28 fevereiro 2009

"No one cares"

«O despedimento de 4 mil trabalhadores da Embraer, fabricante brasileira de aviões, foi mandado suspender após decisão de um tribunal de trabalho brasileiro.» in [AF]

Enquanto nós por cá, vivemos apenas com as queixas (quando são mediatizadas) de centenas de trabalhadores ilegalmente despedidos...

27 fevereiro 2009

O outro lado da "janelas"

«Microsoft despede milhares de trabalhadores ou colaboradores como hoje são chamados. Fica a dúvida se os despediu apenas para manter ou subir os lucros, ou se os despediu por incompetência. Aquela bela bosta de merda que é o Vista ou Me2 é um bom exemplo disso. Outro exemplo é a total incapacidade da MIcrosoft de conseguir produzir um sistema operativo minimamente seguro, coisa que os últimos ataques de vírus o demonstraram. Pior mesmo é a estúpida atitude da Microsoft em anunciar prémios monetários pela caça aos programadores desses vírus em vez de procurarem melhorar os seus programas para evitar mais casos destes. Como diria o gajo dos Contemporâneos, "Vão mas é trabalhar seus vagabundos de merda!". Andam por esse mundo fora a chular a sociedade e a impingir-lhes produtos podres...»

Esta e outras "sentenças" in Tux Vermelho

Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso. ( Bertolt Brecht)

«O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) mostrou-se hoje [26 de Fevereiro] desagradado pelo negócio da compra de parte da Cimpor ter saltado para a praça pública, garantindo que a instituição age na defesa dos interesses do banco e do Estado.» in [Público]

Negociata & negociata, num país de oportunidades e oportunismo perto de si.

25 fevereiro 2009

Velhas estratégias

Há uns tempos atrás, em conversa amena, alguém me explicava como os administradores de certas empresas nacionalizadas (em "alturas" do PREC pós-25 de Abril) tinham uma conduta de desprezo perante a empresa que geriam. Os administradores, com os "olhos" postos na privatização da empresa, praticavam uma estratégia de desvalorização.

O que faziam?
Numa empresa fabril "eles" (os administradores) adiavam constantemente a substituição de peças para as máquinas e incentivavam a má manutenção da maquinaria.

O que acontecia?
Pois, por vezes, as máquinas ficavam inutilizadas por falta de peças, o que provocava uma perda de produtividade (a importação de peças para as máquinas levava meses e a linha de produção parava durante este tempo)o que resultaria numa evidente desvalorização do valor comercial da empresa. Entretanto, a empresa era privatizada a um preço mais baixo do seu real valor.

Depois desta estória, convido-vos a analisar a conduta de quem administra (ministério) o Ensino Superior Público e a estratégia que está subjacente a esta conduta:

«(...)sete candidaturas [da Universidade do Minho] ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), no valor de 31 milhões, foram rejeitados por falta de parecer do MCTES (Ministéro da Ciência e Tecnologia e do Ensino Superior)» in [Público]

Eis uma nova oportunidade para aprender...a escrever

"A melhor maneira de ficar em segurança é nunca se sentir seguro." (Benjamin Franklin)

«UE quer controlar uso de VoIP pelas organizações criminosas» in [Diário Digital]

24 fevereiro 2009

Eu também não vendo, e tu?

De recomendável leitura, um artigo de Alfredo Pinto Coelho: «Eu não vendo o meu Rio e o meu Vale!»

23 fevereiro 2009

Somos aquilo que somos

O desenvolvimento de uma sociedade implica o "aprofundamento" da democracia. O "aprofundar" da democracia é o "aprofundar" dos direitos e liberdades básicos, pois, sem liberdade e direitos não há democracia. Logo, um país verdadeiramente desenvolvido possui um regime de governo democrático. Ou seja, os direitos e liberdades essenciais a um ser humano estão assegurados para todos. Como tal, têm o dever de defender e propagar a causa do seu desenvolvimento. Porém, para alguns, o desenvolvimento é algo que está presente num dicionário de terminologia económica e uma sociedade evoluída é uma sociedade materialmente rica. O que implica defender a sua fórmula de sucesso(?) e não aquela treta dos direitos e liberdades essenciais para todos, porque isto não paga nem gera dívida e, portanto, não é algo imperativamente defensável para evolução de uma sociedade.

"Hillary Clinton pediu à China que continue financiando a dívida americana, no encerramento de sua viagem pela Ásia, a primeira como secretária de Estado do presidente Barack Obama, ao longo da qual priorizou o diálogo no campo econômico e deixou de lado a discussão dos direitos humanos" (link)

Editorial (II)

Esta disponível aqui, o "rascunho" editorial deste mês no jornal "O Basto".

Hallelujah- Jeff Buckley

21 fevereiro 2009

Paliativos económicos

Segundo um especialista belga, o BCE deveria comprar algumas obrigações financeiras a alguns estados da zona euro para "solidificar" os empréstimos e assim diminuir as taxas de juro implícitas ao risco de não pagamento destes empréstimos. À primeira vista, é um intento semelhante aos planos de "saneamento" financeiro que estão ultimar os governos da Europa e dos EUA, mas focado para as obrigações (títulos de dívida do Estado) dos países europeus. Porém, o problema se mantém, ou seja, invés de combater o que originou a «crise» continuam com propostas alternativas sem efeito de "cura".

O que está em causa é a «coesão da zona euro». Países como Portugal, Grécia e Espanha (PIGS) "viram" recentemente o seu "rating" diminuído, devido, superficialmente, às suas dívidas externas e à actual instabilidade das finanças públicas e das suas economias. Ou seja, a grosso modo, estes países viram o "risco de não cumprimento do pagamento", tabelado nestes "ratings", aumentar, o que implica uma subida das taxas de juro implícitas ao empréstimo. O que, também, derivará numa maior dificuldade e despesa em obtenção de crédito nos mercados financeiros por parte do Estado e das empresas sediadas nestes países.

De facto, casos insólitos acontecem. Por exemplo, o Reino Unido, que possui uma dívida similar à da Espanha e com problemas mais sérios a nível do sistema bancário não tem o mesmo "risco tabelado" do que a Espanha. O caso dos EUA é o mais paradigmático desta situação. Vejamos, os EUA enfrentam um escalar da dívida externa (devido a imensos factores). Em 2008 a dívida externa dos EUA chegou ao (astronómico) valor de onze biliões de dólares, sendo considerada a "maior" dívida externa do Mundo, e "auferindo" um deficit estrondoso. Contudo, detêm uma classificação de topo (AAA) desde 1917. A Moody's (outra agência de rating) afirmou: "Se não forem feitas mudanças, em 10 anos, teremos que olhar seriamente se os Estados Unidos devem continuar sendo classificados como triplo A". Pois, Portugal, Grécia e Espanha não tiveram que esperar dez anos!

Uns afirmarão que em causa está a "confiança" (um sentimento muito importante no sistema económico vigente)e outros factores específicos de certos países para explicar a disparidade de "ratings" entre estes e outros paíeses. Outros, provavelmente, irão pôr em causa a idoneidade das agências de notação financeira (que tabelam o "rating"). Pois, estas agências, são parte do problema que originou a «crise actual».

De facto, é aqui que reside o verdadeiro problema, as agências de notação financeira -como a Standart&Poors (a principal)- possuem um "curriculum" de acontecimentos que em muito afecta qualquer tipo de confiança neste tipo de "avaliações". Em 2003 o regulador do mercado de capitais (Securities and Exchange Commission, SEC) dos EUA emitiu um relatório em que as conclusões "arrasaram" a credibilidade das agências de "rating". Concluiu-se que, estas agências, recebiam avultadas comissões pelas notações falsas atribuídas a alguns instrumentos financeiros (de alto risco) que em consequência enganaram milhões de investidores em troca do enriquecimento de outros.

De salientar os famosos casos de má notação tais como:

-o caso da Enron e da WorldCom (que tinham a notação AAA -a máxima- pouco tempo antes de falirem);

-Há dois anos, certas agências de "rating" atribuíam uma notação máxima (AAA, o máximo comum às três empresas) aos instrumentos financeiros (cujo o valor se baseia no preço de outros activos) chamados de "derivados" que financiaram o crédito "subprime" e que conduziram à crise que sente hoje;

-os "pareceres" dados à economia da Islândia (considerando-a como uma "economia forte" um dia antes da Islândia declarar-se na "bancarrota") e ao Lehman Brothers (em que consideraram como um banco financeiramente robusto quando já este tinha apresentado o pedido de falência às autoridades de Nova Iorque).

Portanto, o plano apresentado por Paul de Grauwe, da Universidade de Louvaina (Bélgica) para a compra de obrigações dos países europeus "desestabilizados" serviria (pois, não acredito que se materialize esta proposta) para minorar a injustiça e ajudar a estabilização da "zona euro". Porém, não ataca directamente uma das causas de «crise actual» (a falha das agências de "ratings").

20 fevereiro 2009

O lado menos claro da energia

Deixo aqui um texto, escrito por António Maria, sobre a "sombra" que paira sobre a energia em Portugal, de indispensável leitura:

«Outro objectivo não declarado da EDP do cínico Mexia (um imbecil chapado) é a apropriação privada dum bem comum: a água! Ou seja, os piratas da EDP e da Iberdrola pretendem pura e simplesmente tomar conta de duas verdadeiras minas de ouro situadas nas duas principais bacias hidrográficas nacionais: a água e a energia eléctrica.»

