, nas cores e na história- um conjunto de sentidos desperta espontaneamente. Os olhos procuram o que o 'coração' não vê. Qual prospecção anímica, tudo é belo, tudo tem significado, tudo reluz e tudo ofusca. Não procuro a razão, muito menos as tautológicas palavras 'sagradas'. Estética, pura estética, é a estética do deslumbramento. Sinceramente, não sendo ateu porque o meu relativismo não o permite, espero um dia encontrar o Seu significado, não o das 'suas' coisas. O dele e mais nenhum. Provavelmente, num ardor, num infortúnio, num encostar de melancolia, não sei. Contudo, a falta de provas substanciais (qual herege que pede insolentemente provas ao divino) leva-me a estar onde estou- céptico. E qual melhor estado de alma do que este. Se se provar que Ele existe, sempre poderei alegar que nunca, Ele, dignou-se a conhecer. E, assim, esclareço-me. Caso contrário, viverei, como tenho vivido- ignorantemente céptico. A ignorância e a estupidez sempre tiveram um sucesso com a misericórdia do divino. Porque razão tão infeliz fórmula iria falhar comigo. Nenhuma, portanto, seja qual for o cepticismo ou o esclarecimento sobre este questionável assunto, terei sempre uma escapatória. Até lá, valete frates.

23 agosto 2008

[Silly Season daily dose] Sociais-Democratas, tementes a Deus e aduladores do Estado 'policial', deixai-nos varanear na paz de um santo dia de verão

To Oskar Panizza (1917/18), George Grosz

«O PSD exigiu hoje a demissão do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, justificando o pedido com o aumento da criminalidade e com a ausência de esclarecimentos sobre o aumento do crime violento em Portugal.» in Público.

À Tua vontade, Fragoso seu Barcelense

O que se passa aqui, é deveras estranho e bizarro. As evidências, os factos e os infelizes acontecimentos, levam-nos a teorias de conspiração mais realistas e plausíveis que as causas destes acontecimentos.

Para quem pense que as teorias de conspiração governamentais são "americanices" e "vermelhices", tente associar: isto com isto.

22 agosto 2008

Regionalização Premente (VI)

Sobre a petição pela regionalização que anda circular pela blogosfera e pela Internet. Não assino e não assinarei. Compreendo que o processo de reforma administrativa é necessária e, diria mesmo, essencial. Contudo, não "alinho" em pôr o "carro à frente dos bois".

O processo é para ser discutido e não imposto. No meio da petição para "aconselhar" a Assembleia da República e os partidos políticos nela representados (para que em sede constitucional reservada para 2009, eliminar certos condicionalismos que impede/impediu a reforma administrativa) está descarada e altivamente a intenção de aproveitar do sentimento de injustiça que o centralismo nos atirou, para nos querer aplicar uma outra imposição: o "mapa da cinco regiões".

Embora seja apenas uma petição, a intenção implícita de querer impor um mapa regionalizado com apenas "cinco regiões" baseado no infundado argumento: que este mapa é consensual, é "nascer torto". O mapa não é de todo consensual. A único consenso aqui, entre os reformistas, é a própria reforma- mas não o processo e muito menos o possível mapa administrativo. Para mim, a petição, que não sei se é bem intencionada, fica infelizmente condenada ao fracasso.

Apenas um conselho: se queriam uma petição pela regionalização que fosse verdadeiramente abrangente e consensual, bastaria retirar todo e qualquer imposição do mapa das "cinco regiões".

Regionalização.

Se querem saber como a influência da Igreja ainda se sente, leiam o dislate reaccionário do sempre e educado Alberto João Jardim

O discurso do presidente da Madeira, na sessão solene dos Paços do Concelho, soou mais a "campanha de evangelização", "um dever dos políticos" (...)

Mondim Online

Um novo portal informativo foi criado. Intitula-se de Mondim Online e visa agregar as notícias do concelho de Mondim de Basto, aumentar e fomentar a informação no concelho, aproximação e intercomunicação da população local e promoção e divulgação do concelho.

Este sítio tem a mais valia de pôr a escrever jovens mondinenses. Espera-se um espaço jovial, informativo e irreverente (meu desejo). Algo que gostaria que se criasse em Cabeceiras de Basto. Mas, os nossos vizinhos, ainda bem, apressaram-se e criaram o que promete ser um bom centro informativo. A ler e a reter: Mondim Online

21 agosto 2008

[Silly Season daily dose] Depois de uma efémera ida aos Pisões, qual selvático campista, não quero sair deste estado

Quem dá cavaco ao cavaco, cavaco é

O nosso mui estimável Presidente da República, na legitimidade que o cargo lhe confere e unido com a liberdade de opinião e de pensar, resolveu, no ver de alguns, assumir o papel (para sempre seu) de baluarte do conservadorismo e de opositor político à política vigente.

Cavaco Silva, no alto dos seus poderes políticos, veta (politicamente), o novo regime jurídico do divórcio. Alega, legitimamente, uma maior "cobertura" legislativa para a parte mais fraca de uma união. Embora, seja discutível o que é a "parte mais fraca" e em que valores se insere. Contudo, sabemos, sem descurar as preocupações presidenciais, que altos valores se impõe neste veto. Existe uma preocupação conservadora sobre certas matérias que, segundo "eles", têm a consequência de "fracturar" a sociedade e ameaçar os valores e a conduta imposta. Esta, o divórcio, é apenas uma das matérias "fracturantes". Na típica dança das posições, o presidente da república, avança e afirma a sua posição conservadora. Algo que não aparece na argumentação do veto presidencial mas que lá está implicitamente entrelinhado.

