the piano, Pj Harvey
Tenho o pressentimento de que a próxima década será preenchida por uma grande instabilidade de valores sociais, políticos e religiosos. Uma instabilidade forte, que não se resumirá a greves, e motins de rua..., algo mais profundo e fracturante está ainda para chegar. A verdadeira crise ainda não se instalou.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu hoje aos países-membros que activem os seus planos contra a epidemia da gripe suína, depois de ter elevado para cinco o nível de alerta pandémico da doença, o segundo mais grave.
Há infecciologistas a dizer o seguinte:
"Esta vai ser uma gripe a sério! O Tamiflu® e as vacinas, que supostamente conferem protecção cruzada, são meros paliativos políticos para manter a população sossegada!"
Há planos de contenção desenvolvidos pelas autoridades para nos prepararem para uma hipotética pandemia pela "gripe das aves". Muitos destes planos eram apologistas do retiro de toda a população nas suas próprias casas, só sendo permitida a circulação a quem procurasse por cuidados de saúde ou géneros alimentares. Muitas empresas, inclusive hipermercados, também elaboraram planos que consistem em cabazes com produtos pré-definidos que são vendidos directamente num "drive in", de forma a não haver propagação da infecção. Universidades também já planearam o recurso ao e-learnig para a manutenção do ensino.
Resta a esperança de que isto não venha a ser necessário! Doutra forma, custa pensar que o mundo pode parar por mais de 6 meses, uma vez que existem modelos que prevêem dois períodos de surto em situações como esta.
Ontem, ascendeu ao cume do Manaslu, nos Himalaias, a 8163 metros de altitude. Concluiu dessa forma, a décima segunda montanha com mais de 8000 metros, sem recurso a oxigénio. Existem quatorze montanhas no mundo com mais de 8000 metros de altitude, e apenas nove alpinistas conseguiram ascender a todos os cumes, sem oxigénio. João Garcia está a caminho de íntegrar este restrito lote de alpinistas.
Contudo, a imprensa desportiva não soube sequer dar-lhe o devido valor . Hoje dei uma leitura rápida pelos jornais: O Jogo e o Record; no primeiro não li sequer referência ao feito de João Garcia, e no segundo, vem uma pequena referência noticiada na última página. Corrijam-me se estiver errado.
Talvez por ser um desporto de minorias, que interessa a poucos, que não dá dinheiro, nem status, nem boa aparência física.., mas que certamente dará outras coisas. E João Garcia deve sabê-lo bem, as coisas que o fazem mover e não desistir de um desporto tão arriscado, desgastante e exigente. Certamente será mais do que físico. Certamente será na espiritualidade que o alpinismo seduz os seus "amantes", na sua ausência da materialidade que reina pelo mundo fora. Talvez porque o Alpinismo seja uma forma de estar na vida, humilde e, um estado de espírito de maior elevação, um outro tipo de Valores.
"Várias esquadras do país estão a impor "números-base" de detenções a fazer até ao fim do ano. Os polícias queixam-se de que assim só trabalham para as estatísticas. A Direcção da PSP prefere falar em prevenção da criminalidade. " [in JN]
«O nosso Estado convive mal com a Igreja e com a santidade» in [JN]
Nesta entrevista é exposto o seguinte conjunto de palavras: «O cardeal patriarca de Lisboa admite, contudo, o valor de Nuno Álvares Pereira enquanto guerreiro, até porque soube "sê-lo com critérios cristãos", impedindo "violências escusadas" e abusos dos soldados». Não querendo argumentar em terreno alheio mas se a Igreja funcionar como um Estado então, pretensamente, será regido por uma constituição o que no caso religioso se poderá, a grosso modo, comparar com os «Mandamentos de Deus». Ora, uma destas regras dogmáticas (ou constitucionais na nossa laicidade estatal) será «Não matarás». Uma regra interessante e deveras humanista.
Portanto, tentar explicar a santidade de um guerreiro afirmado que este soube impedir «violências escusadas» é uma incongruência constitucional (dogmática). Isto leva-me a acreditar que no círculo religioso haja violências que sejam necessárias e que estas se incluam no regulamento interno dos que matam com «critérios cristãos». Gostaria que quem fosse mais iluminado nas leis de deus e eclesiásticas tentasse explicar-me como se guerreia com «critérios cristãos»? Certamente, não será com a difusão do respeito mútuo e da constituição de deus.
Depois digam que o Estado "dá-se mal" com a Igreja e com a sua "santidade".
«O secretário-geral do PCP acusou hoje o Presidente da República de se limitar «a passar conselhos e atestados», esquecendo as suas responsabilidades pela situação do país, em resultado das suas políticas enquanto primeiro-ministro.» in [Diário Digital]
Não sou um apologista da «penalização eterna» (a possibilidade de errar é, ainda, uma característica de uma certa liberdade). A sapiência de Frei Tomás ainda reina na política portuguesa. E o seu maior símbolo (a instituição Presidente da República na pessoa de Cavaco Silva) continua a divulgar a sabedoria do famigerado frei nos seus discursos. Pois, para quem tem a função de «alertar» e «harmonizar» a política e o acto de governar em Portugal, a responsabilização aparenta ser algo de difícil trato quando a função de «alertar» e «responsabilizar» implique a sua pessoa. Há quem veja nisso um teste de humildade liminarmente "chumbado".
Estive presente na exibição do filme/documentário "The End of Suburbia", em Mondim de Basto. Uma sessão interessante que impulsionou a exposição de pontos de vista individuais sobre questões comuns (umas apresentadas no filme outras apresentadas pela audiência). Saí de lá com o reforço de certas posições e assumpção de outras. De certo modo, este foi um acontecimento que me enriqueceu e que espero que se repita. Parabéns a quem o organizou e promoveu.