17-02-2009 (Sol) — O presidente da EDP, António Mexia, questionou hoje o interesse de uma alternativa ferroviária à linha do Tua por entender que, com a construção da barragem, a ferrovia perde o seu principal atractivo que é a paisagem.

O que este Mexia cínico não diz a ninguém é que o plano de barragens em curso, que o expedito Pepe rápido da Freeport despachará à velocidade da luz, perante a hesitação de Manuela Ferreira Leite e Cavaco Silva, serve apenas para encobrir o fracasso das eólicas, cujo rendimento energético é um verdadeiro flop!

Quando os americanos e a Merrill Lynch souberem da marosca, lá se vai o optimismo caseiro fabricado pela EDP (1).

A variabilidade e inconstância dos ventos, subavaliadas nos estudos aldrabados que justificaram os vultuosos investimentos na energia eólica portuguesa, não permitem atingir a produção energética prometida aos investidores e ao país. Para compensar há então que construir num instantinho (para isso serve o Pepe rápido da Freeport) 11 novas barragens, já que a capacidade de compensação das centrais hidroeléctricas existentes é insuficiente para atingir a quantidade de mega Watts prometida e esperada. Se fossem substituídas as turbinas envelhecidas das actuais centrais hidroeléctricas por turbinas mais eficientes, haveria compensação, mas ao que parece insuficiente, e sobretudo longe dos parques eólicos construídos e em construção.

Trata-se pois de fazer barragens para enganar os accionistas da EDP, e para vender energia a preços leoninos —i.e. de cartel— aos incautos portugueses.

Sabiam os portugueses que a energia que consomem à noite é de origem nuclear, vem de França, e é vendida a Portugal ao preço da chuva, quer dizer, abaixo do preço de custo? Paga-se, porém, esta energia nocturna a preços comparativamente elevados face ao que realmente custa, engordando ilegitimamente as margens de comercialização dum bem essencial que, como tal, deveria ter preços regulados, em vez da corrupta fantochada de livre concorrência que os neoliberais de Bruxelas (a começar por Durão Barroso) andaram a impingir à Europa nas últimas duas décadas.

A falência óbvia da União Europeia face à China e à generalidade dos países emergentes, onde os recursos energéticos, naturais e financeiros estão obviamente nacionalizados, deve servir-nos de lição. E sobretudo deve servir para travarmos colectivamente a inércia especulativa que persiste nas entranhas da tríade de piratas neoliberais que tomou conta do PS (representado pelo cada vez mais insuportável Pinóquio de Freeport), exigindo a renacionalização dos principais recursos naturais, energéticos e financeiros estratégicos do país.

As minas de ouro que são as bacias do Douro e do Tejo, i.e. os rios que dão água e energia eléctrica a mais de 80% das grandes cidades-região de Lisboa e Porto, não podem estar na mão de especuladores, nem à mercê duma qualquer falência que possa comprometer a independência nacional em matéria de água e energia eléctrica.

Não é um qualquer Mexia de trazer por casa que pode atemorizar uma Secretária de Estado, e muito menos a democracia!

Outro objectivo não declarado da EDP do cínico Mexia (um imbecil chapado) é a apropriação privada dum bem comum: a água! Ou seja, os piratas da EDP e da Iberdrola pretendem pura e simplesmente tomar conta de duas verdadeiras minas de ouro situadas nas duas principais bacias hidrográficas nacionais: a água e a energia eléctrica.

Muito mais do que pelo assassínio de paisagens, que alegremente estão dispostos a cometer, esta gentalha tem que ser posta no sítio pelo perigo que representa para a independência e autonomia nacionais. A sua lógica de submissão canina à falida globalização neoliberal é de facto uma ameaça que deve ser debelada quanto antes.

Que José Freeport se passeie de braço dado com os ex-ministros portugueses ao serviço das privatizadas Iberdrola e EDP (2) é toda uma lição de promiscuidade entre a política e os negócios, de reiteração de um modelo neoliberal ultrapassado que tem quer rapidamente revisto, e mesmo de traição pura e simples aos óbvios interesses portugueses no que se refere ao absoluto controlo das nossas principais reservas estratégicas: água, energia, território e mar.

NOTAS

1. 17-02-2009 (Económico) "A energética liderada por Ana Maria Fernandes (na foto) é a acção preferida do Merrill Lynch para o sector das Renováveis."

"Na opinião dos analistas do banco norte-americano, a acção da quarta maior eólica do mundo está "a ser castigada por um ‘outlook' incerto relativamente ao investimento", sendo que o Merrill Lynch espera que a administração clarifique a situação na apresentação dos resultados, marcada para 26 de Fevereiro."

2. Hoje de manhã José Sócrates andou de braço dado com o presidente da EDP —o dito Mexia, ex-boy do PSD— arengando que a nova barragem (que destruirá o rio Sabor) é uma oportunidade de emprego e de progresso para o país. Acontece que a EDP, hoje uma empresa privada, está envolvida em três processos judiciais sobre a legitimidade de prosseguir com a barragem que destruirá, para nada, uma paisagem única e habitats protegidos por lei. Manda a lei e a decência que o primeiro ministro se mantivesse equidistante dos contendores, neste caso, a EDP e a Liga de Protecção da Natureza. Mas não, o homem por detrás do primeiro ministro é um facilitador nato. Está-se nas tintas para a lei e para a decência. E o resultado é este: andar de braço dado com o pirata-mor da EDP. Como amanhã andará de braço dado com o pirata-mor e traidor Pina Moura —lacaio da Ibertrola. Uma desgraça que merece, cada vez mais, uma inadiável revolta de cidadania.

19 fevereiro 2009

Ao que parece a CGD pagou 305 milhões de euros por acções que só valem cerca de 244 milhões

«O deputado Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, acusou o governo de esbanjar dinheiro e de dar um prémio ao empresário Manuel Fino, pagando por acções da Cimpor que este deu para saldar uma dívida com o banco mais 62 milhões de euros do que estas valiam. No momento da transacção, as acções estavam cotadas a 3,79 euros, mas o banco estatal pagou 4,75 euros. A operação ruinosa para o Estado foi noticiada na segunda-feira pelo Jornal de Negócios.» in [Esquerda.net]

De mal a pior, vivemos num tempo de escândalos pois eles já existiam, nós é que não.

Falar em nome de todos: "So say we all" *

«Braga responde com o amor para substituir a eutanásia» in [Diário do Minho]

Será que falarão por Braga? Ou o conceito Braga (cidade, concelho distrito), como meio geográfico e populacional, tomou (qual misticismo) a forma humana e incitou a substituição da eutanásia por amor ao próximo? Como nos ensina a velha máxima terrena: Em nome do amor, pratica-se o desamor (Domingos Oliveira).

*tirada do Battlestar Galactica, a qual ando a seguir religiosamente

Ciência pela Internet, um futuro promissor

Um astrofísico inglês resolveu impulsionar a ciência promovendo a interacção com várias pessoas que partilham o desejo comum da curiosidade e do "amor à ciência". O que fez? Como possuía cerca de um milhão de imagens do espaço e pretendia catalogar as diversas galáxias que aí se encontram, criou um sítio onde qualquer utilizador da World Wide Web pudesse registar e assim ajudar na senda de "catalogar" as galáxias. Um sucesso garantido. O sítio já possui cerca de duzentos mil utilizadores registados e o resultado da catalogação é impressionante. Um óptimo exemplo como a ciência (como em outros domínios do conhecimento) pode ganhar com a interactividade na Internet.

Um princípio perigoso

«O presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Carlos Miguel, foi surpreendido ao início da tarde com um fax do Ministério Público no qual era dado um prazo à autarquia para retirar o conteúdo sobre o computador Magalhães, que fazia parte de um dos carros alegóricos, onde apareciam mulheres nuas. “Achamos que pela primeira vez após o 25 de Abril temos um acto de censura aos conteúdos do Carnaval de Torres”, lamentou o responsável, em declarações à Antena 1.

(...)Carlos Miguel acrescentou que “o que existe é uma sátira ao computador Magalhães com um autocolante que se pressupõe que seja o ecrã”, pelo que não entende o pedido para o retirarem do Carnaval e entregaram mais tarde ao tribunal judicial.» in [Público]

Não sei em que se baseou o Ministério Público para actuar assim. O Ministério Público é um representante do Estado (e não do governo) para defender a legalidade e os interesses da lei e, acima de tudo, defender os princípios democráticos de um Estado Democrático. Não compreendo, e muito menos aceito, que esta entidade pública censure (o que vai contra os seus estatutos) um acto carnavalesco. É um acto a merecer a devida responsabilização ao comprovar-se (o que aparenta ser o motivo) que a censura deveu-se apenas a uma exposição satírica da coqueluche da propaganda do Governo.

A preservação do Ambiente é uma aposta ganha

"A presença do corço na Serra da Cabreira levou a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto a aderir a um projecto universitário para o estudar, revelou fonte autárquica.

Maria João Baptista do Gabinete da Presidência adiantou que Cabeceiras foi o primeiro município do Norte de Portugal a aderir e fê-lo «porque tem uma estratégia que visa a gestão sustentada deste importante recurso natural, que pode vir a ser explorado cinegeticamente a médio e longo prazo, numa base técnico-científica»". in [Diário Digital]

A gestão sustentada dos recursos naturais deste concelho deve ser uma prioridade nos desígnios autárquicos. Contudo, mostra que o futuro orienta-se para uma gestão sustentada dos recursos naturais aliada com um aproveitamento económico. O Turismo cinegético ou mesmo o Eco-Turismo (uma forma de turismo que cresce anualmente a nível mundial na casa dos dois dígitos) são formas de preservação ambiental com um potencial de proveito económico e algo a ter em conta em concelhos, como Cabeceiras de Basto, que possuam condições únicas e muito favoráveis para incentivarem este tipo de turismo.