O partido socialista irá, juntamente com o apoio ideológico da esquerda política, recusar as "ponderações" do presidente da república. Em causa, para o partido socialista, estará o "bater do pé" perante as recentes "investidas" políticas do PR à maioria parlamentar e à política governamental. Para complementar, estará em jogo a tentativa (que está em movimento em diversas frentes, Vítor Ramalho, Manuel Alegre etc.) do partido socialista em reconverter para a sua causa os seus cépticos de esquerda. O apoio da esquerda parlamentar é natural e compreensível, a matéria é "fracturante" e o actual detractor é um conservador exímio e com contas para ajustar.

Relax with Covers

new york, Cat Power

19 agosto 2008

Visões que não agradam

Irão: Todas as opções sobre a mesa, de Noam Chomsky

Uma visão parcial (para acalmar os detractores), já que o outro lado da questão é vivamente divulgada e propagandeada nos media internacionais. Contudo, vale a pertinência dos escritos e relatos de um homem judeu e americano (infelizmente, não querendo dar azo ao proselitismo, convém anunciar estas características). Caindo, quase sempre, no cliché redutor: em que alguém que desafie o conceito dominante das relações e dos interesses instalados neste planeta, é, algumas vezes directamente e outras mais indirectamente, conotado de insano, contestatário ou adepto "cego" de uma ideologia "vermelha" ! Preconceito ou inocência, eis o problema ?

17 agosto 2008

Paz, segurança e cooperação, fins inatingíveis?

Longe vai a tentativa, digamos utópica, da criação de uma justa, eficaz, idónea, independente e realmente "legitimada" organização internacional de agregação dos povos e nações. É uma tarefa árdua e de herculiana complexidade. No cair da primeira grande guerra, com toda a desumanização, crise de valores e de consciência a que beligerância implica, necessitou-se de refundar o conceito de organização e relação internacional. Criou-se, então, a Sociedade das Nações. Idilicamente baseada nos "quatorze pontos" de Woodrow Wilson mas tacticamente controlada pelas potências europeias vencedoras da primeira grande guerra. A Sociedade das Nações, foi uma serva das pretensões imperialistas de então. A Sociedade das Nações era um clube restrito de potências mundiais, que a utilizavam para as suas político e geoestratégias jogadas de hegemonização. Nunca foi verdadeiramente legitimada, a Sociedade das Nações e o seu conceito, devido à não ratificação, pelo congresso estado-unidense, do Tratado de Versalhes. Acontecimento, este, que "impediu" os Estados Unidos da América de se tornar membro desta organização. Aliando-se um nascimento problemático com a desastrosa política pós-guerra imposta pelos tratados de paz (verdadeiros diktats) aos países vencidos, o seu futuro era deveras comprometedor. Com o passar dos anos, com as particularidades de uma Europa que exaltava (a régua e esquadro e com a sua nova ordem internacional) o conceito de estado-nação e a máxima um povo, uma nação, um país, a Sociedade das Nações acorrentava-se a interesses superiores ao dos seus ideais pacifistas e diplomáticos. A Sociedade das nações padeceu perante a sua ineficácia em resolver os conflitos e a parcialidade perante sensíveis querelas diplomáticas. No eclodir da segunda guerra mundial sucumbiu este projecto ambicioso mas congenitamente corrompido.

Paralelamente à sua antecessora, a Organização das Nações Unidas, surgiu como entidade de agregação internacional. Os estatutos eram mais abrangentes mas as finalidades eram idênticas: a senda pela pacificação, cooperação e segurança mundiais. Esta fora "legitimada" ao contrário da sua conspurcada antecessora. O seu modelo organizacional é similar à extinta Sociedade das Nações, baseia-se num conjunto de órgãos principais que regulam e deliberam. De destacar, o órgão mais proeminente e mais mediático do sistema de organização da ONU, o conselho de segurança, que é composto por quinze membros. Destes, ilustres cinco são residentes (EUA, China, França, Grã-Bretanha, Rússia) e os restantes com mandatos rotativos e bianuais. O Conselho de Segurança da ONU tem sobre o seu domínio a finalidade da segurança mundial. Algo complexo e sensível. A responsabilidade de poder intervir, mediante certas ponderações, em qualquer país e a sua envolvência na tentativa de resolução de conflitos e crises mundiais, torna, o Conselho de Segurança, o órgão mais visível e importante da ONU. Mas, tal como História nos dita em organizações similares, padece, como tudo, do interesse umbilical das potências suas constituintes. Olhemos para a constituição do Conselho de Segurança e veremos, quase imediatamente, quais as resoluções e os vetos que daí sairão. Aliamos os maiores "patrocinadores" da organização e os membros residentes do Conselho e veremos quem, de facto, controla as decisões daquele órgão. Os regulamentos de aprovação ou desaprovação de resoluções do Conselho de Segurança é uma amostra sintomática dos interesses, amizades, preconceitos e anacronismo das relações internacionais. Vejamos, o poder de veto foi amplamente utilizado (segundo o regulamento basta um dos membros residentes vetar para que a resolução seja impedida) durante os decénios de vida da ONU. Os EUA protegem os seus interesses e dos seus amigos, EUA vetam para proteger os seus devaneios militares e a política "colonialista" do Estado de Israel. A Rússia -actualmente porque enquanto república pertencente à URSS, esta, era a mais pródiga utilizadora- pouco utilizou o poder de veto, mas quando o utilizou, utilizou-o, invariavelmente, a favor dos seus interesses e dos seus amigos. A Grã-Bretanha e a França, salvas raras excepções, vetaram e vetam em conjunto com os EUA, numa simultaneidade de interesses e amizades. A República Popular da China, isolada no círculo de interesses que hoje se perfilha, e depois de uma tardia entrada para o Conselho, é o país que menor utilização fez do poder de veto.