«Desde a primeira hora esteve associado à nossa luta no Tâmega e sempre pronto para o que houvesse a empreender. O seu exemplo fica na memória de quem o conheceu pela coragem e pela firmeza de posições ante a maior das adversidades. O vazio que deixa entre nós não tem reparação e a sua partida súbita do nosso encontro é sentida como um membro muito próximo da nossa família.» [José Emanuel Queirós]
Tal como o Vítor, tive o prazer de conhecer Valdemar Abreu numa breve incursão que fez por Cabeceiras de Basto. Conversámos e de imediato apercebi da sua maneira de estar e, principalmente, da sua maneira de pensar. Um "estilo" que não é comum (infelizmente) por estas terras. Por isso, e não só, com o sentimento que brota destas situações, faço assim a minha consideração a um Homem que viveu da e pela Terra.
CONVOCADOS A CUMPRIR ABRIL PELOS CONCELHOS DO TÂMEGA
Enquanto o tempo não abranda a marcha e não há forma estudada de evitar a sua erosão, o dia que hoje passa é feriado nacional no meu país.
A Primavera corre cíclica sem repetir outros Abris, e já somam 35 os anos sobre o fim das ‘conversas em família’.
Há mais gente a viver em Portugal e no mundo, mais de tudo, mas há menos Homem no viver por todo o lado que vejo, menos conversas e menos família.
O céu está encoberto por nuvens de tons inofensivos de que eu não gosto, apesar de algumas abertas que não deixam ver o sol, e já esteve mais ameno em Março. O vento, embora brando, sopra que parece querer cortar a alma aos inocentes com flores de jardim ao peito.
Não sei exactamente o que falhou, hoje que é sábado e é dia 25 deste Abril, se foi o tempo ou se foram as previsões dos homens, porque a meteorologia anunciava quedas de granizo.
Gosto das flores silvestres que despontam nos campos de verde viçoso, dos tons da urze, da giesta e da carqueja a florir nos montes, sorrindo para mim com alegria da vida que se faz plena ao sol-pôr. Também gosto das flores de jardim, mas exigem mais cuidados do que a natureza dá, e sucumbem mais às vaidades, às tradições e ao gesto irreflectido de quem passa.
Afastado da sombra de Amarante no rumo de Basto, depois de evitar Cabeceiras ofegante, pelas alturas da Cabreira, subido a Riodouro ao lugar de Moscoso, lá para os confins de Nariz do Mundo a ver terras de Montalegre, onde o tempo mais compassado usa outros mecanismos de contagem, respirando a pureza dos finos ares da serra tem valor verdadeiro o sopro da liberdade que ainda não desceu a encosta.
Se em cada um há consciência de haver um Homem novo e se em todos se projecta a esperança de emendar a revolução frustrada e os erros, tanto basta para termos outro Tâmega e fazermos desta terra outro país de novos Homens noutro Abril.
25 de Abril de 2009, José Emanuel Queirós
“ Salvem o Quilhão” ( parte 2 )
Engraçado, como eu , que senti a sensação de ter sido progressista, quando escrevi o artigo intitulado “ Salvem o Quilhão”, passei ,num ápice, para alguns, para o rótulo de conservador , de retrógrado, de alguém que é contra o progresso, contra o desenvolvimento.... Por ter tido a coragem de exprimir publicamente aquilo que sentia? Por me “despedir” do meu Rio, recordando o tão importante que ele foi para mim ao longo do meu crescimento como pessoa e como cidadão?
Desse sentimento expresso, qualquer bom entendedor perceberá, que se tratou, tão só, de um preâmbulo à mensagem que pretendia transmitir.
Por me ter dado ao “trabalho” de estar atento, de ler, de estudar, de participar nos debates sobre o tema da barragem de Fridão; de ter estado em contacto com professores universitários para tentar aprender mais, para tentar perceber o que vai implicar a mudança que se perspectiva para a minha terra ?
Por achar que (tal como a canção ) : “ para melhor,... está bem, está bem!..para pior, ....já basta assim! ? Engraçado, de facto! Para mim, ser conservador é outra coisa. Para mim, ser progressista é também outra coisa. E para que conste, afirmo que das duas filosofias ou concepções, partilho ideais. Vamos por partes:
1- Não considero que a albufeira que se vai formar pela barragem que está programada para Fridão, e que afectará Mondim, seja uma mais valia para a minha terra em nenhum dos aspectos que, implicitamente, estão em causa como sejam: a alteração da paisagem, a alteração (para pior )da qualidade da água do Tâmega e a consequente alteração ( para pior) na qualidade de vida das populações. Se isto é ser conservador, então eu sou conservador.
2- Para chegar a tal conclusão ( até prova em contrário..), dei-me ao “trabalho” de estudar, de visitar locais, de ouvir, de ler...
3- Em abono da verdade, cada um ouve ou lê o que quer; cada um interpreta como quer; cada um acredita no que quer. Eu acredito no que disse. E até prova em contrário, não embarco em interesses partidários ( porque não sou filiado em nenhum partido), em interesses económicos ou, mais importante ainda, em aceitar as mudanças sem sentido crítico.
Porque não gosto de ser como que mais uma “ovelha” dentro do rebanho, que tudo aceita, que tudo acha como inevitável quando vem de cima. E porque considero que, enquanto cidadão, tendo direitos e deveres, não abdico deles quando estão em causa questões tão importantes como seja, no caso em apreço, a maior alteração física (e por conseguinte ambiental ) que a minha terra vai sofrer nos 48 anos da minha existência. Não represento, além da minha pessoa, nada nem ninguém.
Sou simplesmente um mondinense, não filiado em nenhum partido político, mas que considera que em democracia não são só os partidos políticos que têm direito a ter opinião nem tão pouco os governantes, sejam eles ao nível nacional, regional ou local.
Mal está a sociedade, quando a democracia se reduz a tão pouco.
Texto escrito em 24 de Abril de 2009 e retirado de O Chato e de Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega.
Apeteceu-me escrever hoje, sem tudo... ; sem assunto, sem imaginação, sem vontade, sem liberdade, sem sentido…, com nada.
Não acredito no “nada”, porque se o houvesse, não estaria a escrever. Não o conheço, receio-o. Não tem género, nem cor, nem cheiro, nem sentido.
Com vida não há, “nada”. “Nada”, é o que não conheço nem vou conhecer.
É cruel quando somos ignorados, porque sentimo-nos como “nada”. Sem significado.
Com “nada”, não há nada. Sem “nada”, há vida. Sem vida, há o “nada”.