18 fevereiro 2009

Não fico admirada II

«Favela dos ricos vai tornar-se "repulsiva"» in [JN]

Para além do atentado a uma das zonas mais bonitas de Braga,outros problemas poderão advir desta desenfreada construção ao longo da encosta do Bom Jesus.

Mais um mau exemplo do ordenamento a que Braga já nos habituou. Para já a encosta do Sameiro tem sido poupada.Até quando?

Um outro tipo de Hospitais

via Exame Informática

Barragens e afins

«Na região, ou nalgum dos seus concelhos afectados, tentar o debate sobre a problemática de qualquer uma das cinco barragens projectadas e programadas para a bacia do Tâmega com base nos argumentos das eléctricas (EDP ou IBERDROLA) ou em algum dos argumentos que temos ouvido do ministro do Ambiente e do Primeiro-ministro, seja o da “criação de emprego”, o das “energias renováveis”, do “cumprimento de Quioto”, de “combate às alterações climáticas”, da “independência nacional”, do “desenvolvimento do interior”, e agora como a chave para “dinamizar a economia nacional em tempo de crise”, é condescender com a tentativa de intoxicação da opinião pública e não de promover o seu esclarecimento, é seguir na via estreita, dogmática e sectária, de alienar patrimónios multigeracionais em que o Governo enveredou, é ceder ao facilitismo de argumentos brumosos, infundados e irresponsáveis, de possuir uma opinião sem ter de a construir a partir de fundamentos credíveis, válidos, actuais e escorreitos.» José Emanuel Queirós

«Fridão toca o concelho de Cabeceiras de raspão, daí ser legítimo questionar-se a oportunidade desta conferência[13 de Fevereiro]. Legitimidade, que também a têm, deve aceitar-se de todos quantos sentirão de facto, de uma forma ou de outra, os efeitos da barragem e, aos argumentos que sustentam as suas posições, devem contrapor-se argumentos. Tornou-se claro, a partir de certo momento, que o interesse da Câmara Municipal era defender o Plano Nacional de Barragens, obviamente, porque resulta de uma opção governamental, logo, democraticamente inquestionável.» Ílidio dos Santos

17 fevereiro 2009

Há câmaras e câmaras

«O primeiro-ministro José Sócrates anunciou benefícios fiscais e facilidades no acesso ao crédito bancário para as famílias que instalem painéis solares. "Pagarão menos de metade do custo do equipamento; verão a sua factura energética anual reduzir-se em mais 20%; e terão um benefício fiscal de 30% do custo de investimento do primeiro ano", especificou. Bravo. E quais são as condições para o cidadão que optar por pagar a pronto? Ou o programa só funciona se envolver empréstimo bancário? A Câmara Municipal de Moura é que não esteve à espera de Lisboa e já avançou com um programa de financiamento, em 70% e sem juros, da instalação de sistemas de micro geração de energia eléctrica em particulares, empresas ou instituições, com recurso ao fundo social disponibilizado pela Central Fotovoltaica de Amareleja.»

Óctavio Lima in Ondas3

16 fevereiro 2009

Na senda do progresso, continuamos a querer andar de bicicleta enquanto o futuro deseja outra coisa

«Com o troço Amarante - Arco de Baúlhe encerrado, um cidadão britânico apresentou um ambicioso projecto de reabertura ao tráfego ferroviário deste troço, a custo zero para as autarquias da Terra de Basto. O projecto remetia não só para uma exploração ferroviária turística como também o regresso de um serviço regional de passageiros. O seu projecto não foi aceite.

Neste momento as autarquias de Amarante a Cabeceiras de Basto pretendem converter a via em ciclovia, estando em fase avançada o troço Amarante - Gatão. » in [Wikipédia]

Convém "reactivar" o assunto. A ferrovia é uma aposta estruturante para o futuro da acessbilidade e mobilidade de um concelho e da sua população. Acima de tudo são decisões políticas. Decisões que condicionaram o passado e que podem definir o futuro.

Música para ouvir de olhos fechados, e sentir...

Yann Tiersen - "Rue des Cascades" (versão piano)

Preconceito e ignorância são as "algemas" das vítimas de doença mental

Hoje no JN uma notícia intitulada de - "Estado ignora doentes bipolares", alerta para um caso de alegada discriminação. Obviamente não conheço as condicionantes deste caso, mas não me espanta que por este país fora, as vítimas de doença mental sofram de discriminação por parte do Estado, uma vez que, a própria sociedade os discrimina, quer pela ignorância, quer pela falta de respeito altiva pelo "maluquinho". No entanto, devo alertar que sofrer de doença mental não implica reforma por invalidez. Há centenas de pessoas que sofrem destas patologias, que quando compensadas do ponto de vista terapêutico e, essencialmente do ponto de vista de suporte social e institucional, têm uma vida perfeitamente normal. Contudo, como disse anteriormente, não conheço as condicionantes deste caso em particular.
Por outro lado não resisto em dizer que a saúde mental/psiquiátrica em Portugal, quando comparada com outras especialidades, se encontra muito atrasada e pouco adaptada às sociedades actuais. Muita da culpa é dos sucessivos governos que têm olhado para este sector da saúde como um mal menor, negligenciando o investimento nas instituições psiquiátricas e na importante reinserção/acompanhamento social das vítimas destas patologias. Se o Estado ignorasse os diabéticos, os doentes cardíacos, os doentes oncológicos..., etc como ignora os doentes psiquiátricos, a saúde em Portugal seria um verdadeiro caos (discriminação portanto).

15 fevereiro 2009

Sobre a conferência de Sexta-Feira

"Se a lei for cumprida nenhuma barragem será construída no Tâmega".

Foi assim que José Emanuel Queirós rematou o auditório no período de discussão sobre "A Barragem de Fridão e o desenvolvimento das Terras de Basto".

Agora, várias hipóteses se erguem.

1. As leis (de âmbito de protecção ambiental) serão cumpridas e os projectos serão "chumbados".

2.As leis serão modificadas (se o velho sistema governamental de adaptar as leis aos projectos e não o contrário funcionar) e o "caminho legal" será aberto para a concretização do projecto.

Portanto, assinar a Petição Anti-Barragem é a palavra de ordem.

post scriptum:Quanto à parte das insinuações, nada escreverei. Não utilizo o púlpito (seja ele qual for) para enviar recados ou insinuações seja contra quem for.

14 fevereiro 2009

Reciclagem/rentabilização do meio (X)

Finalizando estes devaneios em jeito de 10 mandamentos e que já se alongaram em demasia, que haja um sentimento optimista em todos. Em analogia à história da humanidade, que por vezes necessitou de olhar o passado para entender e se preparar para os desafios do futuro, o sentido e o contexto dos post´s ficaram invertidos, pelo que a leitura e interpretação, farão sentido se lidos de baixo para cima. Os tempos são difíceis, e será importante usar todos os meios para partilhar conhecimentos, ideias e sugestões, como forma de encontrar soluções para actual situação de crise. Neste sentido, jornais, TV, blogues e outros, são motores fundamentais nessa partilha, pelo que aguardo comentários de quem tiver algo a acrescentar, algo de diferente ou algo de novo a dizer.

Reciclagem/rentabilização do meio (IX)