O Conselho de Segurança está desacreditado, anacrónico e remetido para um clube elitista de países e suas pretensões. As críticas surgem um pouco por todo o lado, onde as pretensões se sentem e a injustiça as obrigue a declamar. Vejamos um dos casos mais gritantes e que mais desacreditou este órgão: em 2002, numa investida louca e impulsiva do Estado israelita no Líbano, através do seu armamento (patrocinado e vendido pelo eterno amigo americano), destruiu um local que estava sobre a égide das "Nações Unidas" assassinando vários funcionários das "Nações Unidas" e destruindo um depósito do Programa Mundial de Alimentação da ONU na Cisjordânia. Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, onde era condenada e criticada a ignóbil actuação israelita, foi vetada pelo "amigo" EUA ! Arre ! Eram funcionários da ONU e os locais sobre a égide da ONU, organização que não condenou, mediante o veto dos EUA, a actuação israelita contra ela. Isto só mostra como obsoleta está o funcionamento deste concelho e, arrisco a dizer, da própria ONU (refém de interesses).

Os exemplos de desacreditação são imensos e bastante elucidativos. Vários criticam, pela não implementação de resoluções aprovadas, e a falta de aprovação de outras. Até a constituição do estados-membros residentes do Conselho de Segurança é um alvo das críticas. Dizem, os detractores, que a França e a Grã-Bretanha já não têm o poder económico e militar de outrora, logo, não deveriam ter um "lugar" tão importante nas deliberações do Conselho. Onde se enquadra a nova e poderosa (embora diplomaticamente retalhada) organização trans-nacional União Europeia ? Ora, pensemos, neste mundo onde o estado-nação está ultrapassado na "roda" internacional, as problemáticas trans-nacionais (como o terrorismo, o aquecimento global, o tráfico etc.) se se impõem, a necessidade de uma organização internacional, de índole pacifista e universalista, torna-se claramente premente. A ONU e o seu Conselho de Segurança estão num estado de obsolescência e até provocam o efeito contrário para que foram criados: estão a desestabilizar a paz e a segurança mundial.

Medidas a curto prazo e eficazes poderiam ter um efeito positivo, por exemplo, a retirada da prerrogativa do veto aos estados-membros residentes no Conselho, e as resoluções passariam a ser decididas por voto de maioria. Um passo curto mas difícil , para isso, muito se tinha de debater e de combater. Contudo, teriam de ter o cuidado de a continuar a "legitimar", isto é, continuar a possuir o interesse e a aprovação das maiores potências mundiais.

As recentes crises diplomáticas mostram como "emperrado" está a engrenagem da ONU. A invasão do Iraque pelos EUA-Reino Unido, baseado em pretextos evidentemente falsos, sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU, mas com a legitimação em troca de benesses por vários países europeus, numa mostra inequívoca de fragmentação diplomática que existe na União Europeia; a não condenação pelo conselho da ONU da independência unilateral e ilegal (à luz do direito internacional) do Kosovo, abrindo um "precedente" perante outros conflitos internacionais; a actual crise na Abecásia e Ossétia do Sul, onde nem há uma condenação, pela ONU, da Geórgia, pela invasão da região sul-ossetiana, nem, muito menos, a condenação da Rússia pela igual invasão e imposição de força. Em suma, todos usam e abusam do conceito ONU. Menosprezam e exaltam conforme os seus interesses as resoluções ou a falta delas.

Os EUA, na sua dualidade de critérios, e o seu "braço armado" OTAN (Nato), continuam na sua senda de hegemonização do Mundo. Veja-se os critérios pacifistas em que condenam, prontamente e parcialmente, a problemática do nuclear no Médio Oriente. Invés de defender e preconizar o desarmamento total do armamento nuclear existente, descuram (porque quem possui e à revelia dos tratados internacionais armamento nuclear naquela região, é o "amigo" israelita) a tentativa de desarmar Israel. Vejamos, também, a questão do escudo "anti-míssil" a implementar na Europa. O "pacifista" EUA, não larga o objectivo de criar silos na Europa com a questão da sua auto-protecção perante eventuais ataques de países inimigos. Pela abrangência do argumento, tudo pode incluir neste pacote de "perigosos países". Contudo, o seu primordial objectivo é a implementação do seu poderio militar na Europa, para assim assegurar a dependência e vigilância da velha Europa, e evitando, assim, pretensões ousadas da Rússia ou da União Europeia. Veja-se quem é o maior prejudicado (militar e político) com a criação de uma estrutura militar organizada e forte, com uma diplomacia concertada e objectiva e com uma suposta franca e forte aliança política com a Rússia, por parte da União Europeia: evidentemente a super potência EUA.