Com guerra, amizade ao “nada”.
Contra “nada”, guerra eterna. Com guerra, ganha o “nada”.
O “nada”, perde agora e depois, mas não sai derrotado.
A nossa guerra é com “ele”, e a eventual derrota também.
Depois de “nada” chegar em vida, combatem os vivos, para que nunca seja o “nada”, a vencer .
Vencem aqueles que no “nada”, são lembrados pela vida.
Do “nada”, nasce a vida, e enquanto assim for, perde a guerra, quem na vida ignorar o “nada”, sem fazer nada.
Enquanto vivo não quero “nada”… depois de morto, só desejarei o “nada”, se em vida, nada fizer pelo sentido do “mesmo”.
Ontem tive um prazer imenso em estar presente na celebração, organizado pela ADBASTO, dos valores de Abril. Lá, a experiência e a voz de muitos, da esquerda à direita política, se impunham contra o estado "cabresto" da nossa democracia(?). Contudo, o "remédio" está à nossa porta.
Para "memória futura", um dos excelentes discursos orados naquela noite: 2009. 25 DE ABRIL , Ilídio dos Santos.
Em Mondim de Basto, no próximo dia 26 de Abril, pelas 16:00 Horas, no Café Arcádia (Sousa), haverá uma projecção de um filme intitulado, "The end of suburbia", com a respectiva sessão de discussão informal.
Um evento, muito interessante e pertinente (o que me "obriga" a adjectivar de elevado interesse público), levado a cabo por um grupo que se denomina como "Grupo Transição Mondinense" (pelo menos provisoriamente).
Mais pormenor em: Casa do Eiró e mondim:leituras.
«O Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, José Vieira da Silva, preside, hoje, à sessão de inauguração do novo edifício do Centro de Emprego de Basto, no Arco de Baúlhe. A infra-estrutura, que vai servir Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e Ribeira de Pena, abrange uma população residente de aproximadamente 56 mil habitantes» in [Diário do Minho]
«Emocionar-se perante um quadro, contemplar a beleza do espaço e partilhar sentimentos e experiências com os demais visitantes... Tudo isto é possível no Núcleo Museológico do Baixo Tâmega, em Cabeceiras de Basto, onde ‘vivem’ peças de valor patrimonial inestimável.
Um lavatório, exemplo do trabalho Rocaille/Rococó, o conjunto escultórico de S. Bento e Santa Escolástica, representando o Barroco, e a ‘Alegoria à Imaculada Conceição’, um óleo em tela de Francisco Correia, são algumas das peças de grande beleza que podem ser apreciadas neste núcleo» in [Correio do Minho]
Este é um importante espaço museológico centrado em Cabeceiras de Basto, o Núcleo Museológico do Baixo Tâmega, que convida o cidadão a (re)conhecer a história e o património que emana daquele sítio e desta terra milenar. Com certeza, um espaço a visitar e, principalmente, a conhecer.
«[Autarcas] Pagam multas privadas com dinheiros públicos»
Esta é a notícia que "faz" capa na edição de hoje do Jornal de Notícias. Uma notícia interessante e curiosa, pois já faz parte do imaginário comum, a grosso modo, o modo tosco e por vezes indevido como "gestores" (e gestores) públicos utilizam o dinheiro público. Porém, no desenrolar da notícia, é-nos apresentado duas medidas sobre o mesmo assunto, em que uma delas é mais contundente e apropriada à situação:
Uma "fonte" do Tribunal Constitucional afirma que «"(...)as multas têm uma natureza pessoal, pelo que utilizar o dinheiro público para o seu pagamento configura uma infracção grave"». Asseverando que os gestores públicos que recorreram a esta prática ilegal poderão ter de devolver o dinheiro pago pelo orçamento do serviço mas (...)"sem prejuízo das demais responsabilidades a apurar noutros foros, nomeadamente no foro criminal". Ou seja, o gestor prevaricador irá devolver o dinheiro utilizado indevidamente sem que isto implique a sua desresponsabilização perante a questão judicial.
Contudo, contactado pela agência Lusa, fonte do Ministério das Finanças referiu desconhecer as situações concretas a que o Tribunal de Contas se refere, mas garantiu que a "(...)haver utilização indevida de dinheiros públicos, haverá lugar à sua reposição por parte dos gestores". Ou seja, uma abordagem mais simples que impõe a devolução do dinheiro (indevidamente utilizado) mas que esquece, podendo alegar a falta de competência (pois o MF não é um tribunal nem uma colecção de juízes) ou a falta de informação na notícia, a responsabilização do gestor prevaricador.
Nesta análise da notícia a alusão feita é, sobretudo, uma alegoria à notícia e às entidades descritas. A meu ver, a penalização seria simples e objectiva. O gestor prevaricador era obrigado a devolver o dinheiro (indevidamente utilizado), destituído do cargo público, imediatamente, e indiciado num processo judicial.
«Os bancos fizeram «disparar» o valor da margem financeira que somam à taxa de juro, o conhecido spread, com agravamentos quase mensais, em alguns casos de mais de 30% e para valores acima dos três pontos percentuais. Resultado: se o cliente não passar na avaliação de risco do banco e só conseguir contratar os spreads máximos ficará a suportar, em alguns bancos, juros acima de 5%. Isto numa altura em que a média da Euribor a seis meses (a taxa de juro mais usada) está nos 1,7%.» in [Agência Financeira]
Este espaço colectivo contará, a partir de hoje, com um outro "camarada" de escrita. Sérgio Teixeira é o nome do "insurrecto" que, para além de inconformado e cabeceirense, é um companheiro e amigo de uma outra luta. Em breve, os escritos de Sérgio Teixeira.
«Ao contrário do projecto de lei do Bloco, a proposta do governo só prevê o acesso às contas bancárias "em caso de suspeitas fundadas" de haver enriquecimento ilícito, sem se dizer quais as origens destas suspeitas. Neste caso, ainda segundo a proposta do governo, caso haja um enriquecimento patrimonial injustificado, de valor superior a 100 mil euros, sem correspondência com os rendimentos constantes das declarações fiscais, o Estado taxa este aumento patrimonial em 69%» in [Esquerda.net]
Um exemplo muito "exemplar" de como devaneios eleitoralistas se materializam em leis. Já agora, o prevaricador fica com 31% do enriquecimento ilícito e Estado partilha o "saque"? E a condição «de valor superior a 100 mil euros»? Ridículo. Há esquemas mais complicados de "lavar dinheiro".