Tenho escrito muito sobre o meio que nos rodeia e o ser-se social. Contudo, não posso omitir um factor fundamental para ultrapassar a crise - a saúde geral, e a de cada um. Sendo eu da área, seria negligente da minha parte não abordar esta temática. As crises podem trazer graves problemas à saúde global. Poderão surgir movimentos populacionais migratórios que traduzem dificuldades de integração/socialização/aculturação, susceptibilidade à transmissão de doenças até então "isoladas" geográficamente, bem como os conflitos referidos no post anterior. Os escassos recursos económicos e falta de expectativas/esperanças poderão ser responsáveis por perturbações mentais, como depressões e comportamento delirantes/psicóticos. Por outro lado a desnutrição (pela escassez de bens alimentares), pobreza extrema, défice de condições sanitárias, epidemias/pandemias, e dificuldades de acessibilidade aos serviços de saúde, são uma ameaça a ter em conta.
Se a crise é grave, mais grave é os protagonistas de uma possível inversão da mesma, adoecerem. Sem saúde não se consegue nada. É bom que cada um reflicta sobre a sua condição de saúde e, não apenas lembrar-se dela quando a doença já se instalou. Contra a natureza iremos ter uma luta permanente, porque não conseguimos eliminar os vírus, as bactérias, nem os outros agentes patogénicos presentes no ecossistema. Podemos até irradicar uns, mas depressa surgem outros. Depois há as doenças inevitáveis, umas surgem pelo envelhecimento natural e pela genética de cada um, e outras alheias a faixas etárias, surgem de forma silenciosa, e por vezes sem razão aparente. Como podemos constatar a doença é inevitável ao longo do ciclo de vida. No entanto, a adopção de estilos de vida saudáveis, contribui em larga escala para reforçar o sistema imunitário de cada um, diminuindo desta forma a susceptibilidade à doença, bem como, a melhor convivência e convalescença com a mesma. Maus hábitos alimentares, sedentarismo, consumo de drogas (e aqui incluo no mesmo pacote álcool e tabaco), stress, falta de descanço, isolamento... entre outros, são responsáveis pela morbilidade em todo o mundo.
Esqueçam as dietas milagrosas dos sítios e das revistas mágicas. Ainda que haja boa literatura sobre dietas, o que mais se lê por aí são barbaridades que podem pôr gravemente em risco a saúde de quem as segue. Se desejam emagrecer ou saber comer, procurem ajuda profissional (nutricionistas e médicos não faltam), lembrem-se de comer bem (qualidade versus quantidade) todo o ano, em vez de o fazer apenas quando o calor bate à porta e as roupas de cortes justos mostram o "pneuzinho" e a celulite. Levantem os rabinhos do sofá e façam exercício físico. É o melhor aliado da saúde e a melhor forma de ligar o corpo à mente. Não desanimem à primeira, há tantos desportos que o importante é variar até se encontrar aquele que melhor se adapta à anátomo-fisiologia e condição de cada um (ex: andar a pé é simples, pouco cansativo e ao mesmo tempo excelente para a saúde). Se não forem experientes e quiserem optar por desportos mais exigentes, o melhor é procurar ajuda de profissionais ligados à área desportiva, passando préviamente por uma avaliação médica. E atenção, não criem expectativas elevadas, o exercício físico requer treino e adaptação do organismo graduais. Não pensem que estando em baixo de forma podem correr meia maratona tipo toiros. Isso apenas trará malefícios à vossa saúde.
Evitem o consumo de drogas. Estas representam substâncias tóxicas para o organismo que degradam as células e diminuem a sua capacidade de regeneração, para não falar do risco de dependência de consumo. As consequências não são novidade, envelhecimento precoce e as mais variadíssimas doenças associadas, bem como, a morte. Não quero dizer que não se possa fumar e beber esporadicamente, mas há que ser-se equilibrado.
Procurem relaxar, não vivam obcecados pelo trabalho e por fazer tudo o que está à vossa volta. O corpo e a mente precisam de momentos de calma que não se resumem apenas às horas de sono. Também é importante descansar acordado, fugir dos ambientes barulhentos e agitados, refugiando-se em locais calmos como as aldeias, as montanhas, à beira-mar, ou mesmo em casa a ouvir música, a ver um filme ou a ler um livro. É bom e ajuda à reflexão e auto-reflexão.
Não negligenciem a cama, durmam entre 7-8 horas por dia. Dormir a mais também não é saudável. O sono é fundamental para regenerar as células de todo o organismo.
Não se isolem, convivam em sociedade, saiam com os amigos, conversem com as pessoas, namorem, tenham uma vida sexual satisfatória, façam actividades em grupo... O reforço das relações inter-pessoais é nuclear para o equilíbrio mental e para a saúde em geral. O ser humano é um ser social.
Por fim não esperem pela doença. Procurem acompanhamento médico ao longo de todo o ciclo de vida. Muitos problemas de saúde futuros podem ser atenuados, controlados, e até evitados, se procurarem consultas de rastreio/promoção de saúde/prevenção da doença.

Reciclagem/rentabilização do meio (VIII)

Outra inquietação presente meu pensamento, é a guerra (e aqui incluo também o terrorismo). Seja ela política, religiosa, étnica...,ou o que quer que a origine, esta não pode ser justificável com moralismos doentios e empobrecidos. É verdade que as guerras nos ensinaram muitas coisas, e talvez sem elas, não teria havido aproximação e cruzamento de culturas. Porém, arrastaram consigo biliões de mortos e oprimidos, dando origem às mais variadíssimas formas de extremismo político e social. Passado é passado. No presente as formas de comunicação permitem, de forma pacífica, a aproximação e a negociação entre povos através do diálogo. Hoje conhecem-se variadíssimas culturas, crenças e religiões, falam-se várias línguas e dialectos. As Nações têm de saber respeitar-se umas às outras, e o respeito deve vir de dentro. Por muito que não concordemos com certas culturas, não podemos expulsá-las como se de cães se tratassem. O que podemos fazer é mostrar e explicar a nossa cultura aos outros e tentar entender a deles. Dentro dos limites das liberdades e direitos humanos, não podemos forçar ninguém a mudar os seus hábitos apenas porque nos dá na real gana, da mesma forma que não devemos deixar que tentem fazê-lo connosco. Devemos partilhar e não impor, educar e ser educados. Cada País tem de pôr de lado o preconceito pelas raças, religiões, étnias, costumes e orientações. A ONU e a NATO têm de repensar a sua forma de actuação. Os recentes conflitos entre a Rússia e a Geórgia, assim como o último na faxa de gaza, entre Israelitas e Palestinianos, espelham na perfeição a falta de diálogo e a transgressão das liberdades e direitos humanos.
Actualmente vivemos tempos difíceis do ponto de vista financeiro-económico, as religiões não encontram plataforma de entendimento, as populações vivem em clima de desconfiança por tudo e por todos. As Nações não encontram soluções de equilíbrio na distribuição dos recursos, e a globalização abriu o livro das desigualdades, da exploração e da injustiça espalhadas por todo o mundo. Talvez a queda do Muro-de-Berlim não tenha anunciado verdadeiramente o fim da Guerra Fria. Vivemos ainda numa época de grande desconfiança pelo vizinho do lado, repleta de tensões que se assemelham e muito, ao clima que antecedeu as grandes guerras. Com as actuais tecnologias bélicas em permanente desenvolvimento ("escondido" e/ou ignorado), em territórios como a china, o Irão, Coreia do Norte, etc, a ameaça é real. Actualmente, sejam elas: atómica, química ou biológica... se aliadas à crueldade humana, uma guerra de proporções mundiais, pode resultar no fim da humanidade.
Não podemos esquecer que o planeta não é de ninguém, é de todos que o habitam. As fronteiras são meros traços e riscos de divisões político-administrativas.

Reciclagem/rentabilização do meio (VII)

Energia e dependência energética têm sido apontados como uma das fragilidades maiores do nosso país.
Tive a oprtunidade de assistir ontem à conferência organizada pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, relativamente ao empreendimento da Barragem do Fridão. É de louvar estas iniciativas municipais, que contribuem para a aproximação da população à política e da política à população, enriquecendo o debate e a democracia. Algumas dúvidas ficaram esclarecidas embora outras se mantenham. Confesso que não tenho dados, não estudei nem pesquisei acerca desta temática para ter uma opinião devidamente fundamentada. Contudo, penso que todas as condicionantes devem ser colocadas na balança, para que a decisão final seja a mais vantajosa para os cidadãos dos municípios envolvidos e para todo o país.
Ao longo dos últimos anos e muito recentemente, temos vindo a pagar bem caro a nossa dependência do petróleo (combustível fóssil, portanto, esgotável e altamente poluente). O mercado liberalizado centrou a regulação dos preços das matérias-primas na premissa oferta-procura. Esta lógica de mercado globalizado, após o 11 de Setembro, teve como consequência as osciliações tendenciosamente inflaccionista da cotação do preço do crude e, o consequente aproveitamento especulativo pelas entidades de produção e distribuição. Todo o sistema económico a nível mundial ficou em alvoroço. Como era de esperar, as economias mais frágeis e dependentes desta fonte de energia ficaram estranguladas (Ex: Portugal)
Embora a cotação do petróleo tenha vindo a cair vertiginosamente face à crise financeira mundial e em consequência da diminuição da procura, uma inversão rápida desta tendência, traduzida numa nova subida vertiginosa, é possível, real, e de recear. Poderemos entrar em colapso energético, e isso será a crise a bater à porta até dos ricos e milonários. Sem energia não há nada! Com um cenário destes correríamos o risco de nem pão nem leite termos à mesa para comer. Por estes e outros motivos, Portugal e a UE (altamente dependentes do ouro negro), deverão continuar no reforço ao desenvolvimento e implementação de energias renováveis, cujas matérias-primas são inesgotáveis e ao mesmo tempo, traduzem energia menos poluente e amiga da natureza. A altura de avançar é agora, não podemos esperar mais e sustentar os caprichos do mercado capitalista.
Falou-se não há muito tempo, na possível construção de um central de energia nuclear em Portugal. Não conheço a viabilidade do empreendimento, mas matéria-prima temos no nosso país. Talvez faltem técnicos e tecnologia adequada para a construção/funcionnameno/manutenção. Para isso o Estado tem de incentivar as Universidades ao desenvolvimento destas tecnologias. Não "engulo" os ambientalistas em protesto contra a energia nuclear, porque esta é limpa, e embora o "fantasma" de Chernobyl paire na cabeça da maioria das pessoas, é bom lembrar que o desastre nuclear se deveu a erro humano, idiota e grosseiro. Desde então não me recordo de mais nenhum acidente nuclear em todo o mundo. Pela lógica ambientalista teríamos de obrigar Espanha a desactivar as suas centrais nucleares implantadas nas proximidades do nosso território. Outras formas de energia têm vindo a ser faladas, como a fotovoltaica, a geotérmica, a das marés, etc. Ontem na conferência sobre a Barragem do Fridão falou-se na incapacidade de massificação da energia fotovoltaica, por ser ainda demasiado cara e pouco rentável. Não contesto porque não sou especialista na área, mas não entendo como é que o governo central se prepara para incentivar a independência energética dos lares, através da instalação de paineis de células fotovoltaicas!? Suponhamos que todos os fogos habitacionais instalam os ditos paineis solares ficando autosuficientes do ponto de vista energético, isto não será uma massificação desta forma de energia?!
O importante será mesmo pensar numa alternativa ao petróleo. A energia tem de ser limpa e inesgotável, seja ela solar, eólica, das marés, geotérmica, hidrogénio ou outra qualquer. Os Governos e as Universidades terão de unir forças para desenvolverem novas tecnologias de produção e aproveitamento energético.
Um último factor de grande relevo passa pelo uso e rentabilização da energia. Os portugueses não sabem poupar energia nem rentabilizá-la. Novas medidas têm sido anunciadas pelo governo no sentido da poupança energética, quer pelo isolamento térmico dos lares, utilização de electrodomésticos classe A, lâmpadas económicas, até ao lembrar de apagar a luz quando não está a fazer falta. São medidas que eu aplaudo. Contudo, falta o mais importante, que é fazer chegar a mensagem às pessoas o mais rapidamente possivel. À semelhança dos ecopontos ecológicos espalhados por todo o país e que são um enorme sucesso, a meu ver, as escolas deveriam ter um papel fundamental neste sentido, que não se traduzisse apenas em campanhas, mas também, no ensino em salas de aula e actividades curriculares. As crianças adoram estas actividades e certamente seriam as primeiras a aderir e a passar a mensagem. A televisão é talvez o meio-de-comunicação mais eficaz para informar as populações. Mensagens curtas transmitidas diariamente em horário nobre, encurtanto os enfadonhos anúncios publicitários, certamente teriam grande sucesso neste sentido. Se os ecopontos foram um sucesso, a poupança e rentabilização energética também será. Eu acredito.