Estes apontamentos, avulsos e assincronamente despejados aqui, servem para concluir que as relações internacionais em que vivemos, continuam, como sempre, na tentativa de implementar a política do mais forte e astuto. Organizações internacionais de essência pacifista e universalista continuam a estar reféns dos interesses das potências mundiais, estando a ONU, pela similaridade de situação e de estrutura, ameaçada pelos mesmos factores que capitularam, a sua antecessora, Sociedade das Nações, refém dos interesses das potências mundiais. A ONU, conspurcada pela sua incapacidade de resolver sensíveis querelas internacionais (posso ser simplista mas, como a História relata, grande parte é devida a pretensões das grandes potências), o anacronismo dos seus órgãos, e a falta (evidente) de reformulação daquela estrutura, está em via de se findar, com a particularidade dos tempos que correm, a um mesmo fim que a antiga organização universalista (SDN). Falta, o golpe final, um conflito bélico à escala mundial. Mas com a "preocupação" da segurança mundial consubstanciada no "terrorismo" em que vivemos, com o problema "nuclear" no Médio Oriente e um novo renascer de uma "guerra fria" estará, eventualmente, a surgir este tão apocalíptico conflito. A acontecer, como os demais antecessores, instalará, possivelmente, uma nova ordem internacional.

16 agosto 2008

[Silly Season daily dose] Eis que as "guerras" olímpicas pouco mais são do que as diplomáticas

Rússia recusa admitir derrota com Geórgia em vólei de praia

A passo e passo, a utopia implentar-se-á

Fernando Lugo, um ex-bispo católico, determinante clérigo de esquerda, tomou posse como presidente da República do Paraguai. Lugo, encabeça no Paraguai, os que tomam como correcto a hermenêutica da Teologia da Libertação, como tal, as injustiças sociais, a corrupção, a pobreza (efeitos secundários de um mundo globalizado) são o mote de combate e de inspiração para esta "nova" personagem política. A esquerda sul-americana, qual região inspiradora, está a suplantar, naturalmente, a direita neo-liberal. A mudança de uma América do Sul, oligárquica e conservadora, para uma vanguardista e de esquerda, está à vista e teme-se ( para os que não se aprazem com estas mudanças). Espera-se neste país, como vimos em outros, que as forças contrárias ao reformismo do Paraguai (e não só, também o "amigo" escondido) se mostrem. Um precedente revolucionário ter-se-à aberto na América latina. Definitivamente, os "olhos" do mundo estão atenciosamente focados neste canto do globo. Esperemos, que as políticas perpetradas sejam exemplares e dêem o exemplo de como a "utopia" ainda não desvaneceu e continua a inspirar. Terão, inequivocamente, este, e outros líderes (Lula da Silva, Hugo Chávez, Rafael Correa, Michelle Bachelet, Evo Morales) a responsabilidade ingrata de provar que a mudança só não é possível como realizável.

15 agosto 2008

Desequilíbrios viários

Num efémero e rápido retiro ao Alto Minho, algo com que a minha mente se confrontou, foi com a fabulosa A28. Ora, na ida e na vinda do dito retiro, nada como viajar por uma verdadeira auto-estrada, isto é, sem custo para o utilizador (directamente). Comparo, sem entrar em minudências estatísticas, o viver naquelas paragens. Bem mais turísticas (Viana do Castelo e Ponte de Lima verdadeiramente pontos quentes no turismo minhoto, bem mais do que auto-proclamada capital minhota, Braga, e o seus arrabaldes concelhios) acolhedoras, e tendo em conta a distância ao Atlântico como um sinónimo de melhor qualidade vida, peremptoriamente e num grosso modo, concluí que vive-se com mais qualidade lá nas altas terras do Minho.

De regresso cá ao burgo bastiano, a intenção era virmos o mais rápido possível. A famigerada Auto-estrada número 7, seria uma possibilidade de regressarmos confortavelmente e com alguma celeridade do Litoral a Cabeceiras de Basto. Contudo, os preços proibitivos para a maioria da população residente e não só, levou-nos a fazer um percurso alternativo à A7. Percurso, este, conhecidíssimo para quem de possidente tem, indigentemente, as singelas intenções. Para quem se desloca do Atlântico para cá, normalmente, e falando de indigentes similares, desloca-se, em solo prodigamente pavimentado com o melhor asfalto e derivados que têm as auto-estradas para oferecer, até Guimarães. Nós não seríamos uma excepção. Doravante, para o lindo e formoso concelho de Cabeceiras de Basto, repito, normalmente para indigentes similares e arcoenses, aproveitámos a fabulosa variante de ligação entre Guimarães-Fafe para depois continuarmos, herculeamente, na estrada nacional número 311 até à mui rejuvenescente (ou não) vila. Esta via evidencia-se gasta, ultrapassada, sem liftings viários marcantes, mas com uns reparos com algum anti-rugas de betume espesso, que teimosamente deixa a marca (da amargura que o tráfego intenso marca sem piedade) em irritantes e perigosas caixas de saneamento, centímetros acima da (des)nivelada estrada.