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses, festejou, hoje, sessenta anos de serviço à comunidade de Cabeceiras de Basto. Uma casa onde estou há vários anos e continuo, dentro do possível, a participar nesta instituição que se apresenta como uma escola de vida e, principalmente, de cidadania. Sem dúvida, uma associação de homens e mulheres dinâmica e necessária. Parabéns.
Tenho lido por aí, lamentos e murmúrios sobre a eventualidade de que as "grandes fortunas" fujam do país provocando uma pobreza evitável devido ao levantamento do sigilo bancário (entre outras medidas) que foi aprovado ontem, na generalidade, na Assembleia da República. Insurgem-se, os menos apologistas (digamos assim), apoiando-se no argumento que, com a crise actual, a necessidade de liquidez nos bancos é imperativa e, portanto, a fuga de capitais seja indesejada e contra-producente. O argumento (pelo menos é o que sobressai) defende a necessidade de liquidez mesmo na ilegalidade e, tendo em conta, o histórico dos nossos bancos na transferência de capitais para "offshores".
Podemos, simplesmente, alegar que a "fuga de capitais" já acontece(u) como forma de "evasão fiscal" ou outro tipo de acto ilegal (sem qualquer "encosto" de quem, por direito e dever, deveria fiscalizar e a legalidade impor) para legitimar o levantamento do sigilo bancário.
Se estas "fortunas" cá estão e se assustam com a possibilidade de serem investigadas (ainda que seja prematuro discutir o âmbito deste projecto pois só em comissão parlamentar saberemos os pormenores da sua utilização), em hipótese de evasão fiscal, e que possam ser transferidas para outro país, torna esta transferência numa clara assumpção de culpa por parte do detentor ou dos detentores. É simples e claro, podem afirmar que é inversão do "ónus da prova" mas não esqueçamos do que estamos a tratar: dinheiro. O que, segundo a gíria economicista, não tem nem cor, nem nome e muito menos personalidade.
Porém, cabe agora aos legisladores proteger a privacidade inerente ao(s) titular(es) da conta a investigar, de incursões despropositadas e inconstitucionais. Pois, uma coisa é o direito à privacidade do, eventual, investigado outra é a protecção (legislativa) do acto ilegal de evasão fiscal.
Só não percebo, tal como Saldanha Sanches, porque a proposta de levantamento do sigilo bancário foi aprovada apenas para o caso das variações patrimoniais superiores a 100 mil euros.
Para concluir, fica o exemplo da "não indignação" quando os visados (do levantamento do sigilo bancário) são os mais pobres dos pobres.
«Na bancada do PS ninguém dá a decisão como certa, mas esta manhã, depois de uma reunião entre os deputados, a maioria socialista deve anunciar o voto favorável ao levantamento do sigilo bancário(...)O levantamento do sigilo bancário é uma das sete propostas que são, esta quinta-feira, apresentadas pelo Bloco de Esquerda como forma de combater a corrupção e a evasão fiscal.» in [TSF]
Por transitividade: via Partilha do Saber que, por sua vez, via (Re)lexões.
«Portugal tem dois milhões de pobres, diz Banco de Portugal
Um estudo do Banco de Portugal debruçou-se sobre a pobreza no país no período 2005/2006. A conclusão vai ao encontro de outros trabalhos semelhantes e revela que um quinto da população é pobre, um número que inclui 300 mil crianças. Os idosos e as famílias afectadas pelo desemprego são particularmente vulneráveis.»
«Economia portuguesa vai contrair 3,5% este ano
O Banco de Portugal apresentou nesta terça feira o seu Relatório de Primavera, corrigindo as previsões para a evolução da economia portuguesa feitas em Janeiro. Em apenas três meses, as previsões do Banco Central sofrem uma drástica alteração: o PIB vai diminuir 3,5% (a maior quebra desde 1975) e o investimento e as exportações têm quebras superiores a 14%.»
seeing hands, Dengue Fever
tiger phone card, Dengue Fever
Um aglomerado musical de obrigatória escuta: Dengue Fever
O trabalho de Inês Gonçalves, uma jovem arquitecta cabeceirense, foi publicado e intitula-se "Moinhos de Cabeceiras de Basto - apontamentos de conservação". Um trabalho meritório em que a autora propôs-se a identificar 380 moinhos presentes no património cabeceirense. No "lançamento" do livro atrás citado, transmitiu-se que Inês Gonçalves continuará a identificar o património cabeceirense. Um exemplo a repetir.
«Paulo Rangel já tem o calendário definido para a eventualidade de ser a escolha de Manuela Ferreira Leite para cabeça de lista do PSD às europeias.» in [Expresso]
Na sua característica «espera» pelo momento certo, Manuela Ferreira Leite está na iminência de declarar como «cabeça de lista» para as eleições europeias o presidente da bancada parlamentar do PSD, Pedro Rangel. Um nome considerável e, de um certo modo, consensual. Contudo, continuo a não entender a proliferação de cartazes da «líder laranja» no prelúdio das eleições europeias. Provavelmente, é um acto que se estranha para num momento posterior se entranhar.
«A falta de magistrados do Ministério Público nos tribunais do interior do país tem levado ao adiamento de julgamentos e à interrupção e prescrição de processos-crime. Esta situação vai ser agravada com a entrada em vigor da reforma do mapa judiciário(...)Na área da Procuradoria-Geral Distrital do Porto há um total de cerca de dezena e meia de lugares que ficaram vazios, tendo também piorado a situação face à que existia anteriormente. Cabeceiras de Basto, Moimenta da Beira, Castelo de Paiva, Baião e Celorico de Basto são alguns dos tribunais que não terão procurador.» in [Público]
“Levar um livro no bolso ou na mochila, particularmente em alturas de tristeza, é estar em posse de um outro mundo, um mundo que pode trazer-nos felicidade.”