Reciclagem/rentabilização do meio (VI)

Nos últimos anos o planeta inteiro viu o seu desenvolvimento económico centrar-se no mercado do crédito. O dinheiro foi o principal produto mercantilizado pelas sociedades globalizadas. E aqui residiu o erro. Entristece-me ver países económicamente fortes que agora estão na banca rota financeira, como é o caso da Islândia. Um pouco por toda a Europa o cenário é semelhante. Portugal desde os anos 90 até aos dias de hoje viu o seu crescimento económico basear-se no crédito ao consumo. A fácil acessibilidade a empréstimos, as reduzidas taxas de juro e a "febre" do consumismo, levaram milhares de cidadãos a contraírem dívidas. Um dos problemas que poucos sabíam é que muito do dinheiro que nos estavam a emprestar era dinheiro estrangeiro, e dinheiro virtual, isto é, dinheiro que ainda nem sequer existia (especulação). Dinheiro virtual atrás de dinheiro virtual, obrigou os bancos centrais a subirem as taxas de juro, sugando o orçamento das famílias portuguesas que inocentemente foram contraíndo dívidas à banca, pensando que tinham orçamento para as liquidar. Mais tarde ou mais cedo a crise teria de bater à porta. O panorama agora é um pouco diferente, as taxas de juro desceram mas muitos cidadãos não têm dinheiro para saldar as dívidas. Uns porque contraíram créditos em demasia e outros porque estão desempregados e não têm fontes de rendimento.
Por sua vez, as ajudas do Estado à banca foi outra temática fortemente badalada na comunicação social. A generalidade dos economistas afirmou que as injecções de capital nos bancos por parte do Estado, eram essenciais para salvar o sistema financeiro. Contudo, o caso BPN e outros, alteraram profundamente a visão que tínhamos da banca e, lançou o rastilho para que os avales do Estado fossem fortemente criticados. Como referi no post anterior, não sou economista nem especialista em finanças, apenas espero, como a generalidade dos portugueses esperam, que as ajudas do Estado à banca se traduzam em ajudas para as empresas e para toda a população em geral.
Penso que a sociedade tem de procurar poupar dinheiro e também recursos. Não faz sentido vivermos uma vida inteira usufruindo de bens materiais à custa de créditos. Se não temos dinheiro para suportar luxos, então não tenhamos luxos. Se quisermos luxos, devemos poupar para os ter, e não contrair dívida. A acessibilidade aos créditos deverá ser apertada e rigorosa. E os mesmos deverão ser reservados a bens essenciais ao nosso quotidiano e ao investimento sustentável.

Reciclagem/rentabilização do meio (V)

A baixa de impostos tem sido muito apregoada pela oposição política e recusada pelo governo vigentes. Confesso que não percebo muito de economia e nem sequer vou arriscar opinar muito sobre o assunto. Porque quando não se sabe mais vale estar calado. O que me parece é que temos impostos a mais traduzidos em taxas disto e daquilo, que somados e de forma subtil, ao fim do ano, representam meses de salário pró galheiro. IVA, IRS e IRC são apenas alguns tentáculos do polvinho que se cola e suga o rendimento dos contribuíntes. Há impostos a mais mascarados em taxas, que talvez merecessem uma redução. A medida recentemente anunciada pelo Governo em subir a carga fiscal àqueles que têm mais rendimento é de louvar, mas peca por tardia. Um governo socialista deveria ter essa medida na sua agenda desde o início da legislatura, e não agora. Exige-se que a avaliação dos rendimentos seja clara e totalmente abrangente, não ficando alguns privilegiados a contribuir o mesmo que a classe média. O combate à fraude e evasão fiscal também deveria ser mais apertado. A ASAE pode ter um papel fundamental em auditorias e fiscalizações financeiras às empresas.

13 fevereiro 2009

Reciclagem/rentabilização do meio (IV)

E porque não em vez do TGV reabilitar a ferrovia do interior e recuperar as linhas obsoletas um pouco por todo o país? O TGV vai servir quem? qual vão ser os preços dos bilhetes médios para um trajecto de 300 km? A nossa sociedade terá condições económicas para usar este meio de transporte caprichoso? ou será só para alguns abonados? Será justo que a única plataforma de comunicação eficiente no interior seja a rodovia? Não teremos já auto-estradas suficientes? daqui a pouco chegamos às A100 ou A200! muitas delas a pagar preços mais do que injustos para as condições socio-económicas dos seus utilizadores. Não seria melhor parar com as Auto-estradas e começar a pensar em recuperar e modernizar as Estradas Nacionais e secundárias, canalizando e distribuíndo o investimento um pouco por todo território. É que quem circula pelas várias estradas do país sabe que os amortecedores do automóvel não duram muito. O novo aeroporto parece-me uma escolha mais acertada. Não vou debater o timing, o projecto em si, nem a localização Ota/Alcochete. Prefiro deixar essa temática para os técnicos. No entanto, parece-me uma obra estratégica para o país, sendo que Portugal está geográficamente bem localizado para aumentar e desenvolver o tráfego aéreo entre (Europa-África-América). A par disso, a criação de postos de trabalho adjacentes a este investimento, pareça ser real e sustentável à primeira vista.
A nova ponte sobre o tejo é mais uma podazinha mal feita à nossa árvorezinha. Actualmente resido em Lisboa e sei as dificuldades de mobilidade das pessoas na sua área metropolitana. A nova ponte sem dúvida que é necessária, mas não irá resolver o problema de base (mobilidade). O problema da área metropolitana de Lisboa é a centralização do mercado de trabalho e dos serviços na urbe da cidade, deixando as cidades periféricas comportartem-se como autênticos dormitórios. Ainda que o sistema de transportes seja razoavelmente bom quando comparado com o resto do país, ele é insuficiente para a rede lisboeta. Por outro lado, as rendas e os preços dos imóveis na urbe são astronómicos, o que leva os cidadãos a optarem por residir nas periferias. Mas como as cidades periféricas oferecem poucas oportunidades de trabalho, as populações são obrigadas a mobilizarem-se da periferia para a urbe e da urbe para a periferia (É tipo um funil ou efeito de gargalo). Em média entra 1 milhão de habitantes na cidade de Lisboa todos os dias (dias úteis, penso eu). Seria mais vantajoso alargar a rede de transportes na periferia e descentralizar o mercado de trabalho, bem como, ajustar os preços dos imóveis e o mercado de arrendamento na urbe.
Quanto às barragens hidroeléctricas apenas as compreendo para armazenamento de água doce, e nada mais. Estas deveriam privilegiar zonas susceptívis à seca, como o Sul do país. Do ponto de vista ecológico e de impacto ambiental não são a melhor solução. Do ponto de vista energético também não traduzem a eficiência energética necessária. Pergunto, para que andámos a investir na energia eólica sendo pioneiros no esforço para desenvolver energias renováveis? Para agora investir numa forma de energia do século passado?! Retrocesso?! Que estão à espera para incentivar a energia solar, ou das marés (não poluentes), cuja matéria prima abunda no nosso país? E porque não incentivar/educar os portugueses para a poupança e eficiência energética? Não será já tempo do ensino e educação centrarem esforços neste sentido? Quanto a uma candidatura portuguesa à realização do mundial de futebol 2018, prefiro nem comentar, porque os portugueses gostam demais de bola e, certamente não iam apreciar aquilo que eu ia dizer. Apenas deixo uma dica. Pensem que há muitos desportos para além do futebol, desportos esses com enorme potencial de desnvolvimento no nosso país e, esquecidos ao longo dos tempos. Depois não chorem por medalhas aquando da realização dos Jogos Olímpicos.
A prioridade do investimento público deveria ser a reciclagem/restauração do velho, com sentido de modernidade. Aquilo que não é passível de reciclar, então que se faça novo, mas de forma sustentável, e ao mesmo tempo expandível e adaptável à evolução.
Porque é que o Estado não centra o investimento na recuperação/modernização e adaptação das infraestructuras públicas obsoletas? bibliotecas, escolas/universidades, hospitais, estradas, arruamentos, passeios, jardins/parques, centros e patrimónios históricos, que são usados por todos e para todos. Com pequenas obras aqui e ali, traduzir-se-ia uma grande obra, que seria a promoção da equiadade, e a justa distribuição dos recursos financeiros e de desenvolvimento em Portugal. Que haja vontade política e social para se podar bem as árvores e revitalizar o seu desenvolvimento, para que estas rejuvenescidas plantas germinem por todo o lado e carreguem a esperança de uma vida melhor.