Tudo este discurso mirabolante e inconformado para comparáramos as vias do "desenvolvimento", que amistosamente se se intitula as auto-estradas, do Alto Minho com a Região de Basto. Provavelmente será portajada a A28. Desígnios superiores se impõem ou reestruturações no modo de cálculo e exploração na rede viária portuguesa. A nossa afamada autoestrada número 7, que possui(a) todos os critérios para ser contemplada com um concessão SCUT, vê-se cada dia que passa mais igual perante as outras "vizinhas" estradas. Sem dúvida, e sem querer menosprezar a luta para o não portajamento da A28, a nossa autoestrada está a frente, pelo menos com base nos critérios de atribuição de uma concessão SCUT, nas reivindicações. Podem descansar os cidadãos reivindicativos da concessão SCUT para a A28 que, infelizmente, não houve e não há reivindicação que se mostre perante esta injustiça, nas terras de Basto.

Contudo, gostaria de afirmar que não sou a favor das concessões SCUT. Um modelo SCUT, é sustentado com o dinheiro dos contribuintes, através dos impostos, que suporta o custo de construção, manutenção, exploração e financiamento da dito trajecto viário. Sendo incomportável a médio e a longo prazo. Mas ao existir este regime (que tende a acabar perdendo, eventualmente, a Região de Basto anos de benesse), que seja para beneficiar as regiões verdadeiramente necessitárias. Aquelas que, infelizmente, cumprem todos os requisitos para serem contempladas com este regime.

post scriptum O jornal regional, Ecos de Basto, no seu sítio na Internet, mostra-nos um inquérito que questiona, ao ilustre visitante, se acha que o preço praticado nas portagens A7 em que liga Cabeceiras de Basto a outras localidades é exagerado. O resultado não poderia ser mais expressivo e indicador: 95% dos visitantes que votaram, isto é 479 votos, afirmaram, através do voto, que é exagerado o preço praticado nas portagens da A7.

11 agosto 2008

Pequenos apontamentos sobre grandes assuntos

O acontecimento de há alguns dias atrás, onde elementos de uma força especial tiveram uma intervenção (quase) tecnicamente perfeita, um pequeno apontamento: uma vida é sempre uma vida, independentemente de quem a possui. Logo, o desfecho foi apenas menos mal. ( que pôs em apoteose animalesca os snipers de bancada)

Quanto aos jogos olímpicos, a hipocrisia de sempre. Vale o desporto por si, que, também, se utiliza para outros fins sem ser o desportivo (pois claro, qual mass media e onde poderíamos pôr em prática a máxima Panis et Circenses).

Quanto aos acontecimentos na Ossétia do Sul, aquilo era esperável sem o ser. Isto é, poderia-se vaticinar algo parecido mas sem determinar datas nem consequências. Mas, também o que queriam quando legitimaram o "precedente" do Kosovo. Com o "precedente" a Geórgia teve que agir, com risco a perder aquela região. Os russos na sua nova epopeia de restauro do império, não poderiam, não queriam "abandonar" os interesses daquela região. Vale a exposição que está a acontecer sobre o cinismo e a obsolescência nas relações internacionais e de órgãos como o Conselho de Segurança, que se rendem ao imperialismo mundial (seja ele qual for).

[Silly Season daily dose] (...)seria bom que todo o mundo vivesse na pré-história ou no tempo da escravatura

Cocktailparty (Hamburg, 1931), Andreas Feininger

A rubrica de dose (quase) diária de momentos da Silly Season, está hoje, inteiramente dedicada a um delator de opiniões que engraça (a sério, acho imensa piada a ele ou a ela). Não ouve, não sabe ouvir e ainda, no alto da sua "sumidade", critica (tendenciosamente) quem ouse contrariar a sua clara orientação (política, sexual, opinativa etc.). A sua forma de "ver" é única e universalista. Não se pode questionar ou (áureo pecado) contrariar. Podemos sempre divertir-nos a lê-lo(a), sem dúvida engraçado(a). Mas, a sua obsessão por quem o(a) contrarie (ideologicamente) fá-lo repetir incessantemente esta ideia (ou mensagem): não ouses questionar, muito menos criticar. Porque se o fazes estás contra tudo e todos. Lembra-me idos tempos.

Vale a insistência de alguns em contrariar e questionar até aquilo que (aparentemente) está inquestionavelmente conotado como positivo, bom e progressivo.

08 agosto 2008

[Para quem está em euforia pelas cerimónias de abertura dos Jogos Olímpicos] os ideais olímpicos e a sua concretização sempre foram um jogo matreiro

Os tanques russos estão a atravessar a fronteira entre a Rússia e a Geórgia às centenas, ao mesmo tempo que a Força Aérea Russa se encontra a bombardear as cidades do país. O presidente georgiano afirma que o país se está a "auto-defender" da agressão de Moscovo.

Algo que ainda faz furor nas hostes neoliberais, democratas-cristãos e amigas do conservadorismo bacoco

Constituição da República Portuguesa

(Sexta revisão constitucional - 2004)

Preâmbulo

A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.