Alexandre Vaz, ilustre cidadão cabeceirense, elaborou um texto que descrevia, com a precisão que a ironia e a realidade nos proporcionam, o statu quo do ser e viver nesta terra.
Contudo, estes escritos, como em voga está, foram considerados "impróprios" pelo poder local. De referir, que um político ou entidade política possui uma "blindagem" legislativa que promove a liberdade de expressão e de actuação do eleito local. É compreensível e defensável esta situação, pois, por vezes, os eleitos no exercício das suas funções têm que enfrentar poderes, interesses e interesseiros em muito superiores à sua personalidade política.
Para compreenderemos bem a situação (nesta e em outras terras), basta analisarmos o texto em causa e reflectirmos se há ou não matéria injuriosa. De realçar, que a relação de forças entre o cidadão que opina e o poder local que se ofende é extremamente desproporcional. Pois, o cidadão comum não está legalmente "blindado" e contra si ocorre um poder económico, politico e de influência incomensuravelmente superior. Por vezes, o processo é a sentença.
Na senda para uma plena democracia, a opinião livre, responsável e não só, terá que inserir-se no conceito democrático. Restringir ou tentar intimidar a livre opinião é atentar contra o bem democrático. E isto é atentar contra os valores basilares da nossa existência, ou seja, atacar todo o cidadão, sem excepção.
Apesar de não acompanhar a série, enquanto fazia zapping ao meu televisor, o início do episódio de domingo despertou em mim particular interesse, e porquê? Porque nesse episódio a família central da série encontrava-se de viagem desde Lisboa até à aldeia dos seus familiares. O que achei particularmente engraçado, foi a excelente encenação que fizeram quando os filhos da família central da novela, uma criança e dois adolescentes, chegaram à aldeia, ficando estupefactos pela diferença entre os modelos de vivência da capital, na qual viviam e, da aldeia que até então nunca tinham conhecido e com a qual tinham acabado de estabelecer contacto.
Pode parecer estranho para os jovens da minha geração e das que se seguiram, mas, há 40 anos muitas aldeias não tinham electricidade, as suas casas eram iluminadas a candeias de azeite ou petróleo; não haviam casas-de-banho propriamente ditas nem água quente para tomar um simples duche; os alimentos eram cozinhados no pote à lareira, ou no forno a lenha; as mulheres lavavam a roupa à mão nos ribeiros e nos tanques de granito; algumas crianças mal sabiam ler e escrever brincando com paus e pedras; ir à missa era obrigatório; os jovens trabalhavam na lavoura depois de concluírem o ensino básico (4ª classe), ou mesmo, nunca estudando, ficando analfabetos toda a vida; outros, davam o “salto” para França (emigravam) ou “fugiam” para as cidades em busca de melhores condições de vida, e outros, ainda, obrigados pelo regime, tinham de cumprir serviço militar sujeitando-se à Guerra Colonial em terras de ultra-mar.
Passados alguns dias (minutos na série), os três filhos da família depressa se habituaram à falta de conforto da aldeia dos seus avós, entregando-se de corpo e alma à alegria e à felicidade da vida rural, ao cheiro a estrume, à retrete, à ausência de ruído e à sachola…
Foi mais ou menos este retrato que o episódio de Conta-me como foi ofereceu aos telespectadores.
O que me despertou o bichinho da escrita, foi o facto de hoje em dia, ainda se observar, embora forma mais amenizada, este tipo de contrastes e situações. Quero com isto dizer, que, apesar dos meios de comunicação permitirem uma maior proximidade entre o rural e o urbano, muitos contraste se têm mantido quase inalterados. Bom e mau, quando analisadas várias perspectivas. Se por um lado esta ruralidade permite manter uma identidade do passado genuinamente portuguesa, com o seu marco histórico de um regime fascista e do seu atraso civilizacional, o que é bom para relembrar o atroz legado salazarista, por outro, o tempo parece ter parado no que diz respeito aos modelos de vida, ao isolamento cultural, aos baixos índices económicos e educacionais, que muito frequentemente se tornam focos de pobreza e de problemas sociais graves. Muitas destas aldeias, já com poucos habitantes e essencialmente na faixa etária da 3ª idade, embora estabelecendo breves e pontuais contactos com o mundo urbano, mais modernizado, têm uma incapacidade, por si só, de evoluir para melhores condições de vida mantendo essa mesma identidade. Esta incapacidade em muito se deve à própria “preguiça” de adaptação aos novos tempos por parte dos aldeãos, e principalmente, às políticas despreocupadas do nosso País, no que diz respeito ao investimento educacional e sócio-económico que deveriam ter sido dadas a estas pessoas. A mescla entre o rural e o urbano pode ser o fim desta identidade genuína, porque quem habita estas aldeias, contactando frequentemente com os meios citadinos, depressa se rende aos vícios urbanos e, tão depressa as “destrói” nos seus costumes, tradições e estética arquitectónica, como as abandona sem olhar para trás. Faltou e falta essencialmente um suporte educacional forte para que esta mescla seja harmoniosa e rentável, para que as aldeias perdurem no tempo, para que os seus habitantes possam alcançar melhores condições de vida mantendo os seus usos e costumes e reciclando ou adaptando os mesmos aos novos tempos.
O mundo rural tem imensas potencialidades por explorar. O nosso País tem capacidade (tanto na oferta turística como gastronómica e de produtos tradicionais) caso houvessem e hajam outro tipo de políticas, menos centralistas, mais direccionadas para a educação e para o desenvolvimento sócio-económico, assim como, uma maior abertura e vontade para a mudança por parte de quem as habita.