Reciclagem/rentabilização do meio (III)

O investimento público tem sido apontado por vários especialista de todo o mundo como uma das medidas prioritárias para combater a crise. Mas que tipo de investimento público??? No meu entendimento classifico o investimento público em dois tipos: o investimento que serve as oligarquias e/ou determinadas classes sociais (os megalómanos) e que centralizam o monopólio financeiro; e o investimento mais diversificado e abrangente que serve a sociedade em geral, distribuindo de forma mais igualitária os dinheiros públicos pelo território e pelas empresas (descentralizando o capital). Os países altamente desenvolvidos e ricos reservam o luxo de investirem em obras megalómanas, porque o dinheiro dá pra tudo. Mas Portugal definitivamente não é um país rico.
Ouço falar em obras públicas como o TGV, a nova ponte sobre o tejo, o novo aeroporto, as novas barragens hidroeléctricas, e até uma candidatura conjunta com Espanha para o mundial de futebol em 2018, etc. Cabe a cada um dos leitores defenir no seu pensamento o tipo de investimento em que cada obra se insere. Na actual óptica política, estes investimentos têm sido justificados como impulsionadores da economia, quer por reacenderem a "chama" económica, quer pela reabilitação da construção civil (um dos sectores em crise), quer pela criação de postos de trabalho, consequentemente. As minhas questões são: o que se vai fazer depois das obras megalómanas estarem concluídas? Vai se gastar o carcanhol, e depois de concluídas, as empresas vão fazer obra aonde e em quê? e com que dinheiros? se nem a Banca nem o Estado têm dinheiro!? Talvez abram falência arrastando consigo os funcionários para o desemprego, que no fundo é uma repetição do que nos está a acontecer e do que temos vindo a fazer. Que sustentabilidade é esta?!

Reciclagem/rentabilização do meio (II)

Desemprego, investimento público, baixa de imposto, ajudas à banca, sustentabilidade energética, entre outros, têm gerado muita controvérsia. Aplausos para os governantes que tanto dizem e fazem para pouco ou nada alterar. Já que a Primavera está a bater à porta, é necessário podar as plantas, mas podá-las bem. O que os governantes têm feito é podar aqui e ali, enxertar aqui e acolá, negligenciando a raíz. Se a raíz está podre mais vale cortar a árvore de vez e plantar uma nova. Não vale de nada podar uma árvora que está a morrer. Da mesma forma, é contraproducente e inglório resolver problemas ramificados sem se tratar a raíz dos mesmos.
O desemprego é uma realidade muito presente. A tecnologia tem vindo a substituir a mão-de-obra humana nos vários sectores laborais, como forma de aumentar a produtividade, os lucros e a comodidade do trabalhador. A tecnologia tem de passar a ser vista como um aliado da humanidade e não como um substituto a tempo inteiro. A ciência é maravilhosa mas a sua aplicação pode ser devastadora.
A tecnologia deveria centrar o seu desenvolvimento nas tarefas que o ser-humano não consegue executar ou no aperfeiçoamento das mesmas, bem como, na rentabilização dos recursos materiais. Por outro lado, a tecnologia tem centrado os seus esforços na rentabilização dos recursos humanos (errado).
Com tanta tecnologia disponível parece-me que temos empresas a mais em determinados sectores de capital, e a menos em sectores fundamentais ao bem-estar social. O curioso é haver tanta concorrência empresarial nos primeiros e os preços do produto final serem tão elevados e aproximados entre si (especulação financeira?!?!?!). Tendo em conta esta perspectiva, não me admira a falência de algumas empresas, que apesar de venderem os seus produtos ao preço de mercado, acabam por não ter lucro suficiente, quer pela pouca tecnologia que empregam, quer pela fraca formação dos seus funcionários, quer pela fraca capacidade de negociação das matérias-primas, ou pela elevada carga fiscal... Assim sendo, talvez a falência de empresas seja inevitável e talvez não valha a pena perder tempo à procura de soluções para reabri-las ou salvá-las. Mais vale cortar a árvore.
Sugestões dos meus neurónios - Talvez seja utópico ou surreal, mas seria importante que empresas falidas que derivaram deste modelo financeiro/económico (produção/consumo de bens materiaris) fossem dando lugar a empresas com um carácter diferente do actual, mais centrado no ambiente, na eficiência energética, no bem-estar, no lazer, na cultura, nos costumes e, na reciclagem do que é velho, com sentido de modernidade. A sociedade tem efectivamente de reflectir sobre os recursos que tem, aproveitando as capacidades físicas e intelectuais de cada um para criar algo diferente, que seja sustentável e, que ao mesmo tempo sirva a sociedade em geral. O importante é fazer-se bem feito, gostar daquilo que se faz e, procurar sempre melhorar para se ser competitivo, crescer e regenerar a empregabilidade do país.

Reciclagem/rentabilização do meio (I)

Nos últimos meses muito se tem falado em crise finaceira/económica, na falência de empresas com o consequente aumento do desemprego, nas taxas de juro, no crédito mal parado, em Barack Obama, etc. Ouvimos debates atrás de debates, semanas após semanas, carregados de parcialidade política, envoltos em ressabiamentos que mais parecem uma matilha em que todos ladram e nenhum tem razão. Por vezes dou por mim a perguntar que futuro social nos está reservado?! Já me resignei, de certa forma, quanto às perspectivas económicas futuras. Mas o que eu não consigo "engolir" é a crise socio-política em que estamos enclausurados. Será que é tão dificil a humanidade entender que a recuperação económica só é possivel com uma modificação das nossas relações em sociedade e em política?! Estamos a atravessar um dos maiores desafios dos últimos cem anos e nem assim a sociedades procura sentar-se à mesma mesa para dialogar. Sim, dialogar e não monologar, que é que o que se tem feito em cimeiras disto e daquilo, e reuniões G 7, G 8, G 20, ou G não sem quantos.
À escala nacional o cenário é muito semelhante. Os debates na AR parecem debates dos parlamentos asiáticos, nos quais se fazem insinuações, insultos e ataques pessoais, como forma de mascarar a imcompetência governativa e de oposição (só falta partirem para a violência). Perdem-se horas na AR em discussões periféricas e azedas, deixando as questões centrais para segundo plano. A direita e a esquerda nunca estiveram de acordo em nada, muito menos estarão em ano de calendário eleitoral. A direita parece um deserto árido e seco. A esquerda parcece um mar dividido no qual se navega sem bússola.
Seria importante os políticos esquecerem um pouco as orientações partidárias e os estudos estatíscticos (que actualmente pouco espelham a realidade), e olharem à sua volta, sairem dos ministérios e da AR para começarem a percorrer o país de Norte a Sul e de Este a Oeste, para verem realmente onde estão os nossos problemas de base e as nossas esperanças (têm uma boa oportunidade quando começarem as campanhas eleitorais). Olhar global é ser-se justo e inteligente. Chega de centralismo capitalista. Seria importante pensar menos no dinheiro e mais nos recursos que temos ao nosso dispor para fazer dinheiro e sair deste fosso. Depois disso reunirem-se na AR com sentido de Estado, para conversarem sobre as soluções para o futuro, mandando pelo autoclismo todas as barreiras idelógicas que tanto ódio e ressabiamento têm gerado.

12 fevereiro 2009

Guns and stuff

gun street girl, Tom Waits

Contradições

«Igreja aceita homossexuais»

As religiões abraâmicas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo)tendem a aceitar o facto que alguém possa se sentir atraído por um elemento do mesmo sexo. Mesmo o Islamismo "afirma" que é natural "o desejo de homens por jovens atraentes" e que é visto como uma característica humana esperável. Contudo, proíbem a concretização carnal de tal desejo, ou seja, promovem a abstinência e condenam a consumação do acto homossexual. Impressão minha ou há nas hostes religiosas muito recalcamento de desejo sexual (ainda) não concretizado.

"Plasticomania"

O marasmo na atribuição de culpa

"A pior crise económica desde a Grande Depressão não é um fenómeno natural, [mas] sim um desastre fabricado pelo homem no qual todos tiveram a sua participação".

Uma pesquisa realizada pelos editores e jornalistas do jornal britânico "The Guardian" sobre os culpados (pelo menos os evidentes) da crise que se sente, culminou na elaboração de uma lista com 25 culpados. [Para um conhecimento mais aprofundando da lista com os "25 culpados" consulte o artigo original ou um artigo em português]

10 fevereiro 2009

"Quid pro quo"

Um amigo enviou-me a famigerada carta rogatória(traduzida) enviada pelas autoridades inglesas. A juntar a isso(não o facto de ter acesso à carta pois ela já é pública mesmo contra o segredo de justiça mas sim como ela está a ser divulgada "online") e a algumas "revelações" sobre políticos de políticos portugueses, sabidas assim de repente, leva-me a reconsiderar o peso de certas polémicas que andam no ar. Algo se sobressai: esta casta política está com as horas contadas, haja vontade de quem os põe "lá em cima" e que a verdade não seja escamoteada para que num futuro próximo algo, verdadeiramente, mude neste antro de ismos em que se tornou Portugal.

post scriptum: penso que há indivíduos "dentro" das polémicas que não se conformam, pelo menos assim dá para (des)confirmar certas suspeitas. Ora, pelo carácter sério e que não os permite fazer "olhos de mercadores" enquanto o "show" da desinformação continua ou possuem uma intenção maquiavélica de assalto ao poder. A ver vamos.