Pensar Basto

Eis que surge mais um blog de Basto, desta vez celoricense *, intitulado de Pensar Basto. Um nome sugestivo. O autor, de nome Carvalho Leite, dispõe-se para discutir, debater e possivelmente altercar Cabeceiras e o Mundo. Um irreverente, talvez, mas será possivelmente um inconformado com o desejo de mudança. Meu caro, não és o único.

* corrigido

07 agosto 2008

De "beca" em "beca" lá vão eles a caminho da glória partidária

Um estudo elaborado por três investigadores, baseado na análise de alguns milhares de acções de "fiscalidade" elaboradas pelo Tribunal Constitucional e seus juízes, conclui que os juízes, deste mui prestigiado órgão constitucional de fiscalidade, são extremamente politizados e partidarizados.

Concluíram, que no conjunto dos juízes do TC, eles são influenciados não só pela filiação ideológica e partidária como também pela presença do seu partido no Governo. Sendo os juízes de "esquerda" (entendam-se neste caso, afectos ao PS) mais restritivos a mudanças constitucionais, quando o PS está na oposição, e transigentes quando o PS está no Governo. Tendo os outros juízes, os ideologicamente opostos, uma conduta mais constante nas suas posições de mudança na constituição.

Como tribunal que é, um respectivo órgão de soberania, a evidente partidarização de grande parte dos juízes do TC urge em purgar para o bem democrático. Onde está, como órgão de soberania que é, a independência e a autonomia deste órgão perante os outros. Os seus juízes, estatutariamente deveriam ser independentes e inamovíveis.

Por falar de inamovibilidade e independência, o ministro Rui Pereira, ex-juíz do TC que após alguns meses de ter entrado para o TC foi ministrar o ministério da Administração Interna, não será um caso paradigmático de como está condicionado as becas e os colares destes "todos-poderosos" juízes ?

[Silly Season daily dose ] III Festa da Juventude- Cabeceiras de Basto

Ao que parece, a III Festa da Juventude realizar-se-à neste fim-de-semana. Poderão beber lá uns copos, dançar, olhar para o lado, fazer nada (sempre gostei desta expressão mas não a compreendo) ou fazer o que vos apetecer. Uma personagem que não encontrarão a deambular nos Paços do Concelho, sou eu. No ano passado, na mesma festa, acabei a noite a ajudar, ébrio e especialmente prestativo, os "funcionários" da câmara a apanhar copos de plástico. Fugi dos meus amigos e companheiros para refugiar-me, no especial descanso depois de uns "copos", no meu saudoso leito. Depois, no despertar, encontrei um foguete pirotécnico de elevado "calibre" no meu bolso com a particularidade de estar por "disparar". Não me lembro sequer de haver algum tipo de manifestação pirotécnica naquela noite, mas enfim. Então decidi, com a agravante de ter de trabalhar (a crise paga-se com trabalho), não usufruir de uma noitada de canecos. Fica para a próxima.

05 agosto 2008

Enfermos, hipocondríacos e demais clientes juntai-vos e purgai este e outros lobbies que tanto vos adoentam

" A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica mostrou-se, esta segunda-feira, «profundamente perplexa e preocupada» com a descida, em 30 por cento no preço dos medicamentos genéricos.(...)

«Preocupam-nos muito em especial as empresas nacionais de pendor industrial que têm alavancado o crescimento das exportações portuguesas», refere, em comunicado.

(...) Para a Apifarma, é provável que as consequências aconteçam aos níveis do emprego qualificado, e, em alguns casos, na sua própria viabilidade. "

Eis a defesa espectável da Associação mor dos interesses. Claro, que a descida do preço iria provocar uma reacção mais que espectável. Depois, os argumentos são de uma falta de originalidade que é capaz de horrificar a Manuela Ferreira Leite. Ora, os preços descem nos medicamentos genéricos - que tentam ganhar posição num mercado muito condicionado e proteccionista e onde os golpes baixos económicos surgem em catadupa- imediatamente, urros monopolizadores rompem a atmosfera económica. Irra, tamanha mesquinhez, é o papel deles, dir-me-ão os esclarecidos, um pouco menos de cinismo e mais preocupação social, chulos, gritar-me-à a consciência.

Como boa associação de entidades patronais (a APIFARMA), quando os negócios (independentemente dos ganhos anteriores e da viabilidade real das empresas) se aparentam um pouco mais difíceis, os argumentos "desemprego", "inviabilização", "concorrência desleal", "ajuda estatal para impor o monopólio" e etc. são postos em evidência (têm um eco extremamente passível de oportunidade económica e de aclamada "pressão social").

Parece que ninguém se importa e condene o facilistismo que qualquer entidade patronal e empresarial deste país verbaliza estes argumentos como argumentos para a sempre e indiscutível esmola estatal. Exemplos recentes não faltam a este País, corrompido com chantagens empresariais. Arre, estes empresários de pacotilha, tão convenientemente liberais em tempos de farta fartura e depois tão amigos do intervencionismo estatal, na hora do amargo económico.