Várias medidas podem ser tomadas: a mais importante seria acabar com o analfabetismo (não apenas no sentido literal da palavra, mas também no sentido da ignorância), embora reconheça que seja impossível a curto prazo, a médio e a longo prazo é uma aposta possível e altamente rentável. O País político e social terá de procurar as condições para reabitar o mundo rural, até porque, hoje em dia, com automóveis e estradas alcatroadas em quase todos os cantos, viver na aldeia não é estar isolado, mas antes, viver com qualidade e em harmonia com a natureza. Actualmente, os aldeãos necessitam de orientação e de uma voz de comando que os encaminhe. As autarquias e aqueles com capacidade empreendedora (que em tempo de crise são poucos), são quem tem poder de impulsionar esta reabilitação urgente, através de suporte logístico e de investimento. O reforço do sentido comunitário dentro da própria aldeia (que sempre existiu neste meios por força dos laços de vizinhança e de interdependência), na tentativa de construção de um tecido produtivo seria, na minha óptica, uma excelente aposta. A agricultura biológica, a produção animal, a produção de têxteis e tapeçarias, a oferta dos rituais festivos e de romaria, a oferta gastronómica regional, de albergue e turismo rural, assim como, publicitação pelas entidades competentes…, são exemplos daquilo que poderia ser desenvolvido em parceria pelos aldeãos, autarquias, empreendedores e promotores turísticos. Há dias, no Pensar Basto, o Carlos Leite abordou também esta temática e uma hipótese não descartável, a de integrar algumas habitações numa rede de apoio social aos idosos doentes e/ou dependentes nas suas necessidades humanas e actividades de vida diária. Contudo, é primordial contribuir de forma melhorar as condições habitacionais, tanto para o conforto, como para recuperar um pouco da confiança perdida pelos seus residentes, que durante anos a fio caíram no esquecimento de alguns e, na “armadilha” exploratória do “Chico-espertismo” de outros, em consequência do capitalismo neo-liberal e do seu individualismo inerente. Porém, há que melhorar com bom senso, com sentido estético e de preservação patrimonial, cumprindo as leis de urbanismo e ordenamento territorial. Será importante melhorar não só no interior e exterior das habitações, mas também, os arruamentos e infra-estruturas básicas (rede eléctrica, água, saneamento básico, etc), porque, se há dinheiro para construir bairros sociais na urbe para pessoas socialmente desfavorecidas, e para pessoas que definitivamente só são socialmente desfavorecidas porque se viciaram nas irresponsáveis políticas sociais do nosso país, também há-de haver dinheiro para estas pobres pessoas, cujo tempo não lhes propiciou igualdade de oportunidades nem lhes ensinou outro modo de vida que não o "do suor da enxada" para a sua subsistência, esperando a morte num silêncio entristecido.
Em Portugal, há bons exemplos relativamente a esta matéria. Que haja vontade para segui-los e, se possível, fazer ainda melhor.
Não é comum abordar a temática futebolística nos artigos que escrevo, até porque, definitivamente, há temas bem mais urgentes e importantes para serem discutidos na blogosfera que não o futebol. Contudo, não resisti em abordar esta situação que me parece caricata. Deixando de parte as minhas preferências clubisticas, e que muito provavelmente me vão valer uns quantos comentários azedos (estou eu já à espera disso), parece-me um pouco ridículo que o jornal desportivo – Record, no dia após a fantástica exibição do FC Porto frente ao Manchester United, em Old Trafford, que carimbou um empate e a qual mereceu elogios por parte dos mais variadíssimos comentadores desportivos e imprensa estrangeira, deixando em muito boa posição a equipa portuguesa para uma eventual passagem às meias-finais da Champion´s League, tenha o desplante de editar na primeira página como notícia de destaque (ocupando uns aproximados 60% da página), a eventual relação tremida entre a direcção do Sport Lisboa e Benfica e o treinador da equipa principal de futebol, Quique Flores. Por sua vez, o destaque para o jogo supracitado mereceu apenas uns aproximados 15% da página. Parece-me evidente o peso que cada uma destas notícias tem para o panorama desportivo nacional. A ideia com que se fica é que, ou o FC do Porto não é uma equipa portuguesa, e que estar ou não estar nos quartos-de-final da Champion´s para pouco importa para o panorama desportivo e futebolístico nacional. Ou então, que jogou contra uma equipa vulgar, que por sinal é a actual vencedora da Premier League e da Champion´s, com um orçamento 12 vezes superior a qualquer um dos nossos três grandes, e que se dá ao luxo de ter no banco de suplentes nomes como Ryan Giggs, Anderson, Nani, Tevez e Gary Neville. Para não falar dos habituais titulares, nomes como Van Der Sar, Vidic, Evra, Wayne Rooney, Paul School´s, e ainda, o melhor jogador do mundo segundo a FIFA, português – Cristiano Ronaldo.
É bom lembrar aos mais fanáticos, que é às custas de bons resultados europeus que se acumulam pontos a fim de garantir a presença de equipas portuguesas nas competições europeias nos anos seguintes. Independentemente de se gostar ou não do sucesso do FC Porto a nível nacional e europeu, penso que o Record deveria ter tido outra postura na edição deste número.
Apesar disto, também não me espantaria, em absoluto, que se o Sport Lisboa e Benfica ou o Sporting CP estivessem em situação e posição semelhante à do FC do Porto, o jornal desportivo – O Jogo, adoptasse a mesma facciosa e ridícula postura. E assim se vai fazendo imprensa desportiva em Portugal, recheada de parcialidade, que apenas serve para alimentar fanatismos e más relações com os clubes de futebol, e acima de tudo, com outras actividades desportivas, que muito muito raramente merecem destaques “em bruto” na primeira página.A.Meirelles no seu blog Tudo Crítica, foca um assunto muito interessante: a formação de cursos e os cursos de formação em Cabeceiras de Basto. Um assunto a merecer destaque, pois é identificado em outros concelhos os mesmos problemas: a rotação de formandos, a falta de saída profissional para estes e a tendência de tornar a formação profissional num ciclo vicioso de "subsidiação" e captação de votos.
Manifestantes na capital da Moldávia, Chisinau, invadiram o Parlamento em protesto contra a vitória do partido do governo, o Comunista, nas eleições gerais do último domingo
(...)
Mais de 30 pessoas, incluindo manifestantes e policiais, ficaram feridos nos confrontos em Chisinau, segundo informações dos serviços de saúde.
(...)
Segundo informações canais locais de televisão estão fora do ar e a rádio nacional está transmitindo música folclórica.