A "Recht" alemã

Ele:

-tem 37 anos;
-é jurista;
-tem como actividade principal as "relações internacionais";
-é barão(título nobiliárquico, não ladrão);
e chama-se Karl-Theodor Freiherr von und zu Guttenberg e é o novo ministro da economia da Alemanha. Portanto, um "novo" ministro em que a sua experiência económica provém-lhe da participação na gestão de uma empresa familiar e que vem representar a "direita" alemã, literalmente. Já é apontado, pelas suas características, como o lobby em pessoa. (Para saber mais pormenores sobre a caricata situação e correspondente pessoa clique aqui)

09 fevereiro 2009

Cada vez mais sinto-me com alguém de "esquerda", de uma "esquerda" diferente que está a emergir e a incomodar

maré alta, Sérgio Godinho

Um artigo de obrigatória leitura

«Está bem... façamos de conta» por Mário Crespo. (via Blasfémias).

Dar azo ao fundamentalismo (II)

Neste artigo de opinião na edição deste mês do jornal "Ecos de Basto" é exortado o "balanceamento" dos prós e contras da (mega)construção de cinco barragens para o Vale do Tâmega, previsto no "Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico". No entanto, o autor do artigo defende (como é legítimo) na sua opinião a ideia que a "Barragem de Fridão" é uma oportunidade. Na sua análise, o autor, baseia-se nestes argumentos:

1.«A barragem de Fridão, a construir no rio Tâmega, pela EDP Produção, próximo da cidade de Amarante, até 2016, terá uma potência nominal na rede de 250 mega watts e produzirá energia superior às necessidades da população dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto, Celorico de Basto e Ribeira de Pena»

Pois o objectivo primordial da construção da Barragem de Fridão é elevar o potencial de criação de energia hidroeléctrica. No entanto, somente para fins comerciais. Ou seja, a criação deste tipo de energia não estimula o "desenvolvimento sustentável" do país e muito menos da região. Para haver um "desenvolvimento sustentável" teríamos que apostar na eficiência energética (mais "barata" e mais ecológica). Portugal possui um potencial de "poupança" de energia em cerca de um terço dos nossos gastos energéticos, ou seja, desperdiçámos um terço da energia que consumimos. Porque é que o país não aposta em campanhas de sensibilização e promove planos de eficiência energética (em áreas como a construção de edifícios, indústria e agricultura etc.)? A título de exemplo, o presidente dos EUA, Barack Obama, no seu plano de investimento público prevê como estímulo económico o investimento público na área da eficiência energética, enquanto isto em Portugal o governo promove a displicência e nada faz para melhorarmos a nossa "factura energética".

A "criação" de energia a partir de barragens não é uma "criação" de energia "limpa" e renovável. No processo de criação de energia através de empreendimentos hidroeléctricos há a promoção do efeito de estufa (existem especialistas e estudos que apontam neste sentido), da perda de qualidade da água e da destruição do ecossistema. O que demonstra quão este tipo de energia é "suja" e "não-renovável" e não aquilo que nos querem "vender".

2.«Para além desta característica, que por si só é já muito importante, a albufeira abrangerá o território dos concelhos referidos, esperando-se que apareçam os empreendedores que façam deste projecto uma oportunidade para desenvolver as Terras de Basto.»

Uma oportunidade? Os empregos criados não irão servir os interesse das Terras de Basto, pois os empregos directos e indirectos criados na construção da Barragem serão temporários e "reservados" para as empresas de construção. Quanto a empreendimentos "à posteriori", nomeadamente relacionados com o Turismo, serão difíceis de se implementar. Pois, o Turismo em "albufeiras" para além de estar em "desuso" não são, por si só, apelativos. Teria-se de criar um outro tipo de apelo turístico. Mas estes poderiam ser criados sem a construção de "barragens". Veja-se o "boom" do ecoturismo e das vantagens (naturais) do turismo em rios selvagens, através de desportos radicais e planos turísticos baseados na qualidade ambiental. Contudo, não se "faz" uma barragem para se estar à espera de "empreendedores", porque o impacto de uma barragem na vida e na qualidade da população não é algo que se possa desprezar.

3.«Por outro lado, há muito tempo poderíamos estar a contribuir para a redução de emissão de CO2. Por isso, não sejamos fundamentalistas e procuremos tirar partido de todas as formas possíveis de criação de riqueza à volta deste empreendimento. .»

Mais uma vez, estudos académicos e vários especialistas apontam para uma significativa contribuição das barragens para o efeito de estufa. Nestes estudos, há quem afirme que certas barragens (nomeadamente aquelas que criam albufeiras extensas e pouco profundas) conseguem produzir tanto ou mais gases com efeito de estufa como centrais termoeléctricas movidas a carvão ou a gás natural. Neste caso, no Vale do Tâmega, Rui Cortes, professor de hidrobiologia da UTAD, refere que «"o Tâmega está altamente poluído. A albufeira de Fridão vai aumentar ainda mais essa poluição",» e destaca a acumulação de poluição nas albufeiras, responsável pela libertação de metano, um dos principais gases com efeito estufa.

Agora, como poderíamos tirar partido da criação de riqueza de empreendimento que irá destruir o ecossistema vigente, a qualidade da água e alterar a paisagem de um dos mais belos cursos de água do nosso país?

4.«Se temos no país um recurso natural magnífico, a água, e se temos uma orografia favorável ao aproveitamento desse recurso, através das barragens, o que se pergunta é: por que razão não aproveitamos anteriormente esta possibilidade? »

Reformulando: «Se temos no país um recurso natural magnífico, a água» e essencial à vida logo não o podemos tratá-lo deste modo. Como tal, o aproveitamento deste recurso através de barragens tem de ser muito bem equacionado. Contudo, para a preservação da água como bem essencial para a manutenção da vida, a construção de barragens deve ser evitado.

Dar azo ao fundamentalismo

«A Iberdrola vai construir, entre 2012 e 2018, quatro novas barragens que completam o desenvolvimento hidroeléctrico da Bacia do Douro. Segundo informação distribuída por aquela empresa o investimento rondará 1.700 milhões de euros e prevê a criação de 13.500 novos postos de trabalho directos e indirectos.» in [Ecos de Basto]

É comum na estratégia das empresas produtoras de energia, "lançarem" notícias propagandistas para captar a adesão da população (das áreas abrangidas pela implementação dos seus empreendimentos hidroeléctricos). Neste caso, não ponho em causa a veracidade dos números. Contudo, para um melhor esclarecimento deveriam afirmar o quão efémero é a criação de emprego neste empreendimento. Ou seja, estes 13.500 postos de trabalho são postos de trabalho "criados" na construção do empreendimento (engenheiros,trabalhadores da construção civil etc.), pois, actualmente, a maioria das barragens funciona com um ou nenhum funcionário (são operadas à distância).

Será que estas barragens criarão emprego no âmbito do Turismo? Não, à partida, pois o país está repleto de "albufeiras" desertas em que se "venderam" a ideia de que as barragens (e as consequentes albufeiras) impulsionariam o turismo.

Findada a construção, os postos de trabalho "a criar" desaparecerão tão rápido como brotaram de notícias para "instrumentalizar as populações" e assim ficaremos com estes "mamarrachos" como símbolos de tão apregoado desenvolvimento.

«O Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico prevê ainda a construção de mais seis barragens que virão a reduzir substancialmente a dependência energética do país, para além de contribuírem decisivamente para a redução de emissão de CO2 para a atmosfera.» in [Ecos de Basto]

Mais uma ideia "vendida" para a "instrumentalização da população". Existem estudos académicos que provam que as barragens constituem uma importante fonte de poluição aquífera e atmosférica. Segundo Rui Cortes, professor de Hidrobiologia da UTAD, neste caso (Vale do Tâmega) as barragens a implementar irão destacar a «acumulação de poluição nas albufeiras, responsável pela libertação de metano, um dos principais gases com efeito estufa».

Curiosamente, não se destaca a qualidade da água no Vale do Tâmega ao construírem cinco barragens (62,5 por cento de todas as barragens previstas no plano nacional de barragens), nem a alteração no microclima característico do Vale do Tâmega (que poderá influenciar a produção de vinho verde por consequência da acumulação de uma gigantesca quantidade de água neste vale) e muito menos a velocidade estonteante que este projecto (o plano nacional de barragens) está a ter. Mas, isto são apenas lamentações de um fundamentalista que só vê defeitos mas está numa contínua espera para que o peso dos pratos da balança (dos prós e contras) reverta.

Os Japoneses é que sabem se divertir...."povo doidão, né"

Uma medida "Sheraton"

«"Vamos reduzir as deduções fiscais dos rendimentos mais elevados com o objectivo de aliviar as contribuições da classe média", afirmou José Sócrates» in [JN]

O facto de José Sócrates afirmar que impulsionará a "justiça social", enquanto discursava num hotel de cinco estrelas no centro do Porto, não me desviará do conteúdo da mensagem.

Como a época eleitoral "muda" a mentalidade partidária

«O secretário-geral do PS prometeu ainda garantir, na próxima legislatura, o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, salientando que esta alteração "não é uma vitória de uma minoria, é uma vitória de todos nós porque o país e a sociedade ficarão melhor"» in [JN]

De facto, a descriminação continua. É interessante percebemos a lógica que "move" o partido socialista.Há pouco tempo atrás o partido socialista encarnado no seu líder parlamentar votou no continuar da discriminação. Agora, reina o discurso de clamação de votos (em última instância é o que sobressai) para que o país e a sociedade fiquem melhor.