Um indigente com problemas de consciência porque o capital é escasso e provoca recusas destas (II)

04 agosto 2008

[Silly Season daily dose] le papa schopenhauer

Não. O Arthur Schopenhauer não é um ascendente meu, muito menos, progenitor. Contudo, este filósofo irracionalista (com um penteado bem condizente com a sua postura filosófica), partilha uma opinião (pelo menos que eu tenha conhecimento) com o meu singelo pai: ambos asseveram que "(...)o inferno é o mundo", sendo o meu pai mais elucidativo e acrescenta que (...)tudo se faz e tudo se paga neste e não num outro mundo. Ao que parece ambos estão em discordância com o Papa Bento XVI e os seus ditames: que afirma que o inferno não pode ser consubstanciado num lugar concreto, contudo, acredita nele. A religião, a que uns afirmam como ópio e outros como o maior embuste da história da humanidade, sobrevive, na subjectividade que a caracteriza, nos dias que correm. Acredite-se ou não nela, é a sua subjectividade que melhor a caracteriza e provavelmente que melhor a divulga para o infortúnio dos racionalistas.

Magalhães (o português) é o navegador, o outro Magalhães (o computador) é apenas mais um golpe de propaganda

Primeiro foram as notícias que davam conta de uma nova fábrica da Intel em Portugal. Um sucesso, garantia-se, que já tinha 4 milhões de encomendas ainda antes de ser instalada a primeira pedra. Um investimento que iria criar 1000 postos de trabalho qualificados, na zona de Matosinhos, graças à diligência do Governo.(...)

Um único problema. Não só o computador não tem nada de novo como a única coisa portuguesa é a localização da fábrica e o capital investido. A "novidade mundial" ontem apresentada, já tinha sido anunciada a 3 de Abril - no Intel Developer Forum, em Shangai - e foi analisada pela imprensa internacional vai agora fazer quatro meses. O tempo que tem a segunda geração do Classmate PC da Intel, que é o verdadeiro nome do Magalhães. De resto, o primeiro computador mundial para as crianças dos 6 aos 11 anos, características que foram etiquetadas pela imprensa lusa por ser resistente ao choque e ter um teclado resistente à agua, já está à venda na Índia e Inglaterra.(...)O “nosso” Magalhães é isso mesmo, uma versão produzida em Portugal sob licença da Intel, uma história bem distinta da habilmente "vendida" pelo governo para criar mais um caso de sucesso do Portugal tecnológico.

02 agosto 2008

Antes morrer livres que em paz sujeitos (ao Cavaco Silva)

As ilhas e as gentes açorianas, historicamente, têm sido predominantemente "filo-portuguesa" não obstante, procurassem e reivindicassem o estatuto administrativo de autonomia, mais para se precaver do centralismo do que satisfazer ímpetos independentistas. Este arquipélago, precocemente colonizado por milhares de não-portugueses (flamengos, alemães, bretões, outros europeus, norte-africanos e judeus ibéricos) e portugueses, manteve-se, ao longo da sua história, como um território integralmente lusitano. Os nomes (dos colonizadores estrangeiros) foram aportuguesando-se (e a Onomástica maltratada), muito pela imposição de outros colonizadores portugueses (também pela dificuldade dos escrivães em escrever correctamente o nome original) que receavam uma perda de soberania e de uma passagem, através dos apelidos estrangeiros, de uma herança que pudesse ameaçar a coesão e a nacionalidade portuguesa ali estabelecida.

Esta Região foi um importante bastião de resistência à predominância castelhana, na época filipina (1580-1640), conseguindo ser durante dois anos (até 1582) o único território sobre governação portuguesa e fora dos tentáculos da hegemonia castelhana em Portugal e seus pertences. Daí a máxima que é ostentada no Brasão de Armas açoriano (acima retratado), Antes morrer livres que em paz sujeitos; a proeminência(no brasão) de dois touros que numa história de resistência, aquando de uma tentativa de invasão por parte dos castelhanos, foram importantes a repelir tal intromissão castelhana. Estas ilhas e suas gentes, também, tiveram um papel pioneiro e essencial na introdução do liberalismo em Portugal. Foram, nestas ilhas, que se reuniu as tropas e os pensantes liberais para as "Guerras liberais", sobre a égide de D.Pedro IV e o restante séquito de liberais. O republicanismo açoriano é forte e antigo (nem que seja pelo simples facto dos dois primeiros presidentes da República serem açorianos), tendo-se descoberto, há relativamente pouco tempo, uma tentativa falhada local de assassinato do rei D.Carlos I, meses antes, do regicídio no Terreiro do Paço. Pós Vinte Cinco de Abril de 74, houve alguns movimentos independentistas, que alimentados pelo fulgor político que então se vivia, insurgiram-se. Foram efémeros e pouco relevantes, mais uma vez a Região Autónoma dos Açores cumpria, escrupulosamente, a sua ligação histórica e irrepreensível à soberania nacional.

Esta breve e pouco rigorosa sinopse histórica dos Açores, terra de irreverentes gentes em todo o domínio humano, serve apenas para alicerçar aquilo que os açorianos sempre sentiram e que actualmente é-lhes relembrado "mediaticamente" pelas hostes do poder central: o abandono e o menosprezo das entidades do poder central por esta Região.

O incipiente e vexatório comunicado à Nação do Presidente da República, Cavaco Silva, só serviu e serve para alimentar o desconforto em relação aos políticos e governantes que lhes e nos dominam administrativamente.