(...)
o Partido Liberal conseguiu quase 13% dos votos e o Partido Liberal Democrata ficou com 12%.
fonte: O Globo
post scriptum: um dado interessante «As eleições foram observadas por organizações europeias e internacionais, incluindo uma delegação de deputados ao Parlamento Europeu, que consideraram que as mesmas "foram bem organizadas e decorreram num clima calmo, pacífico e pluralista"»
Por defeito, não costumo revelar pormenores sobre mim, ou sobre os meus, neste sítio. Todavia, hoje será diferente. A razão prende-se com o facto que ao longo deste tempo pouco pessoalizei este espaço.
Este espaço é algo pessoal (partilhado pelos camaradas de escrita e por todos que cá vêm) de consulta pública (acho graça a esta definição de blog) mas pouco ênfase atribuí ao adjectivo pessoal nesta definição.
Em suma, esta conversa gasta e superficial serve para contextualizar o evento que hoje (em "ex-aequo" com o meu irmão que, porventura, é um gémeo meu e eu um dele o que implica que, por incrível que pareça, tenhamos a mesma idade) partilho: o meu aniversário.
Por favor, só um pequeno pormenor: qualquer intenção de oferenda, seja em dinheiro ou em género, que se possa realizar, pedia que fosse enviada para o "e-mail" de serviço. Sem mais, obrigado pela atenção, volte sempre e não se esqueça da moedinha.
post scriptum: o "e-mail" de serviço ou o possível repositório de oferendas dá-se pela seguinte sequência de caracteres: remisso@gmail.com.
Eis que surge BastoMédia. Depois da BastoTv estar em meditação profunda, após efémera actividade, a "televisão on-line" tem agora um novo sítio dedicado às Terras de Basto. Contudo, e mais uma vez, sente-se o particionamento da Região de Basto na comunicação social. Não nos iludamos, pois é apenas um reflexo da realidade vivida nas instituições e governações desta região.
Mais um pouco deste «sumo» nesta notícia no Público:« administração fiscal deixou prescrever um terço dos 10,9 milhões de euros de correcções ao IVA (...)»
Como leitura complementar, para contextualizarmos as notícias acima citadas, convém ler (ou reler) como o sistema financeiro em Portugal é discriminado (positivamente, pois claro):
«A banca teve €2.051 milhões de lucros em 2008, mas pagou menos €318 milhões de impostos»
«A taxa de IRC da banca portuguesa caíu para 12,5% no fim do primeiro semestre.»(sic)
Faleceu o monsenhor António Tanque Campos. Um clérigo e Director do Externato de S.Miguel de Refojos -indissociável a instituição e o director- , muito conceituado e respeitado pela sociedade cabeceirense. Fica aqui o registo de alguém que influenciou a vida (directa ou indirectamente) de muitos cabeceirenses.
«O candidato do PS à Câmara de Celorico de Basto, Lopes Teixeira disse hoje[Sexta-Feira] em Celorico que o município, gerido pelo PSD, 'tem de avançar rumo ao desenvolvimento, como sucede nos concelhos vizinhos geridos pelos socialistas(...)num acto em que participaram varias dezenas de militantes, bem como os presidentes das Câmaras de Cabeceiras de Basto, Joaquim Barreto, de Fafe, José Ribeiro, de Guimarães, António Magalhães e de Vizela, Francisco Ferreira.» in [Correio do Minho]
«Paula Nunes disse ainda que, nos anos 90 do século passado, circulavam grandes quantias de dinheiro no gabinete do autarca e que construtores civis e promotores imobiliários eram frequentadores assíduos da autarquia. As ofertas para campanhas eleitorais eram "normais" e, realçou, eram "dadas em jantares" , por vezes até "maços de notas cintados".» in [JN]
O nosso primeiro-ministro, José Sócrates, apresentou uma queixa-crime ao colunista do Diário de Notícias João Miguel Tavares. Em causa, está um artigo escrito por João Miguel Tavares que José Sócrates considerou como "ofensivo". Um artigo pejado com frases (como a que serve de título a este post) pouco abonatórias à "áurea" política e ética de José Sócrates. Há quem afirme que isto é um gesto politicamente néscio e juridicamente inócuo. Contudo, lá, como cá, a técnica não é singular, já se viu e o objectivo é claro. Por vezes, o maquiavélico plano não torna o resultado da sentença como um fim mas sim o processo que leva até ao resultado.
Alberto Foucinhas, assina o irreverente blog foucinhas e gadanhas. Está a dar os primeiros passos (como quem diz, os primeiros posts) neste formato de pensamento. De duas uma, o Alberto Foucinhas escreve mesmo como escreve ou temos, então, um original escritor que promete uns valentes risos.A acompanhar, com certeza.
vi) Facto:Domingos Névoa foi eleito Presidente da BRAVAL por causa da votação unânime das Câmaras Municipais de Braga(PS), Amares (PS), Vieira do Minho(Coligação PSD e CDS), Póvoa de Lanhoso(PSD) e Vila Verde (PSD).
Domingos Névoa renuncia ao cargo de presidente da administração da empresa intermunicipal Braval.
Pontos a realçar sobre esta questão:
i) O Bloco de Esquerda foi, durante algum tempo, a única força política a reagir a esta intentona contra a credibilidade. Valeu a determinação e a implícita declaração de «guerra aberta» contra a corrupção.
ii) O silêncio ensurdecedor, passo o paradoxo, de Mesquita Machado e, consequentemente, da estrutura regional do Partido Socialista. De pouco valeu (para as estruturas locais do partido) a "voz oficial" do PS, o ministro Santos Silva, condenar, em simultâneo com a maioria dos partidos políticos, a indigitação de Domingos Névoa para presidir a administração da Braval.
iii) A possibilidade de um "acordo parassocial" de uma empresa pública (pelo menos foi a desculpa oficial) validar que a ética e a credibilidade desta entidade seja "fulminada", sem qualquer oposição interna (conselho de administração), com a imposição "cavalheiresca" de Domingos Névoa.
iv) A promiscuidade nesta indigitação não começa nem acaba em Domingos Névoa. Há mais pr'além desta situação.
v) Esta situação evidencia que a democracia, tal como a conhecemos no "interior profundo" e não só, é um constante exercício de vigilância.