06 fevereiro 2009

Leis orwellianas em prol do serviço privado

«5. Decreto-Lei que, no uso da autorização legislativa concedida pela Lei n.º 60/2008, de 16 de Setembro, procede à segunda alteração do Decreto-Lei n.º 54/2005, de 3 de Março, que aprova o Regulamento da Matrícula dos Automóveis, Seus Reboques, Motociclos, Ciclomotores, Triciclos, Quadriciclos, Máquinas Industriais e Máquinas Industriais Rebocáveis, e estabelece a instalação obrigatória de um dispositivo electrónico de matrícula em todos os veículos automóveis, ligeiros e pesados, seus reboques, e motociclos, bem como triciclos autorizados a circular em infra-estruturas rodoviárias onde seja devido o pagamento de taxa de portagem» in [Comunicado Conselho de Ministros]

Para além da discutível perda de privacidade que este Decreto-Lei implicará, digam-me (pois não compreendo) qual é a necessidade do legislador (neste caso o Conselho de Ministros) "criar" um Decreto-Lei para satisfazer as necessidades de um grupo de empresas privadas (concessionárias das auto-estradas) em detectar os prevaricadores dos seus serviços? Sendo assim, porque não pôr um chip em cada cliente(automóvel) de um supermercado(auto-estrada) para que este não consiga passar pela caixa(portagem) sem o devido pagamento (do serviço prestado)?

05 fevereiro 2009

Nada é linear

«Segundo o Telegraph.co.uk, o terramoto de 7.9 de magnitude que matou 80.000 pessoas na China no ano passado, pode ter sido despoletado pela mega barragem de ZiPingPu. A suspeita está a ser levantada por cientistas chineses e norte-americanos. Fan Xiao, que é o engenheiro chefe do Departamento de Geologia de Sichuan diz que é muito provável que a construção e enchimento do reservatório de 315 milhões de toneladas de água, em 2004, tenha levado ao desastre.» (ler mais)

Os países podem falir? Naturalmente que sim

«Os pacotes de resgate que visam escorar os mercados financeiros na Europa estão ficando cada vez mais caros. Uma preocupante depreciação da moeda é inevitável e falências de Estados não podem mais ser descartadas. Poderia a zona do euro também cair vítima da crise financeira global?» in [Uol Notícias]

Notícia a actualizar

O músico e poeta Pedro Barroso tem um concerto agendado para Cabeceiras de Basto.

A ler

Discutir o futuro "?submerso?" que a barragem nos reserva!

O sindicato da Ordem ou a Ordem do sindicato ?

O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, continua, na sua senda, para nos (re)lembrar quão é lamentável o seu corporativismo. Desta vez o bastonário está preocupado com a qualidade do novo curso de medicina a leccionar na Universidade de Aveiro. Em que se baseia? Veremos:

"os critérios de selecção, a preparação de base exigida aos candidatos a este curso, a importação de um método de ensino de países com uma cultura distinta da portuguesa e as dificuldades de selecção do corpo docente são indicadores profundamente preocupantes que poderão levar ao aparecimento de médicos com nível de conhecimento e qualidade de formação inferior ao desejável"

1."os critérios de selecção"

Estes critérios baseiam-se num sistema de acesso ao curso semelhante ao que se pratica em países como os EUA, Inglaterra etc. No caso do curso de medicina a leccionar na Universidade do Algarve, haverá uma primeira etapa de avaliação de aptidões cognitivas e uma prova de língua inglesa (algo que não existe no acesso aos outros cursos de medicina salientando uma exigência importante). Numa segunda fase haverá a um conjunto de dez entrevistas que visa reconhecer as aptidões para a prática de medicina (mais uma vez, não existe no acesso a outros cursos de medicina e que muita falta faz este critério).

2. "a preparação de base exigida aos candidatos a este curso"

Segundo este método de acesso os candidatos devem ser possuidores de, pelo menos, um diploma de licenciatura numa das ciências relacionadas com a saúde ou equivalente legal e a classificação mínima tem de ser 14 valores. Com este "tipo" de preparação já existe algumas centenas de alunos (pelo regime de acesso especial) a frequentar outros cursos de medicina em Portugal. Portanto, mais nada a dizer, para além, das vantagens que este "tipo" de alunos trazem serem óbvias.

3."a importação de um método de ensino de países com uma cultura distinta da portuguesa"

Sinceramente, não compreendo a preocupação. Qual método de ensino? O método que integra alunos com algum tipo de vocação para a "coisa" e com alguma experiência, pelo menos, académica em ciências da saúde?

4."selecção do corpo docente"

Como em outros cursos e em outras escolas é constante e legítima a preocupação com qualidade do corpo docente. Todos nós desejamos excelência no ensino.

5."poderão levar ao aparecimento de médicos com nível de conhecimento e qualidade de formação inferior ao desejável"

Não se preocupe senhor bastonário, porque já os há. Com o sistema "aprovado" pela Ordem e mesmo com o método de ensino e acesso ao curso mediante o que Ordem deseja. Provavelmente, será este o problema. Os "testes" de vocação seriam um grande empecilho.

Mas há mais. Como uma cereja pútrida em cima de um dantesco bolo de (menos boas) intenções, o bastonário presenteia-nos com esta "alegação" final(muito representativa do que defende para ele para os seus):

"não há qualquer necessidade de criar novos cursos de medicina em Portugal" e considera, por isso, "falsa a justificação para a criação do curso de Medicina da Universidade do Algarve"

Voilà, um momento de êxtase corporativista. Penso que este assunto já foi muito discutido e é bem aceite a necessidade de ser criar mais vagas e escolas (entre os plebeus, pois claro) devido à necessidade de se formar mais médicos, excepto a Ordem dos médicos e os seus "associados". Além do mais, qual o problema de haver mais médicos que o necessário? Pior, se fosse (e é) o contrário.

04 fevereiro 2009

Qualquer dia o ciclo para

A Grã-Bretanha, a Letónia, a Grécia e a Ucrânia são os países europeus em risco de falir.

A enorme dependência ao sector financeiro, as dívidas externas astronómicas, os índices de poupança ao nível mínimo, um consumismo desenfreado e um "peso" desmesurado da exportação na economia poderão conduzir estes países à falência.

Em outros tempos, como forma de pagar as suas dívidas e escapar à insolvência, os países imprimiam mais umas notas, expropriavam as propriedades da Igreja e dos grandes latifundiários, saqueavam os vizinhos, recusavam pagar as dívidas aos bancos mutuantes ou, simplesmente, executavam os prestamistas. Hoje, cria-se dívida para pagar a dívida.

01 fevereiro 2009

Tal como as tréguas que antecederam a invasão israelita, são as tréguas após a invasão que são ameaçadas pelo mesmo motivo (o levantamento do cerco)

«O Hamas afirmou que aceitaria uma trégua de longo prazo se as fronteiras da Faixa de Gaza fossem abertas. Por sua vez, Israel se recusa a ceder, argumentando que a medida facilitaria o contrabando de armas do Egito para os extremistas palestinos.» in O Globo.

Sobre os cerca de quatro milhões de portugueses que podiam estar a viver na pobreza se não dependessem dos subsídios do Estado, nem uma palavra

Ao que parece, o nosso mui ilustre e recto presidente da República reiterou o discurso de bom cristão ao criticar a Lei do divórcio. Legítimo, é a opinião pessoal dele (embora não a consiga dissociar das acções presidenciais que toma). Agora, associar, ou melhor, culpabilizar a Lei do Divórcio por gerar a maioria dos "novos pobres", é, no mínimo, uma afirmação infeliz.

Não compreendo a posição política dele em continuar, embora a lei já fora promulgada por ele, a criticar a lei. Continua, também, a tentar "sacralizar" o contrato entre o Estado e duas pessoas. O mesmo contrato que à luz das leis civis, se denomina como casamento civil, não presidencial e muito menos religioso.

Just black

los angeles, Franck Black

António Manuel Pina, uma opinião a ter em conta

Uma excelente observação, como é hábito deste senhor, que marca o descrédito, que a classe de governantes, pseudo-governantes e restante gang instauraram, na instutição Estado.

«A moral da história

João Pedroso teve os seus 15 minutos de glória mediática no processo Casa Pia ao lado do irmão Paulo, colega da ministra da Educação no ISCTE. Pelos vistos tomou-lhe o gosto, e volta agora à ribalta depois de contratar e cobrar por duas vezes o mesmo serviço ao Ministério da ministra. Tratava-se de fazer um apanhado das leis sobre Educação, coisa complicada de mais para os juristas do Ministério. Da primeira vez, cobrou e não fez o trabalho.

O Ministério, magnânimo (afinal o dinheiro não é seu, é dos contribuintes), encomendou-lho… de novo. E de novo lho pagou. E Pedroso de novo o não concluiu. Aí, o Ministério, em vez de, como é normal, lhe encomendar e pagar o serviço uma terceira vez, decidiu enfim rescindir o contrato. Só que Pedroso já embolsara 287 980 euros. Devolveu-os? Não. Devolverá… metade. A prestações. Entretanto, a Universidade de Coimbra lembrou-se de repente de que Pedroso tinha subscrito consigo um contrato (outro) de exclusividade… Está em curso o usual inquérito, mas não há-de ser nada. Histórias destas, em Portugal, acabam sempre bem, com o herói a casar com a rapariga.»

António Manuel Pina in Jornal de Notícias -31 de Janeiro de 2009