O assunto, sobre a inconstitucionalidade de algumas normas do novo Estatuto Político-Administrativo dos Açores, foi aproveitado politicamente, pelo PR, de uma forma triste e repugnante. Vejamos, o mesmo presidente que não se fez "impor" perante os constantes e, verdadeiramente, impropérios à Nação e aos cidadãos deste País proferidos pelo "capitão donatário" Alberto João Jardim, é capaz de, através de uma mera intenção de revisão constitucional ao Estatuto Político-Administrativo (que deve ser revisto perante as deliberações do Tribunal Constitucional e, assim, dar uma chapada de luva branca ao PR), denegrir a imagem dos Açores e dos açorianos, provocando para isso um mediatismo exagerado, que serviu os propósitos políticos do PR em por em "sentido" os socialistas açorianos.

Tendo esta Região Autónoma, um comportamento político e regional exemplar e com as contas públicas contidas e controladas ao contrário da congénere Região da Madeira, a diferença de abordagem e tratamento é gritante. Os Açores não são apenas uma visão de importância geoestratégica, somente para trocas internacionais, nem plataformas para repugnantes actos políticos.

Espero, que a mensagem presidencial, além de ser acatada pelas entidades responsáveis, tenha um reverso negativo para o "homem presidente", que com a sua forma de estar peculiar, tem errado, e conseguído disfarçar, exemplarmente, anos e anos de governação e desgovernação do nosso País.

01 agosto 2008

Cuidado com os usurpadores de nome e comentadores sem escrúpulos

Quero esclarecer um ponto: existe alguém (ou mais que um) que anda a usar o meu nome e o nome do Vítor Pimenta, supostamente para nos agredir e para tentar boicotar as nossas opiniões. Esclareço, que assumo tudo o que escrevo. Se existe alguma derivação de cobardia que se possa qualificar, esta, a de usurpação de um nome para agredir o detentor deste nome e outros, é de mais reles qualificação. Vale a amistosa relação com o Vítor Pimenta e a prontidão dele para esclarecer tal situação.

Portanto, fica aqui o aviso que nem tudo o que lêem é o que aparenta ser. Claro, que não fui eu que escrevi o primeiro comentário deste post, nem o Vítor comentou este. Enfim, são vicissitudes destas "andanças".

Só mais um pouco meus caros, enquanto isso usufruem das benesses que a promiscuidade vos dá

A intenção do Governo de obrigar os médicos a decidirem entre o sector público e o sector privado para trabalhar não vai sair do papel, pelo menos nos próximos anos. A confirmação foi dada ao Diário Económico pela própria ministra da Saúde, Ana Jorge, que explica que “este é o caminho, mas não para já”.

Tal como se tinha vaticinado aqui, a proposta não "aguentou" os urros corporativistas. A ministra sucumbiu perante sindicatos (Ordem inclusive) e a classe. Combatividade e um pouco de responsabilidade escasseia nestes políticos de "trazer por casa".

Pela câmara (qualquer simultaneidade do título com alguma imprensa local, é a mais impura coincidência)

Foi criado, em Cabeceiras de Basto, um Banco Local de Voluntariado. Será, a grosso modo, uma plataforma de "distribuição" de voluntários para as associações e instituições que deles necessitam. Uma boa ideia. As associações e instituições, de cariz associativo e voluntário, irão beneficiar muito desta proposta. Poderá, o BLV colmatar o que tem sido, talvez, um dos maiores entraves à captação de voluntários para estas associações: a falta de promoção e divulgação do trabalho e prerrogativas do voluntariado.

Foi aprovada a construção do Centro Escolar de Refojos. Uma mais valência para Refojos de Basto e para as freguesias integrantes neste centro escolar. Vale a localização e um novo conceito de ensino focado num centro escolar onde abrange, além de várias camadas etárias estudarem nos vários graus de ensino no mesmo sítio, nas imediações uma piscina municipal, uma central de camionagem, um pavilhão gimnodesportivo ficando apenas em falta uma biblioteca para completar a excelente máxima, integrante na aprendizagem, "corpus sanus in mentis sana".

A presença, honrosa (?), do secretário de Estado das Obras públicas, Paulo Campos, em Cabeceiras de Basto, trouxe um conjunto de investimentos rodoviários a efectuar nas Terras de Basto. Com ele trouxe mais uma protelação da via do Tâmega e uma visita às obras em curso em Arco de Baúlhe, precisamente, a variante que liga às EENN 205 e 210. E com isso, questionaram a pertinência e a finalidade da variante em construção , mentes, que legitimamente e com argumentos razoáveis, fincam o pé ao inevitável.

Desde a passada quinta-feira, dia 24 de Julho e até ao passado dia 31, exercícios militares de aprontamento da Brigada de Intervenção – Agrupamento MIKE (Exercício Pristina 082) que irão instalar-se no próximo mês de Setembro no Kosovo, por um período de seis meses, "sediaram-se" em Cabeceiras de Basto. Modificaram a áurea do pacato centro de sede do concelho, Refojos de Basto, em um campo de exercícios e divulgação militares. Os militares em exercício efectuaram demonstrações (exercícios) na Praça da República, Campo do Seco, e nas imediações serranas, tão propícias a tais actividades, da vila.