«Foi desenvolvido um novo robô no Reino Unido, capaz de conduzir investigação científica de forma autónoma(...)Isto marca a primeira vez em que um sistema robótico se tornou capaz de produzir descobertas com um mínimo de intervenção intelectual humana. No passado já era possível criar programas capazes de analisar dados para criar hipóteses, mas esta desta vez este robô é capaz de levar uma teoria científica da hipótese à experiência, reformulando a hipótese se for necessário – tudo sem assistência humana.» in [Exame Informática]
No passado dia dois de Abril do corrente ano, a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto promoveu na Biblioteca Municipal Dr. António Teixeira de Carvalho, em Arco de Baúlhe, o Dia Internacional do Livro Infantil assinalado em Cabeceiras de Basto. Uma iniciativa interessante com um objectivo nobre, que só pode ter resultados positivos.
Devo confessar que pouco interesse aplico à análise de sondagens, deixo-a para quem de direito aprecia. Porém, a recente sondagem Expresso/Sic/RR, indica uma subida na intenção de voto nos partidos ditos "grandes" ou, como os seus adeptos gostam de referir, partidos basilares para a democracia. Pois claro.
Neste rodopio de sondagens e sondas muitas conjecturas eleitorais se podem fabricar. Contudo, há algo que me preocupa em particular. A sistemática e persistente "fatia" de, pelo menos, 70 % de intenção de voto nos partidos ditos basilares para a democracia. Posso ser ingénuo nestas tarefas de analisar intenções mas algo que me irrita é a intenção de persistir no erro. Parafraseando alguém, se considerarmos que o insano é aquele que faz sempre a mesma coisa e espera resultados diferentes, então entenderão a minha irritação. PS e PSD foram e são os reflexos colectivos daquilo que está a assassinar a nossa cidadania e democracia:corrupção e o aparelhismo. Sei que estou a generalizar e que isto implica, certamente, injustiça na sentença. Mas os factos falam por si. Já é tempo de mudança.
José Emanuel Queirós, escreve um interessante texto sobre algo que me preocupa e que, pela amplitude dos factos, deveria preocupar muitos mais: BARRAGENS NO TÂMEGA - COM ESCLARECIMENTO E PREOCUPAÇÃO.
Para que não hajam confusões, insinuações ou comentários infelizes por parte de quem, muitas vezes, é desconhecedor da realidade desta honrosa e indispensável profissão, o que os enfermeiros reivindicam é pura e simplesmente justiça e igualdade de tratamento em igualdade de circunstâncias, comparativamente com classes profissionais equiparáveis ao seu grau de qualificação académica, dentro de um Estado que se diz de Direito, ou seja, que supostamente zela pela justiça e igualdade.
O Vítor Pimenta, num artigo, e os respectivos comentários, de aconselhável leitura, expõe com simplicidade e clareza (que a elegância da matemática obriga) os números com que se pauta o "desenvolvimento" da política de mobilidade e transporte em Portugal. A linha ferroviária do Tâmega está, praticamente, encerrada. São dezenas de anos de descuro por parte dos responsáveis pela exploração da linha que, com as técnicas habituais, evocam a segurança como argumento de fecho e não de reabilitação da linha. Tal como ontem, hoje, a mobilidade e o transporte são pedras basilares para um verdadeiro desenvolvimento de uma região. A razão determina que, independentemente dos tempos e vontades, as vias de comunicação e transporte são e serão uma necessidade. Isto implica que a discusão sobre os "caminhos-de-ferro" seja adjectivada de contemporânea e pertinente.
De facto, é curioso o argumento de que as vias de comunicação já estão (suficientemente) estabelecidas e, portanto, qualquer retoma para diversificar ou complementar o conceito de mobilidade e comunicação é redundante. Redundante é "etiquetar" as escolhas de ontem como os axiomas de amanhã. A relatividade do tempo implica que tudo seja relativo. Já é tempo de "(re)pensarmos" as consequências advidas das decisões de encerramento da linha do Tâmega.
A linha do Tâmega foi capitulada em 1990. Trocada por contrapartidas que ainda estão por realizar. Falo-vos da variante do Tâmega, uma contrapartida não realizada que, por mim, seria mais que suficiente para impugnar o protocolo que determinou o fecho da linha do Tâmega. Naquele tempo, acredito, que os políticos e governantes em boa vontade apostaram em critérios económicos (algo que não é congruente com o conceito de serviço público) para o encerramento parcial da linha ferroviária do Tâmega. Contudo, o passado mostrou-nos quão errados estavam. Entretanto, o presente "aponta" para a escolaha de uma via de transporte e comunicação mais económica e ecológica -a ferrovia.
Foi uma decisão política e governativa que determinou o encerramento e a desvalorização da ferrovia e, em contraponto, impulsionou a rodovia como meio privilegiado de comunicação. Como tal, somente uma decisão política e governativa pode reverter este processo (que ainda continua) de "alcatroamento" do país. Para isso, a mobilização dos cidadãos para este tema é essencial, pois, numa sociedade funcional, a vontade da maioria dos cidadãos deriva numa decisão política e governativa. Contudo, não é bem assim que o "sistema" actual funciona.
O "sistema" actual está baseado na capacidade de políticos e governantes (pois são estes os eleitos pelos cidadãos para decidir a que velocidade e a que direcção o processo de desenvolvimento deve-se pautar) em perspectivar formas e processos de desenvolvimento. Um desenvolvimento sustentável, ao nível das vias de comunicação e mobilidade, tem poucas alternativas (e.g. ferrovia) em se "encaixar" neste paradigma. O que implica uma rápida retoma na discussão pública sobre o assunto "caminho-de-ferro".
De realçar, que o governo prepara um investimento de 3,8 mil milhões de euros para uma linha ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Porto mas se retrai ao incentivar a manutenção e a reabilitação da linha ferroviária, dita "tradicional", em Portugal. Um comportamento que está a sentenciar o conceito de ferrovia em Portugal. Será que o adjectivo e o substantivo "alta-velocidade" provocam, realmente, esta diferença de comportamento? Ou será que é algo mais? Ficam as dúvidas.
Como conclusão cito Pedro Garcias: Um Governo assim, se não for castigado pelos votos, sê-lo-á, certamente, pela História."